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domingo, 28 de novembro de 2010

Meus 10 filmes preferidos



 ...E O VENTO LEVOU (1939)

O filme mais visto em todo o mundo, é também a obra que melhor representa a Era de Ouro de Hollywood. Uma superprodução vencedora de dez Oscars que conquistou milhões de pessoas em todo o mundo durante mais de 70 anos. Lá pelo final da década de 40, o livro homônimo de Margaret Mitchell chega às mãos do produtor David O. Selznick, este se apaixona pela obra e resolve produzí-la, mal sabendo ele que seria um dos trabalhos mais difíceis da história do cinema. Uma lista enorme de atrizes que concorriam pelo papel de Scarlett O’Hara, Clark Gable foi imposto pelos fãs no papel masculino principal, três diretores passaram pelo projeto (George Cukor, Sam Wood e Victor Fleming, este último recebeu os créditos), e até mesmo o próprio Selznick chegou a dirigir algumas cenas; filmagens atrasadas, orçamento estourado. Mas o sacrifício valeu a pena, ...E o Vento Levou é de longe um os maiores monumentos do cinema. O casal principal feito por Clark Gable e Vivien Leigh entrou para a história. Uma história de amor em que o capitão Reth Butler ama Scarlett O’Hara, mas esta só tem olhos para um homem, já comprometido, durante a Guerra da Secessão. O final nada feliz é marcante e inesquecível, assim como todo o restante da obra. 




 A LISTA DE SCHINDLER (1993)

O diretor Billy Wilder (Crepúsculo dos Deuses) era quem iria dirigir esse projeto baseado no livro de Thomas Kenneally, mas Steven Spielberg acabou dirigindo esta que é sua obra-prima máxima. Um relato triste e cruel da história real de Oskar Schindler (Liam Neesom), um empresário alemão que abre uma fábrica na Polônia e emprega ali vários judeus do Campo de Concentração de Plaszow. No início, Schindler se mostra um homem vaidoso, interessado apenas em lucros e amantes, mas ao presenciar um massacre de judeus pelos nazistas, em especial quando uma menina anda sem rumo tentando sobreviver, Schindler se dá conta de que sua vida boêmia é desprezível em meio a tanta gente morrendo e ele não fazer nada pra mudar tal situação. Com a ajuda de seu auxiliar (Ben Kingsley), ele cria uma lista de judeus para serem negociados com o temível comandante dos nazistas (Ralph Fiennes), para que os mesmos não morram nos Campos e continuem trabalhando para ele. Através de acordos e subornos, Schindler tenta a todo custo mantê-los vivos. Filmado em preto e branco e vencedor de 7 Oscars, A Lista de Schindler é o melhor filme já feito sobre o Holocausto.




 AMOR, SUBLIME AMOR (1961)

O Musical no cinema hoje em dia é um gênero que não tem mais vez, mas durante muito tempo foi um gênero que reinou em Hollywood. Clássicos como O Picolino, Os Sapatinhos Vermelhos, O Pirata, Cantando na Chuva, Sete Noivas Para Sete Irmãos e A Noviça Rebelde, entre tantos outros, encantaram o público que não se cansava de ver astros como Gene Kelly e Fred Astaire fazerem piruetas mirabolantes, sem contar que, ver a Cid Charisse em cena era um deleite para os olhos. De todos os musicais que já vi, o meu preferido é Amor, Sublime Amor, dirigido por Robert Wise (O Dia em que a Terra Parou) em parceria com Jerome Robbins. É um filme mágico, encantador, inesquecível, algo que só poderia sair das mentes criativas da Hollywood clássica. Baseado em Romeu e Julieta de William Shakespeare, Amor, Sublime Amor conta a hitória de um amor impossível entre Maria (Natalie Wood) e Tony (Richard Beymer) em meio à duas gangues rivais pela disputa de teritórios na Nova York dos anos 60. Belíssimas canções fazem desse clássico vencedor de dez Oscars, um filme singular na história da Sétima Arte. 




 CIDADÃO KANE (1941)

Orson Welles (A Marca da Maldade) tinha na época 26 anos quando resolveu fazer Cidadão Kane. Mal sabia ele que não seria um filme qualquer, mas sim aquele que muitos críticos consideram ser o melhor de todos os tempos. Não há qualquer exagero em considerar Cidadão Kane como um filme sem precedentes na história do cinema, pois trata-se de uma obra-prima incontestável, irretocável, onde cada elemento contido nele só o torna ainda mais excelente. Welles revolucionário a arte cinematográfica ao introduzir elementos até então inéditos no cinema, como filmagens de tetos, ângulos de câmeras colocados de forma a se ver o que acontece ao fundo dando a impressão de que estamos dentro do filme, além ainda da forma em que o roteiro nos apresenta uma história não linear, em que os acontecimentos vão e vem sem ter uma preocupação com uma cronologia direta dos fatos apresentados. O filme conta a história do magnata Charles Foster Kane da imprensa, de sua infância pobre quando é separado dos pais e vai viver com um banqueiro que lhe coloca no ramos das comunicações, até suas experiências fracasados nos relacionamentos com mulheres e amantes, culminando em seu fim solitário. Filme indispensável para quem quer estudar e entender a fundo a história do cinema. Vencedor do Oscar de roteiro original. 




 BEN-HUR (1959)

William Wyler foi um dos maiores diretores da Era de Ouro de Hollywood e já havia ganhado dois Oscars de direção por Rosa de Esperança (1942) e Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946). Diretor de vários gêneros, Wyler resolveu se aventurar em um épico para provar que também era capaz de dirigir uma superprodução de época. O resultado não poderia ter sido melhor, pois além de um enorme sucesso nas bilheterias, Ben-Hur conquistou nada menos que 11 Oscars, entre eles de filme, direção (o terceiro prêmio pra Wyler nessa categoria) e ator para Charlton Heston. Recusado por vários atores, o papel de Ben-Hur foi parar nas mãos de Heston que havia feito com Wyler no ano anterior o belo faroeste Da Terra Nascem os Homens. Conta aqui a história de Judah Ben-Hur, um rico judeu que é traído pelo amigo Messala e condenado a viver como escravo. Ele então parte em busca de vingança ao mesmo tempo em que procura a mãe e a irmã que desapareceram. Com belíssimas cenas, entre elas uma magnífica corrida de bigas, Ben-Hur é um filme que mostra um contexto importante da História: a conversão de judeus ao Cristianismo. Baseado no romance fictício de Lew Wallace, Ben-Hur é um dos maiores épicos já feitos em Hollywood.




 MATAR OU MORRER (1952)

Assim como o musical, o gênero faroeste também era muito aceito na fase áurea de Hollywood. O público enchia os cinemas para assistir aos filmes que eram considerados um gênero americano por excelência (depois na Itália foi surgindo os Western-Spaghetti). Diretores como John Ford, Howard Hawks, Anthony Mann, Henry King e Delmer Daves reinaram com os filmes de faroestes americanos. Mas o meu filme de faroeste preferido é dirigido por um diretor conhecido por filmes dramáticos, Fred Zinnemann, ganhador de dois Oscar de direção por À um Passo da Eternidade (1953) e O Homem que não Vendeu Sua Alma (1966). Matar ou Morrer faz parte de um ciclo de faroestes psicológicos que surgiu no final dos anos 40 e se estendeu até o começo dos anos 70. Em Matar ou Morrer, Gary Cooper (que levou seu segundo Oscar de melhor ator por esse filme) interpreta um xerife que depois do casamento, descobre que bandidos presos por ele estão voltando à cidade ao meio-dia para matá-lo. Ele pede ajuda aos moradores, mas ninguém o ajuda e ele se vê sozinho. Um belo filme que fala sobre o isolacionismo, uma clara alusão ao Marcathismo (um movimento “Caça às Bruxas” que se propagou nos anos 50 nos Estados Unidos). A Belíssima Grace Kelly interpreta a esposa de Cooper. Além de melhor ator, o filme ganhou mais 3 Oscars. 





 AMNÉSIA (2000)

O diretor Christopher Nolan ficou famoso quando deu nova vida ao Batman em Batman Begins (2005) e Batman – O Cavaleiro das trevas (2008), e em 2010 agradou críticos e público com A Origem. Mas seu melhor trabalho ainda é Amnésia, um filme diferente de tudo que já se viu nas telas. Para começar, é um filme que tem sua ordem cronológica ao inverso, ou seja, é de trás pra frente. Conta a história de um homem (Guy Pearce) que tem sua esposa violentamente assassinada; ao tentar salvá-la, ele também é vítima do bandido que lhe provoca uma lesão que o deixa com um sério problema: ele não se lembra de nada do que lhe acontece 5 minutos atrás. Ele só sabe que precisa vingar a morte da esposa, e tatua todo seu corpo com inscrições que o levem a novas pistas sobre o assassino. Amnésia é um filme complexo e inteligente, e que no final (ou seria o começo?) faz todo sentido. Não engana o espectador com truques baratos, mas lhe dá uma conclusão de cair o queixo. De longe é um filme que carrega um dos roteiros mais inteligentes já vistos. À cada vez que assistimos, vamos descobrindo novos detalhes que nos passaram em branco nas vezes anteriores. Excelente.




 A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (1946)

Em uma cidadezinha dos Estados Unidos durante os dias que antecedem o natal, um homem correto e admirado por muitos se vê encrencado por causa de um dinheiro que lhe foi tomado. O dinheiro não era dele, por isso ele se vê em aflição. Desesperado, pensa em se jogar de uma ponte, mas um anjo aparece naquele momento e mostra como seria aquela cidade se ele não existisse. O diretor Frank Capra ganhou três Oscars de direção por Aconteceu Naquela Noite (1934), O Galante Mrs Deeds (1936) e Do Mundo Nada se Leva (1938),  todos eles são ótimos filmes. Mas sua obra-prima é mesmo A Felicidade Não se Compra, um dos melhores e mais emocionantes filmes já feitos. O cinema de Capra é conhecido pelo otimismo, onde um homem bom sempre luta contra os ricos e opressores. Em A Felicidade Não se Compra ele explora ao máximo esse tema, onde brilha o ótimo ator James Stewart (parceiro de Capra em outros filmes) que tem uma brilhante atuação. Começa com o herói em sua infância, onde em uma das cenas, uma menina (sua futura esposa) se aproxima do ouvido surdo dele e diz: “Eu te amarei para sempre!”, essa é uma de minhas cenas favoritas do cinema. Um filme belíssimo, repleto de momentos antológicos.




 APOCALYPSE NOW (1979)

Nos anos 70, o diretor Francis Ford Coppola reinou em Hollywood com nada menos que quatro obras-primas: O Poderoso Chefão (1972), O Poderoso Chefão – Parte II (1974), A Conversação (1974) e Apocalypse Now (1979). Este último é o meu preferido, é aquele que apresenta toda a megalomania típico de Coppola, seus arroubos visuais e técnicos. Apocalypse now é um filme de guerra como nenhum outro. Trata-se de um verdadeiro pesadelo nas selvas perigosas do Vietnã durante a guerra travada pelos norte-americanos nesse país. Coppola leva um grupo de soldados a viverem os maiores horrores em um barco rumo a uma área desconhecida onde um ex-coronel do exército americano (Marlon Brando, simplesmente genial) se rebelou e agora lidera uma aldeia de vietcongues fanáticos. À medida que os soldados vão seguindo pela selva, vão encontrando todos os tipos de situações, das mais inusitadas possíveis. Em certo momento, eles chegam em uma área onde está sendo travado um combate, ali, os soldados mais se parecem com mortos-vivos, atirando não se sabe em quem ou em que. Ao chegarem ao destino planejado, se encontram com o coronel que os recebe cordialmente. Mas aquele homem que enlouquecera naquele ambiente selvagem, precisa ser detido. Apocalypse Now tem um estilo bem diferente de outros filmes de guerra, aqui o que importa não á a guerra em si, mas sim mostrar a loucura de homens lutando contra inimigos invisíveis em um lugar onde impera o medo e a carnificina. Vencedor de dois Oscars. Vagamente inspirado no livro O Coração das Trevas de Joseph Conrad.




 LAWRENCE DA ARÁBIA (1962)

A História real de Thomas Edward Lawrence (autor de Os Sete Pilares da Sabedoria), que de simples observador e relator na guerra entre árabes e turcos na Primeira Guerra Mundial, acabou entrando em combate a favor dos árabes e se destacou pela sua coragem e determinação. Obra-prima de David Lean, um dos maiores diretores do cinema que fez filmes como Desencanto (1945), Oliver Twist (1948), A Ponte do rio Kwai (1957, aqui vencendo seu primeiro Oscar de direção) e Doutor Jivago (1965), entre outros. Contando com um excelente elenco que inclui Peter O’Toole no papel principal, e ainda Omar Sharif, Alec Guiness e Anthony Quinn, este é um filme que ficou marcado na história do cinema por ter as mais belas imagens do deserto já feito. Com uma fotografia deslumbrante, Lawrence da Arábia reina no quesito técnico como nenhum outro. É uma superprodução excepcional, contando a história de um homem que luta por um povo do qual ele não faz parte. Mas aqui Lean não deixa seu personagem cair no estereótipo do herói exemplar, mas o mostra de forma humana, que em alguns momentos se mostra um homem vaidoso e sedento por sangue inimigo. É uma biografia esplendorosa como poucas vezes foi mostrada no cinema. Um verdadeiro espetáculo, ganhador de sete Oscars, entre eles de melhor filme e o segundo de direção para David Lean. 




domingo, 23 de maio de 2010

Amnésia
















Homem tem sua mulher brutalmente assassinada e sai à procura do assassino, sem descansar até que faça justiça com as próprias mãos. Simples, não é? Um tema pra lá de batido. Quem afinal nunca assistiu a um filme com um enredo desse? Mas Amnésia se diferencia de todos os filmes. Ele antes de tudo, é bastante original e complexo. E é nesse último quesito que reside a força desse filme dirigido por Christopher Nolan, do ótimo Batman – O Cavaleiro das Trevas.
É complicado falar de Amnésia sem acabar estragando as várias surpresas que ele traz.
Amnésia é um filme já diferente desde seus minutos iniciais, quando o personagem principal Leonard shelby (Guy Pearce de Los Angeles – Cidade Proibida) tem sua vida mudada quando certa noite alguém entra em sua residência e mata sua esposa, durante uma luta contra o agressor, ele é golpeado e fica no chão enquanto o bandido foge.
Depois se descobre que ele ficou com um tipo de amnésia no qual esquece tudo que se passa depois de cinco minutos. Ele só sabe que precisa se vingar, e tatua em seu corpo as informações que precisa para poder ir além nisso. Durante sua trajetória, ele encontra uma mulher misteriosa (Carrie-Anne Moss, a Trinity de Matrix) e um homem que se diz policial (Joe Pantoliano, também de Matrix).
Sua história é contada de trás pra frente, ou seja, o que vemos na primeira cena na verdade é o final, e o que vemos no final,na verdade é o começo. Parece difícil de seguir, mas não é, mas isso não quer dizer que o você vá entender de cara o enigma da história. Tem pessoas que assistem várias vezes e não assimila muita coisa, mas há quem assista e entende de cara. Entendê-lo ou não vai de cada um. Pra quem não tem experiência com filmes legendados, é recomendado que se assista dublado mesmo, pra assim não se perder na trama que é aparentemente confusa, mas que no fundo faz o maior sentido. Não é desses filmes que tentam ser complexos e enganam o espectador. Esse aqui de fato segue uma linha de raciocínio lógico. Há nele também uma subtrama em que Leonard antes da tragédia, investigava um homem que poderia estar fingindo perder a memória pra se dar bem com um seguro. Intercalando cenas coloridas em que Leonard busca pelo assassino e cenas em preto e branco em que ele investiga o caso do suposto golpista, culminando num final surpreendente de deixar qualquer um de queixo caído. O filme nos prega peças em vários sentidos, troca imagens que só vemos numa questão de segundos, nos leva a ter várias interpretações. Seria esse homem nvestigado por Leonard, ele mesmo?
Entre as várias cenas antológicas, uma delas brinca com o telespectador, quando Leonard persegue um homem.
As pessoas se aproveitam de sua situação, como o homem da recepção o muda sempre de quarto dizendo que ele não se lembraria mesmo em qual quarto esteve no dia anterior. Leonard sempre abre a porta do hotel pra dentro, quando na verdade a porta abre por fora. O policial brinca com ele dizendo que pode contar sempre a mesma piada.
O filme do início ao fim é uma sucessão de surpresas que vão dando um novo sentido à história. É incrível como ele nunca se perde e se torna cansativo ou chato, muito pelo contário. Quando termina queremos ver novamente. A cada vez que eu assisto vou descobrindo novos detalhes que me haviam passado despercebidos das primeiras vezes.
Se Leonard não se lembra de nada que se passou até cinco minutos atrás, isso significa que ele já pode ter pegado o assassino de sua mulher e não se lembrar disso. Sua luta incessante por vingança pode ou não ser algo que agora faça algum sentido.
O elenco é perfeito. Guy Pearce nos passa todo o conflito de um homem atormentado, Carrie-Anne Moss faz de forma natural a garçonete que tenta lhe ajudar, Joe Pantoliano está ótimo como sempre como o policial que pode ou não estar tentando se aproveitar de Leonard. Não menos perfeita é a direção do sempre ótimo diretor Christopher Nolan, que, juntamente com seu irmão Jonathan Nolan, escreveu o brilhante roteiro. Nolan é diretor do melhor filme de super-heróis do cinema: Batman – O Cavaleiro das Trevas (filme do qual o Coringa é interpretado de maneira magistral por Heath Ledger). Dirigiu também Insônia (filme tenso com Al Pacino e Robin Williams), Batman Begins (com Christian Bale e Liam Neesom, entre outros) e O Grande Truque (com Hugh Jackman e novamente Bale).
O filme Amnésia já virou caso de estudo entre historiadores, profissionais da área de cinema, e outros interessados. Sua história bastante original fascina e faz refletir sobre a necessidade do ser humano em fazer justiça, mesmo que ele não entenda o porquê disso.
Amnésia concorreu aos Oscars de montagem e roteiro, perdeu esse último absurdamente para o filme Assassinato em Oxford Park, de Robert Altman.
Meu filme preferido da última década e também um dos melhores roteiros já feitos, em minha opinião. Amnésia é uma obra excepcional, um exemplo notável de como se fazer uma história perfeita e original.



Nota: 5 de 5

titulo original: Memento

lançamento: 2001 (EUA)

direção: Christopher nolan

Atores: Guy Pearce, Carrie-Anne Mos, Joe Pantoliano, Mark Boone Junior, Stephen Tobolowsky

duração: 113 min


gênero: Drama, suspense

terça-feira, 30 de março de 2010

Meu top 20 dos melhores filmes da década de 2000.




Fiz uma retrospectiva dos melhores filmes que assiti feitos entre os anos 2000 a 2009. São filmes que de fato me marcaram. Posso ter esquecido de alguns, mas é uma lista bem estudada e analisada, não foi feita às pressas, portanto, é uma lista bem aprofundada daqueles que, na minha opinião são os melhores filmes da década passada. São filmes que eu recomendo pra quem procura por uma ótima sessão de cinema.


01 – AMNÉSIA – 2001 – Direção: Christopher Nolan

O melhor filme da década é também o que tem um dos roteiros mais brilhantes de todos os tempos. Um homem (Guy Peace) tem sua mulher brutalmente assassinada. Ele dedica sua vida a procurar e matar o assassino. Mas há um pequeno detalhe: Ele na luta contra o criminoso, perdeu a memória e agora não se lembra de mais nada que se passa nos últimos minutos. Pra não esquecer sua vingança, ele anota tudo em seu corpo. Um policial e uma mulher podem ser seus amigos ou podem estar lhe usando para fins próprios. Esse filme tem um diferencial dos demais: Ele começa pelo fim e termina pelo começo. O final (ou seria o começo?) é de cair o queixo.

02 - BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS - 2008 – Direção: Christopher Nolan

Mais um do diretor Christopher Nolan. Continuação do sucesso Batman Begins de 2005, esse aqui fez tanto sucesso que ultrapassou a marca de 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais. É um merecido sucesso, um dos melhores filmes de ação e aventura dos últimos tempos. Traz uma excepcional interpretação do já falecido Heath Ledger como o Coringa, no papel que lhe deu todos os prêmios de melhor ator coadjuvante do ano, entre eles o Oscar e o Globo de Ouro. Batman (Christian Bale) tem que combater a insanidade do Coringa ao mesmo tempo que o promotor Harvey Dent se transforma no vingativo Duas-Caras. Um ótimo filme. Tenso, e alucinante. Excelente do início ao fim.

03 - DESEJO E REPARAÇÃO – 2007 – Direção: Joe Wright

Um jovem filho da caseira de uma mansão na Inglaterra, resolve confessar seu amor pela filha de seus patrões, através de uma carta. Mas a inveja e imaturidade da irmã da moça faz com que ele pague um alto preço por isso. Depois da prisão, participando da Segunda Guerra contra sua vontade, ele vê ali a oportunidade pra reencontrar seu grande amor, mas tristes acontecimentos mudam toda a história. Excepcional transposição de um romance para as telas, esse filme é uma das mais originais e comoventes histórias de amor que o cinema já fez. Há uma longa seqüência na praia de Dunquerque toda sem corte. Os mais sensíveis podem preparar o lenço.


04 - O ESCAFANDRO E A BORBOLETA – 2007 – Direção: Julian Schnabel

Jean-Dominique Bauby, editor de uma famosa revista, que vive a vida como playbloy, tem sua vida tragicamente transformada quando tem um derrame cerebral que paralisa seu corpo inteiro, exceto o olho esquerdo, que ele usa pra se comunicar. Um dos mais belos e comoventes filmes da década passada, conta uma história real baseado na autobiografia de Bauby. É um filme difícil, pois trata de algo doloroso, mas ao mesmo tempo nos mostra o que a vontade de viver é capaz de fazer. Ganhou o prêmio de direção em Cannes. Obra-prima indiscutível.


05 - VALSA COM BASHIR - 2008 – Direção: Ari Folman

Uma animação israelense que é diferente de tudo que já se viu. Não é pra crianças, e nem todos os adultos embarcarão na complexidade que esse filme tem a oferecer. Trata-se de um ex-soldado do exército israelense que vai lembrando aos poucos que participou de um grande massacre durante a guerra do Líbano. É uma experiência áudio-visual acima de qualquer comentário. Um verdadeiro exercício de estilos semi-documental que assuntos como: horrores da guerra, a memória desfacelada, as conseqüências dos atos impensados. O diretor folman é o protagonista da história, baseada em suas próprias experiências.


06 - MAR ADENTRO – 2004 – Direção: Alejandro Almenábar

A história real de Ramon Sampedro e seu drama após ficar tetraplégico num acidente no mar. Sua luta para conseguir o direito de cometer eutanásia, seus questionamentos, suas lembranças. Rodeado de pessoas sinceras e comovidas com o seu problema, ele chega a ser motivo de esperança de vida para outras pessoas. A notável interpretação de Javier Bardem ajuda a dar uma força ainda maior a esse belíssimo drama que ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. Um filme polêmico e sempre atual, além de muito emocionante.


07 - REQUIÉM PARA UM SONHO – 2000 – Direção: Darren Aronofsky

Um dos filmes mais impactantes da história do cinema. Uma obra que é de difícil acesso. Barra pesada ao extremo, fala sobre uma mãe que se vicia em medicamentos e aos poucos vai perdendo a lucidez, e de seu filho que se vicia em drogas juntamente com a namorada e o melhor amigo. Não recomendável para pessoas sensíveis, é mesmo pra quem está preparado pra se surpreender. Sua trilha sonora agonizante só faz aumentar a sensação de sufocamento que esse filme provoca. Seu final é de uma agonia poucas vezes vista nas telas. Pode provocar mal estar aos não acostumados a um cinema mais forte.


08 – MUNIQUE – 2005 – Direção: Steven Spielberg

Último grande filme de Steven Spielberg até o momento, Munique é a cidade alemã onde ocorreram as Olimpíadas de 1972, onde 11 atletas israelenses foram mortos por terroristas. Agentes israelenses altamente selecionados, vão atrás dos culpados para exterminá-los. O chefe do grupo começa a se questionar sobre o que estão fazendo. É um filme, tenso, envolvente e surpreendente. Extremamente bem feito, perdeu injustamente o Oscar de melhor filme para o superestimado Crash – No Limite. Não toma partido entre a rivalidade israelenses/palestinos, e acaba sendo um retrato fiel de uma época.


09 - FALE COM ELA – 2002 - Direção: Pedro Almodóvar

O diretor espanhol faz aqui sua obra-prima. Um trabalho que é uma verdadeira poesia, uma obra-prima irretocável. Dois homens têm suas vidas mudadas quando as mulheres de suas vidas sofrem acidentes e ficam em coma. Um deles, o enfermeiro, vivia um amor platônico, o outro era envolvido com uma delas. Enquanto o primeiro está perto da amada, cuidando dela, o outro está sempre em visita. Recomenda-se que eles falem com elas, enquanto estão no coma, isso fará que elas se recuperem mais cedo. Aos poucos vai se criando um belo espetáculo de amor e dedicação. Merecidíssimo vencedor do Oscar de melhor roteiro original.


10 - O OPERÁRIO – 2004 – Direção: Brad Anderson

O ator britânico Christian Bale de mais de 1,80 cm de altura e mais de 90 kg, precisou ficar aproximadamente 40 kg pra interpretar um homem que tem sua vida drasticamente transformada por algo terrível no qual ele não se lembra. Passa um ano inteiro sem dormir, perturbado por memórias que podem ou não ser verdadeiras. Um homem chamado Ivan começa a atormenta-lo de alguma forma, enquanto ele conhece uma mulher e seu filho que mudarão os rumos de sua vida, até levar a uma surpreendente revelação. Alguns mais experientes podem acabar montando o quebra-cabeça antes do final, pois o filme entrega durante toda a sua projeção a chave de todo o mistério.


11 - AS INVASOES BARBARAS – 2003 – Direção: Denys Arcand

Oscar de melhor filme estrangeiro e vencedor em Cannes como melhor direção e atriz pra Marie-Josée Croze, que faz a drogada. Esse é um filme que fala da relação pai e filho após o primeiro estar com uma doença terminal. E o relacionamento do doente com seus antigos amigos intelectuais que o visitam em seus últimos dias de vida, e suas lembranças. Ao mesmo tempo, o filme toca em assuntos como o 11 de setembro e suas consequências. Feito com muita sensibilidade, é uma obra que fala de saudade, nostalgia, perdão e perdas.


12 - OS OUTROS- 2001 – Direção: Alejandro Almenábar

O diretor de Mar Adentro faria poucos anos antes esse filme de terror em que lembra um pouco O Sexto Sentido, porém só nos sustos, uma vez que as histórias são muito diferentes. Aqui, uma mãe (Nicole Kidman) contrata três empregados para trabalhar em sua velha mansão, durante a segunda guerra. Aos poucos, ela vai descobrindo a presença de fantasmas na casa. Isso faz com que ela aos poucos se desespere, enquanto seus filhos têm outros tipos de reação diante dos acontecimentos. O final é um dos mais espantosos e inesperados dos últimos tempos. Alguns verão uma certa semelhança com o livro A Volta do Parafuso do escritor Henry James, que virou filme em 1962, com Deborah Kerr no papel principal.


13 - MARCAS DA VIOLENCIA – 2005 – Direção: David Cronenberg

Numa pequena cidade dos EUA, um pacato dono de uma lanchonete tem seu estabelecimento invadido por dois homens armados. Em meio à ameaça, ele reage e dá início a uma transformação em sua vida que o remeterá a um passado esquecido. Baseado numa Graphic novel, esse filme
mostra até que ponto alguém pode deixar o passado pra trás. Grande retorno de Cronemberg, que depois faria com o mesmo ator principal Viggo Mortensen o interessante Senhores do Crime. Envolvente do início ao fim, é um filme bastante pesado, mas de grande qualidade. Indicado aos Oscars de roteiro original e ator coadjuvante pra William Hurt, que faz o irmão mafioso.


14 – OLDBOY – 2003 – Direção: Chan-wook Park

Esse filme é tão complexo que fica difícil até falar do que se trata, mas vamos lá: Um homem se vê preso em um quarto de hotel, ele é mantido lá por uma pessoa misteriosa que mostra que o tem sobre controle. Um dia ele é libertado e vai atrás de pistas que o leva ao homem que o aprisionou. Diante de vários mistérios que o cerca, entre eles o assassinato de sua esposa no qual ele é o principal suspeito, ele se vê cada vez mais dentro de um jogo imprevisível. Obra-prima do cinema sul coreano, esse filme aborda o tema da vingança como poucos filmes mostraram até hoje. O final é antológico.



15 - HOMEM-ARANHA 2 – 2004 – Direção: Sam Raimi

Cresci lendo histórias em quadrinhos, e o Aranha sempre foi um de meus personagens favoritos. O segundo filme da até agora trilogia Homem-Aranha é de longe o melhor de todos. Aqui, o aracnídeo enfrenta a loucura do Dr. Octopus e luta pelo amor da bela Mary Jane. Sam Raimi capricha em tudo: condução dos atores, roteiro, efeitos especiais (vencedor do Oscar). Filme movimentado do início ao fim e que retrata fielmente o famoso personagem das histórias dos quadrinhos e também sabe dar uma personalidade bem convicente ao vilão Octopus. Há algumas revelações sobre o filho do Duende Verde.


16 - O TIGRE E O DRAGÃO – 2000 – Direção: Ang Lee

Ang Lee, diretor de filmes dramáticos ou intimistas como Banquete de Casamento, Razão e Sensibilidade e Tempestade de Gelo, surpreendeu a todos com essa aventura com espadas passado numa era bem antiga. Mas engana-se quem pensa que o filme se limita apenas a lutas muito bem feitas. Lee mistura artes marciais e golpes com espada aliados a doses de romantismo e poesias para contar a saga de duas mulheres que se envolvem com o roubo de uma lendária espada. O filme mostra como o amor pode sobreviver ao tempo, como no final emocionante e bastante inesperado. Algumas pessoas não gostam, mas foi o melhor do ano 2000 na minha opinião.


17 - A PARTIDA – 2008 – Direção: Yojiro Takita

Interessante como o Japão, considerado um país de pessoas “frias”, pôde fazer um filme que fala da morte com tanta sensibilidade. Um jovem volta depois de muito tempo pra sua cidade natal. Lá, ele acha um trabalho numa agência, em que terá de fazer um ritual com os corpos de pessoas mortas: vesti-las e maquiá-las, preparando assim a partida daqueles que se foram. Sua esposa e seu amigo vêem isso com bastante preconceito, mas para ele é uma nova forma de dar sentido a sua vida até então bastante desmotivada. Verdadeira obra-prima, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro. Impossível não fazer chorar.


18 - O SENHOR DOS ANEIS - O RETORNO DO REI – 2003 – Direção: Peter Jackson

Ao contrário de muita gente, esse ainda não é o meu filme preferido de Peter Jackson, mas sim o belo Almas Gêmeas de 1994. Mas foi com a trilogia O Senhor dos Anéis que Jackson ganhou o merecido reconhecimento e popularidade mundial, e com essa terceira parte conquistou os Oscars de filme, direção, e mais outros nove prêmios da Academia, se igualando ao recorde de Ben-Hur e Titanic. É a terceira e última parte, que conta a história de Aragorn, Frodo e seu grupo na missão de destruir o Um Anel. É de fato um filme impecável, um grande final de uma ótima saga.


19 - CIDADE DE DEUS – 2002 – Direção: Fernando Meirelles

O melhor filme brasileiro da história, Cidade de Deus é o maior exemplo que o cinema nacional pode ir bem além das comédias bobas e de filmes baseados em histórias reais de celebridades e políticos que só têm a missão de comover o público e arrecadar muito dinheiro. É uma verdadeira obra-prima que mostra a ascensão e queda dos traficantes do Cidade de Deus no Rio de Janeiro, da fundação do lugar até os anos 70. Tudo visto pelos olhos do menino e depois adolescente Buscapé. Mas é o personagem Zé Pequeno (feito excepcionalmente pelo ator Leandro Firmino da Hora) o verdadeiro ponto alto do filme, um traficante frio e que ao mesmo só toma atitudes que o levam à ruína.


20 - ONDE OS FRACOS NAO TEM VEZ – 2007 – Direção: Irmãos Coen

Os irmãos Coen ficaram mundialmente conhecidos por filmes de humor negro como Arizona Nunca Mais, Fargo e O Grande Lebowski. Mas eles acabariam levando o maior reconhecimento da crítica e do público com esse filme policial que conta a história de um homem comum de uma cidadezinha americana que acha uma maleta cheia de dinheiro em meio a corpos que sugerem terem sidos alvos de um massacre. Mas como nada fica oculto, ele acaba sendo alvo de um matador impiedoso (Feito por Javier Bardem, Oscar de ator coadjuvante por esse filme) que nunca pára até conseguir o que quer. Paralelamente a isso, o policial que investiga esse caso questiona o papel da violência no mundo moderno. Um grande filme, vencedor de 4 Oscars, entre eles de melhor filme e direção.