Cinema, literatura, Histórias em quadrinhos, artes plásticas, relacionamento e variedades.
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terça-feira, 7 de setembro de 2010
Uma Rua Chamada Pecado
Quase 60 anos depois, o clássico Uma Rua Chamada Pecado demonstra sua força e só fica ainda melhor com o tempo. E não é difícil entender o fascínio que esse filme causa entre os cinéfilos que sabem apreciar um ótimo filme. Aqui temos Marlon Brando em um de seus primeiros papéis, interpretando o temperamental Stanley Kowalski, um homem que domina os sentimentos de sua esposa Stella Kowalski. Stanley é explosivo, imprevisível e rude, mas manipula a esposa através de sentimentos e desejos. Mas este vê as coisas dificultarem para o seu lado quando a cunhada Blanche DuBois vai visitá-los. Blanche é o inverso de Stanley, ela é frágil, indecisa e desiludida, uma mulher em busca de respostas, mas fugindo de um passado problemático com o marido que se suicidou. Stella, esposa de Stanley tenta se opor aos anseios deste, mas acaba por sucumbir sempre aos truques e provocações, por vezes chantagens emocionais. Blanche não se agrada do comportamento de Stanley, e condena suas atitudes grosseiras. Começa aí um choque de idéias e comportamentos. Mitch, um amigo de Stanley começa a cortejar Blanche e tratá-la com cavalheirismo, indo contra as atitudes do amigo, elevando ainda mais a discórdia naquela casa.
Baseado na peça teatral Um Bonde Chamado Desejo, do dramaturgo americano Tennessee Williams, esse texto é uma das mais contundentes manifestações artísticas dos anos 40, uma obra-prima que o diretor Elia Kazan só fez engrandecer ainda mais em sua versão cinematográfica. Poucas vezes na tela do cinema um filme funcionou tão perfeitamente quanto Uma Rua Chamada Pecado. A direção de Kazan é primorosa, uma verdadeira aula cineematogáfica. Kazan é conhecido por ter sido um dos fundadores do Actors Studio, uma associação que tinha por objetivo formar atores com um alto índice de qualidade nas interpretações. Ganhou seu primeiro Oscar dirigindo Gregory Peck no sucesso anti-semita A Luz é para Todos (1947). O segundo seria com Sindicato de Ladrões (1954). Sempre conduziu magistralmente seus atores, entre eles James Dean em Vidas Amargas (1954). E é em Uma Rua Chamada Pecado que reside talvez a atuação de um elenco mais magistral da história do cinema. Nunca um filme conseguiu ter atores tão excepcionais em inteira sintonia. Dos quatro atores principais, vamos começar por Marlon Brando, que na minha opinião foi o maior ator do cinema mundial de todos os tempos. Brando era de um carisma fora de série. Seu método de interpretação era intensa, única. Aluno do Actors Studio, Brando além de Uma Rua Chamada Pecado, brilhou muito em filmes como Viva Zapata! (de 1952, onde faz um inesquecível mexicano no papel-título, dirigido por Kazan), Júlio César (1953, no papel de Marco Antonio), Sindicato de Ladrões (1954, ganhando seu primeiro Oscar, em outro filme de Elia Kazan), O Poderoso Chefão (1972, ganhando seu segundo Oscar, no qual ele recusou ir recebê-lo), O Último Tango em Paris (1973, uma das maiores interpretações masculinas de todos os tempos) e Apocalypse Now (1979, ele aparece pouco tempo como o transtornado coronel Kurtz, mas é suficiente pra roubar o filme). Pra quem gosta do cinema comercial, Brando é mais conhecido pelo filme Superman, onde interpreta o pai verdadeiro do homem de aço. Vivien Leigh fez alguns filmes alguns filmes e faleceu mais de 30 anos antes do que os outros três atores principais com os quais ela contracena; sua morte foi no ano de 1967. Vivien teve sua primeira aparição no cinema com o célebre clássico ...E o Vento Levou (no inesquecível papel de Scarlett O’Hara), um dos melhores filmes de todos os tempos no qual ela ganhou seu primeiro Oscar de melhor atriz, o que se repetiria em Uma Rua Chamada Pecado. Daí pra frente Vivien já havia se tornado uma das grandes estrelas de Hollywood. Um de seus maiores sucessos foi A Ponte de Waterloo. Karl Malden (falecido no ano passado) foi um dos atores mais confiáveis de Hollywood e um dos mais talentosos. Trabalhou em conjunto com Marlon Brando em alguns filmes, entre eles A Face Oculta (1961, único filme dirigido por Brando). Kim Hunter foi a segunda do elenco a falecer (em 2002). Ela é mais lembrada pelo sucesso O Planeta dos Macacos (1968) em que faz a personagem Zira, uma macaca que ajuda os humanos. Por Uma Rua Chamada Pecado Malden e Hunter venceram os Oscars de ator e atriz coadjuvante, respectivamente.
O texto de Tenessee Williams era bastante ousado para a época, pois falava de relacionamentos conturbados, desejos reprimidos (Fica subentendido que Blanche sentia atração por Stanley), insinuações sexuais, tendências homossexuais e vários outros assuntos que pra época era algo que não se discutia em qualquer lugar. O título original A Streetcar Named Desire não foi traduzido corretamente aqui no Brasil, possivelmente por conter a palavra “desejo”, sendo substituído por Uma Rua Chamada Pecado. A peça escrita em 1947 (quatro anos antes do filme) foi encenada nos palcos americanos. por Marlon Brando, Jessica Tandy (de Conduzindo Miss Daisy), Kim Hunter e Karl Malden. Vivien Leigh participou da versão londrina, ao lado de Bonar Colleano e Renee Asherson.
Uma Rua Chamada Pecado é um filme que cresce à medida que a tensão entre seus protagonistas vão aumentando, culminando na cena em que Stanley descobre o segredo do passado de Blanche e não hesita em contar pra todos ali, acabando de vez com aquela mulher amargurada. Entre as cenas mais marcantes, a que mais se destaca é aquela que Brando chega na frente de sua casa e grita: Hey, Stela! Toda essa cena é de um primor extraordinário.
Estranhamente, dos quatro atores principais em cena, Brando foi o único a não ser premiado com o Oscar. O filme também levou o Oscar de melhor direção de arte. Foram quatro prêmios entre onze indicações.
Uma Rua Chamada Pecado é o maior exemplo de como se adaptar uma peça teatral para as telas sem se tornar chato e cansativo. Um clássico absoluto.
Nota: 5 de 5
Ttitulo original: Streetcar Named Desire
Lançamento: 1951 (EUA)
Direção: Elia Kazan
Atores: Marlon Brando, Vivien Leigh, Karl Malden e Kim Hunter
Duração: 125 minutos
Drama
Marcadores:
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Vivien Leigh
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Palíndromo
Pra quem não sabe, palíndromo é uma palavra, frase ou número que pode ser lido de trás pra frente, ou da esquerda pra direita e vice-versa. Vai de pequenas palavras até frases grandes.
Eis alguns exemplos de palindromos:
Uma palavra:
Asa
Ovo
Mussum
Arara
Radar
Reviver
Rodador
Mirim
Osso
Rapar
Duas palavras:
Alô bola
Ato idiota
Luz azul
Ladra pardal
Rede ceder
Lata natal
Três palavras:
Amor à Roma
Após a sopa
O céu sueco
Oi, rato otário
Tucano na CUT
Quatro palavras:
Livre do poder vil
O galo no lago
A torre da derrota
Ali, lado da Lila
A sacada da casa
Cinco palavras:
A cara rajada da jararaca
Rir, o breve verbo rir
Oh nossas luvas avulsas, sonho...
Mais palavras:
Zé de Lima, Rua Laura, Mil e Dez
Ah, livre era papai noel, Leon ía papar é ervilha
Acata o danado... e o danado ataca
A semana toda lemos: só melado tá na mesa
Ararás. A cuca roda. Ata é bom semear. Assem-a sem ovo, mês a mês, sara. E mesmo beata, a dor, a cuca sarará
Assim a aluna anula a missa
E até o Papa poeta é
E telas eram usadas à caneta até na casa da Sumaré, Salete!"
Em roda, tropa; após a sopa, à porta dorme
Lá tá no novo; e sem o califa na fila come-se ovo no Natal
O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro
Oto come doce seco de mocotó
Reverta é verbo, O vivo breve é, Sabe bem amá-lo o Lama, Me beba se é verbo vivo, O breve atrever
Seco de raiva, coloco no colo caviar e doces
Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos
Eva, a rara ave, aérea é. Vá, arara. Ave
O interessante é pesquisar e descobrir os inúmeros palíndromos feitos, e até mesmo tentarmos criar alguns. O maior palíndromo da nossa língua tem 320 palavras e foi feito pelo palindromista Ziro Roriz. Reparem como o nome dele também é um palíndromo.
Eis alguns exemplos de palindromos:
Uma palavra:
Asa
Ovo
Mussum
Arara
Radar
Reviver
Rodador
Mirim
Osso
Rapar
Duas palavras:
Alô bola
Ato idiota
Luz azul
Ladra pardal
Rede ceder
Lata natal
Três palavras:
Amor à Roma
Após a sopa
O céu sueco
Oi, rato otário
Tucano na CUT
Quatro palavras:
Livre do poder vil
O galo no lago
A torre da derrota
Ali, lado da Lila
A sacada da casa
Cinco palavras:
A cara rajada da jararaca
Rir, o breve verbo rir
Oh nossas luvas avulsas, sonho...
Mais palavras:
Zé de Lima, Rua Laura, Mil e Dez
Ah, livre era papai noel, Leon ía papar é ervilha
Acata o danado... e o danado ataca
A semana toda lemos: só melado tá na mesa
Ararás. A cuca roda. Ata é bom semear. Assem-a sem ovo, mês a mês, sara. E mesmo beata, a dor, a cuca sarará
Assim a aluna anula a missa
E até o Papa poeta é
E telas eram usadas à caneta até na casa da Sumaré, Salete!"
Em roda, tropa; após a sopa, à porta dorme
Lá tá no novo; e sem o califa na fila come-se ovo no Natal
O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro
Oto come doce seco de mocotó
Reverta é verbo, O vivo breve é, Sabe bem amá-lo o Lama, Me beba se é verbo vivo, O breve atrever
Seco de raiva, coloco no colo caviar e doces
Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos
Eva, a rara ave, aérea é. Vá, arara. Ave
O interessante é pesquisar e descobrir os inúmeros palíndromos feitos, e até mesmo tentarmos criar alguns. O maior palíndromo da nossa língua tem 320 palavras e foi feito pelo palindromista Ziro Roriz. Reparem como o nome dele também é um palíndromo.
sábado, 28 de agosto de 2010
A Morte do Super-Homem
As histórias em quadrinhos são reconhecidas nos dias de hoje como uma arte outrora desvalorizada no passado por muita gente. Muitos não davam crédito às histórias em quadrinhos (ou HQs) e as consideravam de baixo nível artístico. O fato é que isso na verdade faz parte de uma injustiça que aos poucos foi sendo corrigida. Nos anos 80, obras como Batman – O Cavaleiro das trevas, Batman – Ano Um, Watchmen e Crise nas Infinitas Terras, entre outras, abriram espaço para as HQs brilharem. Não que antes delas não houvesse qualidade, muito pelo contrário. Mas foi nos anos 80 que estourou um gosto maior pelos quadrinhos. Autores e desenhistas ganhavam projeção mundial e tudo foi se elevando a um patamar hoje reconhecido como arte verdadeira.
Sempre fui grande admirador de HQs, tenho minha coleção até hoje. Mas uma coisa precisamos ser justos, há uma certa inverossimilhança em algumas dessas histórias que não poderia passar em branco. Sempre me perguntei por que havia uma sede das empresas de HQs em matar personagens famosos só pra depois revivê-los e ficar às claras que tudo foi uma grande jornada publicitária só pra vender vários exemplares, dando uma nova alavancada numa indústria que vez ou outra se mostra em crises financeiras.
Quando em 1993 foi anunciada uma nova saga chamada A Morte do Super-Homem, vi que haviam chegado ao extremo do absurdo. Afinal de contas, todos sabiam que um dia mais cedo ou mais tarde teriam que "ressuscitá-lo" e dar continuidade às suas histórias, porque não se tratava de um coadjuvante sem importância ou um personagem que não havia dado certo, mas sim o super-herói mais famoso e imitado do mundo.
Nos anos 80, um personagem da editora Marvel matou um personagem importante chamado Capitão Marvel, o nome era A Morte do Capitão Marvel. Mas essa história é tão bem feita que se tornou um clássico. Ele não voltaria mais e tudo ficou naquilo mesmo. Confesso que é uma das melhores HQs que já li. Mas posso dizer que foi uma rara exceção. Em A Morte do Super-Homem, vemos que tudo foi feito como uma jogada de marketing para vender muitas revistas e evitar um possível cancelamento das histórias do homem de aço, ou seja, nada melhor do que causar uma enorme revolução pra depois usar isso a favor próprio. A história é bem simples: o Super-Homem enfrenta um ser alienígena chamado Apocalypse. Em meio a uma enorme batalha, o kriptoniano e o monstro acabam morrendo. Nem discuto as qualidades ou os defeitos da obra, sendo que há um pouco dos dois nela, mas sim essa gigantesca jogada pra vender exemplares. A saga A morte do Super-Homem foi publicada aqui no Brasil numa edição com 160 páginas, ao que se seguiram a mini-série Funeral para um Amigo e logo depois O Retorno do Super-Homem. Nem preciso dizer que tudo isso funcionou às mil maravilhas e tirou o personagem das baixas vendas e de histórias fracas que ele vivia na época e projetou a uma nova fase de bons autores, boas idéias. Esse foi o saldo positivo disso tudo. Sendo assim, a saga da morte acaba sendo mais um objeto de curiosidade (ou apelação) do que propriamente algo artístico, dando um novo impulso e vindo a ser importante o que viria depois disso.
Em 2007 foi lançada uma animação chamada A Morte do Superman (na tv e cinema o personagem é chamado por seu nome no original em inglês), baseada na HQ. Pra quem não gosta de histórias em quadrinhos ou tem dificuldade pra achar essa obra, vale dar uma conferido nesse desenho animado.
A HQ a Morte do Super-Homem não é uma história ruim (ainda que não tenha grande inspiração e de certa forma não funcione tão bem), ficando como nostalgia para os colecionadores de HQs. Mas com certeza não estará na lista das melhores obras em quadrinhos já feitas.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Filmes que fazem refletir
Vou fazer uma série de comentários sobre filmes, destacando alguns ótimos exemplares em cada gênero ou grupo específico. Pra começar, fiz uma listagem de 20 filmes que mexem com as emoções e têm muito a dizer. São 20 filmes que tratam de assuntos diversos, mas que têm em comum o fato de serem histórias que emocionam e fazem refletir. São filmes que merecem ser vistos e revistos. Alguns deles são exibidos por professores e orientadores em colégios, escolas e instituições. Os filmes relacionados abaixo que tiverem escrito LIVRE podem ser exibidos tranquilamente para alunos de qualquer faixa etária, os demais ficam a critério dos exibidores. Posteriormente, farei uma segunda lista, acrescentando outros filmes que aqui ficaram de fora pra não estender demais.
Sociedade dos Poetas Mortos (1989):
Na Inglaterra dos anos 60, um professor (Robin Williams) tenta quebrar o conservadorismo de um rígido colégio, mostrando aos seus alunos que eles têm o direito de serem livres, aproveitando suas vidas de maneira extraordinária. Mas seus métodos nada conservadores não agradam a todos e isso irá gerar graves conseqüências. Obra-prima do diretor Peter Weir. Um filme emocionante que, mais de 20 anos depois continua super atual. Venceu o Oscar de Roteiro original. LIVRE.
O Óleo de Lorenzo (1991):
Um casal (Nick Nolte e Susan Sarandon) tem suas vidas mudadas quando seu filho apresenta uma grave doença diagnosticada como ADL. Depois de procurarem ajuda médica e verem que há falta de medicamentos e até mesmo de atenção, resolvem eles mesmos partirem a uma difícil jornada pela cura da criança. Baseado na história real de Lorenzo Odone, falecido em maio de 2008. Filme difícil e comovente que leva às lágrimas. Dirigido por George Miller. LIVRE.
Garota, Interrompida (1999):
Uma jovem (Winona Ryder) com distúrbio de personalidade é internada pelos pais em um hospital psiquiátrico. Lá, ela descobre uma nova razão de viver, conhecendo seus limites e descobrindo que sua maior adversidade é ela mesma. Aos poucos vai se dando conta que as pacientes são dominadas por uma das internas (Angelina Jolie). Eficiente drama do diretor James Mangold. Oscar de atriz coadjuvante para Jolie.
Longe Dela (2007):
Uma mulher de meia idade (Julie Christie) vê sua vida desmoronar quando descobre estar com o mal de Alzheimer. Mesmo com a relutância do marido (Gordon Pinsent), ela se interna em uma clínica. Ele, sem poder visitá-la no primeiro mês, descobre depois que ela se afeiçoou a um antigo namorado. Por amor, ele então vai aceitando tudo aquilo, compreendendo que tudo faz parte da doença. Filme tocante e de uma leveza magnífica, dirigido pela atriz Sarah Polley. LIVRE.
O Expresso da Meia-Noite (1979):
Um estudante americano (Brad Davis) entra na Turquia com a droga haxixe amarrado pelo corpo. No aeroporto ele é detido e levado à prisão. Lá ele vai viver o pior pesadelo de sua vida, sendo regularmente espancado e humilhado. Seus julgamentos parecem levá-lo apenas a permanecer mais tempo ali. Um dos filmes mais barra-pesada do cinema, de grande impacto emocional. Vencedor de 2 Oscars. Direção de Ala Parker.
Meu Pé Esquerdo (1989):
O drama de Christy Brown (Daniel Day-Lewis), irlandês que nasceu com uma paralisia cerebral. Seus movimentos estendem-se apenas a seu pé esquerdo, e é através dele que Brown vai se tornar um dedicado escritor e pintor. Brown luta para superar suas dificuldades, contando com a ajuda de familiares e amigos. Primeiro Oscar de melhor ator para Day-Lewis e de atriz coadjuvante para Brendan Fricker. Direção: Jim Sheridan. LIVRE
Hotel Ruanda (2006):
Em Ruanda no ano de 1994, durante choques de dois povos, um massacre arrasa milhares de pessoas. O gerente de um hotel (Don Cheadle) se esforça para salvar vidas, escondendo ali várias pessoas. Aos poucos ele vai descobrindo que seu próprio povo pode ser o maior inimigo de si mesmo. Baseado em uma história real, esse filme denuncia um dos vários regimes autoritários vigentes na África, de forma crua e direta. Direção: Terry George.
Quando um Homem Ama uma Mulher (1994):
Um piloto (Andy Garcia) vê seu casamento desmoronar aos poucos quando sua mulher se entrega ao alcoolismo. Para não perder a mulher amada (Meg Ryan), ele faz de tudo para livrá-la do vício, nem que para isso tenha que abandoná-la por uns tempos. Drama romântico que exemplifica muito bem o amor de um homem por uma mulher. Direção: Luis Mandoki. LIVRE.
Uma Lição de Amor (2001):
Um pai com atraso mental (Sean Penn), consegue cuidar sozinho de sua pequena filha (Dakota Fanning), mas de acordo ela vai crescendo, as coisas vão piorando para ele. Evitando ser mais inteligente que o pai, ela decide não evoluir nos estudos, fazendo com que a justiça tente tomá-la dele. Comovente história que trata do amor entre pai e filha. Direção: Jessie Nelson. LIVRE.
Shine – Brilhante (1996):
A história real do pianista australiano David Helfgott (Geoffrey Rush), sua trajetória de lutas e superação, contada desde sua infância em turbulência com o pai, passando pela adolescência quando ele surta em plena apresentação, e concluindo com sua fase adulta e o reconhecimento do público. Belíssimo drama vencedor do Oscar de melhor ator para Rush. Direção: Scott Hicks. LIVRE
Nascido em 4 de Julho (1989):
Ron Kovic (Tom Cruise) é um jovem americano que sonha em defender o seu país na guerra do Vietnã. Ferido em combate, fica deficiente. Ao ver o mundo através de uma cadeira de rodas, vê seus ideais patrióticos irem embora e vai se dando conta que participou de uma guerra mentirosa e insana. Agora, indo contra seus antigos conceitos, luta para expor suas idéias contra a guerra. Fortíssimo filme, o melhor protagonizado por Cruise, e dirigido por Oliver Stone. Vencedor de 2 Oscars.
Menina de Ouro (2004):
Uma garçonete tem o sonho de virar uma boxeadora e mudar de vida. Ela pede ajuda a um boxeador que a princípio lhe desanima. Mas ela não desiste e quer ir até o fim com os treinamentos. Seu sonho é realizado, mas uma tragédia lhe deixa sem movimento no corpo. Vendo-a sofrer, o treinador recebe dela um último pedido que mudará para sempre suas vidas. Obra amarga e triste, um dos melhores filmes dirigidos por Eastwood. Vencedor de 4 Oscars.
Filhos da Guerra (1991):
Para não ser morto em um campo de concentração durante a segunda guerra Mundial, um jovem judeu (Marco Hofschneider) se disfarça de soldado nazista e consegue engana-los. Para não ter seu disfarce revelado, ele precisa levar adiante de qualquer maneira sua nova vida. Filme alemão que foi proibido pelo próprio país de participar da seleção a finalista de filme estrangeiro, devido ao alto teor crítico presente na obra. Direção: Agnieszka Holland.
Farrapo Humano (1945):
Um homem alcoólatra (Ray Milland) já não consegue ao menos levar adiante sua vida de escritor, vindo a estragar também seu relacionamento com a namorada. Ela tenta ajuda-lo, mas ele se entrega cada vez mais ao vício, até que um dia vai parar em uma clínica de reabilitação. Fugindo de lá, tem um delírio em seu apartamento. Filme contundente sobre o vício alcoólico. Vencedor de 4 Oscars. Direção: Billy Wilder. LIVRE.
O Lenhador (2004):
Um homem (Kevin bacon) sai da prisão depois de 12 anos, acusado de pedofilia. Ele vai morar em um apartamento que fica em frente a uma escola primária. Seu agente da condicional lhe visita sempre, com bastante hostilidade. Enquanto isso, seus colegas de trabalho se afastam dele. Uma menina começa a lhe fazer remeter ao passado. Filme polêmico que trata de um assunto bastante controverso, com um final que é um soco no estômago. Direção: Nicole Kassell.
Kramer Vs. Kramer (1979):
Ted Kramer (Dustin Hoffman) certo dia te uma desagradável surpresa: sua mulher Joanna Kramer (Meryl Streep) lhe abandona e deixa o filho pequeno com ele. Inconformado, porém ele tem que levar a vida adiante e precisa reconciliar seu trabalho e os cuidados do filho. Mas o futuro lhe reserva outra surpresa: Joana retorna depois de algum tempo, entrando na justiça pela guarda do filho. Bom drama, com final triunfante. Vencedor de 5 Oscars. Direção: Robert Benton. LIVRE.
Hurricane - O Furacão (1999):
História real do lutador de boxe Rubin 'Hurricane' Carter (Denzel Washington)que nos anos 60 foi injustamente condenado por um crime que não cometeu. Na prisão, ele escreve um livro sobre sua vida. Um grupo de leitores ativistas se comove pela história e tenta encontrar e juntar provas que provem sua inocência. Drama que fala sobre o racismo e a intolerância, com um ótimo desempenho de Denzel que lhe rendeu o Globo de Ouro de melhor ator. Direção: Norman Jewison. LIVRE.
O Doce Amanhã (1997):
Um grave acidente de ônibus escolar acaba matando todos, exceto uma aluna. Um advogado tenta convencer os familiares das vítimas a processar a empresa e ganhar indenização. Mas, ele vai descobrindo que as pessoas talvez não estejam preparadas pra pensarem em dinheiro num momento daquele. Enquanto isso, a única sobrevivente é molestada pelo próprio pai. Drama que trata de assuntos dolorosos, sempre difícil de assistir. Direção: Atom Egoyan.
Os Gritos do Silêncio (1984):
Durante a invasão do Camboja, um jornalista (Sam Waterston) tenta tirar seu guia (Haing S Ngor) daquele país antes que este seja morto. Mas o guia é mandado a um campo de prisioneiros, onde é torturado. A única forma de sobrevivência parece ser a fuga. Um dos filmes que melhor define o estado de alerta e miséria em que se transforma uma cidade dominada pela guerra. Vencedor de 3 Oscars. Direção de Roland Joffé.
Gente como a Gente (1980):
Um acidente de barco acaba matando um jovem. Sua família fica profundamente abalada, mas é o irmão que estava também no barco, que acaba sendo o mais afetado. Ele acha que é o culpado pela tragédia. Sua mãe não lhe dá a devida atenção, enquanto o pai se revela mais humano. O jovem então começa a fazer tratamentos psiquiátricos. Drama que foi muito importante em sua época e que até hoje ainda mexe com as emoções, dirigido pelo ator Robert Redford. Vencedor de 4 Oscars. LIVRE
Sociedade dos Poetas Mortos (1989):
Na Inglaterra dos anos 60, um professor (Robin Williams) tenta quebrar o conservadorismo de um rígido colégio, mostrando aos seus alunos que eles têm o direito de serem livres, aproveitando suas vidas de maneira extraordinária. Mas seus métodos nada conservadores não agradam a todos e isso irá gerar graves conseqüências. Obra-prima do diretor Peter Weir. Um filme emocionante que, mais de 20 anos depois continua super atual. Venceu o Oscar de Roteiro original. LIVRE.
O Óleo de Lorenzo (1991):
Um casal (Nick Nolte e Susan Sarandon) tem suas vidas mudadas quando seu filho apresenta uma grave doença diagnosticada como ADL. Depois de procurarem ajuda médica e verem que há falta de medicamentos e até mesmo de atenção, resolvem eles mesmos partirem a uma difícil jornada pela cura da criança. Baseado na história real de Lorenzo Odone, falecido em maio de 2008. Filme difícil e comovente que leva às lágrimas. Dirigido por George Miller. LIVRE.
Garota, Interrompida (1999):
Uma jovem (Winona Ryder) com distúrbio de personalidade é internada pelos pais em um hospital psiquiátrico. Lá, ela descobre uma nova razão de viver, conhecendo seus limites e descobrindo que sua maior adversidade é ela mesma. Aos poucos vai se dando conta que as pacientes são dominadas por uma das internas (Angelina Jolie). Eficiente drama do diretor James Mangold. Oscar de atriz coadjuvante para Jolie.
Longe Dela (2007):
Uma mulher de meia idade (Julie Christie) vê sua vida desmoronar quando descobre estar com o mal de Alzheimer. Mesmo com a relutância do marido (Gordon Pinsent), ela se interna em uma clínica. Ele, sem poder visitá-la no primeiro mês, descobre depois que ela se afeiçoou a um antigo namorado. Por amor, ele então vai aceitando tudo aquilo, compreendendo que tudo faz parte da doença. Filme tocante e de uma leveza magnífica, dirigido pela atriz Sarah Polley. LIVRE.
O Expresso da Meia-Noite (1979):
Um estudante americano (Brad Davis) entra na Turquia com a droga haxixe amarrado pelo corpo. No aeroporto ele é detido e levado à prisão. Lá ele vai viver o pior pesadelo de sua vida, sendo regularmente espancado e humilhado. Seus julgamentos parecem levá-lo apenas a permanecer mais tempo ali. Um dos filmes mais barra-pesada do cinema, de grande impacto emocional. Vencedor de 2 Oscars. Direção de Ala Parker.
Meu Pé Esquerdo (1989):
O drama de Christy Brown (Daniel Day-Lewis), irlandês que nasceu com uma paralisia cerebral. Seus movimentos estendem-se apenas a seu pé esquerdo, e é através dele que Brown vai se tornar um dedicado escritor e pintor. Brown luta para superar suas dificuldades, contando com a ajuda de familiares e amigos. Primeiro Oscar de melhor ator para Day-Lewis e de atriz coadjuvante para Brendan Fricker. Direção: Jim Sheridan. LIVRE
Hotel Ruanda (2006):
Em Ruanda no ano de 1994, durante choques de dois povos, um massacre arrasa milhares de pessoas. O gerente de um hotel (Don Cheadle) se esforça para salvar vidas, escondendo ali várias pessoas. Aos poucos ele vai descobrindo que seu próprio povo pode ser o maior inimigo de si mesmo. Baseado em uma história real, esse filme denuncia um dos vários regimes autoritários vigentes na África, de forma crua e direta. Direção: Terry George.
Quando um Homem Ama uma Mulher (1994):
Um piloto (Andy Garcia) vê seu casamento desmoronar aos poucos quando sua mulher se entrega ao alcoolismo. Para não perder a mulher amada (Meg Ryan), ele faz de tudo para livrá-la do vício, nem que para isso tenha que abandoná-la por uns tempos. Drama romântico que exemplifica muito bem o amor de um homem por uma mulher. Direção: Luis Mandoki. LIVRE.
Uma Lição de Amor (2001):
Um pai com atraso mental (Sean Penn), consegue cuidar sozinho de sua pequena filha (Dakota Fanning), mas de acordo ela vai crescendo, as coisas vão piorando para ele. Evitando ser mais inteligente que o pai, ela decide não evoluir nos estudos, fazendo com que a justiça tente tomá-la dele. Comovente história que trata do amor entre pai e filha. Direção: Jessie Nelson. LIVRE.
Shine – Brilhante (1996):
A história real do pianista australiano David Helfgott (Geoffrey Rush), sua trajetória de lutas e superação, contada desde sua infância em turbulência com o pai, passando pela adolescência quando ele surta em plena apresentação, e concluindo com sua fase adulta e o reconhecimento do público. Belíssimo drama vencedor do Oscar de melhor ator para Rush. Direção: Scott Hicks. LIVRE
Nascido em 4 de Julho (1989):
Ron Kovic (Tom Cruise) é um jovem americano que sonha em defender o seu país na guerra do Vietnã. Ferido em combate, fica deficiente. Ao ver o mundo através de uma cadeira de rodas, vê seus ideais patrióticos irem embora e vai se dando conta que participou de uma guerra mentirosa e insana. Agora, indo contra seus antigos conceitos, luta para expor suas idéias contra a guerra. Fortíssimo filme, o melhor protagonizado por Cruise, e dirigido por Oliver Stone. Vencedor de 2 Oscars.
Menina de Ouro (2004):
Uma garçonete tem o sonho de virar uma boxeadora e mudar de vida. Ela pede ajuda a um boxeador que a princípio lhe desanima. Mas ela não desiste e quer ir até o fim com os treinamentos. Seu sonho é realizado, mas uma tragédia lhe deixa sem movimento no corpo. Vendo-a sofrer, o treinador recebe dela um último pedido que mudará para sempre suas vidas. Obra amarga e triste, um dos melhores filmes dirigidos por Eastwood. Vencedor de 4 Oscars.
Filhos da Guerra (1991):
Para não ser morto em um campo de concentração durante a segunda guerra Mundial, um jovem judeu (Marco Hofschneider) se disfarça de soldado nazista e consegue engana-los. Para não ter seu disfarce revelado, ele precisa levar adiante de qualquer maneira sua nova vida. Filme alemão que foi proibido pelo próprio país de participar da seleção a finalista de filme estrangeiro, devido ao alto teor crítico presente na obra. Direção: Agnieszka Holland.
Farrapo Humano (1945):
Um homem alcoólatra (Ray Milland) já não consegue ao menos levar adiante sua vida de escritor, vindo a estragar também seu relacionamento com a namorada. Ela tenta ajuda-lo, mas ele se entrega cada vez mais ao vício, até que um dia vai parar em uma clínica de reabilitação. Fugindo de lá, tem um delírio em seu apartamento. Filme contundente sobre o vício alcoólico. Vencedor de 4 Oscars. Direção: Billy Wilder. LIVRE.
O Lenhador (2004):
Um homem (Kevin bacon) sai da prisão depois de 12 anos, acusado de pedofilia. Ele vai morar em um apartamento que fica em frente a uma escola primária. Seu agente da condicional lhe visita sempre, com bastante hostilidade. Enquanto isso, seus colegas de trabalho se afastam dele. Uma menina começa a lhe fazer remeter ao passado. Filme polêmico que trata de um assunto bastante controverso, com um final que é um soco no estômago. Direção: Nicole Kassell.
Kramer Vs. Kramer (1979):
Ted Kramer (Dustin Hoffman) certo dia te uma desagradável surpresa: sua mulher Joanna Kramer (Meryl Streep) lhe abandona e deixa o filho pequeno com ele. Inconformado, porém ele tem que levar a vida adiante e precisa reconciliar seu trabalho e os cuidados do filho. Mas o futuro lhe reserva outra surpresa: Joana retorna depois de algum tempo, entrando na justiça pela guarda do filho. Bom drama, com final triunfante. Vencedor de 5 Oscars. Direção: Robert Benton. LIVRE.
Hurricane - O Furacão (1999):
História real do lutador de boxe Rubin 'Hurricane' Carter (Denzel Washington)que nos anos 60 foi injustamente condenado por um crime que não cometeu. Na prisão, ele escreve um livro sobre sua vida. Um grupo de leitores ativistas se comove pela história e tenta encontrar e juntar provas que provem sua inocência. Drama que fala sobre o racismo e a intolerância, com um ótimo desempenho de Denzel que lhe rendeu o Globo de Ouro de melhor ator. Direção: Norman Jewison. LIVRE.
O Doce Amanhã (1997):
Um grave acidente de ônibus escolar acaba matando todos, exceto uma aluna. Um advogado tenta convencer os familiares das vítimas a processar a empresa e ganhar indenização. Mas, ele vai descobrindo que as pessoas talvez não estejam preparadas pra pensarem em dinheiro num momento daquele. Enquanto isso, a única sobrevivente é molestada pelo próprio pai. Drama que trata de assuntos dolorosos, sempre difícil de assistir. Direção: Atom Egoyan.
Os Gritos do Silêncio (1984):
Durante a invasão do Camboja, um jornalista (Sam Waterston) tenta tirar seu guia (Haing S Ngor) daquele país antes que este seja morto. Mas o guia é mandado a um campo de prisioneiros, onde é torturado. A única forma de sobrevivência parece ser a fuga. Um dos filmes que melhor define o estado de alerta e miséria em que se transforma uma cidade dominada pela guerra. Vencedor de 3 Oscars. Direção de Roland Joffé.
Gente como a Gente (1980):
Um acidente de barco acaba matando um jovem. Sua família fica profundamente abalada, mas é o irmão que estava também no barco, que acaba sendo o mais afetado. Ele acha que é o culpado pela tragédia. Sua mãe não lhe dá a devida atenção, enquanto o pai se revela mais humano. O jovem então começa a fazer tratamentos psiquiátricos. Drama que foi muito importante em sua época e que até hoje ainda mexe com as emoções, dirigido pelo ator Robert Redford. Vencedor de 4 Oscars. LIVRE
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Maria-vai-com-as-outras
Não sei se é do conhecimento de todos, mas a expressão “Maria-vai-com-as-outras" se refere a pessoas que se deixam levar pelo que outras pessoas falam. Fazem tudo que lhe mandarem, ou seja, não têm opinião própria e andam com as “pernas” dos outros. Já vi e convivi com muitas pessoas assim, pessoas essas que parecem não terem discernimento próprio e precisam dos outros para lhes dizer o que deve ser dito ou feito. De início, acho que isso comprova uma falta de amadurecimento, falta até mesmo de personalidade, se subjugando a opiniões alheias. Obviamente há conselhos e dicas que vêm em boa hora, mas isso se dá em alguns momentos, não algo permanente em nossas vidas. É importante notar que, algumas pessoas se aproveitam dessas pessoas “manipuláveis” e começam a tomar conta total de suas vidas.
Um dia alguém me disse: “Se uma pessoa quer tomar atitudes em sua vida, mas não tem certa coragem pra isso, vá a um bar e ‘toma uma’, assim ficará preparado pra qualquer decisão”. Só olhei pra aquele pobre coitado e constatei que, se eu me deixasse levar pelos seus conselhos, eu estaria hoje pelas sarjetas da vida. É preciso saber quem está do nosso lado, nos orientando nos momentos em que estamos precisando de apoio. Digo isso, porque há de se tomar cuidado com os despeitados, invejosos e maldosos que podem acabar nos prejudicando ainda mais.
Vou dar alguns exemplos de “Maria-vai-com-as-outras”:
*Uma mulher arruma um namorado, ela gosta dele, mas algumas amigas dela não se simpatizam com ele e começam a dizer a ela que ele é feio, sem graça, sem dinheiro, etc. Mesmo que elas saibam que ele a faz feliz. Atitudes assim vêm de pessoas despeitadas e invejosas. Algumas dessas pessoas colocam mil e um defeitos até mesmo porque começam a se interessar pelo mesmo rapaz, ou porque estão sozinhas e se sentem mal por verem que uma amiga próxima encontrou a felicidade que para elas ainda não chegou.
*Há homens que, pra mostrarem que são os tais, deixam as mulheres em casa nos fins de semana e vão nos embalos dos amigos e enchem a cara. Depois reclamam que o casamento vai mal.
*Uma moça só compra as roupas que vê nas novelas, parece não ter opinião própria. O certo é cada um ter seu estilo. Esse negócio de moda é algo imposto pela mídia e pela sociedade de consumo.
Algumas pessoas falam que gostam de um determinado filme ou música, só porque são os mais vistos ou tocados, respectivamente. Se são “do momento” então está tudo bem, segundo eles. Não importando que pode se tratar de péssimos produtos artísticos.
Sempre tomei minhas próprias decisões, não me deixando levar pelos outros. Se acertei ou se errei, tenho consciência de que foram decisões tomadas por mim, ou então em alguns dos casos, com a ajuda de meus pais e às vezes algumas poucas pessoas que eu sei que eu poderia (e posso) contar com eles.
Se você se deixar levar pelos outros, logo essas pessoas estarão manipulando sua vida. Opinando-lhe sobre que roupa você deve usar; qual programação você deve assistir; como você deve agir com seu esposo (a), namorado (a); o que seu filho deve comer, que horas ele deve dormir...
domingo, 15 de agosto de 2010
TOC
Quando eu morava em meu antigo bairro, eu percebia que uma vizinha ao sair, trancava o portão. Até aí tudo normal. Mas ela todos os dias retornava de uns 5 metros e verificava se o portão estava de fato trancado. Fazia isso sempre, todos os dias, feito um ritual. Atitudes assim, repetitivas como uma espécie de obsessão, são conhecidas como TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). Algo que está na mente do ser humano que o faz repetir atos e gestos, ou evitar fazê-lo para que não aconteça nada posteriormente.
Certa vez um canal de TV, passou em um programa uma série de reportagens especiais sobre pessoas que sofriam desse mal. Entre os casos que mais chamaram a atenção, destaco dois:
A mulher que não deixava seu filhinho pegar em nada, com medo que ele se contaminasse. Limpava a casa incessantemente, só sossegando quando via que ali não havia um único grão de poeira.
O homem que guardava todas as embalagens de produtos consumidos por ele. Na sua concepção, um dia ele iria precisar daquelas embalagens. Sua casa estava de plásticos e papéis até o teto.
O TOC é isso, a pessoa não percebe que está agindo em excessos e exagera em seus atos diários. Tudo é motivo de ações persistentes.
Há pessoas que:
Todas as vezes que pega no celular, lava as mãos depois, com medo de estar com radiação.
Organizam no prato todos os tipos de comidas: feijão em um canto, arroz no outro, carne no outro, macarrão no outro, salada no outro e por aí vai.
Se piscar um olho, tem de piscar o outro. Se coçar um lado das costas, tem de coçar o outro lado também. Se tocar no apagador na parede com uma mão, tem que tocar com a outra mão. Se virar o pescoço pra um lado, vira pra o outro lado também.
Não dorme direito, indo sempre ver se o gás de cozinha está desligado.
Ao dormir, coloca os chinelos um ao lado do outro de forma a se encaixar perfeitamente dentro de uma das cerâmicas do chão.
Um dos sintomas mais comuns do TOC é a lavagem excessiva das mãos. Há pessoas que lavam as mãos pelo simples fato de lavá-las sem ter necessariamente pego em qualquer coisa.
TRANSTORNO: Tudo aquilo que afeta, agride e incomoda
OBSESSIVO: Atos/ações constantes que causam desconforto e ansiedades
COMPULSIVO: Algo repetitivo
Pensamentos indesejados (também chamados de sofismas) tais como: morte, blasfêmias, traições, de natureza sexual, pedofilia e incesto também são considerados TOC. Note que tudo isso é em relação a pensamentos, não aos atos em si.
Dúvidas que se tornam persistentes, com uma freqüência acima do normal, bem comuns em pessoas depressivas, também são transtornos.
Sabe aquele filme que você não para de ficar lembrando, ou aquela música que não lhe sai da cabeça? Pois é, também são sinais de TOC.
Às vezes cria-se uma obsessão em tentar se lembrar de uma situação, ou de onde já viu tal pessoa antes, sendo que o melhor a fazer é relaxar e esquecer, a lembrança vem depois quando menos se espera.
Se você procura por algo que não sabe onde colocou, e age de forma desesperada, pode ter certeza que esse algo que você procura pode estar em seu bolso ou em sua frente, mas devido ao seu nervosismo, você fica “cego” e não consegue se dar conta de que aquilo está mais perto de você do que você supõe.
No filme Jumanji há uma cena interessante: Uma mulher pede pra um menino ir ao sótão e pegar um machado dentro do armário. Ao chegar no sótão, o menino vê que o armário está trancado com um cadeado, ele então pega um machado que está ao lado e começa a arrombar o cadeado do armário pra pegar o que lhe foi pedido. Entendeu aí o que nos acontece quando não agimos com clareza?
Quando se faz contagem de tudo: carros que passam nas ruas, estrelas no céu, degraus da escada, quantidade de CDs, números telefônicos, etc., algo não está bem.
Já viu aquelas pessoas que estalam os dedos a todo o momento? E aquelas que não param de olhar pra você (nem sempre é porque está lhe achando bonito ou bonita), mas porque isso é sintoma dessa doença.
Tudo que é feito com bastante simetria, cuidado excessivo, pode significar algo além do que mera organização.
Dizem que fazer listas é sinal de TOC. Confesso que sou um grande fazedor de listas. Faço listas de meus filmes, livros, revistas. Acho que no fundo todos nós temos um pouco de Transtorno Obsessivo Compulsivo. Todos nós agimos de certa forma de maneira impulsiva, alguns com menor freqüência, outros com maior freqüência. Há muitas pessoas que têm essas ações na mente e não em ações. Essas pessoas passam despercebidas por esse problema. Essas ações mentais consistem em lembranças, pensamentos, repetições de palavras, etc.
Como já foi descrito aqui, o TOC não consiste apenas em fazer as coisas ou pensar de forma constante, mas consiste também em evitá-las, tipo:
Não passar em determinados lugares, com medo de pegar alguma maldição.
Não comer certos alimentos com medo de se fazer mal. Há um bom exemplo nesse item: Dizem que pessoas que têm problemas de rins, ao ingerirem carambolas, podem vir a ter soluços, o que significa que posteriormente vai se agravando e pode ter sérias conseqüências, podendo levá-las a morte. Depois que eu soube disso, evito ingerir carambolas. Mas isso é um caso à parte e é muito relativo. Por exemplo: Não podemos parar de comer ovos só porque ele pode transmitir a bactéria chamada Salmonela. Acho que devemos sim ser prudentes na preparação de cada alimento que digerimos, mas nunca com neuroses ou paranóias. Pensar e se preocupar demais com as coisas nunca é bom.
Existem pessoas que não usam banheiros públicos, nem sequer tocam na porta de um. Há quem os use, mas não dá descarga com medo de se contaminar. Aliás, o medo de contaminação é um dos maiores motivos de TOC no mundo. Em muitos casos tem-se medo de pegar em corrimãos de escadas e ônibus, dinheiros (sim, há que não pegue em dinheiro), pilhas, baterias de celulares.
O TOC pode ser analisado e visto dessa maneira:
Um homem lava as mãos ao acordar. Meia hora depois lava novamente, e vai repetindo esse ato várias vezes durante o dia. Algo não avisa ao seu cérebro que ele já lavou as mãos e que não precisa fazer aquilo de forma constante. É quase como se ele esquecesse que já havia lavado as mãos antes.
O TOC é uma doença que aflige, incomoda, maltrata. Deixa a pessoa com medo, preocupações, dúvidas, insegurança, desconforto, mal-estar. Há situações que a pessoa começa a comportar de forma estranha e é tida como louca pelos que estão de fora que não sabem ou não compreendem essa doença. Tudo que mexe com o nosso consciente/inconsciente, que tenha ligação com o psicológico é de natureza gravíssima e por si só muito preocupante. É algo sério que precisa de acompanhamento médico.
Quando saber se temos ou não o TOC? Cada um sabe o limite entre seus atos e pensamentos, se você acha que tal ação lhe incomoda, mas você não consegue parar de fazer isso em excesso, pode ter certeza que isso é um transtorno.
Sabe aquela mania de fazer compras; sempre que vai ao centro da cidade tem de comprar muita coisa?
Pois é...
Certa vez um canal de TV, passou em um programa uma série de reportagens especiais sobre pessoas que sofriam desse mal. Entre os casos que mais chamaram a atenção, destaco dois:
A mulher que não deixava seu filhinho pegar em nada, com medo que ele se contaminasse. Limpava a casa incessantemente, só sossegando quando via que ali não havia um único grão de poeira.
O homem que guardava todas as embalagens de produtos consumidos por ele. Na sua concepção, um dia ele iria precisar daquelas embalagens. Sua casa estava de plásticos e papéis até o teto.
O TOC é isso, a pessoa não percebe que está agindo em excessos e exagera em seus atos diários. Tudo é motivo de ações persistentes.
Há pessoas que:
Todas as vezes que pega no celular, lava as mãos depois, com medo de estar com radiação.
Organizam no prato todos os tipos de comidas: feijão em um canto, arroz no outro, carne no outro, macarrão no outro, salada no outro e por aí vai.
Se piscar um olho, tem de piscar o outro. Se coçar um lado das costas, tem de coçar o outro lado também. Se tocar no apagador na parede com uma mão, tem que tocar com a outra mão. Se virar o pescoço pra um lado, vira pra o outro lado também.
Não dorme direito, indo sempre ver se o gás de cozinha está desligado.
Ao dormir, coloca os chinelos um ao lado do outro de forma a se encaixar perfeitamente dentro de uma das cerâmicas do chão.
Um dos sintomas mais comuns do TOC é a lavagem excessiva das mãos. Há pessoas que lavam as mãos pelo simples fato de lavá-las sem ter necessariamente pego em qualquer coisa.
TRANSTORNO: Tudo aquilo que afeta, agride e incomoda
OBSESSIVO: Atos/ações constantes que causam desconforto e ansiedades
COMPULSIVO: Algo repetitivo
Pensamentos indesejados (também chamados de sofismas) tais como: morte, blasfêmias, traições, de natureza sexual, pedofilia e incesto também são considerados TOC. Note que tudo isso é em relação a pensamentos, não aos atos em si.
Dúvidas que se tornam persistentes, com uma freqüência acima do normal, bem comuns em pessoas depressivas, também são transtornos.
Sabe aquele filme que você não para de ficar lembrando, ou aquela música que não lhe sai da cabeça? Pois é, também são sinais de TOC.
Às vezes cria-se uma obsessão em tentar se lembrar de uma situação, ou de onde já viu tal pessoa antes, sendo que o melhor a fazer é relaxar e esquecer, a lembrança vem depois quando menos se espera.
Se você procura por algo que não sabe onde colocou, e age de forma desesperada, pode ter certeza que esse algo que você procura pode estar em seu bolso ou em sua frente, mas devido ao seu nervosismo, você fica “cego” e não consegue se dar conta de que aquilo está mais perto de você do que você supõe.
No filme Jumanji há uma cena interessante: Uma mulher pede pra um menino ir ao sótão e pegar um machado dentro do armário. Ao chegar no sótão, o menino vê que o armário está trancado com um cadeado, ele então pega um machado que está ao lado e começa a arrombar o cadeado do armário pra pegar o que lhe foi pedido. Entendeu aí o que nos acontece quando não agimos com clareza?
Quando se faz contagem de tudo: carros que passam nas ruas, estrelas no céu, degraus da escada, quantidade de CDs, números telefônicos, etc., algo não está bem.
Já viu aquelas pessoas que estalam os dedos a todo o momento? E aquelas que não param de olhar pra você (nem sempre é porque está lhe achando bonito ou bonita), mas porque isso é sintoma dessa doença.
Tudo que é feito com bastante simetria, cuidado excessivo, pode significar algo além do que mera organização.
Dizem que fazer listas é sinal de TOC. Confesso que sou um grande fazedor de listas. Faço listas de meus filmes, livros, revistas. Acho que no fundo todos nós temos um pouco de Transtorno Obsessivo Compulsivo. Todos nós agimos de certa forma de maneira impulsiva, alguns com menor freqüência, outros com maior freqüência. Há muitas pessoas que têm essas ações na mente e não em ações. Essas pessoas passam despercebidas por esse problema. Essas ações mentais consistem em lembranças, pensamentos, repetições de palavras, etc.
Como já foi descrito aqui, o TOC não consiste apenas em fazer as coisas ou pensar de forma constante, mas consiste também em evitá-las, tipo:
Não passar em determinados lugares, com medo de pegar alguma maldição.
Não comer certos alimentos com medo de se fazer mal. Há um bom exemplo nesse item: Dizem que pessoas que têm problemas de rins, ao ingerirem carambolas, podem vir a ter soluços, o que significa que posteriormente vai se agravando e pode ter sérias conseqüências, podendo levá-las a morte. Depois que eu soube disso, evito ingerir carambolas. Mas isso é um caso à parte e é muito relativo. Por exemplo: Não podemos parar de comer ovos só porque ele pode transmitir a bactéria chamada Salmonela. Acho que devemos sim ser prudentes na preparação de cada alimento que digerimos, mas nunca com neuroses ou paranóias. Pensar e se preocupar demais com as coisas nunca é bom.
Existem pessoas que não usam banheiros públicos, nem sequer tocam na porta de um. Há quem os use, mas não dá descarga com medo de se contaminar. Aliás, o medo de contaminação é um dos maiores motivos de TOC no mundo. Em muitos casos tem-se medo de pegar em corrimãos de escadas e ônibus, dinheiros (sim, há que não pegue em dinheiro), pilhas, baterias de celulares.
O TOC pode ser analisado e visto dessa maneira:
Um homem lava as mãos ao acordar. Meia hora depois lava novamente, e vai repetindo esse ato várias vezes durante o dia. Algo não avisa ao seu cérebro que ele já lavou as mãos e que não precisa fazer aquilo de forma constante. É quase como se ele esquecesse que já havia lavado as mãos antes.
O TOC é uma doença que aflige, incomoda, maltrata. Deixa a pessoa com medo, preocupações, dúvidas, insegurança, desconforto, mal-estar. Há situações que a pessoa começa a comportar de forma estranha e é tida como louca pelos que estão de fora que não sabem ou não compreendem essa doença. Tudo que mexe com o nosso consciente/inconsciente, que tenha ligação com o psicológico é de natureza gravíssima e por si só muito preocupante. É algo sério que precisa de acompanhamento médico.
Quando saber se temos ou não o TOC? Cada um sabe o limite entre seus atos e pensamentos, se você acha que tal ação lhe incomoda, mas você não consegue parar de fazer isso em excesso, pode ter certeza que isso é um transtorno.
Sabe aquela mania de fazer compras; sempre que vai ao centro da cidade tem de comprar muita coisa?
Pois é...
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Seven - Os Sete Crimes Capitais
Um detetive da divisão de homicídios às vésperas de se aposentar (Morgan Freeman), recebe um novo parceiro (Brad Pitt) para, juntos desvendarem um caso estranho de assassinatos em séries. O que era pra ser uma investigação corriqueira, se transforma num complexo quebra-cabeça para aqueles dois homens. Durante todo o processo de descobertas, eles se dão conta que o assassino, então já classificado como um serial killer, vem matando suas vítimas de acordo com os sete pecados capitais.
Os sete pecados capitais é algo formulado pela antiguidade, que foi reformulado pela Igreja Católica, ficando assim: Inveja, Vaidade, Luxúria, Preguiça, Avareza, Gula e Ira. Partindo disso, esse assassino espalha medo, terror e morte à suas vítimas, não demonstrando nenhum sinal de piedade. Cabe aos dois detetives deterem esse psicopata antes que ele espalhe mais carnificina. Mas não será fácil combater um inimigo sem rosto, no qual parece estar sempre à frente de tudo, e que utiliza os métodos mais frios e sanguinários pra fazer o que quer e chamar a atenção de todos. O assassino dá as cartas, espalha pistas que levam às suas vítimas, brinca de gato e rato com seus opositores e em momento algum demonstra estar com medo de qualquer coisa. O detetive mais velho mostra segurança, confiabilidade no que faz, porém percebe que está lidando com algo incomum, e aos poucos vai vendo que seus últimos dias antes da aposentadoria pode significar seus dias mais tenebrosos. O detetive mais novo é curioso, impulsivo e só quer a qualquer custo pegar o assassino. Em contraponto a esses momentos de tensão, a esposa do parceiro jovem quer oficializar essa nova parceria de seu marido, convidando o velho e experiente detetive pra jantar em sua casa. São momentos raros de descontração, em meio ao terror que os assolam. E terror maior virá em forma dos pores pesadelos pra aqueles dois homens, quando, numa jogada inesperada, o assassino lhes arma uma estratégia fria e calculista e mostra que tem tudo planejado desde o início. No final, o assassino demonstra toda sua frieza e inteligência, numa atitude totalmente inesperada, elevando ao extremo tudo o que ele havia feito até então.
Seven é isso: A caçada a um assassino impiedoso. Tudo mostrado de forma crua e sem restrições. Em 1991, o filme O Silêncio dos Inocentes mostrava a caçada de uma agente do FBI a um serial killer. A investigadora contava com a ajuda (nem tanto) de outro psicopata. Aqui, os dois detetives não têm essa sorte e precisam buscar pistas em tudo que há pela frente. Um filme que sintetiza os maiores medos do ser humano em relação ao inesperado. Qualquer um pode ser vítima de um assassino cruel, independente de classe ou raça. Aqui, as vítimas são escolhidas de acordo com suas limitações humanas, ou seja, dentro de seus próprios erros. A mulher vaidosa tem seu nariz “empinado” arrancado; o “guloso” é obrigado a comer até morrer; o “preguiçoso” é amarrado em uma cama por um ano inteiro; e por aí vai.
O diretor David Fincher utiliza recursos interessantíssimos, tais como:
*Nunca mostrar o serial killer executando alguém.
*Colocar um clima chuvoso ou escuro em quase todas as cenas.
*Fazer com que uma pista vá levando a outra, de forma bem convincente.
*Mostrar que o assassino está mais próximo dos investigadores, sem que os mesmos se dêem conta disso.
*Um clima pesado e torturante o tempo todo.
*Os letreiros iniciais e finais são bastante originais.
Fincher é um dos poucos diretores de Hollywood que ousa fugir das fórmulas baratas e dar uma roupagem única e original a seus filmes. Seu primeiro longa-metragem foi Alien 3, depois vieram: Seven, Vidas em Jogo (com Michael Douglas e Sean Penn), Clube da Luta (com Edward Norton e novamente Brad Pitt), O Quarto do Pânico (com Jodie Foster e Kristen Stewart, da fraca saga Crepúsculo), Zodíaco (outro filme de caçada a um serial killer, estrelado por Mark Ruffalo, Jake Gyllenhaal e Robert Downey Jr.) e O Curioso Caso de Benjamin Button (terceira parceria com Brad Pitt).
O roteiro de Andrew Kevin Walker é nada menos que excepcional, uma obra de profundo profissionalismo, um dos melhores dos últimos anos. Um texto intenso que em momento algum derrapa em demagogias ou momentos desnecessários à trama. Une-se a essa excelente história, a fotografia exuberante de Darius Khondji e a montagem paralisante de Richard Francis-Bruce. Lembrando que, mais uma vez o Oscar escorrega feio e só nomeia Seven à indicação de melhor montagem. A trilha sonora é outro elemento que faz com que o filme cresça a cada momento, dando um clima mais agonizante.
O elenco também é ótimo: Morgan Freeman passa segurança e firmeza como o detetive a beira de se aposentar. Brad Pitt equilibra um ótimo contraponto com seu colega, entregando uma interpretação bastante convincente. Sua esposa, feita por Gwyneth Paltrow equilibra um pouco de doçura ao filme, toda vez em que ela aparece nos sentimos um pouco mais aliviados com todo aquele terror ali ao redor.
Seven é um filme complexo, angustiante, tenso e com um dos finais mais inesperados e impactantes dos últimos 30 ou 40 anos. É um desfecho que não dá espaço para que possamos respirar mais tranquilamente depois de passarmos duas horas torcendo pela captura do assassino. Falar mais a respeito seria estragar a grande surpresa. Só posso dizer que é um final corajoso que demonstra apenas uma das inúmeras qualidades dessa obra-prima de um diretor que não se vende ao cinemão fácil e mastigado que acostumamos ver pipocando por aí.
É um filme que faz pensar e refletir e especialmente pra quem tem estômago forte.
Nota: 5 de 5
Ttitulo original: S7ven
Lançamento: 1995 (EUA)
Direção: David Fincher
Atores: Brad Pitt, Morgan Freeman, Gwyneth Paltrow, Kevin Spacey, R. Lee Ermey
Duração: 126 minutos
Suspense/policial
Marcadores:
Brad Pitt,
Cinema,
David Fincher,
filme,
Gwyneth Paltrow,
Kevin Spacey,
Morgan Freeman,
Oscar,
Seven
domingo, 8 de agosto de 2010
A Terceira Margem do Rio
Guimarães Rosa talvez seja o segundo maior escritor brasileiro de todos os tempos, só perdendo para Machado de Assis. Exagero? É só ler alguns textos e contos do autor de Grande Sertão: Veredas, pra constatar que não é exagero algum. Entre suas obras-primas, há o conto A Terceira Margem do Rio. Um relato forte e emocionante de um filho que vê seu pai embarcar numa canoa rio afora e nunca mais voltar.
A história narrada em primeira pessoa, começa quando um menino nos conta que seu pai encomendara uma canoa e um dia qualquer, sem mais nem menos resolve entrar nela e sair sem rumo definido. Dizendo apenas um breve adeus, seu pai segue adiante naquela solitária trajetória de viagem. O filho ainda chega a pedir para que seu pai o leve junto, mas este nada diz e segue para o rio. Ninguém entendia o que se passava na cabeça daquele homem para tomar tal atitude. Alguns diziam que ele estava doido.
Daquele dia em diante ninguém mais o via, nem mesmo os fotógrafos que tentavam tirar seu retrato. O filho todos os dias ia levar comida e a deixava na margem do rio na esperança que o pai pegasse.
Os anos vão passando, a família vai se conformando com a idéia e tocando suas vidas pra frente. O garoto cresce, sua irmã se casa, e se muda para outra cidade, os outros aos poucos vão, menos ele. Agora adulto, ele resolve ficar solteiro. Já idoso, ele reflete sobre seu pai. O que teria de fato feito com que ele fosse embora daquele jeito? Um dia então ele resolve voltar às margens do rio. Lá, ele avista seu pai pela última vez e lhe pergunta se gostaria de trocar de lugar, como uma forma de pedir perdão ao pai por qualquer coisa que ele possa ter-lhe feito.
O conto pode ser visto de várias formas. Há várias interpretações, entre elas:
*Um homem que passa toda sua vida sentindo a falta do pai que vai embora.
*O pai poderia ser ele mesmo. E sua narração pode ser fruto de uma auto-análise.
*Quando ele narra que o pai vai embora numa canoa e não volta mais, pode estar simbolizando que o pai na verdade não havia ido embora, e sim falecido. A canoa seria uma metáfora da saudade que um filho sente pelo pai quando o perde.
Independente do que se interprete ao ler esse texto, uma coisa é certa: Guimarães Rosa criou um dos mais belos contos da literatura brasileira, narrando de forma única uma história sobre amor e saudade.
segue abaixo o link do conto, na íntegra:
A Terceira Margem do Rio
A história narrada em primeira pessoa, começa quando um menino nos conta que seu pai encomendara uma canoa e um dia qualquer, sem mais nem menos resolve entrar nela e sair sem rumo definido. Dizendo apenas um breve adeus, seu pai segue adiante naquela solitária trajetória de viagem. O filho ainda chega a pedir para que seu pai o leve junto, mas este nada diz e segue para o rio. Ninguém entendia o que se passava na cabeça daquele homem para tomar tal atitude. Alguns diziam que ele estava doido.
Daquele dia em diante ninguém mais o via, nem mesmo os fotógrafos que tentavam tirar seu retrato. O filho todos os dias ia levar comida e a deixava na margem do rio na esperança que o pai pegasse.
Os anos vão passando, a família vai se conformando com a idéia e tocando suas vidas pra frente. O garoto cresce, sua irmã se casa, e se muda para outra cidade, os outros aos poucos vão, menos ele. Agora adulto, ele resolve ficar solteiro. Já idoso, ele reflete sobre seu pai. O que teria de fato feito com que ele fosse embora daquele jeito? Um dia então ele resolve voltar às margens do rio. Lá, ele avista seu pai pela última vez e lhe pergunta se gostaria de trocar de lugar, como uma forma de pedir perdão ao pai por qualquer coisa que ele possa ter-lhe feito.
O conto pode ser visto de várias formas. Há várias interpretações, entre elas:
*Um homem que passa toda sua vida sentindo a falta do pai que vai embora.
*O pai poderia ser ele mesmo. E sua narração pode ser fruto de uma auto-análise.
*Quando ele narra que o pai vai embora numa canoa e não volta mais, pode estar simbolizando que o pai na verdade não havia ido embora, e sim falecido. A canoa seria uma metáfora da saudade que um filho sente pelo pai quando o perde.
Independente do que se interprete ao ler esse texto, uma coisa é certa: Guimarães Rosa criou um dos mais belos contos da literatura brasileira, narrando de forma única uma história sobre amor e saudade.
segue abaixo o link do conto, na íntegra:
A Terceira Margem do Rio
domingo, 1 de agosto de 2010
Depressão
Não usarei uma visão médica para falar sobre esse assunto, até mesmo porque não sou médico. Mas usarei uma linguagem fácil e popular para falar de um dos problemas que mais atinge pessoas no mundo todo: Depressão.
Mas o que é Depressão? Bom, depressão é uma doença, um transtorno, um problema muito sério que, se não tratado pode levar à morte. Sim, essa doença é algo terrível e incômodo, um dos piores males a assolar a humanidade. Alguns chegam a dizer que esse mal não tem cura, mesmo que a medicina diga o contrário.
As causas da depressão podem ser:
Morte de uma pessoa amada
Estresse
Frustrações extremas
Problemas nas relações conjugais como crises ou separação
Alvo de críticas constantes, bullings, desafetos, falta de carinho
Doenças graves
Contrariedade constante
Uma pessoa depressiva vê o mundo da pior maneira possível. Para ela não há mais esperança em coisa alguma. Nada é divertido, nada é prazeroso, nada lhe atrai ou chama a atenção. Tudo é sem graça, sem razão nenhuma de ser ou de existir.
Principais sintomas da depressão:
Pessimismo
Mal humor
Desinteresse
Desconcentração nos afazeres
Indecisão
Não consegue terminar o que começou
Manias de inferioridade
Se sente culpado por ele e pelos outros
Distante de tudo e de todos
Afastamento
Irritação com muita facilidade
Não come e nem bebe direito
Chora fácil (em alguns casos, não chora por nada)
Sente pena de si mesmo
Só quer ficar só
Anda se lamentando o tempo todo
Perde o interesse em se vestir direito
Acha que foi abandonado
Inquietude
Tem medo de tudo, principalmente de falhar. Por isso nem começa ou faz nada que pode levá-lo ao fracasso
Desamparo
Sentimento de inutilidade
A depressão literalmente joga a pessoa pra baixo e toma conta de todo seu ser, não lhe dando chances de defesa. Uma pessoa depressiva não tem reações de nada, ela não consegue achar forças pra se erguer.
Cuidado com o tipo de ajuda que você vai prestar a uma pessoa com depressão. Se você for agir com ela de modo duro, dizendo-lhe pra reagir, pra ficar animado, dizendo coisas do tipo: “Sai dessa, ficar assim é coisa de fracos”, está na verdade prejudicando mais do que qualquer outra coisa. Não se ajuda um depressivo, o fazendo achar que está abaixo de você, lhe dando a impressão de que ele está numa situação aquém das outras pessoas. Se você agir dessa forma, é melhor cair fora e deixar que outros prestem a ajuda certa, que seria encaminhar tal pessoa a um especialista e também ouvi-lo, sem criticá-lo e nem fazer muitas perguntas. Jamais diga a uma pessoa depressiva algo do tipo: “Há tanta gente numa situação pior do que você, sem moradia, sem emprego...”, pode ter certeza de uma coisa: isso não ajuda em nada, pelo contrário, só atrapalha ainda mais.
A depressão não escolhe idade, sexo, cor, grau de escolaridade, rico ou pobre. Algumas pessoas ignorantes dizem que depressão é uma doença de pessoas fracas, sem forças. Alguns evangélicos sem o dom do discernimento espiritual dizem que a depressão é do maligno, ou seja, a depressão é uma doença possessiva que adentrou aquela pessoa, e que tal pessoa precisa ser libertada desse mal. A depressão com certeza é maligna do ponto de vista humano. Quem se sente bem estando com depressão? Mas de forma alguma uma pessoa com depressão está possuída por demônios. Isso é conversa de pastorzinhos de igrejas capitalistas a fim de lucrarem com a miséria alheia. No fundo, somente uma pessoa que já passou por uma depressão é que sabe o que uma pessoa depressiva está passando. Já vi pessoas depressivas que se escondiam quando viam alguém, em outros casos, pessoas com essa doença gritavam e se desesperavam.
Depressão é coisa séria. Não se deve brincar com essa doença, é preciso procurar ajuda imediatamente. Depressão leva a morte. O suicídio em alguns casos é questão de tempo.
Excesso de remédios pode levar a depressão. Remédios como analgésicos e anti-histamínicos (antialérgicos e outros) podem levar a depressão.
Uma pessoa com depressão tem pesadelos horríveis, vindo a ter variações do mesmo sonho todas às vezes. Na maioria dos casos sonham com a própria morte. Esses sonhos fazem parte de um processo destrutivo que tende a piorar ainda mais o estado dessas pessoas.
Com depressão não se brinca. Se você tem esse problema ou está sentindo tais sintomas pela primeira vez, procure um médico. Ele lhe orientará da melhor maneira e o encaminhará a um especialista. A depressão tem cura. Há remédios antidepressivos que combatem essa doença. Se não está acontecendo com você, mas com uma pessoa próxima, procure ajudá-la da melhor maneira possível, levando-a a um tratamento com um profissional na área. Quando você ver alguém (ou você mesmo) querer ficar sozinho o tempo todo, cuidado, isso pode ser início de depressão. Portanto, cuide-se.
Mas o que é Depressão? Bom, depressão é uma doença, um transtorno, um problema muito sério que, se não tratado pode levar à morte. Sim, essa doença é algo terrível e incômodo, um dos piores males a assolar a humanidade. Alguns chegam a dizer que esse mal não tem cura, mesmo que a medicina diga o contrário.
As causas da depressão podem ser:
Morte de uma pessoa amada
Estresse
Frustrações extremas
Problemas nas relações conjugais como crises ou separação
Alvo de críticas constantes, bullings, desafetos, falta de carinho
Doenças graves
Contrariedade constante
Uma pessoa depressiva vê o mundo da pior maneira possível. Para ela não há mais esperança em coisa alguma. Nada é divertido, nada é prazeroso, nada lhe atrai ou chama a atenção. Tudo é sem graça, sem razão nenhuma de ser ou de existir.
Principais sintomas da depressão:
Pessimismo
Mal humor
Desinteresse
Desconcentração nos afazeres
Indecisão
Não consegue terminar o que começou
Manias de inferioridade
Se sente culpado por ele e pelos outros
Distante de tudo e de todos
Afastamento
Irritação com muita facilidade
Não come e nem bebe direito
Chora fácil (em alguns casos, não chora por nada)
Sente pena de si mesmo
Só quer ficar só
Anda se lamentando o tempo todo
Perde o interesse em se vestir direito
Acha que foi abandonado
Inquietude
Tem medo de tudo, principalmente de falhar. Por isso nem começa ou faz nada que pode levá-lo ao fracasso
Desamparo
Sentimento de inutilidade
A depressão literalmente joga a pessoa pra baixo e toma conta de todo seu ser, não lhe dando chances de defesa. Uma pessoa depressiva não tem reações de nada, ela não consegue achar forças pra se erguer.
Cuidado com o tipo de ajuda que você vai prestar a uma pessoa com depressão. Se você for agir com ela de modo duro, dizendo-lhe pra reagir, pra ficar animado, dizendo coisas do tipo: “Sai dessa, ficar assim é coisa de fracos”, está na verdade prejudicando mais do que qualquer outra coisa. Não se ajuda um depressivo, o fazendo achar que está abaixo de você, lhe dando a impressão de que ele está numa situação aquém das outras pessoas. Se você agir dessa forma, é melhor cair fora e deixar que outros prestem a ajuda certa, que seria encaminhar tal pessoa a um especialista e também ouvi-lo, sem criticá-lo e nem fazer muitas perguntas. Jamais diga a uma pessoa depressiva algo do tipo: “Há tanta gente numa situação pior do que você, sem moradia, sem emprego...”, pode ter certeza de uma coisa: isso não ajuda em nada, pelo contrário, só atrapalha ainda mais.
A depressão não escolhe idade, sexo, cor, grau de escolaridade, rico ou pobre. Algumas pessoas ignorantes dizem que depressão é uma doença de pessoas fracas, sem forças. Alguns evangélicos sem o dom do discernimento espiritual dizem que a depressão é do maligno, ou seja, a depressão é uma doença possessiva que adentrou aquela pessoa, e que tal pessoa precisa ser libertada desse mal. A depressão com certeza é maligna do ponto de vista humano. Quem se sente bem estando com depressão? Mas de forma alguma uma pessoa com depressão está possuída por demônios. Isso é conversa de pastorzinhos de igrejas capitalistas a fim de lucrarem com a miséria alheia. No fundo, somente uma pessoa que já passou por uma depressão é que sabe o que uma pessoa depressiva está passando. Já vi pessoas depressivas que se escondiam quando viam alguém, em outros casos, pessoas com essa doença gritavam e se desesperavam.
Depressão é coisa séria. Não se deve brincar com essa doença, é preciso procurar ajuda imediatamente. Depressão leva a morte. O suicídio em alguns casos é questão de tempo.
Excesso de remédios pode levar a depressão. Remédios como analgésicos e anti-histamínicos (antialérgicos e outros) podem levar a depressão.
Uma pessoa com depressão tem pesadelos horríveis, vindo a ter variações do mesmo sonho todas às vezes. Na maioria dos casos sonham com a própria morte. Esses sonhos fazem parte de um processo destrutivo que tende a piorar ainda mais o estado dessas pessoas.
Com depressão não se brinca. Se você tem esse problema ou está sentindo tais sintomas pela primeira vez, procure um médico. Ele lhe orientará da melhor maneira e o encaminhará a um especialista. A depressão tem cura. Há remédios antidepressivos que combatem essa doença. Se não está acontecendo com você, mas com uma pessoa próxima, procure ajudá-la da melhor maneira possível, levando-a a um tratamento com um profissional na área. Quando você ver alguém (ou você mesmo) querer ficar sozinho o tempo todo, cuidado, isso pode ser início de depressão. Portanto, cuide-se.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Amor, Sublime Amor
O diretor Robert Wise era conhecido por filmes de suspense, aventura e ficção, mas nada faria crer que ele se superaria naquele que é considerado sua obra-prima: Amor, Sublime Amor, ou West Side Story como é mais conhecido.
Os musicais estavam saindo de moda, os grandes espetáculos de dança e músicas pareciam estar com os dias contados. Clássicos como Cantando na Chuva, Sete Noivas para Sete Irmãos, Sinfonia em Paris e Sapatinhos Vermelhos eram imbatíveis, e o gênero estava se desgastando, como demonstrou o irregular Gigi de 1958, que apesar de ganhar 9 Oscars, fica bem aquém dos melhores musicais de Hollywood. Eis que Wise se une ao consagrado coreógrafo Jerome Robbins para adaptarem o sucesso da Broadway que colocava a história shakesperiana de Romeu e Julieta em pleno anos 50. Wise era um diretor determinado, talentoso e sabia bem o que queria em cena, pra isso não mediu esforços e se empenhou ao máximo para que tudo se encaixasse perfeitamente. Conta a história de duas gangues: Os Sharks (Porto-riquenhos) e os Jets (Anglo-saxônicos) em luta diária pelos mais diversos motivos. O filme já começa em rivalidade entre eles, tudo mostrado em forma de dança. Aos poucos vamos conhecendo a cada um deles. Até que, num baile, ficamos mais próximos do casal Tony e Maria, que desencadeará todo o drama da obra (representados como os Capuletto e os Montechio da famosa peça de Shakespeare). A cena em que eles se vêem pela primeira vez é antológica e define bem o título “sublime” do título. Aliás, esse título é um pouco infeliz, e deixa a desejar. Dali nasce uma paixão que será o pivô de uma grande tragédia. Tony é o melhor de amigo de Riff, líder dos Jets, e Maria é irmã de Bernardo, líder dos Shark. Sua história de amor é marcada por preconceitos e pela disputa entre duas gangues rivais que se confontam cegamente pelas ruas de Nova Iorque, onde um policial tenta a todo momento detê-los. Mas o ódio entre eles é mais forte do que a compreensão de que há algo errado com aquelas brigas inúteis. O final é inesquecível e carrega uma carga dramática que transcende a própria arte cinematográfica, é de uma comoção fora de qualquer conceito crítico, algo formidável que preenche toda a tela do mais puro lirismo, entre uma trilha sonora melancólica que expressa toda a dor daquela cena. As danças são fortes, intensas, com um vigor impressionante, exalando fúria e emoção de acordo ao momento. Repare como eles extravasam suas raivas através da dança e das canções. Aquelas explosões de desabafos são colocadas pra fora em meio a dança na sua forma mais visceral. Quem tem o cuidado de assistir a um filme em forma de estudo da arte, vai perceber esses detalhes que tornam esse filme um dos mais fortes manifestos da dor e da paixão, que o cinema já mostrou. Os números musicais (que não são poucos) estão entre os mais belos de todos os tempos. Lembrando que, quem não gosta de filmes musicais deve passar bem longe desse aqui, ou irá se decepcionar bastante. Não é um filme popular, mas sim um espetáculo áudio visual belíssimo. Talvez o maior épico-musical, o mais rebelde exemplar de uma arte em movimento que jamais foi superado.
Os atores foram selecionados criteriosamente, à exceção de Richard Beymer (que faz o mocinho Tony). Wise anos depois diria que este não havia sido uma boa escolha. Beymer vinha do belo e dramático O Diário de Anne Frank (1959) e tinha jeito de galã. Em minha opinião ele não compromete em nada. Natalie Wood substituiu Audrey Hepburn que estava grávida. Natalie é encantadora, e sua Maria é frágil e ao mesmo tempo decidida. Russ Tamblyn que faz o líder dos Jets havia feito O Pequeno Polegar (1958). O casal de porto-riquenhos que dá maior credibilidade e carga enérgica e emocional ao filme, é feito por George Chakiris e Rita Moreno (ambos foram premiados aos Oscars de Coadjuvantes). O resto do elenco é perfeito. Todos sabem dançar e demonstram isso da melhor forma possível.
Mas Amor, Sublime Amor não seria esse espetáculo todo se faltasse um dos principais ingredientes: a trilha musical do excepcional maestro Leonard Bernstein. Suas músicas são nada menos que excelentes e dão um tom de alegria (em algumas partes do filme) e tristeza (perto do final). As canções Something's Coming, Maria, América, I Feel Pretty, One Hand, One Heart, Somewhere e principalmente Tonight são simplesmente inesquecíveis.
Vencedor de nada menos que dez Oscars: filme, direção, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, fotografia, montagem, direção de arte, figurino, som e trilha sonora, é sempre eleito como um dos maiores filmes da história, não só do gênero musical, mas em termo geral. E isso é mais que justo e compreensível, pois se trata de uma obra-prima indiscutível.
O diretor Wise voltaria ao gênero em 1965, com o também belo musical A Noviça Rebelde, onde sairia novamente premiado com o Oscar de direção. Aliás, A Noviça Rebelde fechou com chave de ouro o ciclo dos musicais clássicos da era de ouro de Hollywood. Mas não se compara a beleza e esplendor de Amor, Sublime Amor, um filme genial que é sinônimo de explosão de arte, paixão e criatividade como poucas vezes foi visto nas telas do cinema.
Nota: 5 de 5
Ttitulo original: West Side Story
Lançamento: 1961 (EUA)
Direção: Robert Wise & Jerome Robbins
Atores: Natalie Wood, Richard Beymer, George Chakiris, Rita Moreno, Russ Tamblyn
Duração: 151 minutos
Marcadores:
Amor Sublime Amor,
Cinema,
filme,
Jerome Robbins,
Natalie Wood,
Oscar,
Richard Beymer,
Robert Wise
terça-feira, 20 de julho de 2010
Infância
Em um famoso filme, o personagem principal, homem de muita fortuna e de muitas pessoas ao seu redor, se dá conta que seus melhores momentos foram durante sua infância. Ele trocaria tudo que tinha, para voltar a ser criança. Acho que cada um de nós tem um pouco disso. Quem não gostaria de voltar a ser criança? Com raras exceções de pessoas que sofreram muito quando eram crianças, a maioria das pessoas tem nessa fase suas melhores lembranças. Como diz uma frase do escritor Fernando Sabino:
“Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino.”
Temos saudades dos tempos em que nossos pais ou avós nos contavam histórias pra dormir; as pessoas diziam: “Olha que fofinho”; não tínhamos preocupações com dívidas ou se a economia do país ia mal. Quando criança, brincávamos, corríamos, nos alegrávamos com tudo. Mas quando crescemos, todo o encanto se esvai como fumaça ao vento, já não somos bajulados, não somos mais o centro das atenções, somos perdidos numa selva cruel onde impera o capitalismo, a individualidade e um modo de vida incapaz de nos satisfazer plenamente como pessoas. Na infância, projetamos um futuro perfeito, cheio de realizações e felicidades, mas quando crescemos nos dando conta que era tudo ilusão, que nada nos fazia mesmo crer que seria tão difícil e amargo. A vida parece ser um estágio em que, a cada ano que passa, tudo vai se tornando mais realista aos nossos olhos, os sonhos vão ficando para trás, dando lugar às intempéries do dia-a-dia. Não digo com isso que só temos felicidade quando somos crianças, mas uma coisa é certa: as desilusões surgem quando viramos adultos. O mundo é cheio de pessoas que fingem estar bem e felizes, mas no fundo são pessoas amarguradas. Em geral essas pessoas são as que mais têm dinheiro, status, privilégios. Mas não conseguem esconder pra si próprios uma frustração, um vazio.
É também na infância que vamos descobrir nossos medos, nossas paixões, nossos anseios, nossos dons, nossas qualidades e nossas fraquezas. É na infância que começamos a fazer as primeiras escolhas; vamos selecionando os amigos na escola, na rua em que moramos; os meninos vão ter uma paixão escondida pela professora, e as meninas pelo galã da novela das oito.
Infelizmente, vivemos em um país corrupto, desigual e injusto, em que boa parte das conseqüências disso recai sobre as crianças, podemos citar aí: exploração de mão-de-obra infantil, pedofilia, educação de má qualidade em boa parte das escolas públicas por culpa de baixos investimentos na área, descaso com as crianças pobres, etc. Muitas crianças nesse país vivem em estado de abandono total, sofrendo o desprezo de governantes preocupados apenas com reeleições e o próprio bem-estar.
A infância, quando bem vivida, nos deixa saudade e dá vontade de vivermos sonhando com aqueles tempos. Mas, nos apegar a uma época que não volta mais é como querer fazer a fumaça do chá quente voltar pra a xícara. Sentir saudade é uma coisa, mas não querer viver corretamente o presente achando que as coisas boas ficaram para trás, é renegar o que a vida pode lhe proporcionar de bom.
A Bíblia diz em I Coríntios 13:11:
“Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.”
Bom ou ruim a situação em que cada um de nós vivemos atualmente, vamos viver a cada dia de acordo com o nosso tempo e nos esforçar para que as crianças de hoje tenham também boas lembranças de suas infâncias.
“Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino.”
Temos saudades dos tempos em que nossos pais ou avós nos contavam histórias pra dormir; as pessoas diziam: “Olha que fofinho”; não tínhamos preocupações com dívidas ou se a economia do país ia mal. Quando criança, brincávamos, corríamos, nos alegrávamos com tudo. Mas quando crescemos, todo o encanto se esvai como fumaça ao vento, já não somos bajulados, não somos mais o centro das atenções, somos perdidos numa selva cruel onde impera o capitalismo, a individualidade e um modo de vida incapaz de nos satisfazer plenamente como pessoas. Na infância, projetamos um futuro perfeito, cheio de realizações e felicidades, mas quando crescemos nos dando conta que era tudo ilusão, que nada nos fazia mesmo crer que seria tão difícil e amargo. A vida parece ser um estágio em que, a cada ano que passa, tudo vai se tornando mais realista aos nossos olhos, os sonhos vão ficando para trás, dando lugar às intempéries do dia-a-dia. Não digo com isso que só temos felicidade quando somos crianças, mas uma coisa é certa: as desilusões surgem quando viramos adultos. O mundo é cheio de pessoas que fingem estar bem e felizes, mas no fundo são pessoas amarguradas. Em geral essas pessoas são as que mais têm dinheiro, status, privilégios. Mas não conseguem esconder pra si próprios uma frustração, um vazio.
É também na infância que vamos descobrir nossos medos, nossas paixões, nossos anseios, nossos dons, nossas qualidades e nossas fraquezas. É na infância que começamos a fazer as primeiras escolhas; vamos selecionando os amigos na escola, na rua em que moramos; os meninos vão ter uma paixão escondida pela professora, e as meninas pelo galã da novela das oito.
Infelizmente, vivemos em um país corrupto, desigual e injusto, em que boa parte das conseqüências disso recai sobre as crianças, podemos citar aí: exploração de mão-de-obra infantil, pedofilia, educação de má qualidade em boa parte das escolas públicas por culpa de baixos investimentos na área, descaso com as crianças pobres, etc. Muitas crianças nesse país vivem em estado de abandono total, sofrendo o desprezo de governantes preocupados apenas com reeleições e o próprio bem-estar.
A infância, quando bem vivida, nos deixa saudade e dá vontade de vivermos sonhando com aqueles tempos. Mas, nos apegar a uma época que não volta mais é como querer fazer a fumaça do chá quente voltar pra a xícara. Sentir saudade é uma coisa, mas não querer viver corretamente o presente achando que as coisas boas ficaram para trás, é renegar o que a vida pode lhe proporcionar de bom.
A Bíblia diz em I Coríntios 13:11:
“Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.”
Bom ou ruim a situação em que cada um de nós vivemos atualmente, vamos viver a cada dia de acordo com o nosso tempo e nos esforçar para que as crianças de hoje tenham também boas lembranças de suas infâncias.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Prova de Amor
Todos que lêem meu blog, sabem que eu sou cético em relação ao amor entre homem e mulher. Não que eu não acredite no amor, pelo contrário, acredito até demais; creio que sou até mesmo um bobo romântico que ainda acredita que dar flores, caixas de chocolates e recitar poesias, vá fazer uma grande diferença no amor. Não fui muito feliz em se tratando de ter conhecido muitas mulheres românticas, dessas que gostam de receber flores e ouvir uma poesia dedicadas a elas. Eu, que sempre me considerei um homem prá lá de romântico, não tive a felicidade de conhecer até agora uma "Julieta", ou seja, aquela mulher mais romântica que eu pudesse dividir os sonhos, as boas lembranças, os planos de vida. Olhando para os lados, vejo uma geração de pessoas cada vez menos românticas e consequentemente mais mecanizadas. Tudo hoje em dia é curtição, paquera, "ficar por ficar", mas o verdadeiro amor tem se dissolvido e caído no ralo.
Mas às vezes eu me surpreendo quando de repente, percebo que nem tudo está perdido, e vejo que ainda existem pessoas românticas (são poucas, mas existem) que dão um sopro de vida ao amor. São pessoas que têm o fogo da paixão dentro de si, pessoas que acreditam que ainda podem ser felizes ao lado de alguém. Uma dessas pessoas é o jovem Patric Uallans, que fez um belo trabalho de imagens e texto para expressar um grande amor. Seu texto é triste, agonizante, porém exala esperança e uma resposta à dor da paixão. Seu trabalho pode ser conferido logo abaixo:
Mas às vezes eu me surpreendo quando de repente, percebo que nem tudo está perdido, e vejo que ainda existem pessoas românticas (são poucas, mas existem) que dão um sopro de vida ao amor. São pessoas que têm o fogo da paixão dentro de si, pessoas que acreditam que ainda podem ser felizes ao lado de alguém. Uma dessas pessoas é o jovem Patric Uallans, que fez um belo trabalho de imagens e texto para expressar um grande amor. Seu texto é triste, agonizante, porém exala esperança e uma resposta à dor da paixão. Seu trabalho pode ser conferido logo abaixo:
terça-feira, 6 de julho de 2010
Freud - Além da Alma
O filme começa no ano de 1885. O jovem Freud cuida de pacientes com histerias. Com idéias contrárias ao diretor Meynert do hospital onde trabalha, decide ir a Paris. Lá, ele se admira com as teorias de Chacort onde este demonstra aos seus alunos que, seus pacientes com problemas mentais, utilizando neles o processo de hipnose, lhes fariam reverter alguns traumas. Charcot hipnotiza suas “cobaias” e atesta que o inconsciente personifica uma vontade maior que comanda suas ações. Esses pacientes eram cheios de traumas e neuroses, e uma vez que a hipnose buscava a origem desses traumas, seus problemas de algum modo poderiam ser resolvidos. Pouco depois, Freud retorna a Viena e se casa com Martha Bernays.
Em uma palestra, demonstrando suas novas descobertas acerca do elo consciente/inconsciente e suas tentativas de achar a origem do problema. Freud não obtém sucesso, mas fica amigo de Josef Breuer, seu futuro mentor e protetor. Breuer lhe fala sobre uma de suas pacientes, chamada Cecily Koertner, que tem um estado grave de perturbação histérica, e a apresenta a Freud. O jovem médico então fica conhecendo a paciente que um pouco tempo depois será seu objeto de estudos e a força maior de suas descobertas.
Freud vai analisar o caso de um rapaz chamado Carl Von Schlossen que tentou assassinar o próprio pai, um general. Ali, usando técnicas de hipnose, Freud descobre que Carl tem um desvio inconsciente de desejo pela mãe. Chocado, Freud abandona o caso. Ao se dar conta que deveria ter ido adiante, ele retorna a casa do paciente, mas é informado que o mesmo se suicidara. Freud ligando o caso do jovem ao caso de Cecily, começa a formular sua tese do Complexo de Édipo (e de Hamlet de William Shakespeare, como alguns estudiosos sugerem), no qual um menino tem repulsa pelo pai e deseja a mãe. Lembrando que, na tragédia Édipo Rei escrita por Sófocles há cerca de dois mil anos atrás, Édipo mata involuntariamente seu pai e se casa com sua mãe.
Seu pai tendo falecido, Freud descobre em si mesmo um bloqueio que lhe impede de se aproximar do túmulo do pai. Ele começa uma auto-análise, especulando que o pai poderia ter abusado da própria filha, e que o próprio Freud teria visto e criado um bloqueio que só se manifestaria anos depois. Mesmo tendo Breuer contra essa idéia, Freud mergulha a fundo e supõe que tudo acontecera em uma viagem de trem quando ele e seus irmãos eram pequenos. Mas durante uma conversa com sua mãe, esta lhe conta que durante a viagem de trem, sua irmã imaginada por Freud como vítima sexual de seu pai nem havia nascido ainda. Com essa revelação, Freud percebe que falta algo para ele montar o enigma da natureza sexual do inconsciente. Freud tem pesadelos no qual é puxado por Carl pra dentro de uma caverna, posteriormente esse sonho vai mudando de perspectivas.
Em hipnoses feitas por Breuer. tendo Freud ao seu lado, foi constatado algo que mudaria os rumos das análises feitas com Cecily. Esta é hipnotizada e conta que, estando em sua casa, ouve bater em sua porta tarde da noite, eram dois médicos avisando que seu pai estava morrendo, eles então a levam ao hospital. Entrando ali naquele hospital católico, ela vê as freiras cantando pelos arredores. Ao entrar no quarto onde seu pai estava, já o avista morto numa cama. Freud diz a Breuer que tal história é questionável, dizendo-lhe que médicos não vão nas casas das pessoas pra avisarem de ocorrências em seus hospitais. Freud então assumindo naquele momento a hipnose, tem aí então a verdade revelada: Aquela moça ouve bater tarde da noite em sua porta, mas os médicos dão lugar a policiais, que lhes avisam que seu pai está morrendo em um hospital. Eles a levam e, entrando ali se constata que freiras não ficariam cantando em um hospital altas horas da noite, as freiras então dão lugar a prostitutas, e o hospital na verdade vem a ser um bordel.
Breuer, preocupado com as investidas de Cecily e temendo perder seu casamento por causa disso, pede para que Freud assuma seu lugar. Nas várias consultas àquela moça, Freud descobre que ela carrega algo reprimido sexualmente desde a infância.
Freud percebe que Cecily resiste às sessões de hipnose e decide então tratá-la com análises, lhe fazendo perguntas acerca de sua infância com seu pai, buscando na livre associação, a resposta que ele tanto deseja. Ela lhe fala de um sonho que tivera na noite anterior, no qual há um emblema médico, com uma frase abaixo, por ali, um homem foge de alguma coisa e se lança correndo por uma praia e desaparece, e sua mãe em uma torre lhe diz algo de conotação repreensiva e ao mesmo tempo sexual. Freud usa interpretação de sonhos para tentar sentido a tudo aquilo. Ela lhe conta ainda que seu pai, que tinha fascínio por prostitutas, lhe colocava pra dormir com ele, enquanto que, sua mãe lhe causava repúdio. Freud constata que a jovem na infância era molestada pelo pai e dá como diagnóstico essa resposta. Mas no dia anterior ele descobre que ela não estava curada. Assim, ele busca a resposta para isso. Através de sua esposa Martha, ele percebe que a verdade às vezes pode ser o inverso, e descobre a origem de seu próprio problema de infância em relação a seu pai. Na verdade seu pai não havia molestado ninguém. O que aconteceu foi o seguinte: Quando era bem pequenino, Freud está na cama de sua mãe a vendo trocar de roupa, aquilo lhe gera um anseio sexual. Quando ela vai deitar ao lado dele, de maneira natural sem nenhuma intenção sexual, o pai chega ao quarto naquele momento e busca a esposa, indicando que o pequeno Freud poderia dormir sozinho. Era o pai (repulsivo) arrancando a mãe (desejo sexual) de ficar perto dele. Freud então retira a culpa de seu pai, e voltando a sua paciente Cecily, esta lhe diz que mentiu sobre o pai e que ela é quem sentia atração pela figura paterna.
Pouco depois, Freud, contrariando a vontade de seu mentor Breuer, discursa numa nova palestra e diz a todos ali suas teorias sobre o inconsciente sexual infantil e outras descobertas, dando origem à psicanálise. Freud vê seus colegas vaiá-lo e Breuer dizer a todos ali que não concorda com suas teorias.
O filme termina com Freud finalmente conseguindo se libertar de seus traumas visitando o túmulo de seu pai.
Após vários livros biográficos sobre Freud, publicados nos anos 50, inclusive um escrito pelo filósofo Jean Paul Sartre, e alguns textos autobiográficos e cartas traduzidos para o inglês, a figura de Freud (o lado mais humano dele) é desvendado e torna-se algo de cunho interessante e curioso.
O diretor John Huston, conhecido por seus filmes cheios de intrigas e aventuras, como O Falcão Maltês, O Tesouro de Sierra Madre, O Segredo das Jóias, Uma Aventura na África e Moby Dick, convida Sartre para escrever o roteiro de seu novo filme sobre Freud. Sartre passa uns dias na casa de Huston, preparando esse roteiro, mas como o filósofo francês gostava de escrever sem parar, acabou criando uma história enorme. Huston sabia que aquele material todo seria algo em torno de 7 horas no mínimo de filme (algo fora de cogitação, uma vez que um filme de quatro horas já é considerado muito longo). Huston pede para o amigo diminuir seu texto, mas depois de modificar bastante, Sartre se recusa a continuar e pede para que seu nome não conste nos créditos do filme.
De fato, Huston condensa bastante o roteiro escrito por Sartre. Esse roteiro foi publicado posteriormente na íntegra por Sartre, com o mesmo nome do filme: Freud – Além da Alma. O personagem Carl Von Schlossen é fictício, na verdade esse paciente é uma junção de vários outros pacientes que Freud tinha em sua vida. Cecily também é fictícia, ela na verdade é uma variação de Ana O. (pseudônimo de Bertha Pappenheim uma de suas pacientes mais famosas) e outras pessoas que foram tratadas por Freud. Ana O. seria de papel fundamental na catarse que posteriormente viria a ser um dos pilares para a criação da psicanálise. Na verdade, esse filme se concentra em 5 anos da fase mais prolífica de Freud, quando ele fez inúmeros estudos e descobertas que fariam dele um dos homens mais importantes da ciência médica do final do século 19 e século 20.
Afinal de contas, o filme Freud – Além da Alma ajuda a compreender um pouco as teorias de Freud? Bom, a resposta é sim e não. Sim porque abrange assuntos como neuroses, histerias, desejos reprimidos, inconsciente sexual e interpretação dos sonhos. E não, porque o filme resume em 5 anos o que Freud demorou quase duas décadas para descobrir, ou seja, Huston não condensa apenas os fatos, ele condensa também o tempo em que eles ocorreram. Mas num resultado final, isso não tira o mérito do filme, pelo contrário, ajuda a não torná-lo cansativo e didático demais, até mesmo porque não se trata de um documentário, mas sim de uma obra ficcional baseando se na realidade. No cinema algumas coisas precisam ser remontadas e mostradas de forma mais artística. Por exemplo: Freud era um neurologista que desenvolveu técnicas nas áreas de psicologia, psicopatologia, fisiologia, hipnose etc., até desenvolver a psicanálise. Imagine aí todos esses elementos médicos e científicos abordados em um único filme, certamente ficaria algo excessivamente acadêmico e cansativo ao grande público que não conhece a fundo as teorias freudianas. O objetivo maior desse filme é mostrar que Freud foi um homem dedicado em sua área, que mudou os conceitos de seu tempo, e criou a psicanálise (um termo que até então não era conhecido).
Tendo seu roteiro já pronto, Huston chama para o papel de Freud, um dos melhores atores americanos daquele tempo: Montgomery Clift, que já havia trabalhado com Huston em Os Desajustados. (1961). Clift havia tido um grave acidente de carro alguns anos antes; esse acidente deixou marcas em seu rosto, lhe tirando um pouco as expressões faciais. Mas isso não impede que ele tenha uma interpretação magistral no papel de Freud. Aliás, o próprio Clift em sua vida particular, se encaixaria perfeitamente no perfil de alguns pacientes de Freud. Clift tinha problemas com álcool, drogas medicinais e tinha que conviver com seu homossexualismo. Mas nas telas era um monstro sagrado. Para o papel de Cecily, é chamada a jovem atriz Susannah York (mais lembrada como a mãe kriptoniana de Kal-El ou Clark Kent em Superman - O Filme). A fotografia ficou a cargo do ótimo Douglas Slocombe (diretor de fotografia dos três primeiros filmes de Indiana Jones, entre outros). A trilha sonora é do consagrado Jerry Goldsmith. O roteiro ficou sobre a responsabilidade de Charles Kaufman (não confundir com outro roteirista atual de mesmo nome) e Wolfgang Reinhardt (lembrando que Sartre ficou de fora dos créditos, por vontade própria). A narração é do próprio John Huston.
Indicado aos Oscars de Roteiro original e trilha sonora, Freud – Além da alma continua atual e impactante quase meio século depois. Huston violou algumas censuras da época e mostrou cenas ousadas (não eróticas) para a época e termos científicos até então vistos apenas em livros.
Alguns acham que Freud foi um pervertido, arrogante, pretensioso e exibicionista. Outros o têm como um gênio que revolucionou a medicina, em sua determinada área de atuação: neuroses, histerias, inconsciente, sexualidade reprimida, etc.
Freud – Além da Alma ficou por muito tempo inacessível ao grande público, sendo transmitido aqui no Brasil por canal de TV paga. Nunca saiu em VHS e só foi lançado em DVD no ano de 2009. Nos Estados Unidos, até onde eu saiba, ainda não existe em DVD. Eu já havia visto antes pela TV, mas pude rever esse ano em seu formato original em widescreen, preservando melhor sua belíssima fotografia e trilha sonora. No DVD tem como extra um comentário bem esclarecedor do professor Renato Mezan, da PUC-SP, sobre esse filme. Vale muito a pena conferir.
Nota: 4 de 5
Ttitulo original: Freud
Lançamento: 1962 (EUA)
Direção: John Huston
Atores: Montgomery Clift, Susannah York, Larry Parks, Susan Kohner, David McCallum
Ttitulo original: Freud
Lançamento: 1962 (EUA)
Direção: John Huston
Atores: Montgomery Clift, Susannah York, Larry Parks, Susan Kohner, David McCallum
Duração: 139 minutos
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domingo, 4 de julho de 2010
As frases célebres de Groucho Marx
O ator norte-americano Julius Henry Marx, mais conhecido como Groucho Marx, além de ter sido um comediante genial, também era dono das frases cômicas mais célebres do século 20.
Eis algumas de suas frases inesquecíveis:
"Acho a televisão muito educativa. Todas as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro."
"O casamento é a principal causa do divórcio."
"Só há um forma de saber se um homem é honesto... pergunte-o. Se ele disser 'sim', então você sabe que ele é corrupto."
"Eu não freqüento clubes que me aceitem como sócio."
"Há muitas coisas na vida mais importantes que o dinheiro, mas custam tanto."
"Eu não posso dizer que não discordo com você."
"O casamento é uma grande instituição. Naturalmente, se você gostar de viver em uma instituição."
"Eu pretendo viver para sempre, ou morrer tentando."
"Do momento em que peguei seu livro até o que larguei, eu não consegui parar de rir. Um dia, eu pretendo lê-lo."
"As nossas esposas e namoradas: que nunca se encontrem."
"Inclua-me fora disso."
"Por que eu deveria me importar com a posteridade? Ela nunca fez nada por mim."
"Por trás de cada homem de sucesso há uma mulher, atrás dela está a esposa dele."
“O segredo do sucesso é a honestidade. Se você conseguir evitá-la está feito.”
"Serviço de quarto? Mandem-me um quarto maior!”
“Você prefere acreditar em mim ou em seus próprios olhos?”
“Ele pode parecer um idiota e até agir como um idiota, mas não se deixe enganar: é mesmo um idiota.”
“As noivas modernas preferem conservar os buquês e jogar seus maridos fora.”
"Disseram que dei vexame bebendo champagne no sapato de Sophia Loren. Não é verdade. Derramei quase metade porque ela se recusava a tirar o maldito pé do sapato."
"- Vamos descobrir um tesouro naquela casa?
- Mas não há nenhuma casa...
- Então vamos construí-la!"
"Esta conta é um absurdo! Se eu fosse você, não pagaria!"
"Case-se comigo e eu nunca mais irei olhar para outro cavalo."
"Estes são os meus princípios. Se você não gosta deles, eu tenho outros."
"Eu nunca esqueço um rosto, mas, no seu caso, vou abrir uma exceção."
"Eu corri atrás de uma garota por dois anos apenas para descobrir que os seus gostos eram exatamente como os meus: Nós dois éramos loucos por garotas."
sábado, 3 de julho de 2010
O triste fim dos relacionamentos amorosos
Quem ler esse texto, poderá dizer: “Ele deve ser frustrado, decepcionado nessa área de relacionamentos amorosos”. Mas como sou conhecido por minha sinceridade e transparência, confesso que realmente sou frustrado nessa área, mas daí eu pergunto: E quem não é? Quem pode dizer que nunca passou por decepções amorosas? Essas decepções se tornaram rotinas nos dias de hoje. Vejo no Orkut, casais que estão às mil maravilhas, com incontáveis declarações de amor, fotos e mais fotos demonstrando a paixão de um pelo outro, etc. Daí, para o meu espanto (ou nem tanto), vejo que algo mudou, aqueles casais já não estão mais juntos. Inexplicavelmente (pelo menos para os que estão de fora) já está cada um seu canto, separados.
A procura pela felicidade aumenta a cada dia que passa. Claro que é discutível o fato de felicidade ser sinônimo de uma pessoa amada ao lado. Mas ninguém nasceu para viver só; todo mundo quer ter alguém que gosta, e também ser gostado.
Relacionamentos atuais não são nada duradouros. E quando duram, é de alguma forma um caso em cem, ou porque de alguma forma ambos têm uma capacidade enorme de lutar contra as adversidades. Claro que existem casais que conseguem levar adiante um relacionamento, mesmo que hajam as tempestades diárias. Mas no geral, os relacionamentos parecem fadados mesmo é ao fracasso.
Nunca vi tantas pessoas em busca de um novo amor. Nunca vi tantos homens e mulheres separados à procura de uma nova chance de ser feliz com outro alguém. Em muitos casos se torna uma busca pelo inalcançável. Não é preciso ser nenhum estudioso no assunto pra ver que tudo vai de mal a pior, até mesmo porque esses assuntos antes de serem estudados, são vividos. E todos que viveram essas frustrações, sabem do que eu estou falando. Mas a dificuldade atual não é apenas manter um relacionamento, mas também encontrar alguém que valha a pena. Vivemos hoje em um mundo globalizado, corrido e concorrido, um mundo em que há uma variação enorme de sentimentos mútuos. Vou explicar melhor, de forma mais transparente: As pessoas em si, uma grande maioria anda preocupada mais consigo mesma, gerando uma gama de situações em que cada passo leva a uma decadência ainda maior em um mundo que necessita viver de forma coletiva. Porém, o individualismo leva à carência; ninguém consegue viver isolado, por mais que tente, e são nessas horas que começa a busca por um amor. Mas às vezes essas pessoas individualista-carentes se importam em querer mais do que dar. Essas pessoas querem ser amadas, mas às vezes não pensam que a outra pessoa também está em busca do mesmo. Geralmente, entre um casal, quem acaba terminando um relacionamento não é aquele que mais gosta e que mais se entrega, mas sim aquele que se sente gostado ou amado. Dizem que, em um relacionamento nunca é bom uma das partes gostar muito mais do que o outro, pois isto gerará um conflito de egos. A parte a ser mais gostada se sentirá acima da outra pessoa, chegará à conclusão de que pode estar com outra pessoa “melhor” e até mesmo ser mais feliz (Diga-se se aí, visando interesses próprios). Chamo isso de egoísmo, pra mim não tem outro nome.
Pensamento inevitável: “Estou ficando velho (a), o tempo passa, e se eu não arrumar alguém logo, amanhã será mais difícil”. Isso nos faz precipitar em algumas atitudes e acabar por embarcar em relacionamentos que desde o início já está mostrando que não dará certo. Começa aí uma corrida ao apelo. Vale de tudo, vale até mesmo conhecer alguém da NET que mora lá na Nova Zelândia e se casar sem nunca terem se visto e depois quem sabe quando der, ambos se encontrarem. Ou uma mulher que tinha seus valores preservados, começa a ir até mesmo a encontros marcados em lugares inapropriados, na esperança de se acertar com alguém.
A culpa de tudo ir tão mal é nossa mesmo. O que mais me chama atenção hoje em dia é a enorme atração que as pessoas têm por pessoas que não valem nada. É espantoso como tem tanta gente correta nesse mundo, que procura alguém e não acha. São pessoas de bem, sinceras, fiéis, amorosas, compreensíveis, românticas, companheiras, etc. Essas pessoas são trocadas por pessoas vagabundas, desprezíveis, arrogantes, individualistas, hipócritas, vaidosas, violentas, traiçoeiras, etc. Acho que uma pessoa que não dá valor a alguém que preste, é tão imprestável quanto.
Desde a Criação, a maioria da humanidade tem tendência a amar as coisas sujas e imprestáveis. Analisando por esse modo, até acho que de certa forma é merecedora a situação vivida nos dias de hoje no quesito amoroso.
Mas não me considero um desacreditado. Sei que existem muitas pessoas boas que encontrarão alguém correto em suas vidas e serão felizes nessa área.
Se você já passou por alguma situação amorosa no qual se entregou por inteiro (a) e não teve seu valor reconhecido e foi abandonado (a) por essa pessoa, pode crer que a vida dá muitas voltas, e um dia essa pessoa irá se dar mal lá fora, e irá te pedir pra voltar pra você.
Eu particularmente penso assim:
“Se não me quis e resolveu procurar outro lá fora, e aí arrependida depois de quebrar a cara querer voltar pra mim, me desculpe, mas não estarei mais aqui nesse dia”.
Aquele que se sente feliz ao lado de alguém, faça de tudo pra manter essa felicidade, porque, se você perder, nos dias de hoje será difícil recuperar.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Histórias de amor sem finais felizes
Mais do que em qualquer outra época, nunca a arte imitou a vida com tanta profundidade quanto os dias atuais em se tratando de finais nada felizes em histórias de amor. Em tempos que os relacionamentos duram apenas questões de dias ou meses, na arte, os relacionamentos são mais intensos e apaixonantes, porém em sua grande maioria acabam mal também.
Abaixo cito alguns exemplos na literatura e no cinema de obras que não tiveram finais felizes. Se você não é uma pessoa acostumada a ler muito ou assistir a muitos filmes, pode ser que não tenha visto ainda alguns que vou citar como exemplo, apesar de serem livros e filmes bem conhecidos do grande público. Nesse caso eu aconselho então a parar a leitura por aqui a fim de não estragar nenhuma surpresa. Mas se você não se importar com isso, siga em frente.
Na literatura cito os seguintes exemplos:
Dom Casmurro: O amor inatingível entre Bentinho e Capitu dá lugar posteriormente a excessos de ciúmes e desconfianças por parte dele. No final ela morre e ele não parece se abalar com isso.
Inocência: A história de amor entre o médico de fora e Inocência, filha de um fazendeiro, termina com o assassinato do rapaz e o desconsolo da moça, tudo por inveja e ciúmes de um dos empregados.
Romeu e Julieta: Os jovens Romeu e Julieta se amam, mas encontram uma barreira para esse amor quando percebem que a rivalidade entre suas famílias vai além de qualquer coisa. Tudo termina com o suicídio de ambos.
Os Sofrimentos do Jovem Werther: O jovem e aristocrático Werther tem uma paixão avassaladora pela esposa de um amigo. Ao ver que não tem chances, ele planeja seu suicídio a fim de que sua amada tenha uma participação indireta na tragédia.
Eurico, o Presbítero: Eurico pede ao pai de Hermengarda a mão desta em casamento, negado o pedido, este vai lutar nas Cruzadas. Tempos depois ele reencontra seu grande amor, mas acaba morrendo em combate e ela enlouquece.
No cinema, temos como alguns exemplos:
E o Vento Levou: Scarleth O’Hara só vai valorizar o amor que Rhett Butler sente por ela depois de já ser tarde demais. Casados, ele sente o menosprezo dela; quando ela se dá conta de que ele era o amor de sua vida, ele a abandona e vai embora.
Doutor Jivago: o médico Yuri Jivago mesmo estando casado, se apaixona por outra mulher, a bela Lara. Eles têm um caso de amor, mas tudo é interrompido pela guerra da Revolução Russa. Ele morre sem vê-la depois de muito tempo.
Titanic: Jack e Rose se conhecem a bordo do famoso trasatlântico de luxo e iniciam um tórrido romance, mas eles não esperavam que aquele navio estivesse fadado a afundar. Ele morre afogado e ela vai viver sua vida da maneira como ele queria, não desperdiçando as oportunidades.
Ghost – Do Outro Lado da Vida: Sam e Molly vivem juntos e se amam. Um dia ele é assassinado. Ela fica desolada. Ele, mesmo morto, tenta livrá-la do perigo de um falso amigo. No final ele a vê pela última vez e vai embora pra sempre.
Cidade dos Anjos: Um anjo se apaixona por uma mulher que ele tinha como missão ajudar. Ciente de seu amor por ela e vice-versa, ele abdica de tudo para virar humano também para ficar com ela. Mas ela acaba morrendo em um acidente numa estrada.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
Consciências Mortas

O Ano é 1885, dois forasteiros chegam a uma cidade e descobrem que algo ali está tirando a calma daquelas pessoas. Depois de alguns minutos, eles ficam sabendo que um grande fazendeiro dali foi assassinado por ladrões de gado. Suspeitos a princípio, eles são informados que os suspeitos estão acampados em um lugar próximo dali. Algumas pessoas então se armam e vão atrás dos criminosos. Os forasteiros os acompanham. Mas o que deveria ser uma captura se torna algo inesperado para aqueles dois homens de passagem por ali. Aqueles cidadãos aparentemente pacatos e justos estão ali não para prender os três suspeitos, mas para fazer justiça com as próprias mãos. O linchamento é inevitável. O que vemos ali são aquelas pessoas fazendo um pré-julgamento daqueles três homens suspeitos, sem muito direito ou tempo pra se defenderem. Durante o pouco tempo que os réus têm para se defenderem, são feitos todos os tipos de acusações contra eles. Os dois forasteiros indignados, poucos têm a fazer, mas mesmo assim não medem esforços pra tentarem convencer aquelas pessoas a deixar a lei decidir o destino dos suspeitos. Durante todo esse processo de perguntas e respostas, vemos cair as máscaras daquelas pessoas, em especial o major autoritário que coloca sempre seu filho em situações de constrangimentos. O final é de estarrecer até mesmo aos mais céticos. É um final amargo e desesperançoso.
O interessante aqui, é que esse filme tem mais de 60 anos e continua super atual. Não se engane quem pensa que, por ser um faroeste, encontrará só tiros e cavalos correndo, a história é disfarçada de faroeste, sendo que no fundo é um drama sobre pessoas falhas, que poderia e pode acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar. Dirigido pelo especialista William A. Wellman, que fez Asas (1928, o primeiro filme a ganhar o Oscar de melhor filme), e estrelado pelo excelente Henry Fonda no papel do forasteiro de maior destaque, é ele quem tenta a todo o momento abrir os olhos daquelas pessoas cegas por vingança e conscientizá-los do terrível engano que eles podem estar cometendo. Consciências Mortas é um libelo pela vida e uma denúncia da inescrupulosidade humana. O filme não defende atos errôneos praticados por criminosos, ele apenas mostra que, todos merecem um julgamento justo, até mesmo porque ninguém ali tem certeza de que aqueles três homens são mesmos os autores do crime. Tudo é muito vago, ficando apenas em opiniões e relatos contados por quem viu as evidências mas não viu quem os praticou. O roteiro escrito por Lamar Trrotti é baseado no livro de Walter Van Tilburg Clark e é de uma excelência fora de série, focando as agonias tantos dos forasteiros em busca de uma justiça real quantos dos três suspeitos. Aliás, esse é um dos pontos altos do filme, o fato de mostrar três condenados ao linchamento, de forma bastante humana. Eles choram, se desesperam, tentam a todo custo convencer seus algozes de que não são as pessoas que cometeram o crime. Dois dos suspeitos são interpretados por dois bons atores: Anthony Quinn e Dana Andrews.
Foi indicado apenas ao Oscar de melhor filme, mas obviamente merecia todos os prêmios da época.
Aqui no Brasil esse filme tem uma força ainda maior, pois aqui é onde mais se vê assassinos confessos que escapam ilesos depois de passarem pelas brechas da lei, enquanto ladrões de galinhas são presos e perseguidos à exaustão, ou até mesmo casos de pessoas que ficam anos acusados de crimes que nunca cometeram, e só anos depois é que são inocentados.
Consciências Mortas é um dos filmes mais fortes e contundentes da história do cinema, denunciando todo tipo de precipitação quando se têm em jogo vidas humanas.
Nota: 5 de 5
Ttitulo original: The Ox-Bow Incident
Lançamento: 1943 (EUA)
Direção: William A. Wellman
Atores: Henry Fonda, Anthony Quinn, Dana Andrews, Jane Darwell, Mary Beth Hughes
Duração: 75 min
Gênero: Faroeste
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