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quarta-feira, 30 de março de 2011

Os Pássaros




Para fazer uma surpresa a um recém conhecido, mulher vai até uma pequena cidade entregar um casal de periquitos. Chegando lá, ela se depara com pequenos ataques de pássaros, mas à medida que o tempo passa, as aves começam a agir de forma mortal, causando pânico e destruição.
Parece estranho, mas o que citei acima foi a sinopse de um filme de Alfred Hitckcock, diretor acostumado a utilizar seres humanos como vilões, mas que em Os Pássaros resolveu radicalizar, surpreendendo o mundo inteiro com esse que foi um de seus maiores sucessos de bilheteria. É interessante ressaltar que se trata aqui do último grande filme do mestre do suspense. Posteriormente ele faria bons filmes como Marnie – Confissões de uma Ladra e Frenesi, mas nada que se compare às suas grandes obras-primas.
Baseado em um livro de Daphne Du Maurier (a mesma autora de Rebecca, também filmado por Hitchcock em 1940), Os Pássaros é um dos filmes mais complexos e cheios de ambigüidades da história do cinema.
Quando Melanie (Tippi Hedren) chega à pequena cidade de Bodega Bay, acontece o primeiro ataque justamente com ela, quando é atacada dentro de um pequeno barco, depois os ataques não param mais, seja em uma festa de aniversário, seja contra os alunos saindo da escola, e, entre outros, quando algumas pessoas estão em uma lanchonete e um posto de gasolina ali ao lado é brutalmente atacado pelos animais,culminando depois no ataque final, quando o namorado de Melanie, Mitch (Rod Taylor), sua irmã Cathy (Veronica Cartwright) e sua mãe Lydia (Jessica Tandy) ficam presos na casa, sob o ataque feroz das criaturas.
Se Os Pássaros fosse feito por um diretor qualquer, veríamos um filme cheio de destruição e gente alarmada por todos os lados. Mas Hitchcock não era um diretor qualquer, mas um gênio que sabia como ninguém como provocar medo nas pessoas.  Pra isso, ele não teve pressa em recorrer ao caos que se estabelece ali naquela cidade, optando primeiramente em nos mostrar um pouco sobre cada um dos personagens principais, entre eles, além de Melanie, Mitch, Lydia e Cathy, temos também a jovem professora Annie (a bela Suzanne Pleshette), uma antiga namorada de Mitch. Muita coisa em Os Pássaros é mais sugerido do que mostrado, para que nós mesmos tiremos nossas próprias conclusões. É interessante perceber que tudo parece acontecer depois da chegada de Melanie à cidade, um exemplo é o fato de a protagonista sempre estar com uma roupa verde (a cor dos periquitos que ela carrega no início), quando tem algum ataque dos pássaros, ela sempre está por perto, e em uma cena um habitante da cidade diz que tudo aconteceu depois de sua chegada.
Hitchcock sempre foi um diretor preocupado não em criar mistérios, mas em manter o suspense, mas aqui ele não deixa pistas do que teria causado a reação violenta das aves, e nem dá um desfecho definitivo, terminando em aberto, nem mesmo o “The end” (tão usado na época) aparece nesse filme.
O inglês Hitchcock sempre procurou ser antes de tudo versátil, não em gêneros, mas dentro das propostas do que queria mostrar em seus filmes. Em O Inquilino (1926), um de seus primeiros filmes em sua fase inglesa, ela cria um interessante enredo sobre um criminoso que lembra bastante Jack, o estripador. Em 1935, no clássico Os 39 Degraus, ele faz com que Robert Donat seja alvo de uma conspiração, uma das primeiras de suas obras em que ele fala sobre o “falso culpado, um homem que leva a culpa por algo que não cometeu, algo que seria visto com mais abrangência em A Tortura do Silêncio (1953, com Montgomery Clift), O Homem Errado (1957, com Henry Fonda) e Intriga Internacional (1959, com Cary Grant). Entre suas mais famosas obras estão: Rebecca – A Mulher Inesquecível (1940, seu primeiro filme norte-americano, vencedor do Oscar de melhor filme e fotografia, estrelado por Laurence Olivier e Joan Fontaine), Quando Fala o Coração (1945, com Gregory Peck e Ingrid Bergman), Festim Diabólico (1948, com James Stewart e Farley Granger), Pacto Sinistro (1951, com Farley Granger e Robert Walker), Disque M para Matar (1954, com Grace Kelly e Ray Milland), Janela Indiscreta (1954, com James Stewart e Grace Kelly), O Homem que Sabia Demais (1956, com James Stewart e Doris Day), Um Corpo que Cai (1958, com James Stewart e Kim Novak) e Psicose (1960, com Anthony Perkins, Janet Leigh e Vera Miles, tido por muitos como seu melhor filme). Hitchcock teve cinco indicações ao Oscar de melhor direção, mas nunca ganhou.
Os Pássaros é um filme-chave para quem quer entender a obra cinematográfica de Hitchcock, é também uma aula de como se fazer cinema. Um estudo elaborado da relação homem-natureza, onde fica sempre claro que uma vez mantidos presos, é hora dos pássaros inverterem a situação contra os humanos. A cena final em que os protagonistas são atacados pelos pássaros dentro de casa, é um primor de técnica, uma façanha magistral em que Hitchcock dispensa trilha sonora (aliás, o filme inteiro não se ouve nenhuma trilha) e mostra todo o suspense através dos ataques dos pássaros e as reações daquelas pessoas. A atriz Tippi Hedren (mãe da também atriz Mellanie Griffith) é o único ponto fraco da obra, sem muita experiência, ela não é tão convincente em seu papel, mas seria usada novamente pelo diretor um ano depois em Marnie – Confissões de uma Ladra.  O final em aberto é uma das cenas mais aterrorizantes da história do cinema. Os Pássaros concorreu ao Oscar de efeitos especiais, mas perdeu injustamente para a super-produção Cleópatra. Os Pássaros é um filme magistral, uma obra-prima de um dos maiores gênios da história do cinema.


Nota: 5 de 5

Título original: The Birds

Lançamento: 1963 (EUA)

Direção: Alfred Hitchcock

Elenco: Rod Taylor, Tippi Hedren, Jessica Tandy, Veronica Cartwright, Suzanne Pleshette.

Duração: 114 minutos

segunda-feira, 7 de março de 2011

O tempo


Quando morei em Feira de Santana, aqui na Bahia, eu fazia cadastramento imobiliário. Nosso trabalho era medir o imóvel e desenhar sua forma no papel. Algo de certo modo nada simples de se fazer, mas eu havia me tornado experiente naquilo desde que trabalhei aqui em Vitória da Conquista, no mesmo ramo. Quando eu e meu auxiliar terminamos o trabalho em uma das casas, pedimos a carteira de identidade da dona do imóvel para terminarmos todo o processo. A senhora que nos atendia nos pediu pra esperarmos na sala de estar que ela iria pegar a RG. Detalhe: Não era ela a dona da casa. Ela entrou em um quarto e trouxe uma senhora bastante idosa em uma cadeira de rodas. Aquela senhora chamada Ana deveria beirar seus noventa e tantos anos de idade. Quando me mostraram o documento de identidade dela, tive uma estranha sensação naquele momento. Aquele documento era dos anos 30, onde aquela velha senhora estava com seus 23 anos, rosto cheio, cor profunda que o preto e branco deixava transparecer, uma vida plena. Eram duas fotos, uma de lado e outra de frente, coisa de documento bem antigo. E eram fotos colegiais. Blusinha com detalhes diferentes, gola pólo, saia um pouco acima dos joelhos. Confesso que entrei no mundo daquela jovem estudante, admirei sua beleza, sua formosura, seus encantos, era como se eu me apaixonasse por ela, por sua época, por tudo aquilo que a cercava e a representava. Enquanto eu anotava os dados contidos naquele documento, eu me deixava levar pela mágica da memória, dos pensamentos. Me via ali naquele colégio imaginado por mim, vendo-a jogar bola com as amigas, imaginando ela ali sentada na sala de aula, prestando atenção no que a professora ensinava. Quando precisei voltar ao mundo real, entreguei a carteira de identidade pra senhora que nos atendeu e tive uma brusca sensação de estranheza quando coloquei novamente meu olhar naquela senhora debilitada ao meu lado. Eu de certo modo me recusava a ligar os fatos que ela e aquela jovem da foto eram a mesma pessoa, uma diferença de mais de 70 anos entre elas. 70 anos de diferença é muito tempo quando você vê uma foto de uma pessoa e a mesma ali perto de você. A Ana de hoje era uma mulher praticamente sem vida, um olhar apagado, totalmente imóvel naquela cadeira de rodas. Mas durante esses mais de 70 anos o que ela teria feito em sua vida? Se casou, teve filhos, netos, bisnetos, se realizou profissionalmente, viajou pra onde queria? Em contrapartida, também pode ter sofrido muito, pode ter passado por inúmeras frustrações, dores, lutas. Mas uma coisa é certa, ela viveu sua vida. Ali naquela cadeira, debilitada e mal se mexendo (acredito que já estivesse perto da morte), Ana talvez não se lembrasse mais de quase nada em sua vida. Talvez as lembranças se evaporaram e só tenha lhe sobrado a espera dos momentos finais.
Isso me fez perceber como a vida passa, como não devemos deixar as oportunidades irem embora, como devemos aproveitar as melhores coisas que chegam em nossas vidas. Desperdiçá-la é um erro. Deixar levar por timidez que atrasam nossas vidas, só nos faz ficar arrependidos, porque deixamos que isso nos limite, deixamos que nossas fraquezas nos diga que somos incapazes de fazer coisas que seriam fáceis pra qualquer pessoa, mas que pra nós mesmos são coisas inalcançáveis. Devemos parar de sofrer por amor, não amar alguém que nem se lembra mais que existimos. Não procurar nos sentir pra baixo quando sabemos que tudo é questão de acordar com o pé direito e partir pra luta, encarar os desafios, as adversidades da vida, por mais que todo esforço pareça difícil, até mesmo impossível. Conheço histórias de pessoas com mais de 70 anos que, foram acordar pra vida agora, e só agora se dão conta de que não devem nada a ninguém e que podem sim ser felizes sem precisar dar satisfações do que fazem. Viver bem a vida não é sair por aí praticando atos de mundanismo, enchendo a cara, pisando firme no acelerador, achando que a vida é curtição e prazeres. Devemos amar e ser tementes a Deus, porque se assim não o fizermos, lá se vai tudo embora. Devemos saber viver a vida de forma digna, lembrando que o caráter, a dignidade, ninguém tira da gente. Às vezes somos incapazes de enxergar o que a vida tem de bom a nos oferecer, e ficamos amarrados a tantas bobagens que só fazem nos atrasar.
Nem todo mundo tem a oportunidade de Ana: viver quase cem anos.
Quando eu era garoto, uns 8 a 9 anos de idade, me lembro de ter chegado na escola que eu estudava, e estar ocorrendo algo diferente ali. Havia acontecido um acidente de carro gravíssimo com uma das alunas (sua idade deveria ser de 7 a 8 anos). Ela tinha cabelos curto, parecia uma daquelas bonequinhas fofolete. Parte da família se não me engano havia morrido no acidente, e ela estava mal, em coma. A diretora durante os próximos dois ou três dias nos reunia no pátio pra orarmos por aquela menina. Me lembro que depois desses dois ou três dias, fui a um mercado comprar um lápis. Quando eu ia em direção à escola, um colega me viu no caminho e me disse: “Não haverá aula, nossa coleguinha faleceu”. Nossa, pra mim aquilo foi um tremendo susto. Talvez não deveria ter sido porque ela estava em estado gravíssimo, mas eu não era acostumado a receber notícias de crianças que nos deixava. Eu sabia que pessoas velhas partiam, mas eu, na minha mente de criança, não esperava que uma pessoa assim tão novinha pudesse ir pra sempre. E eu me lembrava dela, era como se eu a visse todos os dias correndo com os coleguinhas. Ela gostava tanto de correr, brincar, era muito alegre, tão cheia de vida, mas quis Deus que pra ela a vida se resumisse a apenas 8 anos aqui na terra.
Isso começou a me preparar para as coisas tristes que viriam na vida. As perdas que tive, as amarguras pelas quais passei, os arrependimentos de tudo que eu deveria ter feito, mas não fiz. Não só eu, mas todo mundo passou, passa e passará por felicidades e tristezas em suas vidas. O que precisamos fazer é estar em pé, marchando firme nessa vida, deixar que o tempo não seja desperdiçado, mas que seja aproveitado ao máximo, com coisas boas, pensamentos agradáveis, atitudes que nos faça crescer como seres humanos. Não desistirmos dessa busca incessante pela felicidade.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Um balanço do Oscar 2011

Antes de qualquer coisa, eu gostaria de expressar aqui a minha frustração com a TV brasileira, no caso aqui a Rede Globo e seu tremendo descaso com seus telespectadores. Quem não tem TV por assinatura se dá mal mesmo. Sabendo-se que o Oscar é só uma vez por ano, essa rede de TV poderia muito bem adiantar as programações do domingo, para que as pessoas pudessem assistir a transmissão do Oscar na íntegra. Mas o que vimos foi a premiação mais famosa do mundo começar a ser exibido quando não tinha mais graça, depois da meia-noite. Se é pra esculhambar, porque não passa os direitos de transmissão do Oscar pra outro canal de TV? E o pior de tudo é que, a programação que “impede” a transmissão do Oscar mais cedo é o descartável Big Brother Brasil. Até nisso o Brasil mostra atraso. Um absurdo. Mas vamos deixar isso pra lá. Esses tipos de atitudes mesquinhas de redes de TV nem merecem nossa atenção. Vamos ao que interessa.

Os premiados:

Melhor filme:
O Discurso do Rei
Um filme quadradinho, muito comportado, do jeito que a Academia gosta. Logicamente o Oscar parece não estar preparado ainda pra premiar filmes originais e ousados como A Origem, Cisne negro ou A Rede Social.

Melhos direção:
Tom Hooper por O Discurso do Rei
David Fincher ficou de mãos vazias. Decidiram premiar o que era mais convencional. Não que Hooper não seja bom diretor, mas esse ano era de Fincher.

Melhor roteiro original:
O Discurso do Rei
Onde é que o roteiro de O Discurso do rei é melhor do que o de A Origem? Uma das maiores injustiças da noite.

Melhor roteiro adaptado
A Rede Social
Justo e merecido.

Melhor ator:
Colin Firth por O Discurso do Rei
Firth já havia levado todos os prêmios anteriores (Globo de Ouro, Sag, Bafta), e só lhe faltava o Oscar.

Melhor atriz:
Natalie Portman por Cisne Negro
Quem assistiu Cisne Negro, viu a a complexidade da personagem interpretada por Portman. Super merecido.

Melhor ator coadjuvante:
Christian Bale por O Vencedor
Bale já merecia atenção da Academia por filmes como Psicopata Americano, O vencedor e O Sobrevivente. Nesse aqui mais uma vez ele está ótimo.

Melhor atriz coadjuvante:
Melissa Leo por O Vencedor
Um belo trabalho de uma atriz bastante versátil. Merecido.

Melhor animação:
Toy Story 3
De fato um ótimo filme. Merecido.

Melhor fotografia:
A Origem
Inesperadamente, A Origem foi premiado nessa categoria. Mas é justo.

Melhor direção de arte:
Alice no País das Maravilhas
Achei que fosse pra O Discurso do Rei, mas aqui não foi injusto, uma vez que a direção de arte é um dos poucos pontos positivos desse filme.

Melhor figurino:
Alice no País das Maravilhas
Outro que achei que era pra O Discurso do Rei, e outro que é um dos poucos pontos positivos desse filme. Foi justo.

Melhor trilha sonora:
A Rede Social
Um bom trabalho. Merecido.

Melhor canção original:
Toy Story 3
A canção We Belong Together é legal.

Melhor montagem:
A Rede Social
Merecido.

Melhores efeitos visuais:
A Origem
Super merecido. Um excelente trabalho, um dos melhores dos últimos anos.

Melhor mixagem de som:
A Origem
Merecido.

Melhor edição de som:
A Origem
Merecido.

Melhor maquiagem:
O Lobisomem.
O filme é fraco, mas a maquiagem é boa. Merecido.


Outros prêmios:

Filme estrangeiro:
Em um Mundo Melhor (Dinamarca)

Documentário
Trabalho Interno

 
Documentário Curta-metragem
Strangers No More

 
Curta-metragem (Live Action)
God of Love


Curta-metragem de Animação
The Lost Thing


O melhor momento da noite de entrega do Oscar 2011 foi quando o veterano ator Kirk Douglas entrou no palco para entregar um dos prêmios.



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O amor ontem e hoje

Faz um bom tempo que eu estava na casa de uns amigos de nossa família. Era um domingo, e havíamos sido convidados para um almoço. Como eu não gosto de ficar muito tempo em um único ambiente, saí na porta e fiquei ali na frente da casa. Nisso, vi uma senhora idosa na porta de uma casa ao lado. Ela me perguntou se eu era parente daquele pessoal. Sei que, entre uma conversa e outra, ela me disse algo em tom emocionado, do qual nunca vou me esquecer. Na síntese o que ela me disse foi o seguinte:

Sabe? Eu fico aqui em minha casa, e me pego pensando na vida. Lembranças que vão e que vêm. Meus filhos me visitam, amigos meus me visitam, familiares e vizinhos me fazem visitas, mas te confesso uma coisa: nenhum deles preenche a falta que meu marido amado me faz. Vivemos juntos há mais de 50 anos, e desde que ele se foi, vivo aqui com ele em minhas lembranças. Sinto muita falta dele.

Posso dizer sem muita exatidão, mas com toda a certeza que essas palavras faladas por essa senhora, foi há mais de 15 anos, e creio que hoje ela já não esteja mais aqui. Foram palavras sinceras, emocionadas, como poucas vezes já ouvi alguém dizê-las. Além de, ela ter se referido a um grande e verdadeiro amor, ela meio que indiretamente também quis dizer que o amor nos dias atuais não era mais o mesmo (diga-se naquela época, 15 anos atrás). Porém, eu jamais esperava que aquilo fosse uma espécie de profecia, onde eu jamais me dava conta do que estava por vir, ou seja, perceber que o amor de 30, 40, 50 anos atrás era um amor real, mas que ficou pra trás, e que nos dias de hoje é apenas fumaça ao vento.
Não digo com isso que não existam pessoas que ame, na verdade não existem pessoas que dê valor àquele que ame. Dificilmente você vai gostar de uma pessoa e essa pessoa vá te corresponder pelo menos 50%. Há exceções, é claro, mas no geral o que vemos hoje são casais que estão juntos hoje, mas amanhã não estão mais.
Alguém diz hoje pra você que te ama muito, etc. e tal. Mas amanhã essa mesma pessoa já está de olho em outro alguém. Resumindo: Parece que só se fica junto hoje em dia na falta de alguém “melhor”, na falta de outras oportunidades.
Um amigo meu, aliás, conhecido meu, se casou faz tempo com uma adolescente de 13 anos. Sim, a estúpida família da moça que mora numa roça autorizou o casamento, certamente pra se ver livre de mais uma “boca” a ser sustentada. Esse conhecido meu na verdade tinha outros planos, ele se casou com essa adolescente certamente pra fazer o que ele queria fazer, e depois aproveitou a ingenuidade e falta de experiência dela, e começou a sair com outras mulheres. O processo aí foi simples e astucioso ao mesmo tempo. Vamos analisar os fatos e chegaremos lá: Malandro da cidade grande chega em um pequeno povoado e joga a lábia em menina nova, depois chega para os pais da mesma e a pede em casamento. Os pais, que em alguns casos são até certo ponto ignorantes (em todos os sentidos da palavra), concedem a vista do passaporte do malandro para sua plena felicidade (não a felicidade da menina, essa é aquela que no final das contas só vai servir pra ser escrava sexual e doméstica de homem canalha). Infelizmente casos assim continuam acontecendo no mundo todo. Em vez de se casarem por amor, muitas mulheres novas se casam (forçadamente) por interesses dos próprios pais.
O que mais chama a atenção no quesito amoroso, é que, toda pessoa romântica demais acaba não dando certo no amor. Parece que tanto sacrifício para agradar a pessoa ao lado é em vão. Não se tem o mesmo em troca. Vou repetir o que eu já disse em outros tópicos: o ser humano parece se agradar mais daquelas pessoas que as maltrata, de certo modo até mesmo indiretamente, quando não diretamente. É algo na linha: “Quanto mais eu piso nele (a), mais ele (a) gosta de mim”.
Se você é uma mulher e descobriu que seu namorado era o maior dos pilantras, ele mentiu pra você, te traiu e te enganou, e obviamente você terminou o relacionamento (se não terminasse, você merece tudo de ruim que ele faz com você), pode ter certeza que o canalha um dia sem mais nem menos vai te rodear novamente, se fingindo de “mudado”, dizendo que agora é outra pessoa, blá, blá, blá e tentar de tudo pra te ganhar na conversinha mole. Se você for uma mulher esperta, experiente e principalmente que se dá valor, não vai cair nessa. Se ele te pedir perdão, porque não perdoá-lo? Isso é bíblico. Mas não vá cair nos papos desses malandrecos espertos que só querem voltar a se aproximar de você depois que outras mulheres deram um tremendo chute neles. Fuja do mal em suas vidas. Cair nessas lorotas é coisa de mulher desesperada que acha que não vai mais arrumar alguém, ou não tem amor-próprio. Simplesmente perdoe e mande-o seguir a vida dele e você segue a sua, um bem longe do outro. Ou você vai confiar novamente em alguém que te fez sofrer? Sendo que, seria de certo modo muito difícil haver confiança, uma vez que, seu subconsciente não te deixaria em paz, achando sempre que o malandro está com outras por aí quando ele demorar de chegar em casa. Se quiser aceitá-lo de volta, é por sua conta e risco, porque no final de tudo quando ele voltar a aprontar com você (dessa vez ainda pior), todos chegarão pra você e dirão: “Mas você entrou nessa novamente foi porque quis, já sabia que iria acabar nisso”.
Nos dias de hoje, relacionamento amoroso é uma loteria, onde a pessoa entra já sabendo dos riscos. Mas é preciso ser forte e encarar um relacionamento, porque ninguém ficou pra viver só. Não um relacionamento que já está fadado ao fracasso, ou retorno de ex-namorado medíocre que só quer se aproveitar de você, mas um relacionamento com uma pessoa que a princípio te pareça legal e confiável. Se não der certo, coloca pra vazar de sua vida e siga em frente. 


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Oscar 2011 - Os 10 filmes indicados ao prêmio máximo



No próximo domingo dia 27, teremos mais uma entrega do Oscar, o prêmio máximo do cinema mundial. É a 83º edição do prêmio, e dessa vez como não poderia deixar de ser, temos filmes, atores, diretores e técnicos justos e outros nem tanto concorrendo ao prêmio mais cobiçado da Sétima Arte. Vamos analisar um pouco os possíveis vencedores às várias categorias, entre os 10  indicados ao prêmio de melhor filme.

São eles:

Cisne Negro:
Uma bailarina vai aos limites quando lhe é dado os dois papéis principais de A Valsa dos Cisnes.
O filme mais controverso da lista, Cisne Negro foi elogiado por muitos, mas alguns o rejeitaram por causa de seus elementos surreais e até mesmo bizarros. Mas na verdade se trata de uma obra diferente. É pra quem procura fugir do convencional e quer embarcar em algo mais visceral. Concorre a melhor filme, diretor (Darren Aronofsky), atriz (Natalie Portman), fotografia e montagem.
Natalie Portman é a favorita a melhor atriz.


O Vencedor:
Ex-boxeador fracassado tenta treinar o irmão e fazer dele um campeão nos ringues.
Partindo de uma história real, é um bom drama que mexe com assuntos familiares, superação e a perda das oportunidades. Traz um bom elenco, em especial os coadjuvantes. É um interessante drama otimista, cheio de nuances sentimentais. Concorre a melhor filme, diretor (David O. Russel), ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro original e montagem.
Christian Bale e Melissa Leo são os favoritos a melhor ator e atriz coadjuvante, respectivamente.


A Origem:
Equipe precisa implantar uma idéia nos sonhos de um milionário, mas essa missão não será nada fácil.
Meu preferido da lista, A Origem é o filme mais original e empolgante dentre os indicados. Trata-se de mais uma obra-prima de Christopher Nolan (Amnésia). Mas perde chances de ganhar a melhor filme quando injustamente ficou de fora como melhor diretor. Concorre a melhor filme, roteiro original, direção de arte, fotografia, trilha sonora, edição de som, mixagem de som e efeitos visuais.
É favorito nas categorias de efeitos visuais, edição de som e mixagem de som. Pode vir a ganhar como roteiro original também.


Minhas Mães e Meu Pai:
Casal de lésbicas é surpreendido quando seus filhos procuram seu pai biológico.
O filme mais discutível entre os indicados, Minhas Mães e Meu Pai na verdade se sustenta mais é na interpretação dos atores do que na história em si, sem contar que termina de forma incoerente. Concorre a melhor filme, atriz (Annette Bening), ator coadjuvante (Mark Ruffalo) e roteiro original.
Annette Bening é a maior rival de Natalie Portman como melhor atriz, ainda assim não tem fôlego pra ganhar.


O Discurso do Rei:
O rei George da Inglaterra recorre a um especialista para lhe curar a gagueira, no início da Segunda Guerra Mundial.
Esse é o filme que mais tem cara de “filme do Oscar”, bons atores, boa direção e uma história de amizade e superação. Se ganhar não é injusto, porém é mais um filme com a velha fórmula de filmes sobre a monarquia inglesa, assunto que não agrada a todos. Concorre a melhor filme, direção (Tom Hooper), roteiro original, ator (Colin Firth), ator coadjuvante (Geoffrey Rush), atriz coadjuvante (Helena Bonham Carter), fotografia, montagem, direção de arte, figurino, trilha sonora e mixagem de som.
Pode roubar os Oscars de filme e direção do favorito A Rede Social, e também roteiro original de A Origem. É favorito a melhor ator (Colin Firth), fotografia, direção de arte e figurino.


127 Horas:
Um montanhista tem seu braço preso em uma rocha e fica ali 5 dias até que precisa tomar uma difícil decisão.
Esse é o filme que causou as mais diversas sensações por onde foi exibido. Trata-se de uma forte e amarga história real. Um filme que seria mais difícil se não fosse pelo talento do diretor Danny Boyle em criar um clima de descontração em meio à tragédia do protagonista. Concorre a melhor filme, ator (James Franco), roteiro adaptado, trilha sonora, canção e montagem.
Seria legal se James Franco ganhasse como melhor ator, mas Colin Firth é o favorito nessa categoria.


A Rede Social:
A história real do criador do Facebook, um dos maiores sites de relacionamento do mundo.
Estamos diante de um filme sem ação ou adrenalina, baseando-se apenas em diálogos e situações, mas trata-se de um verdadeiro triunfo do diretor David Fincher (Seven). É uma obra que fala de ambição, traição, inveja e principalmente sobre o poder do dinheiro nas mãos de jovens estudantes. Concorre a melhor filme, direção, ator (Jesse Eisenberg), roteiro adaptado, fotografia, montagem, trilha sonora e som.
É o favorito (ao lado de O Discurso do Rei) a melhor filme e direção. Favorito também a roteiro adaptado, montagem e trilha sonora.

 
Toy Story 3:
Terceira aventura dos brinquedos mais divertidos dos últimos tempos. Dessa vez eles são abandonados e separados pelo seu dono.
Maior bilheteria de 2010, Toy Story entra na disputa como melhor filme. É a terceira animação da história a concorrer ao prêmio máximo. É uma divertidíssima aventura que agradou a críticos e público no mundo todo. Concorre a melhor filme, roteiro adaptado, animação, edição de som e canção.
Ainda que não tenha muitas chances de ganhar como melhor filme, é favorito absoluto a ganhar como melhor animação.  


Bravura Indômita:
Uma adolescente contrata um velho pistoleiro pra caçar e prender o assassino de seu pai.
Inesperado grande sucesso dos irmãos Coen (o maior de suas carreiras). É um remake do clássico homônimo de 1969 que deu o Oscar de melhor ator a John Wayne. Depois de quase 20 anos, é o primeiro faroeste a fazer uma grande bilheteria. É um filme muito bem realizado, mas injustamente roubou a vaga de direção de Christopher Nolan por A Origem. Concorre a melhor filme, direção (Irmãos Coen), roteiro adaptado, ator (Jeff Bridges), atriz coadjuvante (Hailee Steinfeld), fotografia, direção de arte, figurino, edição de som e mixagem de som.
A jovem atriz Haille Stenfeld que é a protagonista mas inexplicavelmente concorre a coadjuvante, tem uma presença luminosa, mas não tem chance contra melissa Leo (por O Vencedor).


Inverno da Alma:
Pra não perder sua casa, uma adolescente precisa a todo custo encontrar seu pai. O Problema é que isso lhe causará problemas.
Todo ano o Oscar escolhe um filme “independente” pra concorrer a melhor filme, e o filme escolhido esse ano é Inverno da Alma. É um filme que se concentra basicamente no olhar de cada ator em cena. Trabalha-se muito aqui com os sentimentos e as conseqüências do passado obscuro e a terrível tentativa de trazê-lo à tona. Na verdade é uma obra fria e distante, mas com um ótimo elenco.
Este é o que se chama de filme-zebra, poucos apostam nele, mas pode vir a surpreender nas premiações. Embora eu acredito que vá sair de mãos vazias.


Confesso que nos dois últimos anos, não me agradei dos vencedores a melhor filme e algumas outras categorias. Espero que nesse ano haja uma maior coerência por parte da Academia e que resolvam premiar quem realmente merece. 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Balzaquiana


O escritor francês Honoré de Balzac (1779-1850) ao escrever seu famoso livro A Mulher de Trinta Anos, não imaginava que essa obra lhe ajudaria a ficaria imortalizado não apenas como escritor, mas seu próprio nome sendo referência a um tipo de mulher de nosso tempo. Balzaquiana assim como a personagem do livro citado, diz respeito à mulher que está com trinta anos (e acima) e que depois de “trintona” descobriu a intensidade do amor e da vida. Seriam mulheres que, depois de várias experiências (boas e ruins), descobrem que a referida idade lhes chega como um presente, um novo sentido, um autodescobrimento.
A mulher quando chega aos trinta anos, não descobre apenas uma nova vida, mas descobre também as frustrações, os dilemas, os anseios, as normas (a serem quebradas), o descontentamento com (e de) muitas coisas, a vontade de acertar e também de corrigir o que errou. Como em toda a regra há exceções, também existem mulheres que ao chegarem à casa dos trinta se entregam aos problemas, outras começam a se desvalorizar, há aquelas que são assustadas pelo fantasma do tempo (diga-se idade avançando, uma bobagem, todo mundo envelhece), há também aquelas que perdem totalmente a direção de suas vidas e começam a viver desordenadamente (conheço algumas assim).
Mas em boa parte, a mulher balzaquiana se torna uma mulher mais amadurecida, disposta a tornar-se cada vez mais uma pessoa melhor. Muitas delas se tornam independentes, longe dos conceitos de “Amélia”, mulheres que preferem criar sozinhas seus filhos a teimarem em viver ao lado de maridos cretinos. Sempre admirei a verdadeira mulher, aquela que vai à luta e não fica dependendo do marido, aquela que sabe a hora certa de dizer sim e não, aquela que não abaixa a cabeça pra homem algum, aquela que se valoriza e ama mais a si própria do que a seu companheiro, aquela que sabe o verdadeiro sentido do que é amar e ser amada.
Se nem tudo são flores depois dos trinta, há de se concordar que muita coisa melhora para as mulheres que começam com essa idade: a conviver com a experiência de vida, a não cometerem erros do passado, a encararem a vida com mais naturalidade, a não confiarem tanto, a tomarem mais decisões acertadas, a serem mais exigentes no que diz respeito a seus direitos, a se olhar no espelho e dizer: “Eu sou linda” e “Eu posso”.
Depois dos trinta, a mulher é invejada. Vida longa às balzaquianas. 



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Despedida

Caramba, fui levar agora a pouco em um ponto de ônibus uma pessoa que eu gosto muito, mas quando ela entrou no ônibus, tive a sensação ainda maior que aquele momento seria o último que eu a veria. Ela vai viajar, ir embora pra longe. Ela me abraçou, e entrou no ônibus, fiquei com aquela sensação de que estava perdendo algo. 
Quando vim embora pra casa, senti um aperto, como se tivesse implodindo algo dentro de mim, sem conseguir colocar pra fora. É um momento bastante triste. Eu fingindo por fora estar tudo bem, dizendo olá para as pessoas nas ruas, mas meu interior não correspondia a isso. 
Seria bom se não precisássemos despedir de quem a gente gosta. No meu caso, eu preferiria que se passasse uma borracha em minha cabeça, sem ter que encarar esse momento difícil. 
Ela disse “tchau”, mas eu sabia que era um “adeus”.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cisne Negro



Nina (Natalie Portman), uma bailarina de uma famosa companhia de dança é escalada pelo seu diretor (Vincent Cassel) para ser a principal atração de Cisne Branco e Cisne Negro em O Lago dos Cisnes do compositor russo Tchaikovsky. Agora resta a Nina se dedicar como nunca, mas ela tem pela frente sua mãe super protetora (Barbara Hershey) e uma provável concorrente (Mila Kunis). Aos poucos, Nina vai mergulhando em remédios e drogas, passando a ter alucinações, misturando realidade e alucinações.
Esse é o enredo de Cisne negro, um dos filmes mais aguardados do ano, e também um dos mais intrigantes e fora do comum. É importante que se perceba tratar-se do novo trabalho do prestigiado Darren Aronofsky, um diretor que foge das fórmulas hollywoodiana e consegue sempre surpreender seu público. Para entender Cisne Negro, é interessante que se entenda primeiramente o cinema de Aronofsky: Pi (1998) é a história de um homem obcecado em decodificar a famoso número irracional que representa a divisão entre uma circunferência e o diâmetro, esse número é denominado de Pi = 3,1415926. Dois anos depois, Aronofsky nos apresenta a sua obra-prima Réquiem Para um Sonho, um perturbador estudo sobre o uso de diferentes tipos de drogas envolvendo uma mulher (Ellen Burstyn), seu filho (Jared Leto) e amigos. Em A Fonte da Vida (2006), através de três histórias, três homens (interpretados por Hugh Jackman) tentam encontrar a essência da existência humana. Em 2008, em O Lutador, um ex-campeão de luta livre (Mickey Rourke), tenta retornar ao ringue para uma última luta.
O cinema de Aronofsky é muitas vezes difícil, indigesto e irreal. Em Cisne Negro, a protagonista vive sérias crises que a levam por vezes ao desespero. Não sabemos o que ali é real e o que faz parte da imaginação de Nina. Sua inteira dedicação ao papel principal do futuro espetáculo lhe provoca um anseio enorme, uma busca incessante pela perfeição, abdicando de qualquer tipo de lazer. Até mesmo a dançarina anterior que ela substitui, feita por Winona Ryder, lhe causa efeitos devastadores.
Cisne Negro tem uma atmosfera bastante claustrofóbica, misturando ainda elementos sensuais, como na cena em que a protagonista mantém uma relação com sua concorrente, numa das cenas mais comentadas do ano. Há de se lembrar também que Cisne Negro é um filme que cresce sempre, com um desfecho arrasador, quando a heroína demonstra tudo o que aprendeu, em seqüências de tirar o fôlego.
O elenco é composto de bons atores: Natalie Portman, que estreou quando era garota em 1994 em O Profissional. Cresceu e se tornou uma atriz de respeito, em filmes como Cold Mountain, Closer – Perto Demais e V de Vingança. Foi a personagem feminina principal da nova (e irregular) trilogia Star Wars. O francês Vincent Cassel fez trabalhos importantes como Rios Vermelhos, Pacto dos Lobos e Irreversível. A bela ucraniana Mila Kunis fez entre outros, o fraco Max Payne e o interessante O Livro de Eli. A veterana Barbara Hershey retorna aqui depois de alguns anos em trabalhos sem maiores expressões.
Repleto de imagens oníricas, vislumbres narrativos e uma história intrigante e dramática, Cisne Negro é um filme digno na carreira de Aronofsky. Com câmera na mão, ele registra todo o pesadelo de sua protagonista, sem que em nenhum momento seja lhe tirado o foco, em prol de subtramas desnecessárias. Portman tem aqui o papel mais importante de sua carreira, ganhando vários prêmios, entre eles o Globo de Ouro e o SAG de melhor atriz. O Oscar praticamente já é dela, e por falar nisso, Cisne Negro concorre a mais outros 4 prêmios da Academia: Filme, diretor, montagem e fotografia.
Não é um filme pra qualquer um. Alguns podem reclamar de seu clima sufocante, outros podem achá-lo complexo demais. Mas é inegável que se trata de uma obra diferente e de grande impacto. 


Nota: 4 de 5

Título original: Black Swan

Lançamento: 2010 (EUA)

Direção:
Darren Aronofsky

Elenco: Natalie Portman, Vincent Cassel, Mila Kunis, Bárbara Hershey, Winona Ryder

Duração: 108 minutos

Drama/Suspense






domingo, 30 de janeiro de 2011

Homens que batem, traem e mentem

Há alguns anos quando fui trabalhar em uma cidade aqui na Bahia, fiquei hospedado em uma pensão. Lá, a dona do estabelecimento morava com o companheiro e dormiam em um quarto perto do meu. Essa mulher apanhava quase todos os dias desse homem. Sempre que a surra era das piores, no outro dia ela aparecia usando óculos de sol. O sujeito era alcoólatra assumido. Como sou alguém que vive questionando as coisas, pensava pra mim mesmo como aquilo terminaria. Depois do trabalho finalizado, fui embora dali e não soube mais notícias daquele povo. Sabe-se lá o que terá acontecido.
Daí vem a pergunta: em casos assim, quem é o pior, o homem que bate ou a mulher que se sujeita a apanhar? Homens que batem em mulheres já são podres de natureza, são “machões” descarados que, procuram descarregar suas frustrações (todo bêbado é frustrado) em suas esposas. Sendo assim, não caberia a essas mulheres se saírem desses tipos de elementos? Mas como pra tudo se tem uma desculpa, muitas delas dizem que é por medo de que eles possam matá-las (nesse caso, o problema é mais delicado, ainda que solucionável), outras dizem que é porque teriam que abandonar a casa e assim não teriam pra onde ir. Algumas “Amélias” se tornam tão independentes de seus maridos, que não sabem dar um passo a frente sem eles.
Há homens (pode-se chamar de homens?) que colocam fogo em suas casas na intenção de matar mulher e filhos, e depois saem dessa impunemente, como se nada tivesse acontecido. A mulher o aceita de volta (esse tipo de mulher acaba sendo pior do que seus agressores), e ficam dizendo pra todo mundo que eles mudaram. Mentira, não mudam nada, pelo contrário, fingem que mudaram, pra depois voltarem ainda piores, mais violentos. Uma amiga minha que estuda psicologia me disse que não há mudança nesses casos, que eles inventam “melhora de comportamento” pra não serem punidos, mas na verdade estão prontos pra atacar novamente, esperando apenas o momento certo pra isso.
Será que é mesmo verdade que existem mulheres que gostam de apanhar? Eu particularmente me recuso a acreditar nisso, ainda que, em se tratando de seres humanos, tudo é possível. 
Vale muito mais morar em um barraco, mas tendo sossego e paz, do que morar em uma casa toda confortável, mas que impera ali a violência e o sofrimento. Não permita que seus filhos crescam em lares conflituosos, para que no futuro eles não se tornem pessoas traumatizadas e até mesmo violentas. 
Conheci uma mulher que me disse ter apanhado do marido por mais de dez anos, depois foi que tomou a decisão de largá-lo. Hoje não quer vê-lo nem pintado de ouro. Mas a atitude dela não foi tarde? Poderia ter tomado essa atitude na primeira vez que o canalha lhe agredisse. Cada “Maria da Penha” sabe o inferno que passa com seu marido, e sabe que não é fácil tomar uma atitude radical pra mudar a situação em que vive. Mas uma coisa é certa: ou procuram cair fora desses monstros, ou morrerão nas mãos deles.
Acho graça quando vejo alguns homens que engrossam a voz para parecerem mais “machos”, a fim de impressionarem suas esposas ou namoradas. Desconfio que esses “machões” vestem às escondidas a calcinha de suas mulheres à noite. Esses mesmos sujeitos são os que mais traem suas mulheres, inventam mil e uma desculpas, dizem que estão fazendo hora extra no trabalho, ou que foram visitar um “amigo”, etc. Se seu marido saiu pra pescar, certifique-se que na volta, o peixe que ele trouxe foi realmente pescado, ao invés de ter sido comprado (!!!)
Mas há mulheres que parecem não se dar valor, se humilham, deixando-se levar por conversas fiadas de seus maridos/namorados. Estes lhes prometem que não irão mais traí-las ou agredí-las. Só mesmo rir pra não chorar.
Um dia desses eu estava saindo de uma palestra às 10:00 da noite, quando vi duas mulheres esperando o ônibus em um ponto, as duas em conversa diziam que esperavam seus maridos irem buscá-las, mas ambos lhes ligaram, dizendo que estavam jogando bola (?!) e não poderiam chegar a tempo, então lhes sugeriram que fossem pra casa de transporte coletivo. Uma delas estava segurando um capacete. O que acho interessante é que para a maioria das mulheres, homens assim é que têm valor, são esses que prestam.
Admiro muito mulheres que se posicionam, que preferem ficar só em vez de arrumar qualquer elemento canalha apenas pra acabar com a solidão. Tenho amigas que não se deixam levar por conversinhas “doces”, essas sabem discernir quem é quem.
Há casos impressionantes de mulheres que ficam noivas por mais de dez anos e durante esse tempo vivem bem com seus noivos, mas depois que se casam, descobrem que esses homens tinham a façanha do ótimo fingimento, e daí o casamento acaba não durando nem um ano.
Mulheres, procurem se valorizar, não se enganem por aparências ou conversinhas de príncipe encantado. Antes de amar alguém, procure amar a si própria, só assim você terá visão pra enxergar o que pode vir pela frente. O que tem muito por aí são homens violentos, traiçoeiros, enganadores, mentirosos e traidores. 


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Naquela manhã

Naquela manhã eu estava cadastrando imóveis com um amigo, passávamos de casa em casa, até que, batemos à sua porta. Você abriu e nos recebeu muito educadamente. Fizemos toda a medição de sua residência, você sempre ao nosso lado, nos acompanhando, informando o que precisávamos saber. Daí terminei de fazer todo e esboço e fui embora com o meu amigo para a próxima casa.
Não, não foi assim.
Batemos em sua porta, você abriu. Explicamos a você sobre o nosso trabalho, e você gentilmente nos convidou a entrar. Fiquei encantado com tamanho encanto. Tudo em você me encantou naquele momento em que estávamos ao seu lado. Lá, fizemos todo o trabalho de cadastramento, você nos acompanhava, mas eu não conseguia parar de te olhar, era como se você tivesse o poder da atração.
Confesso que enrolei o quanto pude, a fim de ficar mais tempo ali te observando. Em certo momento, eu estava segurando uma prancheta e fazendo o esboço, quando você sentou ao meu lado e quis ver o que eu estava desenhando. Foi quando eu pude te ver melhor, ver que seus braços eram cheios de cabelinhos, seus olhos eram como uma jóia que nunca pára de brilhar, sua boca era a forma perfeita de um morango cortado, sua pele era o puro frescor das madrugadas da primavera, seus cabelos eram como o movimento das águas . Eu não poderia achar defeitos em você nem se os procurasse o dia inteiro. Sua beleza não consistia em arroubos estéticos, mas sim numa beleza campestre, singular. No entanto, mais do que sua forma física, o que me chamou mais a atenção em você foi sua simplicidade, sua educação, seu jeitinho meigo e doce.
Não me lembro bem sobre o que falamos, mas me lembro de que você me disse que pertencia a uma igreja, e até me fez um convite pra comparecer lá. Armadilha da memória, posteriormente não me recordava mais onde era. Sua mãe estava ali, mas não a vi, era como se o momento fosse só meu, de mais ninguém. Até meu amigo parecia não estar mais ali. Naquele instante, em meu mundo envolto em sua presença, se transformou numa fonte de paixão, um envolvimento com o belo e o inesperado.
Você não vai se lembrar, talvez nunca se lembre.
Ao sairmos dali, comentei com o meu amigo sobre você. Ele me aconselhou a voltar lá e te pedir o número de seu telefone, ou algo que fizesse manter contato, que não ficasse apenas em algo daquele momento. Voltamos a nos aproximar de sua casa, mas chegando perto da porta, recuei e fomos embora, levando comigo talvez a certeza de que não te veria mais.
Pra você, posso não ter passado de uma simples passagem, um aventureiro das circunstâncias. Pra mim foi um momento sublime, eterno. Foram menos de vinte minutos, minutos breves que te vi pela primeira e última vez. Vi você por pouco tempo, mas foi um tempo suficiente para não me esquecer de você.
Depois de alguns anos, imagino como você pode estar: casada, com filhos, talvez em outra cidade, ou sei lá, talvez esteja sozinha, morando na mesma casa. Mas acho que nada disso mais importa. Hoje não me recordo mais de seu rosto, ficou a forma, mas sumiu o semblante. Posso já ter te visto várias vezes por aí, mas o tempo tratou de me fazer esquecer de como você é. Olhos apaixonados só enxergam a forma, mas esquece os contornos.
Hoje eu sei que você ficou lá atrás no tempo, naquela casa, naquela manhã. 





domingo, 23 de janeiro de 2011

Dois Destinos



Dois Destinos é considerado por muitos a obra-prima do diretor italiano Valerio Zurlini, superando até mesmo A Primeira Noite de Tranqüilidade. Eu não saberia dizer qual é o melhor, sendo que os considero igualmente obras singulares da Sétima Arte. Os pouquíssimos cinéfilos que conhecem Zurlini, sabem que seu cinema é individual, amargo, de uma natureza reflexiva e melancólica, como nenhum outro cineasta. Portanto, é de se esperar que seus melhores trabalhos traduzam o que há de mais caro à natureza humana e ao próprio cinema: a desilusão. Dois Destinos narra o drama de Enrico (Marcello Mastroianni), um jornalista frustrado que perdeu sua mãe quando tinha apenas 8 anos de idade. Seu irmão Lorenzo é doado ainda novinho para uma família rica. Anos depois, Lorenzo perde tudo que tem e procura seu irmão, em busca não apenas de instabilidade, mas principalmente procurando formar uma união que nunca havia tido com um parente de sangue. Mas Enrico culpa Lorenzo pela morte da mãe, mas nunca lhe diz nada a respeito disso. Certa noite, Lorenzo o procura e fica hospedado em seu mísero quarto. Começa assim uma nova etapa de vida para os dois irmãos. Cada um ao seu jeito, vai procurando se aproximar um do outro, visitam sua avó que está numa espécie de asilo, debatem sobre a vida, vão em busca de empregos, e um dia se separam novamente. Até que Lorenzo diz a Enrico que sofre de uma grave doença sem cura. Enrico acompanha todo o processo de tratamento do irmão, se aproximando mais dele. Como você pode ver, não é uma obra que apresenta uma história acessível ao grande público, mas trata-se de um drama forte, seco, sem nenhum senso de humor, sem coadjuvantes engraçadinhos. Aqui, Zurlini demonstra o que sabe fazer melhor: desilusão, solidão, questionamentos. Conhecido como o poeta da melancolia, Zurlini em seus filmes não abre espaço pra subtramas, vai direto ao ponto que interessa. Também não apela para o melodrama. Tudo gira em torno desses dois irmãos, seus dramas, suas lutas, suas esperanças de que as coisas possam melhorar, mas ao mesmo tempo percebemos durante todo o tempo que eles estão fadados ao pior, como já deixa anteceder o início da obra. Poucas vezes na história do cinema um filme foi tão cruel com seus personagens, tirando-lhes toda e quaisquer perspectivas de um “amanhã glorioso”. Mas Dois Destinos não seria uma obra tão forte e esplêndida se não tivesse à frente seus dois atores fantásticos: Marcello Mastroianni (Enrico) tem aqui a melhor interpretação de sua carreira, segundo alguns críticos, mostrando porque que realmente era o melhor ator italiano de todos os tempos. A cena em que ele conta para o irmão já doente, sobre sua mãe, é de uma naturalidade espantosa, entrando para a lista das melhores interpretações da história. Mastroianni era fenomenal, incomparável, um monstro nas telas. O francês Jacques Perrin (Lorenzo) também está ótimo como o irmão mais novo em estado terminal. Perrin já havia feito um ano antes com Zurlini, o belo A Moça com a Valise, e é conhecido do grande público de arte pelo seu desempenho em Cinema Paradiso, em especial na emocionante cena final em que ele assiste às cenas dos filmes cortadas pela censura. Ótimos atores aliás, era prioridade para Zurlini. Ele sabia que seus filmes eram fortes, sinceros, e só grandes atores poderiam expressar toda a fúria e desesperança de seus personagens, entre os grandes atores “zurlinianos” estão: Jean-Louis Trintignant e Eleonora Rossi Drago (Verão Violento), Claudia Cardinale (A Moça com a Valise) e Alain Delon e Giancarlo Giannini (A Primeira Noite de Tranqüilidade).
Valerio Zurlini foi injustamente esquecido por um tempo, sendo redescoberto há pouco tempo em amostras de cinemas. Injustiça mesmo, porque se iguala aos grandes diretores italianos como Roberto Rossellini, Federico Fellini, Vitório de Sica, Michelangelo Antonioni, Ettore Scola e Luchino Visconti. Zurlini era pintor, artista nato, era exigente nas escolhas de cenários e ângulos de câmeras, seus filmes são verdadeiros estudos para cinéfilos e estudiosos da área. Seu cinema é lento, introspectivo, sempre em busca de respostas. Está entre o que o cinema mundial pode oferecer.
Dois Destinos é cinema bruto, sério e avassalador.



Nota: 5 de 5

Título original: Cronaca Familiare

Lançamento: 1962 (Itália, França)

Direção: Valerio Zurlini

Elenco: Marcello Mastroianni, Jacques Perrin, Valeria Ciangottini, Sylvie

Duração: 115 minutos

Drama

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Gente que "véve" falando e escrevendo errado


O país em que moramos nos oferece sujeiras políticas, injustiças sociais, marketeiros sem piedade, mentiras sociais e mais um montão de coisas que só ajudam a piorar ainda mais um país em que muitos teimam em dizer que está indo bem. Sem nos deixarmos cair nos contos de mentirosos, podemos ver que há muito a se fazer nesse país para que se possa dizer que ainda há esperança de se tornar um bom lugar para se viver. A educação é um desses elementos que precisa ser posto em xeque, ou seja, precisa ser melhorado drasticamente. Nunca se viu um povo que, em sua grande maioria tem o (péssimo) hábito de falar e escrever errado, aliás, não é hábito, é a maneira como acham mesmo que deve ser falado e escrito. Não creio que alguém fale ou escreva errado porque quer.
De quem é a culpa de tamanha ignorância educacional? Seria dos professores? Não, não é culpa dos professores. Se há um mal aprimoramento na educação no Brasil, a culpa não é dos que são pagos pra ensinar. Estes em sua quase totalidade se empenham em passar os ensinamentos, mas à medida que o tempo passa, muitos alunos não têm se interessado em aprender, chegando ao ponto de verem no professor, um inimigo.
Você ouvir dizer que um lavrador ou cortador de cana não sabe ler e escrever, é claramente compreensível, mas saber que alguém que mora em uma cidade não sabe nem mesmo escrever o próprio nome é um absurdo. Conheço pais de família que não sabem ler ou escrever. Esses mesmos pais têm filhos cursando o segundo grau. Daí pode-se afirmar que isso é antes de tudo desleixo e muita preguiça. Temos escolas de sobra que alfabetizam, e essas pessoas analfabetas também podem pedir ajuda aos filhos ou vizinhos para que ao menos aprendam a escrever o próprio nome. Porém, piores do que esses que se acomodam e são analfabetos de tudo, são aqueles que estudam e parece não aprender muita coisa. E o pior de tudo é que, quem lê e escreve errado, consequentemente irá falar errado também, não tem jeito. Em se tratando de escrever e falar, há erros e há erros imperdoáveis. Uma coisa é você escrever algo no MSN, sem a mínima preocupação ou tempo em deixar tudo de forma certinha em relação à ortografia, outra coisa é você escrever errado, sem a consciência de que está errado. Fico pensando na BURRICE de quem escreve na NET, seja em páginas sociais como Orkut, Facebook e Twitter e nem ao menos verificam no Google em caso de dúvida, se a palavra ali escrita está certa ou errada. Eu sempre procurei errar o menos possível no que eu escrevo,  posso até errar concordâncias das palavras, etc., mas procuro escrever uma palavra de forma correta. Livros e filmes legendados me ajudaram bastante. Obviamente posso cometer erros ortográficos como quaisquer outras pessoas, mas me lamentaria grandemente se cometesse erros grosseiros como os que eu vejo em muitos Orkuts, placas e blogs por aí. A ignorância cultural desse país é muito grande, chega a ser assustador. Mas o que se pode esperar de um povo que em sua grande maioria é alienado por novelas, Big Brother e filmes enlatados e vazios de vampiros adolescentes? O poeta Mario Quintana dizia: “O maior analfabeto é aquele que aprendeu a ler, mas não lê”. Quem não lê fica emburrecido, escreve errado e fala muito mal.
Há palavras super complicadas que, realmente confundem na hora de serem escritas, mas há palavras fáceis demais que se tornam um desastre nas mãos de muitas pessoas. Ler, escrever e falar corretamente não tem raiz em estudos de nível superior ou coisa do tipo, vem do interesse de cada um em aprender. Se você faz parte do grupo dos “ignorantes sociais”, não PASSE vergonha, e sim, TOME vergonha e vá ler um bom livro.





sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Todos os vencedores do Oscar de melhor filme



O ano de 1929 ficou marcado no cinema por ter sido o ano em que o prêmio Oscar (o mais importante da história da Sétima Arte) foi criado para celebrar os melhores do ano. De lá pra cá, a Academia vem premiando todos os especialistas da área de cinema. Coloco aqui a lista completa de todos os vencedores ao Oscar de melhor filme. Assisti a todos eles, e posso dizer que muitos desses filmes foram premiados merecidamente, mas também há aqueles que nem de longe mereciam estar nessa lista. O ano citado diz respeito ao ano da premiação, e não o ano de produção do filme. Vale a pena conhecer a lista e os filmes.


1929 - Asas (Wings) – Cenas aéreas muito bem feitas – Nota 4 de 5
1930 – Melodia na Broadway (The Broadway Melody) – Musical sem tantos atrativos – Nota 3 de 5
1931 – Sem Novidades no Front (All Quiet on the Western Front) – Anti-Guerra excepcional – Nota 5 de 5
1932 – Cimarron (Cimarron) – Épico de faroeste – Nota 4 de 5
1933 – Grande Hotel (Grand Hotel) – Muitas estrelas e pouco conteúdo – Nota 3 de 5
1934 – Cavalgada (Cavalcade) – Drama sem muita novidade – Nota 3 de 5
1935 – Aconteceu Naquela Noite (It Happened One Night) – Ótima comédia otimista – Nota 5 de 5
1936 – O Grande Motim (Mutiny on the Bounty) – Bela reconstituição de época – Nota 5 de 5
1937 – Ziegfeld, o Criador de Estrelas (The Great Ziegfeld) – Musical esplendoroso – Nota 5 de 5
1938 – A Vida de Emile Zola (The Life of Emile Zola) – Bela biografia de um gênio – Nota 4 de 5
1939 – Do Mundo Nada se Leva (You Can’t Take It With You) – Comédia de estilo – Nota 4 de 5
1940 – ...E o Vento Levou (Gone With The Wind) – O maior de todos os clássicos – Nota 5 de 5
1941 – Rebecca, a Mulher Inesquecível (Rebeca) – Suspense psicológico genial – Nota 4 de 5
1942 – Como Era Verde Meu Vale (How Green Was My Valley) – Memórias da infância – Nota 4 de 5
1943 – Rosa de Esperança (Mrs. Miniver) – Ótima “propaganda” de guerra – Nota 4 de 5
1944 – Casablanca (Casablanca) – O romance perfeito – Nota 5 de 5
1945 – O Bom Pastor (Going My Way) – Ótimo mistura de drama e música – Nota 4 de 5
1946 – Farrapo Humano (The Lost Weekend) – O alcoolismo e suas conseqüências – Nota 5 de 5
1947 – Os Melhores Anos de Nossas Vidas (The Best Years of Our Lives) – Marcas de uma guerra – Nota 5 de 5
1948 – A Luz É Para Todos (Gentleman’s Agreement) – O anti-semitismo e a sociedade – Nota 4 de 5
1949 – Hamlet (Hamlet) – Shakespeare num clássico absoluto – Nota 5 de 5
1950 – A Grande Ilusão (All the King’s Men) – Retrato da sujeira política – Nota 4 de 5
1951 – A Malvada (All About Eve) – O melhor filme sobre o teatro – Nota 5 de 5
1952 – Sinfonia de Paris (An American in Paris) – Um musical alegre e deslumbrante – Nota 5 de 5
1953 – O Maior Espetáculo da Terra (The Greatest Show on Earth) – O circo em superprodução – Nota 4 de 5
1954 – À Um Passo da Eternidade (From Here to Eternity) – Pearl Harbor e suas histórias – Nota 5 de 5
1955 – Sindicato de Ladrões (On The Waterfront) – Show de interpretações – Nota 5 de 5
1956 – Marty (Marty) – O amor não tem idade – Nota 4 de 5
1957 – A Volta ao Mundo em 80 Dias (Around the World in 80 Days) – Clássico da literatura ganha as telas – Nota 4 de 5
1958 – A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai) – Superprodução de guerra – Nota 5 de 5
1959 – Gigi (Gigi) – Musical sem muita força – Nota 3 de 5
1960 – Ben-Hur (Ben-Hur) – Épico dos épicos – Nota 5 de 5
1961 – Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment) – Segredos e revelações – Nota 4 de 5
1962 – Amor Sublime Amor (West Side Story) – O maior dos musicais – Nota 5 de 5
1963 – Lawrence da Arabia (Lawrence of Arabia) – Épico excepcional – Nota 5 de 5
1964 -  As Aventuras de Tom Jones (Tom Jones) – Comédia com toques de romance – Nota 4 de 5
1965 – Minha Bela Dama (My Fair Lady) – Musical com bastante elegância – Nota 4 de 5
1966 – A Noviça Rebelde (The Sound of Music) – Músicas inesquecíveis – Nota 5 de 5
1967 – O Homem que Não Vendeu Sua Alma (A Man for All Seasons) – Até o fim pelos ideais – Nota 5 de 5
1968 – No Calor da Noite (In the Heat of the Night) – Justiça e preconceito se encontam – Nota 4 de 5
1969 – Oliver! (Oliver!) – Charles Dickens em forma de musical – Nota 4 de 5
1970 – Perdidos na Noite (Midnight Cowboy) – Desilusão e solidão lado a lado – Nota 4 de 5
1971 – Patton, Rebelde ou Herói? (Patton) – A Guerra e seu preço – Nota 4 de 5
1972 – Operação França (The French Connection) – Policial ultra-realista – Nota 5 de 5
1973 – O Poderoso Chefão (The Godfather) – O melhor sobre a máfia – Nota 5 de 5
1974 – Golpe de Mestre (The Sting) – A sorte está lançada – Nota 4 de 5
1975 – O Poderoso Chefão 2 (The Godfather Part II) – O épico continua – Nota 5 de 5
1976 – Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest) – A liberdade em discussão – Nota 5 de 5
1977 – Rocky, Um Lutador (Rocky) – O sonho americano realizado – Nota 4 de 5
1978 – Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall) – Alegrias e tristezas do amor – Nota 5 de 5
1979 – O Franco-Atirador (The Deer Hunter) – Cicatrizes da guerra – Nota 5 de 5
1980 – Kramer vs. Kramer (Kramer vs. Kramer) – Tribunal entre família – Nota 4 de 5
1981 – Gente Como a Gente (Ordinary People) – A dor da perda – Nota 4 de 5
1982 – Carruagens de Fogo (Chariots of Fire) – Superação e limites – Nota 4 de 5
1983 – Gandhi (Gandhi) – A liberdade pela não-violência – Nota 4 de 5
1984 – Laços de Ternura (Terms of Endearment) – Conflitos em família – Nota 4 de 5
1985 – Amadeus (Amadeus) – Genialidade e rebeldia – Nota 5 de 5
1986 – Entre Dois Amores (Out of Africa) – Romance proibido – Nota 4 de 5
1987 – Platoon (Platoon) – O inimigo pode estar entre nós – Nota 5 de 5
1988 – O Último Imperador (The Last Emperor) – Superprodução sobre a decadência – Nota 5 de 5
1989 – Rain Man (Rain Man) – Superando as diferenças – Nota 4 de 5
1990 – Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy) – A velhice e seus dramas – Nota 4 de 5
1991 – Dança com Lobos (Dances With Wolves) – O homem em busca de si mesmo – Nota 5 de 5
1992 – O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs) – Medo e tensão na forma humana – Nota 5 de 5
1993 - Os Imperdoáveis (Unforgiven) – O passado nem sempre é esquecido – Nota 5 de 5
1994 – A Lista de Schindler (Schindler’s List) – O melhor retrato sobre o Holocausto – Nota 5 de 5
1995 – Forrest Gump, o Contador de Histórias (Forrest Gump) – Limitações podem ser superadas – Nota 5 de 5
1996 – Coração Valente (Braveheart) – Luta pela liberdade – Nota 4 de 5
1997 – O Paciente Inglês (The English Patient) – Um amor resiste à Guerra – Nota 4 de 5
1998 – Titanic (Titanic) – Nada poderia separá-los? – Nota 5 de 5
1999 – Shakespeare Apaixonado (Shakespeare in Love) – O gênio e seus amores – Nota 5 de 5
2000 – Beleza Americana (American Beauty) – Desmacarando as convenções – Nota 5 de 5
2001 – Gladiador (Gladiator) – O escravo que virou gladiador – Nota 4 de 5
2002 – Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind) – Alucinações de um gênio – Nota 4 de 5
2003 – Chicago (Chicago) – O ultimo grande musical – Nota 5 de 5
2004 – O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei (Lord of the Rings – The Return of the King) – Conclusão de uma grande trilogia – Nota 5 de 5
2005 – Menina de Ouro (Million Dollar Baby) – Sonho realizado e perdido – Nota 4 de 5
2006 – Crash – No Limite (Crash) – Drama forçado que não empolga tanto – Nota 3 de 5
2007 - Os Infiltrados (The Departed) – Os dois lados da lei em conflito – Nota 4 de 5
2008 – Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men) – A violência brutal – Nota 5 de 5
2009 – Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire) – Em busca do sucesso – Nota 3 de 5
2010 – Guerra ao Terror (The Hurt Locker) - O inimigo sem rosto – Nota 4 de 5
2011 - O Discurso do Rei (The King's Speech) - Superação e determinação - Nota 5 de 5

domingo, 26 de dezembro de 2010

A Montanha dos Sete Abutres



Um jornalista chega à pequena província de Albuquerque no Novo México, e convence o dono de um jornal a lhe dar emprego. Esse jornalista é Charles Tatum (Kirk Douglas), homem inescrupuloso e manipulador, que já foi despedido de vários jornais de prestígio pelas mais diversas razões. Um ano se passa sem que Tatum consiga uma grande reportagem que seria seu passaporte para sair dali e voltar a fazer parte dos grandes jornais de Nova York ou Chicago. Mas acaba surgindo uma oportunidade, quando seu chefe lhe manda juntamente com um jovem fotógrafo a um lugarzinho ali perto pra cobrir uma reportagem sobre cascavéis soltas. Mas a caminho, Tatum descobre que algo mais “atrativo” está acontecendo. Um homem ficou preso em uma velha mina indígena que desmoronou. O esperto jornalista prepara todo seu arsenal para que tudo se transforme em uma grande notícia. Começa então um grande show, um festival de sensacionalismo que envolve a visita ao local de milhares de pessoas, parques de diversão, circo, música ao vivo, e outros jornalistas da imprensa e TV afim de não deixar escapar nenhum detalhe, demonstrando assim a necessidade que muita gente tem em se sentir bem perante a desgraça de outros.
Tatum joga as cartas na mesa e se mostra dono do jogo. Manipula o xerife local (que é corrupto), prometendo-lhe a reeleição, em troca da garantia de que ninguém atrapalhará sua cobertura jornalística; obriga a esposa da vítima (a bela Jan Sterling) a se fazer de mulher desconsolada, sendo que esta só quer mesmo é lucrar com as vantagens que o show lhe proporciona, e descarta tudo que lhe é desfavorável nesse “circo” criado por ele. A influência de Tatum se torna tão grande ali, que em certo momento ele obriga que o trabalho de salvamento do homem soterrado não seja feito por dentro da mina (esse processo seria rápido, e isso consequentemente faria com que o show terminasse logo), mas através de uma escavadeira por cima da montanha, prolongando assim o que poderia ser algo bem mais rápido.
O diretor Billy Wilder ao dirigir A Montanha dos Sete Abutres sabia que estaria com isso, mexendo com casa de abelhas, ou melhor, mexendo com a imprensa. A mesma imprensa que pode elevar ou destruir a carreira de um filme nos cinemas. E foi isso que aconteceu, o filme de Wilder foi um grande fracasso. Mas, diga-se de passagem, que foi um fracasso injusto, porém, o tempo passou e o transformou em uma das obras-primas do cinema. Nunca o sensacionalismo foi visto no cinema de forma tão abrangente e lúcida. No também brilhante Rede de Intrigas (1976), o diretor Sidney Lumet expõe uma situação parecida, porém neste, critica-se o papel do sensacionalismo da TV. Em Paixões que Alucinam (1962). Samuel Fuller moostra a história de um jornalista que, na ânsia de ganhar o prestigiado prêmio Pulitzer, se finge de louco pra ficar por uns tempos em um manicômio e assim descobrir quem foi o assassino de um dos internos. Em 1940, o excelente diretor Howard Hawks mostra em Jejum de Amor a história de jornalistas que correm atrás da notícia, em especial alguma novidade sobre um homem acusado de um crime que está sendo condenado à forca. Mesmo que seja uma comédia “ligeira”, Hawks não deixa de dar umas alfinetadas, criticando a imprensa marrom.
Em Impacto Profundo, numa das cenas, um homem afetado por uma reportagem chega pra uma repórter e pergunta: “Antes de você ser repórter, você era um ser humano”? . Se a imprensa algumas vezes detona o cinema, o cinema em algumas ocasiões também não deixa por menos.
Mas A Montanha dos Sete Abutres não seria tão esplêndido se não fosse pela direção magistral de Billy Wilder e a excepcional atuação de Kirk Douglas. Wilder era um diretor versátil, dirigiu filme noir (Pacto de Sangue), dramas (Farrapo Humano, crepúsculo dos Deuses), drama de guerra (Inferno nº. 17), comédias (Sabrina, O Pecado Mora ao Lado, Quanto Mais Quente Melhor, Se Meu Apartamento Falasse), filme de tribunal (Testemunha de Acusação), voltou a falar do jornalismo em A Primeira Página. Kirk Douglas é um dos maiores atores de Hollywood, nunca vi uma atuação fraca de Douglas, e sempre se deu bem em todos os gêneros. Trabalhou com os mais respeitados diretores, entre eles: William Wyler (Chaga de Fogo), Vincente Minnelli (Assim Estava Escrito, Sede de Viver), Stanley Kubrick (Glória Feita de Sangue, Spartacus), Joseph L. Mankiewicz (Quem é o Infiel?, Ninho de Cobras), entre outros.
Em alguns cursos de Jornalismo e Comunicação Social, esse filme é muito comentado e discutido, até mesmo porque o próprio diretor Wilder já fora jornalista antes de entrar pra Sétima Arte. Se algum estudante dessa área ainda não assistiu A Montanha dos Sete Abutres, procure conhecer, certamente será mais um pilar para a matéria que envolve Sensacionalismo.
A Montanha dos Sete Abutres tem uma ótima história (foi indicado ao Oscar de Roteiro Original, aliás, sua única indicação), diálogos brilhantes, personagens fortes. Reparem que durante todo o filme só vemos três pessoas corretas: o pai da vítima, a mulher que reza e o dono do jornal em que Tatum pediu emprego; de resto, só vemos pessoas egoístas e manipuladoras. Em certo momento, Tatum diz ao seu editor: “Se não aparece uma notícia, eu saio na rua e mordo um cachorro”.
Todo o sensacionalismo e “importância” dados aos mineiros presos em uma mina no Chile esse ano, foi um exemplo de que a obra de Wilder não envelheceu, continua mais atual do que há quase 60 anos.



Nota: 5 de 5

Título original: Ace in the Hole

Lançamento: 1951 (EUA)

Direção: Billy Wilder

Elenco: Kirk Douglas, Jan Sterling, Porter Hall, Robert Arthur, Frank Cady

Duração: 111 minutos

Drama