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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Batman - A Piada Mortal



Em 1988, o aclamado escritor Alan Moore junta-se ao desenhista Brian Bolland para criarem a mais emblemática luta entre o bem e o mal nas histórias em quadrinhos (HQs) envolvendo um justiceiro mascarado (Batman) e um sádico criminoso (Coringa). Trata-se de Batman - A Piada Mortal (Batman – The Killing Joke), uma das HQs mais aclamadas por crítica e público. Nela, vemos o Batman descobrindo que o Coringa fugiu mais uma vez do Asilo Arkham, mas dessa vez a fuga traz conseqüências desastrosas para o homem-morcego. O Coringa em uma vingança contra o comissário Gordon, atira em sua filha Bárbara Gordon (ex-Batgirl), deixando-a paralítica, ao mesmo tempo em que tortura Gordon de várias maneiras, mostrando a este fotos horríveis com sua filha agonizando. Para o Batman, capturar o psicótico vilão dessa vez é questão pessoal. Em flashbacks, ficamos conhecendo o passado do Coringa, quando este era chamado Jack Napier, um artista circense que se envolve com mafiosos e vê sua esposa grávida morrer em um acidente. Napier, durante a fuga em uma ação criminosa que dá errado, acaba sendo perseguido pelo Batman e cai dentro de um tonel de produtos químicos, que o faz ficar com o rosto transformado. No presente, o Batman seguindo as pistas, chega até o Coringa, e começa aí um acerto de contas que terminará de forma inesperada.
Em A Piada Mortal, o Coringa tenta provar que um dia muito ruim na vida de um homem pode transformá-lo, pra pior. Nesse caso, ele queria ter certeza que o comissário Gordon, homem de confiança do Batman, se tornaria um psicótico quando passasse por torturas e humilhações e culminasse quando soubesse que sua filha foi brutalmente agredida e colocada para sempre em uma cadeira de rodas. Para Alan Moore, o Coringa nada mais é do que um reflexo de um passado atormentado e trágico. Assim como o Batman teve seus pais assassinados quando este era pequeno, ao crescer, adotou a identidade de um vigilante justiceiro e resolveu combater o crime, o Coringa agiu de forma contrária: ao passar pela tragédia, ele resolveu intensificar todo o horror, espalhando o caos para não “se sentir só” em seu pranto. O que temos aqui é uma história do Batman, porém com um foco centralizado no seu maior adversário.
O Coringa sempre foi o vilão mais insano das HQs. Em A Morte de Robin, ele tortura e mata o menino-prodígio. Em Asilo Arkham, ele está a frente de uma terrível rebelião daquele lugar sombrio. Em O Cavaleiro das Trevas, ele mostra que seu sadismo não tem limites, resultando em seu fim nas mãos do já cansado e velho homem-morcego.
O Coringa apareceu pela primeira vez nos quadrinhos, no ano de 1940, na primeira edição da revista própria do Batman, criação de Bob Kane e Bill Finger, que se basearam no ator Conrad Veidt ( O Gabinete do Dr. Caligari, Casablanca) no filme O Homem que Ri (de 1928). 


Conrad Veidt em O Homem que Ri (1928)

No cinema, o Coringa foi interpretado em 1966 pelo ator César Romero , no longa metragem Batman, o Homem-Morcego, estrelado por Adam West e Burt Ward (havia uma série cômica de TV no mesmo formato e com os mesmos atores). Em 1989, no filme Batman, o diretor Tim Burton (que tem A Piada Mortal como sua HQ preferida) colocou o ator Jack Nicholson na pele do Coringa, e lhe deu uma origem parecida com a da história de Alan Moore (somente a cena em que este cai no produto químico). O Coringa de Nicholson é debochado, irreverente (apesar de sádico também), diferente da imagem mais trágica criada por Alan Moore, e também por Frank Miller (em O Cavaleiro das Trevas). Em Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008), o ator Heath Ledger (falecido no mesmo ano) criou a imagem definitiva do Coringa, onde o mesmo é terrivelmente insano, porém estrategista; não se revela de onde ele veio ou pra onde ele vai. É uma caracterização incrível, que rendeu postumamente para Ledger cerca de trinta prêmios (entre eles o Oscar e o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante) num trabalho realmente notável. Na TV, em Batman: The Animated Series o Coringa é dublado pelo ator Mark Hamill (O Luke Skywalker da série Star Wars – Guerra nas Estrelas).


Cesar Romero em Batman, o Homem-Morcego (1966)


Jack Nicholson em Batman (1989)


Heath Ledger em Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008)


A Piada Mortal foi publicada e republicada aqui no Brasil diversas vezes, com cores refeitas pelo próprio desenhista Brian Bolland, substituindo o original feito por John Higgins, e chegando até a sair em preto e branco em uma das edições. História preferida de dez entre dez leitores, é uma obra inquietante, um verdadeiro marco no mundo dos quadrinhos.

Abaixo, a piada que o Coringa conta para o Batman, no final da história:



 "Tinha dois caras no hospício... Uma noite eles decidiram que não queriam mais viver lá... e resolveram escapar pra nunca mais voltar. Aí eles foram até a cobertura do lugar e viram, ao lado, o telhado de um outro prédio apontando pra lua... apontando para a liberdade! Então um dos sujeitos saltou sem problemas pro outro telhado, mas o amigo dele se acovardou... É, ele tinha medo de cair. Aí, o primeiro cara teve uma idéia. Ele disse:
-Ei! Eu estou com minha lanterna aqui. Vou acendê-la pelos vãos dos prédios e você atravessa sobre o facho de luz!
Mas o outro sacudiu a cabeça e disse:

- O que você acha que eu sou? Louco??? E se você apagar a luz quando eu estiver no meio do caminho?!"


domingo, 23 de maio de 2010

Amnésia
















Homem tem sua mulher brutalmente assassinada e sai à procura do assassino, sem descansar até que faça justiça com as próprias mãos. Simples, não é? Um tema pra lá de batido. Quem afinal nunca assistiu a um filme com um enredo desse? Mas Amnésia se diferencia de todos os filmes. Ele antes de tudo, é bastante original e complexo. E é nesse último quesito que reside a força desse filme dirigido por Christopher Nolan, do ótimo Batman – O Cavaleiro das Trevas.
É complicado falar de Amnésia sem acabar estragando as várias surpresas que ele traz.
Amnésia é um filme já diferente desde seus minutos iniciais, quando o personagem principal Leonard shelby (Guy Pearce de Los Angeles – Cidade Proibida) tem sua vida mudada quando certa noite alguém entra em sua residência e mata sua esposa, durante uma luta contra o agressor, ele é golpeado e fica no chão enquanto o bandido foge.
Depois se descobre que ele ficou com um tipo de amnésia no qual esquece tudo que se passa depois de cinco minutos. Ele só sabe que precisa se vingar, e tatua em seu corpo as informações que precisa para poder ir além nisso. Durante sua trajetória, ele encontra uma mulher misteriosa (Carrie-Anne Moss, a Trinity de Matrix) e um homem que se diz policial (Joe Pantoliano, também de Matrix).
Sua história é contada de trás pra frente, ou seja, o que vemos na primeira cena na verdade é o final, e o que vemos no final,na verdade é o começo. Parece difícil de seguir, mas não é, mas isso não quer dizer que o você vá entender de cara o enigma da história. Tem pessoas que assistem várias vezes e não assimila muita coisa, mas há quem assista e entende de cara. Entendê-lo ou não vai de cada um. Pra quem não tem experiência com filmes legendados, é recomendado que se assista dublado mesmo, pra assim não se perder na trama que é aparentemente confusa, mas que no fundo faz o maior sentido. Não é desses filmes que tentam ser complexos e enganam o espectador. Esse aqui de fato segue uma linha de raciocínio lógico. Há nele também uma subtrama em que Leonard antes da tragédia, investigava um homem que poderia estar fingindo perder a memória pra se dar bem com um seguro. Intercalando cenas coloridas em que Leonard busca pelo assassino e cenas em preto e branco em que ele investiga o caso do suposto golpista, culminando num final surpreendente de deixar qualquer um de queixo caído. O filme nos prega peças em vários sentidos, troca imagens que só vemos numa questão de segundos, nos leva a ter várias interpretações. Seria esse homem nvestigado por Leonard, ele mesmo?
Entre as várias cenas antológicas, uma delas brinca com o telespectador, quando Leonard persegue um homem.
As pessoas se aproveitam de sua situação, como o homem da recepção o muda sempre de quarto dizendo que ele não se lembraria mesmo em qual quarto esteve no dia anterior. Leonard sempre abre a porta do hotel pra dentro, quando na verdade a porta abre por fora. O policial brinca com ele dizendo que pode contar sempre a mesma piada.
O filme do início ao fim é uma sucessão de surpresas que vão dando um novo sentido à história. É incrível como ele nunca se perde e se torna cansativo ou chato, muito pelo contário. Quando termina queremos ver novamente. A cada vez que eu assisto vou descobrindo novos detalhes que me haviam passado despercebidos das primeiras vezes.
Se Leonard não se lembra de nada que se passou até cinco minutos atrás, isso significa que ele já pode ter pegado o assassino de sua mulher e não se lembrar disso. Sua luta incessante por vingança pode ou não ser algo que agora faça algum sentido.
O elenco é perfeito. Guy Pearce nos passa todo o conflito de um homem atormentado, Carrie-Anne Moss faz de forma natural a garçonete que tenta lhe ajudar, Joe Pantoliano está ótimo como sempre como o policial que pode ou não estar tentando se aproveitar de Leonard. Não menos perfeita é a direção do sempre ótimo diretor Christopher Nolan, que, juntamente com seu irmão Jonathan Nolan, escreveu o brilhante roteiro. Nolan é diretor do melhor filme de super-heróis do cinema: Batman – O Cavaleiro das Trevas (filme do qual o Coringa é interpretado de maneira magistral por Heath Ledger). Dirigiu também Insônia (filme tenso com Al Pacino e Robin Williams), Batman Begins (com Christian Bale e Liam Neesom, entre outros) e O Grande Truque (com Hugh Jackman e novamente Bale).
O filme Amnésia já virou caso de estudo entre historiadores, profissionais da área de cinema, e outros interessados. Sua história bastante original fascina e faz refletir sobre a necessidade do ser humano em fazer justiça, mesmo que ele não entenda o porquê disso.
Amnésia concorreu aos Oscars de montagem e roteiro, perdeu esse último absurdamente para o filme Assassinato em Oxford Park, de Robert Altman.
Meu filme preferido da última década e também um dos melhores roteiros já feitos, em minha opinião. Amnésia é uma obra excepcional, um exemplo notável de como se fazer uma história perfeita e original.



Nota: 5 de 5

titulo original: Memento

lançamento: 2001 (EUA)

direção: Christopher nolan

Atores: Guy Pearce, Carrie-Anne Mos, Joe Pantoliano, Mark Boone Junior, Stephen Tobolowsky

duração: 113 min


gênero: Drama, suspense

terça-feira, 30 de março de 2010

Meu top 20 dos melhores filmes da década de 2000.




Fiz uma retrospectiva dos melhores filmes que assiti feitos entre os anos 2000 a 2009. São filmes que de fato me marcaram. Posso ter esquecido de alguns, mas é uma lista bem estudada e analisada, não foi feita às pressas, portanto, é uma lista bem aprofundada daqueles que, na minha opinião são os melhores filmes da década passada. São filmes que eu recomendo pra quem procura por uma ótima sessão de cinema.


01 – AMNÉSIA – 2001 – Direção: Christopher Nolan

O melhor filme da década é também o que tem um dos roteiros mais brilhantes de todos os tempos. Um homem (Guy Peace) tem sua mulher brutalmente assassinada. Ele dedica sua vida a procurar e matar o assassino. Mas há um pequeno detalhe: Ele na luta contra o criminoso, perdeu a memória e agora não se lembra de mais nada que se passa nos últimos minutos. Pra não esquecer sua vingança, ele anota tudo em seu corpo. Um policial e uma mulher podem ser seus amigos ou podem estar lhe usando para fins próprios. Esse filme tem um diferencial dos demais: Ele começa pelo fim e termina pelo começo. O final (ou seria o começo?) é de cair o queixo.

02 - BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS - 2008 – Direção: Christopher Nolan

Mais um do diretor Christopher Nolan. Continuação do sucesso Batman Begins de 2005, esse aqui fez tanto sucesso que ultrapassou a marca de 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais. É um merecido sucesso, um dos melhores filmes de ação e aventura dos últimos tempos. Traz uma excepcional interpretação do já falecido Heath Ledger como o Coringa, no papel que lhe deu todos os prêmios de melhor ator coadjuvante do ano, entre eles o Oscar e o Globo de Ouro. Batman (Christian Bale) tem que combater a insanidade do Coringa ao mesmo tempo que o promotor Harvey Dent se transforma no vingativo Duas-Caras. Um ótimo filme. Tenso, e alucinante. Excelente do início ao fim.

03 - DESEJO E REPARAÇÃO – 2007 – Direção: Joe Wright

Um jovem filho da caseira de uma mansão na Inglaterra, resolve confessar seu amor pela filha de seus patrões, através de uma carta. Mas a inveja e imaturidade da irmã da moça faz com que ele pague um alto preço por isso. Depois da prisão, participando da Segunda Guerra contra sua vontade, ele vê ali a oportunidade pra reencontrar seu grande amor, mas tristes acontecimentos mudam toda a história. Excepcional transposição de um romance para as telas, esse filme é uma das mais originais e comoventes histórias de amor que o cinema já fez. Há uma longa seqüência na praia de Dunquerque toda sem corte. Os mais sensíveis podem preparar o lenço.


04 - O ESCAFANDRO E A BORBOLETA – 2007 – Direção: Julian Schnabel

Jean-Dominique Bauby, editor de uma famosa revista, que vive a vida como playbloy, tem sua vida tragicamente transformada quando tem um derrame cerebral que paralisa seu corpo inteiro, exceto o olho esquerdo, que ele usa pra se comunicar. Um dos mais belos e comoventes filmes da década passada, conta uma história real baseado na autobiografia de Bauby. É um filme difícil, pois trata de algo doloroso, mas ao mesmo tempo nos mostra o que a vontade de viver é capaz de fazer. Ganhou o prêmio de direção em Cannes. Obra-prima indiscutível.


05 - VALSA COM BASHIR - 2008 – Direção: Ari Folman

Uma animação israelense que é diferente de tudo que já se viu. Não é pra crianças, e nem todos os adultos embarcarão na complexidade que esse filme tem a oferecer. Trata-se de um ex-soldado do exército israelense que vai lembrando aos poucos que participou de um grande massacre durante a guerra do Líbano. É uma experiência áudio-visual acima de qualquer comentário. Um verdadeiro exercício de estilos semi-documental que assuntos como: horrores da guerra, a memória desfacelada, as conseqüências dos atos impensados. O diretor folman é o protagonista da história, baseada em suas próprias experiências.


06 - MAR ADENTRO – 2004 – Direção: Alejandro Almenábar

A história real de Ramon Sampedro e seu drama após ficar tetraplégico num acidente no mar. Sua luta para conseguir o direito de cometer eutanásia, seus questionamentos, suas lembranças. Rodeado de pessoas sinceras e comovidas com o seu problema, ele chega a ser motivo de esperança de vida para outras pessoas. A notável interpretação de Javier Bardem ajuda a dar uma força ainda maior a esse belíssimo drama que ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. Um filme polêmico e sempre atual, além de muito emocionante.


07 - REQUIÉM PARA UM SONHO – 2000 – Direção: Darren Aronofsky

Um dos filmes mais impactantes da história do cinema. Uma obra que é de difícil acesso. Barra pesada ao extremo, fala sobre uma mãe que se vicia em medicamentos e aos poucos vai perdendo a lucidez, e de seu filho que se vicia em drogas juntamente com a namorada e o melhor amigo. Não recomendável para pessoas sensíveis, é mesmo pra quem está preparado pra se surpreender. Sua trilha sonora agonizante só faz aumentar a sensação de sufocamento que esse filme provoca. Seu final é de uma agonia poucas vezes vista nas telas. Pode provocar mal estar aos não acostumados a um cinema mais forte.


08 – MUNIQUE – 2005 – Direção: Steven Spielberg

Último grande filme de Steven Spielberg até o momento, Munique é a cidade alemã onde ocorreram as Olimpíadas de 1972, onde 11 atletas israelenses foram mortos por terroristas. Agentes israelenses altamente selecionados, vão atrás dos culpados para exterminá-los. O chefe do grupo começa a se questionar sobre o que estão fazendo. É um filme, tenso, envolvente e surpreendente. Extremamente bem feito, perdeu injustamente o Oscar de melhor filme para o superestimado Crash – No Limite. Não toma partido entre a rivalidade israelenses/palestinos, e acaba sendo um retrato fiel de uma época.


09 - FALE COM ELA – 2002 - Direção: Pedro Almodóvar

O diretor espanhol faz aqui sua obra-prima. Um trabalho que é uma verdadeira poesia, uma obra-prima irretocável. Dois homens têm suas vidas mudadas quando as mulheres de suas vidas sofrem acidentes e ficam em coma. Um deles, o enfermeiro, vivia um amor platônico, o outro era envolvido com uma delas. Enquanto o primeiro está perto da amada, cuidando dela, o outro está sempre em visita. Recomenda-se que eles falem com elas, enquanto estão no coma, isso fará que elas se recuperem mais cedo. Aos poucos vai se criando um belo espetáculo de amor e dedicação. Merecidíssimo vencedor do Oscar de melhor roteiro original.


10 - O OPERÁRIO – 2004 – Direção: Brad Anderson

O ator britânico Christian Bale de mais de 1,80 cm de altura e mais de 90 kg, precisou ficar aproximadamente 40 kg pra interpretar um homem que tem sua vida drasticamente transformada por algo terrível no qual ele não se lembra. Passa um ano inteiro sem dormir, perturbado por memórias que podem ou não ser verdadeiras. Um homem chamado Ivan começa a atormenta-lo de alguma forma, enquanto ele conhece uma mulher e seu filho que mudarão os rumos de sua vida, até levar a uma surpreendente revelação. Alguns mais experientes podem acabar montando o quebra-cabeça antes do final, pois o filme entrega durante toda a sua projeção a chave de todo o mistério.


11 - AS INVASOES BARBARAS – 2003 – Direção: Denys Arcand

Oscar de melhor filme estrangeiro e vencedor em Cannes como melhor direção e atriz pra Marie-Josée Croze, que faz a drogada. Esse é um filme que fala da relação pai e filho após o primeiro estar com uma doença terminal. E o relacionamento do doente com seus antigos amigos intelectuais que o visitam em seus últimos dias de vida, e suas lembranças. Ao mesmo tempo, o filme toca em assuntos como o 11 de setembro e suas consequências. Feito com muita sensibilidade, é uma obra que fala de saudade, nostalgia, perdão e perdas.


12 - OS OUTROS- 2001 – Direção: Alejandro Almenábar

O diretor de Mar Adentro faria poucos anos antes esse filme de terror em que lembra um pouco O Sexto Sentido, porém só nos sustos, uma vez que as histórias são muito diferentes. Aqui, uma mãe (Nicole Kidman) contrata três empregados para trabalhar em sua velha mansão, durante a segunda guerra. Aos poucos, ela vai descobrindo a presença de fantasmas na casa. Isso faz com que ela aos poucos se desespere, enquanto seus filhos têm outros tipos de reação diante dos acontecimentos. O final é um dos mais espantosos e inesperados dos últimos tempos. Alguns verão uma certa semelhança com o livro A Volta do Parafuso do escritor Henry James, que virou filme em 1962, com Deborah Kerr no papel principal.


13 - MARCAS DA VIOLENCIA – 2005 – Direção: David Cronenberg

Numa pequena cidade dos EUA, um pacato dono de uma lanchonete tem seu estabelecimento invadido por dois homens armados. Em meio à ameaça, ele reage e dá início a uma transformação em sua vida que o remeterá a um passado esquecido. Baseado numa Graphic novel, esse filme
mostra até que ponto alguém pode deixar o passado pra trás. Grande retorno de Cronemberg, que depois faria com o mesmo ator principal Viggo Mortensen o interessante Senhores do Crime. Envolvente do início ao fim, é um filme bastante pesado, mas de grande qualidade. Indicado aos Oscars de roteiro original e ator coadjuvante pra William Hurt, que faz o irmão mafioso.


14 – OLDBOY – 2003 – Direção: Chan-wook Park

Esse filme é tão complexo que fica difícil até falar do que se trata, mas vamos lá: Um homem se vê preso em um quarto de hotel, ele é mantido lá por uma pessoa misteriosa que mostra que o tem sobre controle. Um dia ele é libertado e vai atrás de pistas que o leva ao homem que o aprisionou. Diante de vários mistérios que o cerca, entre eles o assassinato de sua esposa no qual ele é o principal suspeito, ele se vê cada vez mais dentro de um jogo imprevisível. Obra-prima do cinema sul coreano, esse filme aborda o tema da vingança como poucos filmes mostraram até hoje. O final é antológico.



15 - HOMEM-ARANHA 2 – 2004 – Direção: Sam Raimi

Cresci lendo histórias em quadrinhos, e o Aranha sempre foi um de meus personagens favoritos. O segundo filme da até agora trilogia Homem-Aranha é de longe o melhor de todos. Aqui, o aracnídeo enfrenta a loucura do Dr. Octopus e luta pelo amor da bela Mary Jane. Sam Raimi capricha em tudo: condução dos atores, roteiro, efeitos especiais (vencedor do Oscar). Filme movimentado do início ao fim e que retrata fielmente o famoso personagem das histórias dos quadrinhos e também sabe dar uma personalidade bem convicente ao vilão Octopus. Há algumas revelações sobre o filho do Duende Verde.


16 - O TIGRE E O DRAGÃO – 2000 – Direção: Ang Lee

Ang Lee, diretor de filmes dramáticos ou intimistas como Banquete de Casamento, Razão e Sensibilidade e Tempestade de Gelo, surpreendeu a todos com essa aventura com espadas passado numa era bem antiga. Mas engana-se quem pensa que o filme se limita apenas a lutas muito bem feitas. Lee mistura artes marciais e golpes com espada aliados a doses de romantismo e poesias para contar a saga de duas mulheres que se envolvem com o roubo de uma lendária espada. O filme mostra como o amor pode sobreviver ao tempo, como no final emocionante e bastante inesperado. Algumas pessoas não gostam, mas foi o melhor do ano 2000 na minha opinião.


17 - A PARTIDA – 2008 – Direção: Yojiro Takita

Interessante como o Japão, considerado um país de pessoas “frias”, pôde fazer um filme que fala da morte com tanta sensibilidade. Um jovem volta depois de muito tempo pra sua cidade natal. Lá, ele acha um trabalho numa agência, em que terá de fazer um ritual com os corpos de pessoas mortas: vesti-las e maquiá-las, preparando assim a partida daqueles que se foram. Sua esposa e seu amigo vêem isso com bastante preconceito, mas para ele é uma nova forma de dar sentido a sua vida até então bastante desmotivada. Verdadeira obra-prima, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro. Impossível não fazer chorar.


18 - O SENHOR DOS ANEIS - O RETORNO DO REI – 2003 – Direção: Peter Jackson

Ao contrário de muita gente, esse ainda não é o meu filme preferido de Peter Jackson, mas sim o belo Almas Gêmeas de 1994. Mas foi com a trilogia O Senhor dos Anéis que Jackson ganhou o merecido reconhecimento e popularidade mundial, e com essa terceira parte conquistou os Oscars de filme, direção, e mais outros nove prêmios da Academia, se igualando ao recorde de Ben-Hur e Titanic. É a terceira e última parte, que conta a história de Aragorn, Frodo e seu grupo na missão de destruir o Um Anel. É de fato um filme impecável, um grande final de uma ótima saga.


19 - CIDADE DE DEUS – 2002 – Direção: Fernando Meirelles

O melhor filme brasileiro da história, Cidade de Deus é o maior exemplo que o cinema nacional pode ir bem além das comédias bobas e de filmes baseados em histórias reais de celebridades e políticos que só têm a missão de comover o público e arrecadar muito dinheiro. É uma verdadeira obra-prima que mostra a ascensão e queda dos traficantes do Cidade de Deus no Rio de Janeiro, da fundação do lugar até os anos 70. Tudo visto pelos olhos do menino e depois adolescente Buscapé. Mas é o personagem Zé Pequeno (feito excepcionalmente pelo ator Leandro Firmino da Hora) o verdadeiro ponto alto do filme, um traficante frio e que ao mesmo só toma atitudes que o levam à ruína.


20 - ONDE OS FRACOS NAO TEM VEZ – 2007 – Direção: Irmãos Coen

Os irmãos Coen ficaram mundialmente conhecidos por filmes de humor negro como Arizona Nunca Mais, Fargo e O Grande Lebowski. Mas eles acabariam levando o maior reconhecimento da crítica e do público com esse filme policial que conta a história de um homem comum de uma cidadezinha americana que acha uma maleta cheia de dinheiro em meio a corpos que sugerem terem sidos alvos de um massacre. Mas como nada fica oculto, ele acaba sendo alvo de um matador impiedoso (Feito por Javier Bardem, Oscar de ator coadjuvante por esse filme) que nunca pára até conseguir o que quer. Paralelamente a isso, o policial que investiga esse caso questiona o papel da violência no mundo moderno. Um grande filme, vencedor de 4 Oscars, entre eles de melhor filme e direção.



quinta-feira, 4 de março de 2010

Oscar




Criado em 1927, o Oscar ou Academy Awards é o prêmio mais importante da história do cinema, e por isso mesmo o mais comentado e copiado em todo o mundo. O ano de seu surgimento foi justamente o ano em que os filmes começariam a deixar de serem mudos para serem filmes falados (ou sonoros). O primeiro vencedor do Oscar de melhor filme foi uma produção de guerra: Asas (o primeiro e único filme mudo a ser premiado pela Academia) que até hoje impressiona pelos seus efeitos técnicos, mostrando cenas perigosas de vôos, algumas delas bem chocantes.
Seguiram-se alguns prêmios: Frank Capra em 1935 ganharia o primeiro de seus três Oscars de direção por Aconteceu Naquela Noite, mas estranhamente seu melhor filme A Felicidade não se Compra (de 1947) não ganharia nada. Em 1940 foi premiado aquele que na minha opinião foi o melhor vencedor do Oscar de todos os tempos: ...E o Vento Levou (1939), primeiro filme em cores a ganhar o Oscar principal, ele foi também o primeiro filme ganhador do Oscar a passar de 3 horas e meia de duração, a ter a primeira pessoa negra a ganhar um Oscar de interpretação, e a ganhar 10 prêmios (recordista na época). No ano seguinte Rebecca - A Mulher Inesquecível ganharia o Oscar mas seu diretor Alfred Hitchcock perderia o de direção. Em 1942 Cidadão Kane de Orson Welles (eleito por muitos críticos como o melhor filme de todos os tempos) perderia o Oscar principal pra Como Era Verde meu Vale (um filme emocionante, mas bem aquém da obra-prima de Welles).
Alguns dos principais vencedores posteriores seriam Casablanca, Farrapo Humano, Hamlet, A Malvada, Sindicato de Ladrões, A Ponte do Rio Kwai. Em 1960, Ben-Hur (1959) é o recordista em prêmios, levando 11 Oscars (só igualado anos depois por Titanic de 1997 e O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei de 2003.). Depois dele, outros que ganharam o prêmio principal: Amor, Sublime Amor (10 Oscars, se igualando a ...E o Vento Levou), Lawrence da Arábia, A Noviça Rebelde, O Homem que não Vendeu sua Alma, Perdidos na Noite, O Poderoso Chefão I e II, Um Estranho no Ninho, O Franco-Atirador.
Em 1980, o melhor filme de guerra da história: Apocalypse Now perde o Oscar principal pra um drama hoje meio esquecido: Kramer Vs Kramer. Em 1982, o único filme desacreditado dos 5 concorrentes ganha o Oscar: Carruagens de Fogo (ganhando de filmes melhores como Os Caçadores da Arca Perdida, Reds e Atlantic City).
Outros vencedores: Amadeus, Platoon, O Último Imperador, Rain Main. Em 1990 Conduzindo Miss Daisy ganha injustamente de Nascido em 4 de Julho, Sociedade dos Poetas Mortos e Meu Pé Esquerdo.
Na década de 90 tivemos como vencedores: Dança com Lobos (bom filme sobre o pacifismo), O Silêncio dos Inocentes (merecido), Os Imperdoáveis (O melhor Western a ganhar o Oscar de melhor filme), A Lista de Schindler (Belíssimo filme, mais que merecido), Forrest Gump (Muito bom), Coração Valente (Num ano fraco, foi justo), O Paciente Inglês (meu preferido era Shine-Brilhante), Titanic (Gosto muito desse filme, apesar de hoje em dia muita gente dizer que não gosta), Shakespeare Apaixonado (Num ano polêmico, ganhou de O Resgate do Soldado Ryan, mas Steven Spielberg ganhou de direção), Beleza Americana (Muito bom).
Ano 2000 pra cá: Gladiador (Meu preferido era o chinês O Tigre e o Dragão), Uma Mente Brilhante (Filme interessante, mas não acredito que merecesse ganhar de O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel. O melhor filme daquele ano: Amnésia, nem foi indicado), Chicago (Muitos acham que O Pianista deveria ter ganhado), O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei (merecido), Menina de Ouro (Bom filme), Crash – No Limite (Na minha opinião um dos piores filmes a ganhar o Oscar principal. Não é ruim, mas perde feio pra todos os outros 4 filmes que concorriam com ele), O Infiltrados (Bom filme), Onde os Fracos não têm Vez (Bom, mas meu preferido do ano era Desejo e Reparação), Quem Quer ser um Milionário? (Um equívoco, sendo que o melhor filme daquele ano: Batman – O Cavaleiro das Trevas ficou de fora das indicações de filme e direção).
Nesse domingo teremos mais uma edição do Oscar, dessa vez ao invés de 5 concorrentes ao Oscar principal, teremos 10. Mas dois filmes estão na disputa maior: o campeão de bilheteria Avatar (Não é um grande filme, mas uma grande diversão, de James Cameron, o mesmo diretor de Titanic) e Guerra ao Terror (Um bom filme de guerra. O filme que pode dar o primeiro Oscar de direção a uma mulher). Meu preferido no entanto é Bastardos Inglórios (Um filme totalmente alucinante de Quentin Tarantino). É esperar até domingo prá ver quem sairá o vencedor.