Cinema, literatura, Histórias em quadrinhos, artes plásticas, relacionamento e variedades.
Se voce gostou de algum dos posts feitos nesse blog, não deixe de escrever embaixo em "comentários". Sua opinião é muito importante para o debate de idéias.
Muito obrigado!
Muito obrigado!
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 26 de julho de 2011
Os Sofrimentos do Jovem Werther
Em 1774, surgiria na França uma obra literária que daria início ao Romantismo (movimento que teria entre seus principais idealizadores no Brasil, nomes como José de Alencar na prosa e Castro Alves na poesia). Esta obra: Os Sofrimentos do Jovem Werther, do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe.
Werther é um jovem apaixonado por Charlotte, mas esta é comprometida com Alberto, que logo se casam. Werther, amigo de Alberto, continua nutrindo um amor escondido pela sua amada. Sabendo que, nenhuma chance lhe resta nesse amor, o jovem apaixonado vai levando a vida, até que em certa noite, ele arquiteta sua própria morte, impondo de forma direta uma dolorosa consciência de culpa em Charlotte.
Como se vê, Os Sofrimentos do Jovem Werther é uma história de amor, com altas doses de reflexão e melancolia. Mas o primeiro livro da Escola Romântica diferia das obras posteriores (sejam elas européias ou do continente americano) por alguns motivos, o principal deles era o final trágico. Enquanto que, a maioria das obras do Romantismo tinha um desfecho por vezes alegre ou de certa forma otimista, em Werther a conclusão é trágica.
Esse texto, com suas denotações e conotações amorosas, contém em sua característica muitos elementos do Romantismo, mas a forma contextual também mistura alguns elementos do Realismo (movimento literário surgido na França no século posterior, com a publicação de Madame Bovary, de Gustave Flaubert, em 1857), ainda que em alguns casos seja menos perceptível. Em forma epistolar, Os Sofrimentos do Jovem Werther, se assemelha em forma narrativa ao francês As Relações Perigosas (há um filme maravilhoso adaptado dessa obra, com o título de Ligações Perigosas, de 1988).
As cartas que Werther escreve, são dirigidas a um editor chamado Wilhelm, responsável pela publicação das mesmas, após a morte do jovem. A narrativa de Goethe em toda a obra é rica, repleta de detalhes, de emoção e dor.
“Você não me espera mais, acreditando que eu lhe obedecerei, que só a verei na véspera de Natal! Ó Charlotte, hoje ou nunca. Na véspera de Natal, você terá em mãos este papel, estremecerá, molhará esta carta com as suas lágrimas queridas. Eu quero ... e preciso! ... Oh! como me sinto feliz por haver tomado uma resolução!”
Goethe utilizou Werther como espelho de si mesmo, sendo que o autor também sofreu por amor, colocando-lhe um final que talvez o mesmo o desejasse, ainda que evidentemente isso não acontecesse. A obra foi um enorme sucesso na época de seu lançamento, tornando-se talvez a mais importante obra literária alemã, superando até mesmo Fausto, do mesmo autor, não em qualidade, mas em significado de valor cultural.
O que torna Os Sofrimentos do Jovem Werther mais curioso e enigmático foi o fato de que, na época de sua publicação, esta obra acabou levando várias pessoas a cometerem suicídio na Europa, criando uma verdadeira onda de desespero, fazendo com que autoridades viessem a proibir a publicação e venda desse livro. Obviamente, é bastante discutível essa ação coletiva de suicídios, mas com o passar dos anos, o público amadureceu, e a obra resistiu ao tempo, e hoje está entre as preferidas de milhões de leitores em todo o mundo.
Marcadores:
Goethe,
literatura,
livro,
Os Sofrimentos do Jovem Werther,
Realismo,
Romantismo
terça-feira, 12 de julho de 2011
Lavoura Arcaica
Por mais que existam defensores fervorosos do cinema nacional, é indiscutível que o nosso cinema ainda tem muito que aprender a contar histórias mais humanas sem cair em excessos ou se tornar uma obra enfadonha feita por algum diretor pseudo-intelectual. Mas devemos tirar o chapéu quando o cinema brasileiro acerta, pois quando assim o faz, faz de forma perfeita. Um pouco antes da obra-prima Cidade de Deus arrasar nos cinemas, um diretor de TV simplesmente ousou levar às telas uma obra do difícil escritor Raduan Nassar. Difícil porque Nassar é autor complexo, de linguagem revolucionária e de difícil compreensão. Suas obras não são lineares, suas histórias vão e voltam no tempo, pegando pelo rabo leitores de primeira viagem que ainda não estão acostumados a navegarem em textos mais enigmáticos e pouco elucidativos.
![]() |
| Mello, o filho atormentado |
Esse diretor de TV é Luiz Fernando Carvalho, e a obra em questão é Lavoura Arcaica. Carvalho trabalhava com projetos televisivos quando se encantou com o livro de Nassar e resolveu fazer dele uma obra fílmica. Para isso, ele não adaptou a obra em forma de roteiro como é comum se fazer, ele simplesmente arrancava o que era narrado no livro e o jogava nas filmagens, na intenção de ser o mais fiel possível à obra. Carvalho sabia que, com idéias tão inovadoras em mente, consequentemente teria que reunir um grupo de atores consagrados que conseguisse passar de forma magistral todo aquele drama vivido pelos personagens. Em um ensaio de atores que durou quatros meses, estava Selton Mello, que vive o atormentado André (o coração do filme), Raul Cortez (o pai), Julianda Carneiro da Cunha (a mãe), Leonardo Medeiros (o irmão Pedro), Caio Blat (o irmão Lula) e Simone Spoladore (a irmã Ana).
Em uma família de libaneses que vive no Brasil, a autoridade exercida pelo pai faz com que o jovem André saia de casa e resolva viver de forma mais livre, mas as coisas não vão bem como ele esperava, fazendo com que seu imão a pedido da mãe, vá buscá-lo de volta. Ao chegar em um sujo quarto de pensão onde seu irmão está hospedado, Pedro o vê sofrendo, vítima de bebidas e remédios. Depois de abandonar o lar, André se tornou uma pessoa doente e equizofrênica, derrubado pelas suas próprias convicções errôneas de mundo. Porém, o que mais lhe aflige é um segredo do passado, envolvendo um caso de incesto com sua irmã Ana. Ao voltar para casa, André precisa confrontar o severo pai e, ao mesmo tempo conviver com uma paixão desenfreada pela própria irmã. Evitarei entrar em maiores detalhes da história pra não atrapalhar o prazer de quem ainda não assistiu. Basta dizer que é uma história forte e amarga (ainda que feita de forma poética), envolvendo amores proibidos e a busca pela redenção.
Em uma família de libaneses que vive no Brasil, a autoridade exercida pelo pai faz com que o jovem André saia de casa e resolva viver de forma mais livre, mas as coisas não vão bem como ele esperava, fazendo com que seu imão a pedido da mãe, vá buscá-lo de volta. Ao chegar em um sujo quarto de pensão onde seu irmão está hospedado, Pedro o vê sofrendo, vítima de bebidas e remédios. Depois de abandonar o lar, André se tornou uma pessoa doente e equizofrênica, derrubado pelas suas próprias convicções errôneas de mundo. Porém, o que mais lhe aflige é um segredo do passado, envolvendo um caso de incesto com sua irmã Ana. Ao voltar para casa, André precisa confrontar o severo pai e, ao mesmo tempo conviver com uma paixão desenfreada pela própria irmã. Evitarei entrar em maiores detalhes da história pra não atrapalhar o prazer de quem ainda não assistiu. Basta dizer que é uma história forte e amarga (ainda que feita de forma poética), envolvendo amores proibidos e a busca pela redenção.
![]() |
| Raul Cortez, o pai autoritário |
Lavoura Arcaica é isso, um filme sobre uma família que se despedaça aos poucos, uma fonte de água que aos poucos vai secando. Seus personagens aparentemente vivem de forma alegre, descontraída, mas no fundo carregam frustrações, desejos reprimidos, valores distorcidos e sentimentos que extravasam.
A linguagem é diferente do que foi feito até hoje no cinema brasileiro; as frases, diálogos e narrações soam estranhos, mas nunca de forma chata ou redundante. As imagens são as mais belas e poéticas já vistas no cinema brasileiro. A narrativa retrocede e adianta no tempo, de forma às vezes brusca. Tudo isso, somado a mais de duas horas e meia de projeção. Resumindo: Não é uma obra fácil, requer paciência e compreensão dos desacostumados com um cinema mais artístico, muito longe das inúmeras bobagens que se vê nos dias de hoje no cinema nacional. Diga-se aí as comédias descartáveis e romances pedantes.
O diretor Luiz Fernando Carvalho até o momento só fez este filme para o cinema e um curta-metragem de 1986, chamado À Espera. Mas na TV, é conhecido especialmente por algumas novelas e por microsseries revolucionárias como Hoje é Dia de Maria, Capitu (baseado em Dom Casmurro, de Machado de Assis) e A Pedra do Reino. Mas o grande momento de Carvalho na TV é sem dúvida a mini-serie Os Maias (baseado no romance homônimo de Eça de Queirós), uma obra-prima que, em minha opinião foi a melhor coisa que a TV brasileira já produziu até hoje. Um trabalho fantástico que é um primor de técnica e interpretação.
O escritor Raduan Nassar tem poucas obras publicadas. É dele também o livro Um Copo de Cólera, que igualmente foi filmado (em 1999). Um filme que considero como um dos piores que já tive o desprazer em assistir. Há quem goste muito, mas eu particularmente não vi absolutamente nada que agradasse, em uma obra feia, ridícula e totalmente descartável. Nunca li a obra em que o mesmo se baseia, mas prefiro achar que tal filme tenha muito pouco de Nassar contido nele. Mas a genialidade de Nassar, que sabe falar tão bem de libaneses, porque ele próprio é filho de imigrantes vindos da Líbia, é vista de forma exemplar em Lavoura Arcaica.
Selton Mello ainda não era tão querido pelo grande público quando fez Lavoura Arcaica, e nem era conhecido por seus talentos também como diretor. Aqui, ele está formidável, naquela que é uma das melhores interpretações masculinas da história do nosso cinema. Um verdadeiro Tour de Force de um ator, em um trabalho não menos que excepcional.
A linguagem é diferente do que foi feito até hoje no cinema brasileiro; as frases, diálogos e narrações soam estranhos, mas nunca de forma chata ou redundante. As imagens são as mais belas e poéticas já vistas no cinema brasileiro. A narrativa retrocede e adianta no tempo, de forma às vezes brusca. Tudo isso, somado a mais de duas horas e meia de projeção. Resumindo: Não é uma obra fácil, requer paciência e compreensão dos desacostumados com um cinema mais artístico, muito longe das inúmeras bobagens que se vê nos dias de hoje no cinema nacional. Diga-se aí as comédias descartáveis e romances pedantes.
O diretor Luiz Fernando Carvalho até o momento só fez este filme para o cinema e um curta-metragem de 1986, chamado À Espera. Mas na TV, é conhecido especialmente por algumas novelas e por microsseries revolucionárias como Hoje é Dia de Maria, Capitu (baseado em Dom Casmurro, de Machado de Assis) e A Pedra do Reino. Mas o grande momento de Carvalho na TV é sem dúvida a mini-serie Os Maias (baseado no romance homônimo de Eça de Queirós), uma obra-prima que, em minha opinião foi a melhor coisa que a TV brasileira já produziu até hoje. Um trabalho fantástico que é um primor de técnica e interpretação.
O escritor Raduan Nassar tem poucas obras publicadas. É dele também o livro Um Copo de Cólera, que igualmente foi filmado (em 1999). Um filme que considero como um dos piores que já tive o desprazer em assistir. Há quem goste muito, mas eu particularmente não vi absolutamente nada que agradasse, em uma obra feia, ridícula e totalmente descartável. Nunca li a obra em que o mesmo se baseia, mas prefiro achar que tal filme tenha muito pouco de Nassar contido nele. Mas a genialidade de Nassar, que sabe falar tão bem de libaneses, porque ele próprio é filho de imigrantes vindos da Líbia, é vista de forma exemplar em Lavoura Arcaica.
Selton Mello ainda não era tão querido pelo grande público quando fez Lavoura Arcaica, e nem era conhecido por seus talentos também como diretor. Aqui, ele está formidável, naquela que é uma das melhores interpretações masculinas da história do nosso cinema. Um verdadeiro Tour de Force de um ator, em um trabalho não menos que excepcional.
![]() |
| Simone Spoladore, a irmã conflituosa |
Seu embate com o pai (Cortez, outro grande ator em cena), em especial na cena do sultão, se transforma em um duelo de interpretação. A mãe sufocadora feita de forma sensível e minimalista por Juliana Carneiro da Cunha é uma das personagens mais emotivas dos últimos tempos. Leonardo Medeiros interpreta de forma brilhante o irmão mais velho. Simone Spoladore, atriz dos palcos, estréia aqui, consagrando-se em uma das carreiras mais sólidas do cinema nacional, se destacando posteriormente em produções como Desmundo (2003) e o belo O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006).
Uma verdadeira poesia em movimento, com imagens fortes e inesquecíveis e muito lirismo, Lavoura Arcaica é um dos poucos filmes do cinema brasileiro atual que merece ser chamado de obra-prima.
Uma verdadeira poesia em movimento, com imagens fortes e inesquecíveis e muito lirismo, Lavoura Arcaica é um dos poucos filmes do cinema brasileiro atual que merece ser chamado de obra-prima.
Nota: 5 de 5
Título original: Lavoura Arcaica
Título original: Lavoura Arcaica
Lançamento: 2001 (Brasil)
Direção: Luiz Fernando Carvalho
Direção: Luiz Fernando Carvalho
Elenco: Selton Mello, Raul Cortez, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, Juliana Carneiro da Cunha e Caio Blat
Duração: 163 minutos
Drama
Marcadores:
Cinema,
literatura,
Luiz Fernando Carvalho,
Raduan Nassar,
Raul Cortez,
Selton Mello,
Simone Spoladore
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Um Conto de Natal, de Charles Dickens
O escritor inglês Charles Dickens se tornou famoso por obras como Oliver Twist, David Copperfield, Grandes Esperanças e Um Conto de Duas Cidades, mas nenhuma delas é mais querida pelo público do que Um Conto de Natal. Escrito em 1843, Um Conto de Natal (também chamado aqui no Brasil de Um Cântico de Natal) é a obra literária mais famosa sobre o Natal, sendo muito imitado e adaptado ao longo dos anos. Conta a história do velho Ebenezer Scrooge, um homem solitário e avarento que não gosta das festas natalinas, e vive cercado apenas de papéis e mesquinhez. Seu empregado Bob Cratchit apesar de tudo, tem grande consideração por ele. Bob tem um filho paralítico chamado Tim. O sócio de Scrooge que falecera dias antes, diz em forma de espírito que ele receberá a visita de três fantasmas. Na noite de Natal, o velho Scrooge recebe a visita do fantasma dos natais passados e mostra ao mesmo sua vida nos tempos em que ele gostava do Natal, antes de virar uma pessoa chata e ranzinza. Depois é a vez do fantasma dos natais presentes visitá-lo e mostrar-lhe como é feliz a família de seu empregado Bob, mesmo com a doença do pequeno Tim e suas dificuldades financeiras. O terceiro fantasma, o do Natal futuro, mostra a Scrooge como será sua morte envolta em solidão e sem ninguém para lembrar dele. Tudo isso faz com que o coração de Scrooge amoleça e ele acorde no dia seguinte transformado em um homem bom e generoso.
Com certeza você já deve ter lido, ouvido ou assistido algo parecido. Um Conto de Natal foi várias vezes adaptado e copiado para a TV e o cinema. Entre os mais famosos filmes, estão Scrooge (1951), Adorável Avarento (1970), Os Fantasmas Contra-Atacam (1988, uma versão modernizada da obra) e Os Fantasmas de Scrooge (2009). Filmes como A Felicidade Não se Compra (1946) e O Expresso Polar têm semelhanças com a história de Dickens. Pra quem não sabe, o personagem Tio Patinhas, da Disney, foi baseado em Scrooge.
Um Conto de Natal é um belo livro que traz uma mensagem positiva e reflexiva, que não pode faltar em sua coleção.
Marcadores:
Charles Dickens,
literatura,
livro,
Natal,
Um Conto de Natal
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Histórias de amor sem finais felizes
Mais do que em qualquer outra época, nunca a arte imitou a vida com tanta profundidade quanto os dias atuais em se tratando de finais nada felizes em histórias de amor. Em tempos que os relacionamentos duram apenas questões de dias ou meses, na arte, os relacionamentos são mais intensos e apaixonantes, porém em sua grande maioria acabam mal também.
Abaixo cito alguns exemplos na literatura e no cinema de obras que não tiveram finais felizes. Se você não é uma pessoa acostumada a ler muito ou assistir a muitos filmes, pode ser que não tenha visto ainda alguns que vou citar como exemplo, apesar de serem livros e filmes bem conhecidos do grande público. Nesse caso eu aconselho então a parar a leitura por aqui a fim de não estragar nenhuma surpresa. Mas se você não se importar com isso, siga em frente.
Na literatura cito os seguintes exemplos:
Dom Casmurro: O amor inatingível entre Bentinho e Capitu dá lugar posteriormente a excessos de ciúmes e desconfianças por parte dele. No final ela morre e ele não parece se abalar com isso.
Inocência: A história de amor entre o médico de fora e Inocência, filha de um fazendeiro, termina com o assassinato do rapaz e o desconsolo da moça, tudo por inveja e ciúmes de um dos empregados.
Romeu e Julieta: Os jovens Romeu e Julieta se amam, mas encontram uma barreira para esse amor quando percebem que a rivalidade entre suas famílias vai além de qualquer coisa. Tudo termina com o suicídio de ambos.
Os Sofrimentos do Jovem Werther: O jovem e aristocrático Werther tem uma paixão avassaladora pela esposa de um amigo. Ao ver que não tem chances, ele planeja seu suicídio a fim de que sua amada tenha uma participação indireta na tragédia.
Eurico, o Presbítero: Eurico pede ao pai de Hermengarda a mão desta em casamento, negado o pedido, este vai lutar nas Cruzadas. Tempos depois ele reencontra seu grande amor, mas acaba morrendo em combate e ela enlouquece.
No cinema, temos como alguns exemplos:
E o Vento Levou: Scarleth O’Hara só vai valorizar o amor que Rhett Butler sente por ela depois de já ser tarde demais. Casados, ele sente o menosprezo dela; quando ela se dá conta de que ele era o amor de sua vida, ele a abandona e vai embora.
Doutor Jivago: o médico Yuri Jivago mesmo estando casado, se apaixona por outra mulher, a bela Lara. Eles têm um caso de amor, mas tudo é interrompido pela guerra da Revolução Russa. Ele morre sem vê-la depois de muito tempo.
Titanic: Jack e Rose se conhecem a bordo do famoso trasatlântico de luxo e iniciam um tórrido romance, mas eles não esperavam que aquele navio estivesse fadado a afundar. Ele morre afogado e ela vai viver sua vida da maneira como ele queria, não desperdiçando as oportunidades.
Ghost – Do Outro Lado da Vida: Sam e Molly vivem juntos e se amam. Um dia ele é assassinado. Ela fica desolada. Ele, mesmo morto, tenta livrá-la do perigo de um falso amigo. No final ele a vê pela última vez e vai embora pra sempre.
Cidade dos Anjos: Um anjo se apaixona por uma mulher que ele tinha como missão ajudar. Ciente de seu amor por ela e vice-versa, ele abdica de tudo para virar humano também para ficar com ela. Mas ela acaba morrendo em um acidente numa estrada.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Marcadores:
...E o Vento Levou,
Dom Casmurro,
Doutor Jivago,
filme,
literatura,
Romeu e Julieta,
triângulo amoroso
terça-feira, 22 de junho de 2010
1984 - Um estudo sobre a Distopia
Várias pessoas ao redor do mundo apontam 1984 como o melhor livro do século 21. Exagero? Creio que não. Estamos diante de uma das obras mais lidas, discutidas e interpretadas da história da literatura nas últimas décadas. O livro definitivo sobre a Distopia (Totalitarismo, forma de oprimir massivamente um povo, vigiando-as e tirando toda e qualquer liberdade de toda uma sociedade).
Escrita em 1948 pelo inglês Eric Arthur Blair, ou George Orwell como é bem mais conhecido, 1984 narra o drama de Winston Smith, um funcionário do “Ministério da Verdade”, encarregado de alterar documentos que vão contra o regime autoritário no qual ele está subjugado, e também expandir falsas idéias democráticas. As propagandas precisam favorecer o autoritarismo, e tudo é vigiado por Teletelas, onde o Grande Irmão observa tudo em suas casas; nada escapa ao vigia que está em forma de TVs nas paredes dos lares dos cidadãos . Winston é um insatisfeito, ele acredita que tudo pode mudar, voltar a ser como era antes, uma sociedade livre. Ele conhece uma funcionária que divide com ele todas as opiniões de que esse terror deve acabar. Ela lhe dá um bilhete onde está escrito: “Eu te amo”. Porém tudo é feito às escuras, porque tudo é proibido, até mesmo o contato sentimental entre homens e mulheres. Suas idéias e sentimentos são mantidos em segredo total. Mas a confiança ao novo ideal de liberdade os fazem recorrer a um aparente aliado nessa luta: um funcionário do alto escalão que os propõem a ajudá-los, mas tudo não passa de um plano do regime para saber quem se atreviam a desafiá-los; traídos por esse funcionário, eles são submetidos à torturas. Sem saída, eles recuam e cedem novamente ao grande pesadelo. Um pesadelo que forma uma sociedade de detenção, uma anarquia disfarçada de Estado. Ali, dois mais dois são cinco, e se você alguém negar isso, estará negando ao sistema, e a punição para os que assim o fazem é severa. Winston sabia que não deveria se atrever a ir contra um regime tão corrupto que age de forma onipresente, vigiando a todos e tudo. Mas ele sabia também que algo precisava ser feito, ou ao menos tentado, e é aí que a história ganha contornos de revolta, desespero e insubordinação.
Em 1948, o mundo já havia presenciado duas grandes guerras num período relativamente curto. A Alemanha e a Itália tentavam impor seus autoritarismos com o Nazismo e o Fascismo, respectivamente. Na Espanha, o general Francisco Franco espalhava seu regime nocivo; na Rússia, Josef Stalin não fazia por menos. Baseando-se nesses horríveis retratos da realidade, Orwell escreve seu 1984, sob uma forma de alerta, nos mostrando que uma forma de governo que adquire um apoio coletivo no início (um exemplo maior foi a simpatia do povo alemão pelas idéias de “mudanças” de Adolf Hitler, que culminou em uma das maiores tragédias a que se tem notícia na história mundial) pode trazer conseqüências drásticas a todo um povo e até mesmo ter sérias conseqüências no mundo inteiro.
Mas Orwell não condena em sua obra apenas os regimes visíveis a todos, mas também algumas coisas que não parecem, mas no fundo têm conteúdo de controle de uma sociedade, mas que não se apresenta de forma transparente. A censura foi um dos grandes males de diversos países, inclusive no Brasil. E ainda o é em alguns países por aí. Em muitos casos vemos essas censuras de forma “discreta” em países ditos democráticos, disfarçados de leis ou regras, mas que no fundo não passam de “fiscalizações autoritárias”. Uma das maiores influências de Orwell, parece ter sido o Absolutismo francês. A Revolução Francesa é também um grande espelho dessa obra. Daí tiramos a conclusão de que sempre na história da humanidade houveram déspotas decididos a aniquilarem o poder de liberdade das pessoas. No mundo atual, em maior ou menor grau, não é diferente. Quem já não se sentiu ou se sente de alguma forma vigiado? Quem não se sente calado por um governo mentiroso que se diz do lado do povo? Quem não se sente num emaranhado de situações burocráticas?
!984 influenciou várias mídias,como a TV e o cinema, além da própria literatura. No cinema, filmes como V de Vingança (Baseado nos quadrinhos de Alan Moore) e A Vida dos Outros falam de sociedades vigiadas e controladas. Na TV, deu nome a um programa discutível chamado Big Brother (Grande Irmão).
Entre outros livros, Orwell escreveu também A Revolução dos Bichos (1945), no qual faz uma severa crítica ao sistema opressivo, quando um bando de animais se revolta contra seu dono e toma o poder, mas esse mesmo poder nas mãos de alguns homens tende a criar um caos ainda maior do que antes. Uma clara alusão a regimes como os de Robespierre pós Revolução Francesa, e Stalin pós Revolução Russa, entre vários outros regimes estendidos a vários séculos.
A luta pela liberdade às vezes traz uma escravidão pior do que a que era vivida antes. O Brasil, um país pobre, injusto, com péssima distribuição de renda e serviços precários de saúde, segurança e educação, é um prato cheio para que a maioria da população venha a dar créditos a políticos que prometem mil soluções, mas no fim só escravizam um povo já maltratado, tornando-os desesperançosos. Mas há uma frase que diz: O povo tem o governo que merece.
Em A Peste, do escritor francês Albert Camus, no último parágrafo está escrito:
“Na verdade, ao ouvir os gritos de alegria que vinham da cidade, Rieux lembrava-se de que essa alegria estava sempre ameaçada. Porque ele sabia o que essa multidão eufórica ignorava e se pode ler nos livros: o bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido nos móveis e na roupa, espera pacientemente nos quartos, nos porões, nos baús, nos lenços e na papelada. E sabia, também, que viria talvez o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz.”
Se o mundo não tomar cuidado, o mesmo pode acontecer com a liberdade dos povos. No lugar de ratos, serão homens que virão sorrateiramente, enganando a todos, e quando menos se perceber, já estarão no poder escravizando a todos e espalhando uma “peste” chamada totalitarismo.
Escrita em 1948 pelo inglês Eric Arthur Blair, ou George Orwell como é bem mais conhecido, 1984 narra o drama de Winston Smith, um funcionário do “Ministério da Verdade”, encarregado de alterar documentos que vão contra o regime autoritário no qual ele está subjugado, e também expandir falsas idéias democráticas. As propagandas precisam favorecer o autoritarismo, e tudo é vigiado por Teletelas, onde o Grande Irmão observa tudo em suas casas; nada escapa ao vigia que está em forma de TVs nas paredes dos lares dos cidadãos . Winston é um insatisfeito, ele acredita que tudo pode mudar, voltar a ser como era antes, uma sociedade livre. Ele conhece uma funcionária que divide com ele todas as opiniões de que esse terror deve acabar. Ela lhe dá um bilhete onde está escrito: “Eu te amo”. Porém tudo é feito às escuras, porque tudo é proibido, até mesmo o contato sentimental entre homens e mulheres. Suas idéias e sentimentos são mantidos em segredo total. Mas a confiança ao novo ideal de liberdade os fazem recorrer a um aparente aliado nessa luta: um funcionário do alto escalão que os propõem a ajudá-los, mas tudo não passa de um plano do regime para saber quem se atreviam a desafiá-los; traídos por esse funcionário, eles são submetidos à torturas. Sem saída, eles recuam e cedem novamente ao grande pesadelo. Um pesadelo que forma uma sociedade de detenção, uma anarquia disfarçada de Estado. Ali, dois mais dois são cinco, e se você alguém negar isso, estará negando ao sistema, e a punição para os que assim o fazem é severa. Winston sabia que não deveria se atrever a ir contra um regime tão corrupto que age de forma onipresente, vigiando a todos e tudo. Mas ele sabia também que algo precisava ser feito, ou ao menos tentado, e é aí que a história ganha contornos de revolta, desespero e insubordinação.
Em 1948, o mundo já havia presenciado duas grandes guerras num período relativamente curto. A Alemanha e a Itália tentavam impor seus autoritarismos com o Nazismo e o Fascismo, respectivamente. Na Espanha, o general Francisco Franco espalhava seu regime nocivo; na Rússia, Josef Stalin não fazia por menos. Baseando-se nesses horríveis retratos da realidade, Orwell escreve seu 1984, sob uma forma de alerta, nos mostrando que uma forma de governo que adquire um apoio coletivo no início (um exemplo maior foi a simpatia do povo alemão pelas idéias de “mudanças” de Adolf Hitler, que culminou em uma das maiores tragédias a que se tem notícia na história mundial) pode trazer conseqüências drásticas a todo um povo e até mesmo ter sérias conseqüências no mundo inteiro.
Mas Orwell não condena em sua obra apenas os regimes visíveis a todos, mas também algumas coisas que não parecem, mas no fundo têm conteúdo de controle de uma sociedade, mas que não se apresenta de forma transparente. A censura foi um dos grandes males de diversos países, inclusive no Brasil. E ainda o é em alguns países por aí. Em muitos casos vemos essas censuras de forma “discreta” em países ditos democráticos, disfarçados de leis ou regras, mas que no fundo não passam de “fiscalizações autoritárias”. Uma das maiores influências de Orwell, parece ter sido o Absolutismo francês. A Revolução Francesa é também um grande espelho dessa obra. Daí tiramos a conclusão de que sempre na história da humanidade houveram déspotas decididos a aniquilarem o poder de liberdade das pessoas. No mundo atual, em maior ou menor grau, não é diferente. Quem já não se sentiu ou se sente de alguma forma vigiado? Quem não se sente calado por um governo mentiroso que se diz do lado do povo? Quem não se sente num emaranhado de situações burocráticas?
!984 influenciou várias mídias,como a TV e o cinema, além da própria literatura. No cinema, filmes como V de Vingança (Baseado nos quadrinhos de Alan Moore) e A Vida dos Outros falam de sociedades vigiadas e controladas. Na TV, deu nome a um programa discutível chamado Big Brother (Grande Irmão).
Entre outros livros, Orwell escreveu também A Revolução dos Bichos (1945), no qual faz uma severa crítica ao sistema opressivo, quando um bando de animais se revolta contra seu dono e toma o poder, mas esse mesmo poder nas mãos de alguns homens tende a criar um caos ainda maior do que antes. Uma clara alusão a regimes como os de Robespierre pós Revolução Francesa, e Stalin pós Revolução Russa, entre vários outros regimes estendidos a vários séculos.
A luta pela liberdade às vezes traz uma escravidão pior do que a que era vivida antes. O Brasil, um país pobre, injusto, com péssima distribuição de renda e serviços precários de saúde, segurança e educação, é um prato cheio para que a maioria da população venha a dar créditos a políticos que prometem mil soluções, mas no fim só escravizam um povo já maltratado, tornando-os desesperançosos. Mas há uma frase que diz: O povo tem o governo que merece.
Em A Peste, do escritor francês Albert Camus, no último parágrafo está escrito:
“Na verdade, ao ouvir os gritos de alegria que vinham da cidade, Rieux lembrava-se de que essa alegria estava sempre ameaçada. Porque ele sabia o que essa multidão eufórica ignorava e se pode ler nos livros: o bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido nos móveis e na roupa, espera pacientemente nos quartos, nos porões, nos baús, nos lenços e na papelada. E sabia, também, que viria talvez o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz.”
Se o mundo não tomar cuidado, o mesmo pode acontecer com a liberdade dos povos. No lugar de ratos, serão homens que virão sorrateiramente, enganando a todos, e quando menos se perceber, já estarão no poder escravizando a todos e espalhando uma “peste” chamada totalitarismo.
Marcadores:
1984,
A Peste,
A Revolução dos Bichos,
Albert Camus,
George Orwell,
literatura,
livro,
totalitarismo
sexta-feira, 14 de maio de 2010
São Bernardo
Dentre os 10 maiores escritores da literatura brasileira, encontra-se o alagoano Graciliano Ramos, escritor da fase modernista e um dos grandes influentes da literatura atual. Graciliano tem um estilo seco, direto, sem enigmas, do qual sempre extrai o máximo de suas narrativas. No geral, suas histórias se passam em lugares marcados pela dor, pela precariedade, pela necessidade de vencer para não sucumbir.
Em São Bernardo, o autor cria um romance narrado em primeira pessoa, no qual o protagonista Paulo Honório narra sua história de conquistas e perdas, começando por sua infância quando era guia de cego, depois cuidando de terras, suas viagens pra conseguir dinheiro no que culmina com a compra da fazenda São Bernardo, no interior de Alagoas. Paulo Honório como ele mesmo narra, é um homem frio, fechado, pouco simpático; um homem que só se relaciona com as pessoas se ver que levará alguma vantagem com isso.
Mas ele próprio deixa subentender que nem sempre teve essa personalidade hostil; é onde entra o fator do determinismo, no qual o homem é fruto do meio em que vive. Essa teoria foi muito usada na literatura do início do século 20, e ainda hoje em alguns textos.
Um dia ele se casa com a professora Madalena, uma mulher totalmente diferente dele. Ela encanta todos a sua volta com sua bondade, seu carisma, contrastando com a rudeza e egoísmo de seu marido.
Esse choque de personalidades faz com que Paulo Honório a atormente e conseqüentemente a leve a cometer suicídio.
O narrador começa então a ter relapsos de arrependimento, corroído por lembranças que o leva a reflexão de que, embora sempre com atitudes grosseiras, havia nele um certo grau de humanidade no qual a vida difícil em que ele levava não o deixava demonstrar.
Muito se compara esse livro com Dom Casmurro de Machado de Assis: Um personagem rude que conta sua própria história de ascensão e queda, seu relacionamento conturbado com a esposa, suas indiferenças com tudo e todos que o rodeia. De fato, são obras singulares na literatura brasileira.
Escrito em 1934, São Bernardo tem a mesma força narrativa de outra obra-prima de Graciliano: Vidas Secas. Nada na escrita de Graciliano é gratuita, ele não envereda por caminhos que procure enrolar o leitor, sempre sendo direto e eficaz ao que se propõe contar.
Muito se fala em um erro cometido por Graciliano ramos: O narrador, um homem que era latifundiário, de poucas instruções, jamais poderia escrever de forma tão objetiva, cheia de beleza e qualidade em suas palavras. Isso é algo discutível, mas de forma alguma apaga o brilho de uma obra forte e contundente, uma das melhores da literatura brasileira.
Foi filmado em 1971, pelo diretor Leon Hirszman, com Othon Bastos no papel de Paulo Honório e a já falecida Isabel Ribeiro no papel de Madalena.
Em São Bernardo, o autor cria um romance narrado em primeira pessoa, no qual o protagonista Paulo Honório narra sua história de conquistas e perdas, começando por sua infância quando era guia de cego, depois cuidando de terras, suas viagens pra conseguir dinheiro no que culmina com a compra da fazenda São Bernardo, no interior de Alagoas. Paulo Honório como ele mesmo narra, é um homem frio, fechado, pouco simpático; um homem que só se relaciona com as pessoas se ver que levará alguma vantagem com isso.
Mas ele próprio deixa subentender que nem sempre teve essa personalidade hostil; é onde entra o fator do determinismo, no qual o homem é fruto do meio em que vive. Essa teoria foi muito usada na literatura do início do século 20, e ainda hoje em alguns textos.
Um dia ele se casa com a professora Madalena, uma mulher totalmente diferente dele. Ela encanta todos a sua volta com sua bondade, seu carisma, contrastando com a rudeza e egoísmo de seu marido.
Esse choque de personalidades faz com que Paulo Honório a atormente e conseqüentemente a leve a cometer suicídio.
O narrador começa então a ter relapsos de arrependimento, corroído por lembranças que o leva a reflexão de que, embora sempre com atitudes grosseiras, havia nele um certo grau de humanidade no qual a vida difícil em que ele levava não o deixava demonstrar.
Muito se compara esse livro com Dom Casmurro de Machado de Assis: Um personagem rude que conta sua própria história de ascensão e queda, seu relacionamento conturbado com a esposa, suas indiferenças com tudo e todos que o rodeia. De fato, são obras singulares na literatura brasileira.
Escrito em 1934, São Bernardo tem a mesma força narrativa de outra obra-prima de Graciliano: Vidas Secas. Nada na escrita de Graciliano é gratuita, ele não envereda por caminhos que procure enrolar o leitor, sempre sendo direto e eficaz ao que se propõe contar.
Muito se fala em um erro cometido por Graciliano ramos: O narrador, um homem que era latifundiário, de poucas instruções, jamais poderia escrever de forma tão objetiva, cheia de beleza e qualidade em suas palavras. Isso é algo discutível, mas de forma alguma apaga o brilho de uma obra forte e contundente, uma das melhores da literatura brasileira.
Foi filmado em 1971, pelo diretor Leon Hirszman, com Othon Bastos no papel de Paulo Honório e a já falecida Isabel Ribeiro no papel de Madalena.
Marcadores:
Dom Casmurro,
Graciliano ramos,
literatura,
Machado de Assis,
São Bernardo
sábado, 8 de maio de 2010
A Caolha - Uma história do amor de uma mãe por seu filho.
Uma mulher que tinha um de seus olhos arrancados era chamada de caolha por onde quer que fosse. Seu filho único chamado Antonico tinha vergonha e nojo dela; todos zombavam de sua mãe e ele assim ficava constrangido, não por ela, mas por ele mesmo. Na rua em que morava, na escola, no trabalho, ninguém o poupava de chamá-lo de “O filho da caolha”. A mãe, bastante compreensiva e nunca querendo desagradar seu filho, entende de certo modo o fato deste ter vergonha dela, e evita sair com ele. Crescido, esse rapaz se apaixona por uma moça, mas esta depois de um tempo receosa em ser rotulada de “nora da caolha”, desiste de ir em frente com ele. O jovem então, em seu trabalho de alfaiate, decide morar no seu emprego e deixar a mãe morando só, e questiona o fato da mãe nunca ter lhe contado o motivo que a deixou sem um dos olhos. Ao ver tal atitude do filho, a mãe lhe diz:
- Embusteiro! O que você tem é vergonha de ser meu filho! Saia! Que eu também já sinto vergonha de ser mãe de semelhante ingrato!
O rapaz, arrependido em sua nova moradia, procura sua madrinha pra que esta converse com a mãe por ele a fim de amenizar o ocorrido entre os dois, contando-lhe todo o ocorrido.
- Eu previa isso mesmo, quando aconselhava tua mãe a que te dissesse a verdade inteira; ela não quis, aí está!
- Que verdade, madrinha?
Encontraram a caolha a tirar umas nódoas do fraque do filho - queria mandar-lhe a roupa limpinha. A infeliz se arrependera das palavras que dissera e tinha passado a noite à janela, esperando que o Antonico voltasse ou passasse apenas... Via o porvir negro e vazio e já se queixava de si! Quando a amiga e o filho entraram, ela ficou imóvel: a surpresa e a alegria amarraram-lhe toda a ação.
A madrinha do Antonico começou logo:
- O teu rapaz foi suplicar-me que te viesse pedir perdão pelo que houve aqui ontem e eu aproveito a ocasião para, à tua vista, contar-lhe o que já deverias ter-lhe dito!
- Cala-te! - murmurou com voz apagada a caolha.
- Não me calo! Essa pieguice é que te tem prejudicado! Olha, rapaz! Quem cegou a tua mãe foste tu!
O afilhado tornou-se lívido; e ela concluiu:
- Ah, não tiveste culpa! Eras muito pequeno quando, um dia, ao almoço, levantaste na mãozinha um garfo; ela estava distraída, e antes que eu pudesse evitar a catástrofe, tu o enterraste pelo olho esquerdo! Ainda tenho no ouvido o grito de dor que ela deu!
O Antonico caiu pesadamente de bruços, com um desmaio; a mãe acercou-se rapidamente dele, murmurando trêmula:
- Pobre filho! Vês? Era por isto que eu não queria dizer nada!
Veja esse conto na íntegra aqui:
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/julia-lopes-de-almeida/a-caolha.php
Esse conto foi escrito pela brasileira Júlia Lopes de Almeida no início do século 20 e mostra que o amor de uma mãe suporta a tudo, disposta até a pagar um alto preço pra não magoar seu filho, mesmo que isso a faça sofrer durante toda a sua vida.
Que esse texto sirva de lição àqueles que não dão o devido valor às suas mães. Lembrando que mãe na vida da gente só existe uma.
A todas as mães, muitas felicidades nesse dia especial.
- Embusteiro! O que você tem é vergonha de ser meu filho! Saia! Que eu também já sinto vergonha de ser mãe de semelhante ingrato!
O rapaz, arrependido em sua nova moradia, procura sua madrinha pra que esta converse com a mãe por ele a fim de amenizar o ocorrido entre os dois, contando-lhe todo o ocorrido.
- Eu previa isso mesmo, quando aconselhava tua mãe a que te dissesse a verdade inteira; ela não quis, aí está!
- Que verdade, madrinha?
Encontraram a caolha a tirar umas nódoas do fraque do filho - queria mandar-lhe a roupa limpinha. A infeliz se arrependera das palavras que dissera e tinha passado a noite à janela, esperando que o Antonico voltasse ou passasse apenas... Via o porvir negro e vazio e já se queixava de si! Quando a amiga e o filho entraram, ela ficou imóvel: a surpresa e a alegria amarraram-lhe toda a ação.
A madrinha do Antonico começou logo:
- O teu rapaz foi suplicar-me que te viesse pedir perdão pelo que houve aqui ontem e eu aproveito a ocasião para, à tua vista, contar-lhe o que já deverias ter-lhe dito!
- Cala-te! - murmurou com voz apagada a caolha.
- Não me calo! Essa pieguice é que te tem prejudicado! Olha, rapaz! Quem cegou a tua mãe foste tu!
O afilhado tornou-se lívido; e ela concluiu:
- Ah, não tiveste culpa! Eras muito pequeno quando, um dia, ao almoço, levantaste na mãozinha um garfo; ela estava distraída, e antes que eu pudesse evitar a catástrofe, tu o enterraste pelo olho esquerdo! Ainda tenho no ouvido o grito de dor que ela deu!
O Antonico caiu pesadamente de bruços, com um desmaio; a mãe acercou-se rapidamente dele, murmurando trêmula:
- Pobre filho! Vês? Era por isto que eu não queria dizer nada!
Veja esse conto na íntegra aqui:
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/julia-lopes-de-almeida/a-caolha.php
Esse conto foi escrito pela brasileira Júlia Lopes de Almeida no início do século 20 e mostra que o amor de uma mãe suporta a tudo, disposta até a pagar um alto preço pra não magoar seu filho, mesmo que isso a faça sofrer durante toda a sua vida.
Que esse texto sirva de lição àqueles que não dão o devido valor às suas mães. Lembrando que mãe na vida da gente só existe uma.
A todas as mães, muitas felicidades nesse dia especial.
Marcadores:
conto,
Júlia Lopes de Almeida,
literatura,
livro
terça-feira, 6 de abril de 2010
Uma vela para Dario
Uma Vela para Dario é um conto de Dalton Trevisan, no qual se tornou mais conhecido do público literário quando Ítalo Moriconi o selecionou pra fazer parte de Os cem melhores contos brasileiros do século. É um texto curto e direto, que fala de um homem chamado Dario que passa mal, senta numa calçada em meio a algumas pessoas que o socorre superficialmente e a seguir morre ali mesmo. Diferente do que se poderia imaginar, tudo só fica pior para aquele falecido homem na calçada. As reações e atitudes das pessoas são equivocadas e algumas delas de forma bastante discutíveis. Tudo se precipita ao pior em relação ao pobre homem que jaz morto ali naquela calçada: seu guarda-chuva e cachimbo já não se encontram mais ali; alguns chegam a coloca-lo em um táxi, mas pensando bem, quem pagaria a conta? Questionam eles. Até o relógio do morto é levado; enquanto isso, largado na porta de uma peixaria, as moscas não o deixam em paz. Sem dinheiro na carteira, só descobrem o seu nome e endereço que era de outra cidade. Um senhor tira o paletó de Dario para o encostar a cabeça, mas logo depois nem paletó se vê mais, e nem a aliança que o morto carregava no dedo. A única boa ação dentre os mais de duzentos curiosos que estão ali, vem de um menino de rua que lhe acende uma vela. Mas aos poucos, com as gotas da chuva, a vela vai se apagando.
Trevisan cria aqui um dos textos mais amargos que se tem notícia. Retratando o ser humano como uma espécie individualista e preocupados apenas com a superficialidade dos fatos, sem nunca ter realmente uma atitude de dor e sentimento pelo próximo Lendo esse conto, nos vem a mente a comparação com os tempos em que vivemos, onde muitos por aí se preocupam apenas com o próprio umbigo. E além de não ajudar, acabam por tirar o que ainda resta do outro. Mas como um sopro de esperança, o autor nos traz um menino com uma vela (também uma metáfora, simbolizando uma luz no fim do túnel, mostrando que nem tudo está perdido) eu se sensibiliza com tudo aquilo; um menino pobre, de pés descalços, mostrando que a ajuda (mesmo que algo tardio e sem muita utilidade) pode vir dos menos favorecidos financeiramente e não dos que realmente têm condições de fazer algo mais.
Fica aí a dica: Quem não conhece, procure conhecer esse conto pequeno em tamanho mas grande na pretensão em mostrar as hipocrisias humanas. Uma ótima leitura.
Trevisan cria aqui um dos textos mais amargos que se tem notícia. Retratando o ser humano como uma espécie individualista e preocupados apenas com a superficialidade dos fatos, sem nunca ter realmente uma atitude de dor e sentimento pelo próximo Lendo esse conto, nos vem a mente a comparação com os tempos em que vivemos, onde muitos por aí se preocupam apenas com o próprio umbigo. E além de não ajudar, acabam por tirar o que ainda resta do outro. Mas como um sopro de esperança, o autor nos traz um menino com uma vela (também uma metáfora, simbolizando uma luz no fim do túnel, mostrando que nem tudo está perdido) eu se sensibiliza com tudo aquilo; um menino pobre, de pés descalços, mostrando que a ajuda (mesmo que algo tardio e sem muita utilidade) pode vir dos menos favorecidos financeiramente e não dos que realmente têm condições de fazer algo mais.
Fica aí a dica: Quem não conhece, procure conhecer esse conto pequeno em tamanho mas grande na pretensão em mostrar as hipocrisias humanas. Uma ótima leitura.
terça-feira, 2 de março de 2010
O Processo de Franz Kafka

O Escritor tcheco Franz Kafka não é conhecido de muita gente, inclusive em nosso país onde o hábito da leitura é tão grande quanto uma bola de ping-pong. Até mesmo alguns leitores vorazes de obras máximas da literatura não conhecem Kafka, ou ao menos não o conhecem na íntegra. As obras desse escritor não é o que podemos chamar de leitura ligeira, ou algo que está mastigado pra leitores que não têm a intenção de pensar um pouco mais.
O Processo é o romance mais famoso de Kafka, o mais lido e estudado. É também o que mais se aproxima da persona do autor. Ao ler o Processo (ou qualquer outra de suas obras), nos vemos presos em labirintos e emaranhados de situações sufocantes. Um pesadelo se inicia na mente de um personagem, ele sabe que aquilo é real, mas as circunstâncias apontam pra algo que está além de sua compreensão. Assim é Josef K. Um homem comum que certo dia é acordado em seu próprio quarto por homens que o acusam de um crime, e que devem levá-lo pra prestar contas com o sistema penal. Depois, K é submetido à toda sorte de interrogatórios, tribunais esquizofrênicos, fatos inusitados, pessoas confusas e indiferentes ao seu drama. K não pode contar com muito apoio, uma vez que é incompreendido por muitos, tem o apoio de poucos. Suas idas e vindas por becos escuros, lugares estranhos e passagens que parece não levá-lo a lugar algum, o faz duvidar do presente e temer o futuro. Afinal, ele foi acusado de algo que nem ele mesmo sabe o que é. Seus acusadores lhe colocam em situações ameaçadoras onde a cada hora que passa, ele vê que não tem mais pra onde fugir. Depois de várias tentativas de se livrar dessa acusação sem motivos, K se vê frente a frente novamente com os homens que o acusaram, culminando aí numa defesa do réu e consequentemente em sua punição fatal. Quem conhece as obras de K e sua biografia, sabe que seus textos se confundem com sua própria vida. Em O Processo por exemplo, temos a inicial K do personagem, a mesma do autor; a justiça penal: Kafka era advogado; tentativas frustrantes do personagem K em encontrar uma saída pra o que lhe acometera: Kafka era reprimido pelo pai, isso o perseguiu durante toda sua vida, seus esforços em querer vencer eram sufocados pela presença autoritária do pai. Kafka tentou se casar três vezes, mas não conseguia levar isso adiante. Sua vida foi marcada por sucessivos transtornos de auto-rejeição. Lembrando que, não estamos falando de um homem que experimentara a fama de ser um grande escritor, como por exemplo, o russo Leon Tolstoi e o francês Emile Zola experimentaram em vida. Kafka não publicou nenhuma de suas obras, e perto de morrer, pediu ao grande amigo Max Brod que queimasse suas obras. Este, depois da morte de Kafka sabia que deveria publicar essa coleção de obras-primas, mesmo que algumas delas (inclusive o próprio O Processo) estivessem inacabadas. De fato, Brod não poderia ter sido mais feliz em sua atitude, uma vez que, Franz Kafka era um escritor fenomenal, dono de obras de caráter únicos, imparciais e intrigantes. Sabe-se que Kafka escrevia enigmas em forma de narrativas, seus textos eram a chave pra se entender o próprio Kafka. Vejamos alguns exemplos em suas obras mais conhecidas:
Em Da Colônia Penal, é mostrado uma máquina de execução humana. Suas irmãs morreriam tempos depois em Campos de Concentração durante a Segunda Guerra.
Carta a Meu Pai descreve correspondências do autor ao seu pai Herrmann Kafka, sua indignação e um aparente desprezo por essa figura paterna que faria dele um homem fragmentado e fracassado emocionalmente, levando-o a achar sempre incapaz e mostrar um nível de inferioridade que o levaria à morte precoce.
A Metamorfose mostra um homem que se vê certo dia transformado em um inseto. Uma alusão ao seu estado de impotência em não ter forças pra levar uma vida fora do âmbito familiar, sendo massacrado pela inconformidade de sua própria existência (Kafka era pessimista, viajou muito, conheceu vários lugares e pessoas, mas no fim de tudo, voltava pra casa e se prendia em suas angústias, não conseguia se libertar de seus traumas).
O Castelo (talvez sua obra mais complexa), o agrimensor K (mais uma vez sua própria inicial) não consegue se aproximar do Castelo no qual foi chamado pra fazer um trabalho, ficando “preso” em um vilarejo cheio de pessoas estranhas e mais uma vez indiferentes ao seu estado físico e emocional; remetendo-nos ao complexo de vida que Kafka levava consigo, suas frustrações em não conseguir se aproximar do que lhe era pretendido em teoria. O Castelo serve como uma metáfora: seria aquela construção o lugar onde Kafka deveria alcançar o auto-conhecimento, suas descobertas de vida que o levaria ao sucesso como ser humano. Mas de alguma forma, lhe é impedido a entrada ali.
Enfim, em O Processo, Kafka nos direciona ao que não tem direção, ao vazio da vida de um homem que não consegue se encontrar. Um reflexo de todos nós: quem já não foi alguma vez na vida acusado de algo que não cometeu? Quem já não se viu calado por forças que impunham uma situação de intolerância moral, social ou emocional? Quem já não se sentiu sufocado em não conseguir provar que poderia ir além do que as circunstâncias diziam não ser possíveis? (uma forma de arbitrariedade em que nos vemos presos em alguns momentos de nossas vidas)
O Processo foi levado às telas em 1963 pelo genial Orson Welles. O ator Anthony Perkins (Psicose) interpreta Josep K.
Recomendo a quem procura uma leitura de alta qualidade, não apenas O processo, mas também todas as obras citadas aqui.
Agradeço à minha amiga Daniana em sugerir o comentário dessa obra.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
O Salário do Medo - O Livro
Esse belo livro do francês Georges Arnaud se passa em um ano indeterminado, só sabemos que é nos anos 50, na Guatemala. Viajantes franceses perdidos ali, naquele lugar onde não tem emprego e moradia, e onde a miséria toma conta; sem trabalho, sabem que qualquer oferta de emprego é bem vinda.
Assim, quando um poço de petróleo pega fogo, a empresa precisa extingir logo o incêndio. A forma de fazer isso é usarem nitroglicerina para explodirem o poço.
Prá quem não sabe, nitroglicerina é o que muitos chamam de "bomba líquida". Qualquer impacto e tudo vai pros ares. Se uma gota é derramada, causa uma destruição considerável. Imagine então dois caminhões lotados de centenas de galões disso?
4 desses viajantes são contratados prá esse trabalho, e têm nisso a possibilidade de cair fora daquele lugar, sendo que a remuneração é mais que satisfatória. Mas como nada que vem fácil é realmente fácil, naquelas estradas precárias, qualquer movimento a mais nos caminhões é morte certa. O resto não contarei, prá não estragar o prazer da leitura. Mas é um livro que eu recomendo. Uma obra tensa e envolvente do começo ao fim, com uma narrativa fluente e com uma ótima descrição dos fatos, lugares e personagens. O diretor Henri-Georges Clouzot o filmou em 1953, com os atores Yves Montand e Charles Vanel nos papéis de destaque. O filme é uma obra-prima, um dos melhores suspenses da história do cinema. Depois faço um comentário sobre ele aqui.
Esse livro te prenderá na cadeira. Você não irá querer largá-lo até sua conclusão.
Assim, quando um poço de petróleo pega fogo, a empresa precisa extingir logo o incêndio. A forma de fazer isso é usarem nitroglicerina para explodirem o poço.
Prá quem não sabe, nitroglicerina é o que muitos chamam de "bomba líquida". Qualquer impacto e tudo vai pros ares. Se uma gota é derramada, causa uma destruição considerável. Imagine então dois caminhões lotados de centenas de galões disso?
4 desses viajantes são contratados prá esse trabalho, e têm nisso a possibilidade de cair fora daquele lugar, sendo que a remuneração é mais que satisfatória. Mas como nada que vem fácil é realmente fácil, naquelas estradas precárias, qualquer movimento a mais nos caminhões é morte certa. O resto não contarei, prá não estragar o prazer da leitura. Mas é um livro que eu recomendo. Uma obra tensa e envolvente do começo ao fim, com uma narrativa fluente e com uma ótima descrição dos fatos, lugares e personagens. O diretor Henri-Georges Clouzot o filmou em 1953, com os atores Yves Montand e Charles Vanel nos papéis de destaque. O filme é uma obra-prima, um dos melhores suspenses da história do cinema. Depois faço um comentário sobre ele aqui.
Esse livro te prenderá na cadeira. Você não irá querer largá-lo até sua conclusão.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Para o Amigo que não me Salvou a Vida
Não é de fácil recomendação para leitores mais sensíveis essa autobiografia do já falecido escritor francês Hervé Guibert. Um dos primeiros livros a descrever os horrores de um doente terminal com Aids, onde ele já diz de início que a Aids é "a doença dos homossexuais".
Nessa obra Guibert denuncia a precariedade dos hospitais franceses; o descaso da igreja católica, como por exemplo quando ele já desesperado vai pedir apoio a um padre e este o rejeita; o imoralismo dos homossexuais onde ele próprio se encaixa.
O autor se utiliza de pseudônimos para falar de pessoas famosas relacionadas a ele, entre eles o filósofo Michel Foulcaut, que é narrado sem nenhuma discrição em seu estado final com a mesma doença. Aliás, Guibert não tem o mínimo pudor em falar de seu amigo filósofo, descrevendo até mesmo as características físicas e emocionais do mesmo enquanto morria, algo muito frio, se tratando de um grande amigo. Nem as descrições aos pormenores acerca dos relacionamentos sexuais íntimos dele e de seus companheiros são poupados. Tudo é muito explícito.
Uma biografia, um relato impactante, um registro forte de um autor que não tem a mínima vergonha de se expor às diversas formas de situações de vida na qual passou pós transmissão do HIV e que já tinha a morte inevitável ao seu lado.
Publicado postumamente em 1990 na França, virou um best-seller imediato e propagou a campanha pelo combate à Aids. Ainda que de nada adiante, uma vez que essa doença a cada ano que passa parece aumentar consideravelmente.
Nessa obra Guibert denuncia a precariedade dos hospitais franceses; o descaso da igreja católica, como por exemplo quando ele já desesperado vai pedir apoio a um padre e este o rejeita; o imoralismo dos homossexuais onde ele próprio se encaixa.
O autor se utiliza de pseudônimos para falar de pessoas famosas relacionadas a ele, entre eles o filósofo Michel Foulcaut, que é narrado sem nenhuma discrição em seu estado final com a mesma doença. Aliás, Guibert não tem o mínimo pudor em falar de seu amigo filósofo, descrevendo até mesmo as características físicas e emocionais do mesmo enquanto morria, algo muito frio, se tratando de um grande amigo. Nem as descrições aos pormenores acerca dos relacionamentos sexuais íntimos dele e de seus companheiros são poupados. Tudo é muito explícito.
Uma biografia, um relato impactante, um registro forte de um autor que não tem a mínima vergonha de se expor às diversas formas de situações de vida na qual passou pós transmissão do HIV e que já tinha a morte inevitável ao seu lado.
Publicado postumamente em 1990 na França, virou um best-seller imediato e propagou a campanha pelo combate à Aids. Ainda que de nada adiante, uma vez que essa doença a cada ano que passa parece aumentar consideravelmente.
Marcadores:
Aids,
Hervé Guibert,
HIV,
literatura,
livro,
Michel Foulcaut,
Para O Amigo Que Não Me Salvou A Vida
Assinar:
Postagens (Atom)





