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sábado, 11 de junho de 2011

X-Men: Primeira Classe



Em 2000, o filme X-Men inaugurou uma série de filmes da editora Marvel, uma das mais conceituadas do mundo. O filme conta a história de um grupo de mutantes, recrutado e liderado pelo professor Charles Xavier, um poderoso telepata. A missão: deter a ameaça do temível Magneto e seu grupo. Depois de duas seqüências (X-Men 2 e X-Men – O Confronto Final) e um filme solo do Wolverine (X-Men Origens – Wolverine), o grupo de mutantes retorna aos cinemas, dessa vez, respondendo algumas perguntas como: 1- Como Charles Xavier e Magneto se conheceram? 2 – Como foi criado o grupo? 3 – Por que há essa divisão entre mutantes bons e maus?

X-Men: Primeira Classe responde a essas e outras perguntas. O filme começa nos anos 40, quando o pequeno Erik Lehnsherr (futuro Magneto)vê sua mãe ser assassinada pelo terrível Sebastian Shaw (Kevin Bacon, de O Homem Sem Sombra). Quando cresce, Erik vai em busca de vingança. Anos 60, Erik (Michael Fassbender, de Bastardos Inglórios) descobre que Shaw (que retorna mais jovem, com poderes de absorver energia) está com um plano de colocar os Estados Unidos e a Rússia em guerra. Enquanto isso, o professor Charles Xavier (James McAvoy, de Desejo e Reparação) e sua amiga Raven (a bela Jennifer Lawrence, de Inverno da Alma) com a ajuda da Dra. Moira MacTaggert (Rose Byrne, de Extermínio 2) à serviço da Cia, vão atrás de
Em destaque, a bela Jennifer Lawrence
Shaw, em uma missão mal sucedida. É quando, Charles salva Erik, e ficam amigos. Estes dois começam a reunir e treinar jovens com poderes mutantes (há uma participação especial de um personagem bastante querido do público). Mas os planos de Erik se mostram outros, indo na contramão do que os mutantes procuravam: lutar em defesa dos humanos.
Revelar mais detalhes da história não seria algo correto de minha parte. Só basta dizer que se trata de um ótimo trabalho, fruto do diretor Matthew Vaughn, que tem em seu currículum obras divertidas como Stardust – O Mistério da Estrela (2007), e  Kick-ass - Quebrando Tudo (2010) Este último é o famoso filme em que a atriz mirim Chloe Moretz (que interpreta a filha de Nicolas Cage) rouba o filme, detonando bandidos de uma maneira poucas vezes vistas nas telas.
James McAvoy (Professor Charles Xavier)
X-Men: Primeira Classe traz a origem dos famosos mutantes, porém com um grande diferencial da história original dos quadrinhos criada por Stan Lee e Jack Kirby em 1963. Aliás, uma grande diferença. Nos quadrinhos, a formação original do grupo é composta pelo professor Xavier, Ciclope, Jean Grey, Fera, Homem de Gelo e Anjo. Dessa formação, apenas o professor Xavier e o Fera aparecem no filme, sendo que os outros são: Mística, Destrutor, Banshee e Angel Salvadore (uma personagem criada a pouco tempo nos quadrinhos). Do lado dos vilões, estão, além de Sebastian Shaw, Emma Frost (Rainha Branca), Azazel e Maré Selvagem. Como todo mundo sabe, Magneto futuramente se tornaria o maior inimigo dos X-men.
Elogiado pela crítica e pelo público, X-Men: Primeira Classe ao lado de Superman – O Filme (1978), X-Men 2 (2003), Homem-Aranha 2 (2004), Batman Begins (2005) e Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008), são os melhores exemplares de ótimos filmes de super-heróis levados às telas. Com um roteiro inteligente, X-Men: Primeira Classe mistura ação, mistério, drama e humor na medida certa.
Michael Fassbender (Magneto)
Os leitores de quadrinhos mais exigentes, certamente reclamarão que o filme se distancia bastante do conceito original. Eu, porém, mesmo acostumado com o universo dos quadrinhos, não me incomodei em nenhum momento com as liberdades tomadas pelo diretor Vaughn e o produtor Bryan Singer (diretor dos dois primeiros filmes). Se distancia dos quadrinhos, por outro lado, traz de qualquer forma outros personagens conhecidos e não estraga em nada; ao contrário, só acrescenta e torna mais rico alguns detalhes, como o fato de mostrar Charles Xavier antes de ficar careca e paraplégico, quando este ainda começava a dar aulas.
Eu não poderia deixar de falar do ótimo trabalho da dupla central de atores: James McAvoy, que torna convincente todas as suas cenas, mostrando mais uma vez que é um ator notável, e Michael Fassbender, ator alemão que dá um show na cena do bar em Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino. Também é de se destacar o talento de Jennifer Lawrence, uma jovem atriz que foi indicada ao Oscar por Inverno da Alma, e mostra que, além de muito talentosa, é também uma das mais belas atrizes do momento.
Depois dos recentes Homem de Ferro 2 e Thor, X-Men: Primeira Classe é outro acerto da Marvel. Aliás, o maior acerto desde Homem-Aranha 2.  



Nota: 5 de 5

Título original: X-Men: First Class



Lançamento: 2011 (EUA)

Direção: Matthew Vaughn



Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Jennifer Lawrence, Rose Byrne


Duração: 132 minutos

Aventura





domingo, 5 de junho de 2011

O escapismo artístico e mental

Nunca fui dessa onda de me achar cult ou intelectual, mas confesso que nunca gostei da arte popularesca, ou seja, o que o povão muito aplaude me cheira a banal demais. O povão brasileiro em sua grande maioria adora novelas, filmes “sessão da tarde” e reality shows. Qualquer coisa que empurram goela abaixo, a maioria aceita. Certa vez, um amigo me disse que não se pode viver exclusivamente de filé, é preciso comer também carne de terceira pra assim descobrir que o filé é ainda melhor do que se pensava, e também conhecer outra categoria de mundo como forma de arte menor, ou escapismo. Percebi que isso é uma grande verdade. Vejamos um bom exemplo: Às vezes eu estou em um dia que não estou muito a fim de raciocinar demais, então deixo um pouco os filmes clássicos ou de arte de lado, e vou atrás de um cinema “escapista”, aqueles filmes que você assiste pra passar o tempo, mera diversão mesmo, sem nenhum compromisso de se fazer uma análise crítica maior, e também fugir um pouco da realidade, preferindo também filmes que não retratem tanto o nosso dia-a-dia. É somente nessas horas que filmes tipo a saga Crepúsculo ou Carga Explosiva por exemplo, são bem vindos, porque você não precisa queimar os neurônios, já vem tudo mastigado. Acho que é legal que se faça uma dosagem de vez em quando com o que é o filé e o que é carne de segunda ou terceira. Mas é claro que só de vez em quando, porque assimilar muita bobagem nos deixa sem noção crítica se a nossa intenção é obter um crescimento cultural. Claro que nem todo mundo pensa assim.
Mas convenhamos, há um limite até mesmo pra o que é “escapismo”. Logicamente não é nada louvável se ater a qualquer porcaria só porque se quer comer o osso de vez em quando. Por exemplo: você gosta de uma programação mais inteligente na TV (se é que existe inteligência na TV atualmente no Brasil), obviamente não vai ficar a tarde toda em frente da TV assistindo todas as baboseiras toscas daqueles programas de auditório no domingo a tarde, que ultrapassa todos os limites do bom senso e principalmente, de ruindade. Esses dias à noite, eu estava chegando em casa, quando vi um programa passando na TV (tem tempo que assisti algo na TV) e parei pra dar uma olhada. Era um programa de auditório muito ruim, mas ao menos era engraçado, onde, nem o apresentador, os calouros e muito menos os jurados se levavam a sério, talvez a graça maior esteja aí: saberem que o programa já é ruim e terem o bom senso de saber brincar com isso, sem se levar a sério, como fazem alguns “apresentadores” no domingo a tarde. Se for pra desleixar um pouco a mente, que seja pelo menos com algo que, mesmo que seja ruim, não seja ofensivo. Já assisti muita TV, hoje não me faz mais falta ficar em frente de uma TV, assimilando muita coisa que não presta. Lógico que há exceções, mas numa varredura geral, pouca coisa se salva. Até os telejornais de hoje são fracos, sensacionalistas demais, sempre com apelações pra ganhar da concorrência. O que vale na mídia hoje não é qualidade, é IBOPE.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Batman - A Piada Mortal



Em 1988, o aclamado escritor Alan Moore junta-se ao desenhista Brian Bolland para criarem a mais emblemática luta entre o bem e o mal nas histórias em quadrinhos (HQs) envolvendo um justiceiro mascarado (Batman) e um sádico criminoso (Coringa). Trata-se de Batman - A Piada Mortal (Batman – The Killing Joke), uma das HQs mais aclamadas por crítica e público. Nela, vemos o Batman descobrindo que o Coringa fugiu mais uma vez do Asilo Arkham, mas dessa vez a fuga traz conseqüências desastrosas para o homem-morcego. O Coringa em uma vingança contra o comissário Gordon, atira em sua filha Bárbara Gordon (ex-Batgirl), deixando-a paralítica, ao mesmo tempo em que tortura Gordon de várias maneiras, mostrando a este fotos horríveis com sua filha agonizando. Para o Batman, capturar o psicótico vilão dessa vez é questão pessoal. Em flashbacks, ficamos conhecendo o passado do Coringa, quando este era chamado Jack Napier, um artista circense que se envolve com mafiosos e vê sua esposa grávida morrer em um acidente. Napier, durante a fuga em uma ação criminosa que dá errado, acaba sendo perseguido pelo Batman e cai dentro de um tonel de produtos químicos, que o faz ficar com o rosto transformado. No presente, o Batman seguindo as pistas, chega até o Coringa, e começa aí um acerto de contas que terminará de forma inesperada.
Em A Piada Mortal, o Coringa tenta provar que um dia muito ruim na vida de um homem pode transformá-lo, pra pior. Nesse caso, ele queria ter certeza que o comissário Gordon, homem de confiança do Batman, se tornaria um psicótico quando passasse por torturas e humilhações e culminasse quando soubesse que sua filha foi brutalmente agredida e colocada para sempre em uma cadeira de rodas. Para Alan Moore, o Coringa nada mais é do que um reflexo de um passado atormentado e trágico. Assim como o Batman teve seus pais assassinados quando este era pequeno, ao crescer, adotou a identidade de um vigilante justiceiro e resolveu combater o crime, o Coringa agiu de forma contrária: ao passar pela tragédia, ele resolveu intensificar todo o horror, espalhando o caos para não “se sentir só” em seu pranto. O que temos aqui é uma história do Batman, porém com um foco centralizado no seu maior adversário.
O Coringa sempre foi o vilão mais insano das HQs. Em A Morte de Robin, ele tortura e mata o menino-prodígio. Em Asilo Arkham, ele está a frente de uma terrível rebelião daquele lugar sombrio. Em O Cavaleiro das Trevas, ele mostra que seu sadismo não tem limites, resultando em seu fim nas mãos do já cansado e velho homem-morcego.
O Coringa apareceu pela primeira vez nos quadrinhos, no ano de 1940, na primeira edição da revista própria do Batman, criação de Bob Kane e Bill Finger, que se basearam no ator Conrad Veidt ( O Gabinete do Dr. Caligari, Casablanca) no filme O Homem que Ri (de 1928). 


Conrad Veidt em O Homem que Ri (1928)

No cinema, o Coringa foi interpretado em 1966 pelo ator César Romero , no longa metragem Batman, o Homem-Morcego, estrelado por Adam West e Burt Ward (havia uma série cômica de TV no mesmo formato e com os mesmos atores). Em 1989, no filme Batman, o diretor Tim Burton (que tem A Piada Mortal como sua HQ preferida) colocou o ator Jack Nicholson na pele do Coringa, e lhe deu uma origem parecida com a da história de Alan Moore (somente a cena em que este cai no produto químico). O Coringa de Nicholson é debochado, irreverente (apesar de sádico também), diferente da imagem mais trágica criada por Alan Moore, e também por Frank Miller (em O Cavaleiro das Trevas). Em Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008), o ator Heath Ledger (falecido no mesmo ano) criou a imagem definitiva do Coringa, onde o mesmo é terrivelmente insano, porém estrategista; não se revela de onde ele veio ou pra onde ele vai. É uma caracterização incrível, que rendeu postumamente para Ledger cerca de trinta prêmios (entre eles o Oscar e o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante) num trabalho realmente notável. Na TV, em Batman: The Animated Series o Coringa é dublado pelo ator Mark Hamill (O Luke Skywalker da série Star Wars – Guerra nas Estrelas).


Cesar Romero em Batman, o Homem-Morcego (1966)


Jack Nicholson em Batman (1989)


Heath Ledger em Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008)


A Piada Mortal foi publicada e republicada aqui no Brasil diversas vezes, com cores refeitas pelo próprio desenhista Brian Bolland, substituindo o original feito por John Higgins, e chegando até a sair em preto e branco em uma das edições. História preferida de dez entre dez leitores, é uma obra inquietante, um verdadeiro marco no mundo dos quadrinhos.

Abaixo, a piada que o Coringa conta para o Batman, no final da história:



 "Tinha dois caras no hospício... Uma noite eles decidiram que não queriam mais viver lá... e resolveram escapar pra nunca mais voltar. Aí eles foram até a cobertura do lugar e viram, ao lado, o telhado de um outro prédio apontando pra lua... apontando para a liberdade! Então um dos sujeitos saltou sem problemas pro outro telhado, mas o amigo dele se acovardou... É, ele tinha medo de cair. Aí, o primeiro cara teve uma idéia. Ele disse:
-Ei! Eu estou com minha lanterna aqui. Vou acendê-la pelos vãos dos prédios e você atravessa sobre o facho de luz!
Mas o outro sacudiu a cabeça e disse:

- O que você acha que eu sou? Louco??? E se você apagar a luz quando eu estiver no meio do caminho?!"


terça-feira, 17 de maio de 2011

Infâmia



Em uma escola particular, uma aluna chateada (Karen Balkin), inventa para a sua avó (Fay Bainter) que duas professoras (Audrey Hepburn e  Shirley MacLaine) mantêm um relacionamento amoroso. A partir daí a rotina das acusadas muda drasticamente. O namorado de uma delas (James Garner) lhe dá apoio, mas aos poucos ele vai demonstrando insegurança, devido ao grande escândalo. A menina é neurótica, problemática, o que poderia fazer com que ela tenha inventado essa história, mas os fatos posteriores mostram que ela não está completamente errada.
O excelente diretor William Wyler refilma uma obra dele próprio, de 1936, baseada na peça da escritora norte-americana Lillian Helman. É um texto forte, maduro, bem avançado para a época, com toques psicológicos, tratando de um assunto que até então era raro nos cinemas no início dos anos 60: o homossexualismo.  
Infâmia é daqueles filmes que, se caísse em mãos de um diretor qualquer, resultaria em algo frio, esquemático, sem grande profundidade dramática. Mas Wyler não é um diretor qualquer, e sim um dos maiores gênios do cinema, que sabe conduzir como ninguém grandes atores em uma grande história, sem nunca se perder. Quando situamos esse filme em seu ano de produção (1961), percebemos que é uma obra que está além de seu tempo, porque diferentemente de alguns filmes da época que apenas contêm algumas conotações homossexuais, Infâmia apresenta uma gama de situações e conseqüências relacionadas diretamente ao homossexualismo. Para o expectador mais atento, ele verá de antemão que uma das professoras acusadas, Martha Dobie (MacLaine) apresenta uma atração no mínimo estranha, pela sua colega de profissão, ainda que nunca demonstre uma maior aproximação. A menina que cria toda a polêmica, é manipuladora e obsessiva, mas consegue tornar crível toda a situação, fazendo com que sua avó em certo momento diga para as acusadas: “Uma criança jamais inventaria tais coisas”. O que Wyler quer de fato mostrar não é se a menina está ou não inventando tudo, mas fazer um painel sobre duas vidas destruídas por algo que elas não vivem, afinal de contas, uma delas (Hepburn) está de casamento marcado. As acusadas se isolam no agora abandonado lugar de trabalho, e ali são alvos do desprezo das pessoas daquela cidade.  
O que Wyler não pôde fazer na primeira versão (lembrando que nos anos 30 vigorava o Código Hays, que censurava obras com teor homossexual, entre outros), ele conseguiu fazer em sua versão de 61, indo mais a fundo no texto de Lillian Hellman (que já foi casada com o famoso escritor Dashiell Hammett, autor de obras como O Falcão Maltês e A Ceia dos Acusados, que viraram filmes de grandes sucessos) apoiado em duas extraordinárias atrizes nos papéis principais. Lembrando que, Audrey Hepburn em seu primeiro grande filme em papel principal: A Princesa e o Plebeu, foi dirigida por Wyler. Esse conto de fadas metropolitano deu o Oscar para Hepburn e lhe abriu as portas para uma das carreiras mais brilhantes em Hollywood, em filmes como Sabrina, Cinderela em Paris, Uma cruz à beira do abismo, Bonequinha de Luxo, Charada e Uma Bela Dama (My Fair Lady), entre outros. Shirley MacLaine também teve uma bela carreira, começando em um filme de Alfred Hitchcock: O Terceiro Tiro, fazendo posteriormente entre outros, os aclamados Deus Sabe Quanto Amei, Se Meu Apartamento Falasse, Irmã La Douce, Muito Além do Jardim e Laços de Ternura (de 1983, que lhe deu o Oscar de melhor atriz). James Garner muito jovem faz o namorado de Hepburn, e Fay Bainter que interpreta a avó da menina, ganhou um Oscar de melhor atriz por Jezebel (1938), dirigido por Wyler.
William Wyler foi um diretor de carreira brilhante, muito requisitado por produtores e atores, todos queriam trabalhar com ele, porque sabiam que seus filmes eram sinônimos de qualidade. Foi ele quem ajudou a tornar Bette Davis uma das maiores estrelas do cinema, com filmes como Jezebel e A Carta. Em 1942, dirigiu o premiado Rosa de Esperança; em 1946 faria Os Melhores Anos de Nossas Vidas que lhe deu seu segundo Oscar de direção, mas ainda foi premiado mais uma vez nessa categoria, pelo épico Ben-Hur (1959, primeiro filme a levar 11 estatuetas da Academia). Wyler dirigiu em 1939 a melhor versão de O Morro dos Ventos Uivantes.
Em Infâmia, podemos perceber que o isolamento das duas professoras acusadas, e o preconceito que elas vivem, se assemelha bastante com a situação vividas pela mãe e irmã do personagem principal em Ben-Hur, no qual estando com lepra, se isolam no vale dos leprosos, em uma das seqüências mais emocionantes da história do cinema.
Infâmia é um filme no qual não há saída fácil, não procura solucionar os problemas, deixando que as duas personagens vão em busca de explicações do qual não há respostas, culminando em um final trágico. Indicado aos Oscars de atriz coadjuvante (Bainter), Direção de Arte, Figurino, Fotografia e Som.
Imperdível para quem busca um filme denso e atemporal.


Nota: 5 de 5

Título original: The
Children's Hour

Lançamento: 1961 (EUA)

Direção: William Wyler

Elenco: Audrey Hepburn, Shirley MacLaine, James Garner, Fay Bainter, Karen Balkin.

Duração: 114 minutos

Drama





domingo, 1 de maio de 2011

Aquela sensação de vazio

Você com certeza alguma vez em sua vida (ou muitas vezes) já sentiu uma sensação de vazio que lhe toma e lhe deixa mal. Um mal-estar que você sente, mas quando vai ver, não é febre, não é alteração de pressão arterial, não é fome, não é cansaço e nada que em uma rápida análise poderia representar um sintoma de algum problema mais visível. Rico, pobre, famoso, anônimo, europeu, asiático, alto astral, baixo astral, não importa o que a pessoa seja, ela tem tendência a sentir esse vazio que os médicos costumam chamar de depressão, síndrome do pânico, angústia, desespero, ansiedade, reclusão, saudade, tormento, ou qualquer coisa que de uma hora pra outra (ou vagarosamente, conforme cada caso) pode mudar seu astral de bom pra ruim. Pode variar de um simples mal estar, mudança de humor até a algo mais sério que necessita de ajuda. Ou seja, essa sensação de vazio é sinônimo de infelicidade, tristeza que nos sobrecarrega e maltrata. Faz parecer que a vida perdeu o sentido, que fomos abandonados, que já não há mais esperanças em nada. Há quem aponta para pessoas com tais problemas e diz-lhes que estes são fracos, que os mesmos “precisam” sair dessa, etc. (coisa de quem quer parecer melhor que os outros e aproveita um momento de fraqueza do próximo para criticá-lo, e com palavras duras se fingindo de “amigo”, acaba por tornar as coisas ainda mais difíceis pra quem passa por sérios problemas emocionais).
Quem sente um vazio dentro de si não é uma pessoa louca, desestruturada ou pior que os outros, é sim uma pessoa que porventura passa por problemas difíceis, pessoas que não conseguem achar o rumo de algumas coisas em suas vidas, seja na área financeira, no amor, na saúde, em uma perda, em alguma decepção, ansiedade, ou até mesmo sem motivo aparente. Em alguns casos, esse vazio vem acompanhado de sofismas (pensamentos indesejados, que podem variar de pequenas indagações e dúvidas até algo que nos impulsiona a fazer coisas que não queremos, sugerindo que você está derrotado e chegou ao seu final. Algo totalmente diabólico). Sofisma é algo muito perigoso, é preciso fugir disso. Quando você perceber que está vindo em sua mente pensamentos de morte, assassinatos, aberrações ou algo que lhe impulsiona a cometer o mal contra os outros ou contra você mesmo, procure ajuda, vá ao encontro de pessoas que você sabe que estão prontas para te ajudar. Em muitos casos o sofisma está interligado à área espiritual.
Alguns pastores mal preparados que estão por aí em busca de riquezas materiais, chegam perto de pessoas que se sentem vazias, e lhes dizem que as mesmas precisam passar por descarrego espiritual, que esse tipo de “doença” é coisa do demônio. Esses “pastores” só querem mesmo é lucrar em cima dos problemas dos outros. Não caia em conversinhas desses lobos em peles de ovelhas. Procure igrejas sérias, comprometidas de fato com a Palavra de Deus.
No campo da medicina, procure um especialista que possa lhe ajudar, e não deixe que esse tipo de problema cresça e tome todo o seu direito de viver uma vida dignamente apropriada.
Esse vazio pode representar algo momentâneo, mas pode também representar um sério problema de depressão. Se você sofre de tais problemas emocionais, e fica quieto, guardando somente pra si, isso só tornará tudo mais difícil, porque raramente algum familiar, amigo ou vizinho “adivinhará” que você está passando por determinados problemas. E o que se guarda, só causa um sufoco muito grande que vai lhe tomando por dentro, e lhe derrubando a cada dia que passa. Algo te incomoda? Ponha para fora, desabafe, impeça que sentimentos que te prejudica lhe cause um mal maior. A maioria das  pessoas, ao passarem por tais momentos de angústias, preferem ficar a sós. Não é nem por ser uma atitude “egoísta”, mas porque faz parte da patologia do problema, que tais pessoas procurem se isolar do mundo, isso faz com que elas sofram menos durante o doloroso processo que estão vivendo. Isso é normal durante os momentos de vazio? È. Porém, não significa que seja o mais apropriado a se fazer. Solidão nunca é sinal de felicidade, e se algo não te deixa feliz, consequentemente não te faz bem, e o que fazemos quando algo não nos faz bem? Procuramos cortá-lo pela raiz, não é mesmo?
Infelizmente, vivemos hoje em tempos difíceis, onde muita gente procura levar pelo lado da brincadeira esse tipo de situação. Em vez de tentar ajudar, ou até mesmo não atrapalhar se não puderem ajudar, procuram satirizar e fazer piadas com coisas sérias que estão bem acima de seus próprios entendimentos, sem nem ao menos pararem pra pensar que ninguém está livre de nada nesse mundo, ou como diz um ditado popular:
“Quando os meus males forem velhos, os de alguém serão novos.”
Quando você se sentir triste, desolado (a), fraco (a), evite ficar perto de pessoas que não lhe traga nada de bom, evite ver ou ouvir o que pode te causar melancolia, evite conversas tristes, não fale de coisas que remetam à saudades, coisas que ficaram para trás, situações que não voltam mais, de tal modo então é desnecessário ficar lembrando. Por mais difícil que seja, procure fazer um esforço e saia de casa um pouco, vá ver coisas boas, se distrair. Você só vai conseguir se sair desse problema que lhe causa um grande vazio, se você mesmo (a) fizer esforços pra passar por cima de tudo isso e superar essa fase tão difícil. Conheço pessoas que tiveram esses problemas, que conseguiram dar a volta por cima e hoje ajudam e aconselham pessoas que passam pelos mesmos sintomas. Preencha esse vazio só com coisas boas, e assim, consequentemente você viverá uma vida bem melhor.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Escola Teológica Mundial - Igreja Mundial do Poder de Deus

A Igreja Mundial do Poder de Deus em Vitória da Conquista - Ba promove um dos cursos teológicos mais completos do estado da Bahia. Um estudo completo para quem quer conhecer a fundo tudo que diz respeito aos diversos assuntos que envolve a Bíblia Sagrada. Com um grupo de professores profissionais, a Escola Teológica Mundial é um dos melhores cursos da área cristã. 



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Teologia cristã pode ser definida como as verdades fundamentais da Bíblia e de outras fontes reconhecidas como divinamente inspiradas apresentadas de forma sistemática; ou ainda, a filosofia que trata do nosso conhecimento de Deus e do relacionamento do Deus Altíssimo com o homem, compreendendo assim tudo quanto se relaciona a Deus, a Bíblia e os propósitos divinos.

Fonte: Wikipédia
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A Igreja Mundial do Poder de Deus fica localizada na Av. Brumado s/n, Urbis III, em frente ao Posto Vitória, em Vitória da Conquista - Ba.




CONTATOS: (77) 8821 5724 (77)  8823 2515
E-MAIL: ESCOLATEOLOGICAMUNDIAL@HOTMAIL.COM


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ações e reações em nossas vidas

Algo que aconteceu comigo essa semana me fez refletir que, a vida é cheia de atos e conseqüências, onde, a depender do que você fala ou faz, pode voltar para você de forma boa...ou ruim. Semana passada, por causa de um dessas “chateações egocêntricas” que nós temos, eu magoei uma amiga. Foi um ato que pra mim naquele momento parecia coerente, mas visto posteriormente, era mesmo fadado ao fracasso. Foi uma ação (fiz algo que foi mal-educado de minha parte, causando a ela um constrangimento), que me causou uma reação (ela ficou muito magoada e chateada, o que automaticamente me fez ver que agi estupidamente).
Jogue uma bola de ping pong sem muita força na parede, e você a pegará normalmente, porém, jogue-a de forma irracional, bem forte e talvez você não consiga pegá-la, podendo até mesmo lhe ferir. Nossas atitudes são assim também, se você faz algo bom, cultiva o que é bom (nem sempre é assim, concordo), mas se você faz algo ruim, cultiva o que é mau. Às vezes agimos de forma impensada, sem saber que podemos estar magoando pessoas que gostamos. 
Às vezes também, a gente com certa ingenuidade e inocência confia demais em quem na verdade não merecia nossa confiança. Confiar em quem mal conhecemos é uma ação que no fim das contas vem uma reação que nem sempre teremos chance de rebater.
Vou relatar algo que aconteceu comigo certa vez, sem citar os nomes dos elementos (nem merecem ter seus nomes publicados aqui). Eu trabalhava na rua, mas precisava ir ao escritório da empresa duas ou três vezes durante a semana pra terminar de preencher alguns boletins. Nisso, vi que estava trabalhando ali uma jovem que eu já conhecera cerca de uns dez dias antes quando fiz um trabalho cadastral em sua casa. Foi uma tremenda surpresa vê-la por ali. Fui me aproximando dela com o passar dos dias, até que em um desses dias, eu a convidei para sair. Ela ficou de “pensar”. Nisso, eu comentava pra um dos colegas que trabalhava no escritório, falava que estava gostando dela, contava-lhe que eu estava perto de conseguir levá-la pra sair. Ele me apoiava e dizia pra eu seguir em frente. Mas aos poucos fui percebendo as amigas dela me olhavam de maneira diferente, mas poderia ser impressão minha. Daí, numa determinada tarde, perguntei a ela se ela havia decidido sair comigo (fosse hoje, eu não daria dias pra pensar, isso foi bobagem de minha parte); a resposta dela foi: “É melhor não”. Não disse mais nada. Bom, o que eu tinha a fazer era somente acatar a decisão dela e cair fora. Passaram-se alguns meses, o trabalho acabou, a firma foi pra outra cidade. Nisso, eu conversando com um amigo meu do trabalho, acabei tocando no nome dessa jovem. Ele me disse que ela estava tendo um caso com um dos sujeitos que trabalhavam no escritório. Sabe o "colega" que, mais acima eu falei que contava sobre ela pra ele? Pois é.
Se eu tivesse ficado na minha, sem ficar comentando nada pra um elemento que eu conhecia muito pouco, apenas do trabalho, não teria aguçado nele curiosidade e pensamentos que provavelmente eram mais ou menos assim: “O que esse cara vê nessa mulher?", "Ela deve ter algo especial, vou ver o que é”. Não deu outra. Ela e o sujeito estavam tendo um caso, e o interessante é que por alguns meses, todos que trabalhavam nessa empresa sabiam...menos eu. Ainda bem que não me envolvi com ela, sendo assim não posso ser considerado um traído. Mas que aquilo me deixou muito chateado, deixou. Mas isso não foi nada mais nada menos que estupidez de minha parte. Talvez muita empolgação e pouca reflexão. Sair falando assuntos pessoais pra quem você mal conhece, nunca acaba bem. Foi uma ação que causou uma reação. Sigam meu exemplo e não caiam em erros desse tipo.
Conheço pessoas que ficam pedindo conselhos aos outros sobre que marca, modelo ou tipo de móveis, eletrônicos ou qualquer outra coisa elas devem comprar. Indo pela opinião dos outros, essas pessoas compram e depois se arrependem. Se for pra você se arrepender de alguma coisa, que seja por algo que você mesmo escolheu, e não porque seguiu opiniões alheias. Não digo se for em casos de, por exemplo, você quiser comprar digamos um notebook, e daí perguntar pra quem entende, qual modelo é melhor, processador, tamanho de memória, HD, etc. Você estará pedindo uma sugestão, é diferente.
Seja hostil com as pessoas, e você verá elas te abandonar. Seja amigável e você será alguém querido (pelos amigos verdadeiros, é claro). Jogue “pedras”, mas prepare um escudo pra você se defender das "pedradas" que consequentemente virão contra você. Fale mal das pessoas, mas esteja preparado para você ouvir falarem mal de você também. Se a vida já é difícil pra quem procura andar corretamente, sem fazer o mal, sem confiar nas pessoas erradas, sem desejar o mal pro próximo, sem agir de forma errônea, imagine então o que a vida reserva pra quem acha que pode sair fazendo tudo ao inverso.
Confia demais? Quebra a cara. Age de forma impensada? Sofra as conseqüências. Não dá valor ao que você tem de valioso, seja marido, esposa, namorado (a), noivo (a)? outros darão. Você não tem tempo pra seu filho? Então não espere que futuramente ele vá te agradecer pelas vitórias, pelo contrário, ele acusará você pelas derrotas. Não reconhece o que seu pai ou sua mãe faz por você? Sem problemas, eles te amam e amarão de qualquer forma, mas viverão com um aperto no coração chamado ingratidão. Corre atrás do que é ruim e prejudicial para a sua vida? Não haverá nenhum retorno positivo reservado pra você, apenas consequências ruins. Não tem consideração pelos seus amigos? Sem problema, eles têm outros amigos que os consideram. Não quer ser magoado? Então comece por nunca magoar ninguém. Quer alcançar seus objetivos? Ficar parado de braços cruzados não ajudará. Quer ser amado? Então comece a amar...e seja feliz.


quarta-feira, 30 de março de 2011

Os Pássaros




Para fazer uma surpresa a um recém conhecido, mulher vai até uma pequena cidade entregar um casal de periquitos. Chegando lá, ela se depara com pequenos ataques de pássaros, mas à medida que o tempo passa, as aves começam a agir de forma mortal, causando pânico e destruição.
Parece estranho, mas o que citei acima foi a sinopse de um filme de Alfred Hitckcock, diretor acostumado a utilizar seres humanos como vilões, mas que em Os Pássaros resolveu radicalizar, surpreendendo o mundo inteiro com esse que foi um de seus maiores sucessos de bilheteria. É interessante ressaltar que se trata aqui do último grande filme do mestre do suspense. Posteriormente ele faria bons filmes como Marnie – Confissões de uma Ladra e Frenesi, mas nada que se compare às suas grandes obras-primas.
Baseado em um livro de Daphne Du Maurier (a mesma autora de Rebecca, também filmado por Hitchcock em 1940), Os Pássaros é um dos filmes mais complexos e cheios de ambigüidades da história do cinema.
Quando Melanie (Tippi Hedren) chega à pequena cidade de Bodega Bay, acontece o primeiro ataque justamente com ela, quando é atacada dentro de um pequeno barco, depois os ataques não param mais, seja em uma festa de aniversário, seja contra os alunos saindo da escola, e, entre outros, quando algumas pessoas estão em uma lanchonete e um posto de gasolina ali ao lado é brutalmente atacado pelos animais,culminando depois no ataque final, quando o namorado de Melanie, Mitch (Rod Taylor), sua irmã Cathy (Veronica Cartwright) e sua mãe Lydia (Jessica Tandy) ficam presos na casa, sob o ataque feroz das criaturas.
Se Os Pássaros fosse feito por um diretor qualquer, veríamos um filme cheio de destruição e gente alarmada por todos os lados. Mas Hitchcock não era um diretor qualquer, mas um gênio que sabia como ninguém como provocar medo nas pessoas.  Pra isso, ele não teve pressa em recorrer ao caos que se estabelece ali naquela cidade, optando primeiramente em nos mostrar um pouco sobre cada um dos personagens principais, entre eles, além de Melanie, Mitch, Lydia e Cathy, temos também a jovem professora Annie (a bela Suzanne Pleshette), uma antiga namorada de Mitch. Muita coisa em Os Pássaros é mais sugerido do que mostrado, para que nós mesmos tiremos nossas próprias conclusões. É interessante perceber que tudo parece acontecer depois da chegada de Melanie à cidade, um exemplo é o fato de a protagonista sempre estar com uma roupa verde (a cor dos periquitos que ela carrega no início), quando tem algum ataque dos pássaros, ela sempre está por perto, e em uma cena um habitante da cidade diz que tudo aconteceu depois de sua chegada.
Hitchcock sempre foi um diretor preocupado não em criar mistérios, mas em manter o suspense, mas aqui ele não deixa pistas do que teria causado a reação violenta das aves, e nem dá um desfecho definitivo, terminando em aberto, nem mesmo o “The end” (tão usado na época) aparece nesse filme.
O inglês Hitchcock sempre procurou ser antes de tudo versátil, não em gêneros, mas dentro das propostas do que queria mostrar em seus filmes. Em O Inquilino (1926), um de seus primeiros filmes em sua fase inglesa, ela cria um interessante enredo sobre um criminoso que lembra bastante Jack, o estripador. Em 1935, no clássico Os 39 Degraus, ele faz com que Robert Donat seja alvo de uma conspiração, uma das primeiras de suas obras em que ele fala sobre o “falso culpado, um homem que leva a culpa por algo que não cometeu, algo que seria visto com mais abrangência em A Tortura do Silêncio (1953, com Montgomery Clift), O Homem Errado (1957, com Henry Fonda) e Intriga Internacional (1959, com Cary Grant). Entre suas mais famosas obras estão: Rebecca – A Mulher Inesquecível (1940, seu primeiro filme norte-americano, vencedor do Oscar de melhor filme e fotografia, estrelado por Laurence Olivier e Joan Fontaine), Quando Fala o Coração (1945, com Gregory Peck e Ingrid Bergman), Festim Diabólico (1948, com James Stewart e Farley Granger), Pacto Sinistro (1951, com Farley Granger e Robert Walker), Disque M para Matar (1954, com Grace Kelly e Ray Milland), Janela Indiscreta (1954, com James Stewart e Grace Kelly), O Homem que Sabia Demais (1956, com James Stewart e Doris Day), Um Corpo que Cai (1958, com James Stewart e Kim Novak) e Psicose (1960, com Anthony Perkins, Janet Leigh e Vera Miles, tido por muitos como seu melhor filme). Hitchcock teve cinco indicações ao Oscar de melhor direção, mas nunca ganhou.
Os Pássaros é um filme-chave para quem quer entender a obra cinematográfica de Hitchcock, é também uma aula de como se fazer cinema. Um estudo elaborado da relação homem-natureza, onde fica sempre claro que uma vez mantidos presos, é hora dos pássaros inverterem a situação contra os humanos. A cena final em que os protagonistas são atacados pelos pássaros dentro de casa, é um primor de técnica, uma façanha magistral em que Hitchcock dispensa trilha sonora (aliás, o filme inteiro não se ouve nenhuma trilha) e mostra todo o suspense através dos ataques dos pássaros e as reações daquelas pessoas. A atriz Tippi Hedren (mãe da também atriz Mellanie Griffith) é o único ponto fraco da obra, sem muita experiência, ela não é tão convincente em seu papel, mas seria usada novamente pelo diretor um ano depois em Marnie – Confissões de uma Ladra.  O final em aberto é uma das cenas mais aterrorizantes da história do cinema. Os Pássaros concorreu ao Oscar de efeitos especiais, mas perdeu injustamente para a super-produção Cleópatra. Os Pássaros é um filme magistral, uma obra-prima de um dos maiores gênios da história do cinema.


Nota: 5 de 5

Título original: The Birds

Lançamento: 1963 (EUA)

Direção: Alfred Hitchcock

Elenco: Rod Taylor, Tippi Hedren, Jessica Tandy, Veronica Cartwright, Suzanne Pleshette.

Duração: 114 minutos

segunda-feira, 7 de março de 2011

O tempo


Quando morei em Feira de Santana, aqui na Bahia, eu fazia cadastramento imobiliário. Nosso trabalho era medir o imóvel e desenhar sua forma no papel. Algo de certo modo nada simples de se fazer, mas eu havia me tornado experiente naquilo desde que trabalhei aqui em Vitória da Conquista, no mesmo ramo. Quando eu e meu auxiliar terminamos o trabalho em uma das casas, pedimos a carteira de identidade da dona do imóvel para terminarmos todo o processo. A senhora que nos atendia nos pediu pra esperarmos na sala de estar que ela iria pegar a RG. Detalhe: Não era ela a dona da casa. Ela entrou em um quarto e trouxe uma senhora bastante idosa em uma cadeira de rodas. Aquela senhora chamada Ana deveria beirar seus noventa e tantos anos de idade. Quando me mostraram o documento de identidade dela, tive uma estranha sensação naquele momento. Aquele documento era dos anos 30, onde aquela velha senhora estava com seus 23 anos, rosto cheio, cor profunda que o preto e branco deixava transparecer, uma vida plena. Eram duas fotos, uma de lado e outra de frente, coisa de documento bem antigo. E eram fotos colegiais. Blusinha com detalhes diferentes, gola pólo, saia um pouco acima dos joelhos. Confesso que entrei no mundo daquela jovem estudante, admirei sua beleza, sua formosura, seus encantos, era como se eu me apaixonasse por ela, por sua época, por tudo aquilo que a cercava e a representava. Enquanto eu anotava os dados contidos naquele documento, eu me deixava levar pela mágica da memória, dos pensamentos. Me via ali naquele colégio imaginado por mim, vendo-a jogar bola com as amigas, imaginando ela ali sentada na sala de aula, prestando atenção no que a professora ensinava. Quando precisei voltar ao mundo real, entreguei a carteira de identidade pra senhora que nos atendeu e tive uma brusca sensação de estranheza quando coloquei novamente meu olhar naquela senhora debilitada ao meu lado. Eu de certo modo me recusava a ligar os fatos que ela e aquela jovem da foto eram a mesma pessoa, uma diferença de mais de 70 anos entre elas. 70 anos de diferença é muito tempo quando você vê uma foto de uma pessoa e a mesma ali perto de você. A Ana de hoje era uma mulher praticamente sem vida, um olhar apagado, totalmente imóvel naquela cadeira de rodas. Mas durante esses mais de 70 anos o que ela teria feito em sua vida? Se casou, teve filhos, netos, bisnetos, se realizou profissionalmente, viajou pra onde queria? Em contrapartida, também pode ter sofrido muito, pode ter passado por inúmeras frustrações, dores, lutas. Mas uma coisa é certa, ela viveu sua vida. Ali naquela cadeira, debilitada e mal se mexendo (acredito que já estivesse perto da morte), Ana talvez não se lembrasse mais de quase nada em sua vida. Talvez as lembranças se evaporaram e só tenha lhe sobrado a espera dos momentos finais.
Isso me fez perceber como a vida passa, como não devemos deixar as oportunidades irem embora, como devemos aproveitar as melhores coisas que chegam em nossas vidas. Desperdiçá-la é um erro. Deixar levar por timidez que atrasam nossas vidas, só nos faz ficar arrependidos, porque deixamos que isso nos limite, deixamos que nossas fraquezas nos diga que somos incapazes de fazer coisas que seriam fáceis pra qualquer pessoa, mas que pra nós mesmos são coisas inalcançáveis. Devemos parar de sofrer por amor, não amar alguém que nem se lembra mais que existimos. Não procurar nos sentir pra baixo quando sabemos que tudo é questão de acordar com o pé direito e partir pra luta, encarar os desafios, as adversidades da vida, por mais que todo esforço pareça difícil, até mesmo impossível. Conheço histórias de pessoas com mais de 70 anos que, foram acordar pra vida agora, e só agora se dão conta de que não devem nada a ninguém e que podem sim ser felizes sem precisar dar satisfações do que fazem. Viver bem a vida não é sair por aí praticando atos de mundanismo, enchendo a cara, pisando firme no acelerador, achando que a vida é curtição e prazeres. Devemos amar e ser tementes a Deus, porque se assim não o fizermos, lá se vai tudo embora. Devemos saber viver a vida de forma digna, lembrando que o caráter, a dignidade, ninguém tira da gente. Às vezes somos incapazes de enxergar o que a vida tem de bom a nos oferecer, e ficamos amarrados a tantas bobagens que só fazem nos atrasar.
Nem todo mundo tem a oportunidade de Ana: viver quase cem anos.
Quando eu era garoto, uns 8 a 9 anos de idade, me lembro de ter chegado na escola que eu estudava, e estar ocorrendo algo diferente ali. Havia acontecido um acidente de carro gravíssimo com uma das alunas (sua idade deveria ser de 7 a 8 anos). Ela tinha cabelos curto, parecia uma daquelas bonequinhas fofolete. Parte da família se não me engano havia morrido no acidente, e ela estava mal, em coma. A diretora durante os próximos dois ou três dias nos reunia no pátio pra orarmos por aquela menina. Me lembro que depois desses dois ou três dias, fui a um mercado comprar um lápis. Quando eu ia em direção à escola, um colega me viu no caminho e me disse: “Não haverá aula, nossa coleguinha faleceu”. Nossa, pra mim aquilo foi um tremendo susto. Talvez não deveria ter sido porque ela estava em estado gravíssimo, mas eu não era acostumado a receber notícias de crianças que nos deixava. Eu sabia que pessoas velhas partiam, mas eu, na minha mente de criança, não esperava que uma pessoa assim tão novinha pudesse ir pra sempre. E eu me lembrava dela, era como se eu a visse todos os dias correndo com os coleguinhas. Ela gostava tanto de correr, brincar, era muito alegre, tão cheia de vida, mas quis Deus que pra ela a vida se resumisse a apenas 8 anos aqui na terra.
Isso começou a me preparar para as coisas tristes que viriam na vida. As perdas que tive, as amarguras pelas quais passei, os arrependimentos de tudo que eu deveria ter feito, mas não fiz. Não só eu, mas todo mundo passou, passa e passará por felicidades e tristezas em suas vidas. O que precisamos fazer é estar em pé, marchando firme nessa vida, deixar que o tempo não seja desperdiçado, mas que seja aproveitado ao máximo, com coisas boas, pensamentos agradáveis, atitudes que nos faça crescer como seres humanos. Não desistirmos dessa busca incessante pela felicidade.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Um balanço do Oscar 2011

Antes de qualquer coisa, eu gostaria de expressar aqui a minha frustração com a TV brasileira, no caso aqui a Rede Globo e seu tremendo descaso com seus telespectadores. Quem não tem TV por assinatura se dá mal mesmo. Sabendo-se que o Oscar é só uma vez por ano, essa rede de TV poderia muito bem adiantar as programações do domingo, para que as pessoas pudessem assistir a transmissão do Oscar na íntegra. Mas o que vimos foi a premiação mais famosa do mundo começar a ser exibido quando não tinha mais graça, depois da meia-noite. Se é pra esculhambar, porque não passa os direitos de transmissão do Oscar pra outro canal de TV? E o pior de tudo é que, a programação que “impede” a transmissão do Oscar mais cedo é o descartável Big Brother Brasil. Até nisso o Brasil mostra atraso. Um absurdo. Mas vamos deixar isso pra lá. Esses tipos de atitudes mesquinhas de redes de TV nem merecem nossa atenção. Vamos ao que interessa.

Os premiados:

Melhor filme:
O Discurso do Rei
Um filme quadradinho, muito comportado, do jeito que a Academia gosta. Logicamente o Oscar parece não estar preparado ainda pra premiar filmes originais e ousados como A Origem, Cisne negro ou A Rede Social.

Melhos direção:
Tom Hooper por O Discurso do Rei
David Fincher ficou de mãos vazias. Decidiram premiar o que era mais convencional. Não que Hooper não seja bom diretor, mas esse ano era de Fincher.

Melhor roteiro original:
O Discurso do Rei
Onde é que o roteiro de O Discurso do rei é melhor do que o de A Origem? Uma das maiores injustiças da noite.

Melhor roteiro adaptado
A Rede Social
Justo e merecido.

Melhor ator:
Colin Firth por O Discurso do Rei
Firth já havia levado todos os prêmios anteriores (Globo de Ouro, Sag, Bafta), e só lhe faltava o Oscar.

Melhor atriz:
Natalie Portman por Cisne Negro
Quem assistiu Cisne Negro, viu a a complexidade da personagem interpretada por Portman. Super merecido.

Melhor ator coadjuvante:
Christian Bale por O Vencedor
Bale já merecia atenção da Academia por filmes como Psicopata Americano, O vencedor e O Sobrevivente. Nesse aqui mais uma vez ele está ótimo.

Melhor atriz coadjuvante:
Melissa Leo por O Vencedor
Um belo trabalho de uma atriz bastante versátil. Merecido.

Melhor animação:
Toy Story 3
De fato um ótimo filme. Merecido.

Melhor fotografia:
A Origem
Inesperadamente, A Origem foi premiado nessa categoria. Mas é justo.

Melhor direção de arte:
Alice no País das Maravilhas
Achei que fosse pra O Discurso do Rei, mas aqui não foi injusto, uma vez que a direção de arte é um dos poucos pontos positivos desse filme.

Melhor figurino:
Alice no País das Maravilhas
Outro que achei que era pra O Discurso do Rei, e outro que é um dos poucos pontos positivos desse filme. Foi justo.

Melhor trilha sonora:
A Rede Social
Um bom trabalho. Merecido.

Melhor canção original:
Toy Story 3
A canção We Belong Together é legal.

Melhor montagem:
A Rede Social
Merecido.

Melhores efeitos visuais:
A Origem
Super merecido. Um excelente trabalho, um dos melhores dos últimos anos.

Melhor mixagem de som:
A Origem
Merecido.

Melhor edição de som:
A Origem
Merecido.

Melhor maquiagem:
O Lobisomem.
O filme é fraco, mas a maquiagem é boa. Merecido.


Outros prêmios:

Filme estrangeiro:
Em um Mundo Melhor (Dinamarca)

Documentário
Trabalho Interno

 
Documentário Curta-metragem
Strangers No More

 
Curta-metragem (Live Action)
God of Love


Curta-metragem de Animação
The Lost Thing


O melhor momento da noite de entrega do Oscar 2011 foi quando o veterano ator Kirk Douglas entrou no palco para entregar um dos prêmios.



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O amor ontem e hoje

Faz um bom tempo que eu estava na casa de uns amigos de nossa família. Era um domingo, e havíamos sido convidados para um almoço. Como eu não gosto de ficar muito tempo em um único ambiente, saí na porta e fiquei ali na frente da casa. Nisso, vi uma senhora idosa na porta de uma casa ao lado. Ela me perguntou se eu era parente daquele pessoal. Sei que, entre uma conversa e outra, ela me disse algo em tom emocionado, do qual nunca vou me esquecer. Na síntese o que ela me disse foi o seguinte:

Sabe? Eu fico aqui em minha casa, e me pego pensando na vida. Lembranças que vão e que vêm. Meus filhos me visitam, amigos meus me visitam, familiares e vizinhos me fazem visitas, mas te confesso uma coisa: nenhum deles preenche a falta que meu marido amado me faz. Vivemos juntos há mais de 50 anos, e desde que ele se foi, vivo aqui com ele em minhas lembranças. Sinto muita falta dele.

Posso dizer sem muita exatidão, mas com toda a certeza que essas palavras faladas por essa senhora, foi há mais de 15 anos, e creio que hoje ela já não esteja mais aqui. Foram palavras sinceras, emocionadas, como poucas vezes já ouvi alguém dizê-las. Além de, ela ter se referido a um grande e verdadeiro amor, ela meio que indiretamente também quis dizer que o amor nos dias atuais não era mais o mesmo (diga-se naquela época, 15 anos atrás). Porém, eu jamais esperava que aquilo fosse uma espécie de profecia, onde eu jamais me dava conta do que estava por vir, ou seja, perceber que o amor de 30, 40, 50 anos atrás era um amor real, mas que ficou pra trás, e que nos dias de hoje é apenas fumaça ao vento.
Não digo com isso que não existam pessoas que ame, na verdade não existem pessoas que dê valor àquele que ame. Dificilmente você vai gostar de uma pessoa e essa pessoa vá te corresponder pelo menos 50%. Há exceções, é claro, mas no geral o que vemos hoje são casais que estão juntos hoje, mas amanhã não estão mais.
Alguém diz hoje pra você que te ama muito, etc. e tal. Mas amanhã essa mesma pessoa já está de olho em outro alguém. Resumindo: Parece que só se fica junto hoje em dia na falta de alguém “melhor”, na falta de outras oportunidades.
Um amigo meu, aliás, conhecido meu, se casou faz tempo com uma adolescente de 13 anos. Sim, a estúpida família da moça que mora numa roça autorizou o casamento, certamente pra se ver livre de mais uma “boca” a ser sustentada. Esse conhecido meu na verdade tinha outros planos, ele se casou com essa adolescente certamente pra fazer o que ele queria fazer, e depois aproveitou a ingenuidade e falta de experiência dela, e começou a sair com outras mulheres. O processo aí foi simples e astucioso ao mesmo tempo. Vamos analisar os fatos e chegaremos lá: Malandro da cidade grande chega em um pequeno povoado e joga a lábia em menina nova, depois chega para os pais da mesma e a pede em casamento. Os pais, que em alguns casos são até certo ponto ignorantes (em todos os sentidos da palavra), concedem a vista do passaporte do malandro para sua plena felicidade (não a felicidade da menina, essa é aquela que no final das contas só vai servir pra ser escrava sexual e doméstica de homem canalha). Infelizmente casos assim continuam acontecendo no mundo todo. Em vez de se casarem por amor, muitas mulheres novas se casam (forçadamente) por interesses dos próprios pais.
O que mais chama a atenção no quesito amoroso, é que, toda pessoa romântica demais acaba não dando certo no amor. Parece que tanto sacrifício para agradar a pessoa ao lado é em vão. Não se tem o mesmo em troca. Vou repetir o que eu já disse em outros tópicos: o ser humano parece se agradar mais daquelas pessoas que as maltrata, de certo modo até mesmo indiretamente, quando não diretamente. É algo na linha: “Quanto mais eu piso nele (a), mais ele (a) gosta de mim”.
Se você é uma mulher e descobriu que seu namorado era o maior dos pilantras, ele mentiu pra você, te traiu e te enganou, e obviamente você terminou o relacionamento (se não terminasse, você merece tudo de ruim que ele faz com você), pode ter certeza que o canalha um dia sem mais nem menos vai te rodear novamente, se fingindo de “mudado”, dizendo que agora é outra pessoa, blá, blá, blá e tentar de tudo pra te ganhar na conversinha mole. Se você for uma mulher esperta, experiente e principalmente que se dá valor, não vai cair nessa. Se ele te pedir perdão, porque não perdoá-lo? Isso é bíblico. Mas não vá cair nos papos desses malandrecos espertos que só querem voltar a se aproximar de você depois que outras mulheres deram um tremendo chute neles. Fuja do mal em suas vidas. Cair nessas lorotas é coisa de mulher desesperada que acha que não vai mais arrumar alguém, ou não tem amor-próprio. Simplesmente perdoe e mande-o seguir a vida dele e você segue a sua, um bem longe do outro. Ou você vai confiar novamente em alguém que te fez sofrer? Sendo que, seria de certo modo muito difícil haver confiança, uma vez que, seu subconsciente não te deixaria em paz, achando sempre que o malandro está com outras por aí quando ele demorar de chegar em casa. Se quiser aceitá-lo de volta, é por sua conta e risco, porque no final de tudo quando ele voltar a aprontar com você (dessa vez ainda pior), todos chegarão pra você e dirão: “Mas você entrou nessa novamente foi porque quis, já sabia que iria acabar nisso”.
Nos dias de hoje, relacionamento amoroso é uma loteria, onde a pessoa entra já sabendo dos riscos. Mas é preciso ser forte e encarar um relacionamento, porque ninguém ficou pra viver só. Não um relacionamento que já está fadado ao fracasso, ou retorno de ex-namorado medíocre que só quer se aproveitar de você, mas um relacionamento com uma pessoa que a princípio te pareça legal e confiável. Se não der certo, coloca pra vazar de sua vida e siga em frente. 


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Oscar 2011 - Os 10 filmes indicados ao prêmio máximo



No próximo domingo dia 27, teremos mais uma entrega do Oscar, o prêmio máximo do cinema mundial. É a 83º edição do prêmio, e dessa vez como não poderia deixar de ser, temos filmes, atores, diretores e técnicos justos e outros nem tanto concorrendo ao prêmio mais cobiçado da Sétima Arte. Vamos analisar um pouco os possíveis vencedores às várias categorias, entre os 10  indicados ao prêmio de melhor filme.

São eles:

Cisne Negro:
Uma bailarina vai aos limites quando lhe é dado os dois papéis principais de A Valsa dos Cisnes.
O filme mais controverso da lista, Cisne Negro foi elogiado por muitos, mas alguns o rejeitaram por causa de seus elementos surreais e até mesmo bizarros. Mas na verdade se trata de uma obra diferente. É pra quem procura fugir do convencional e quer embarcar em algo mais visceral. Concorre a melhor filme, diretor (Darren Aronofsky), atriz (Natalie Portman), fotografia e montagem.
Natalie Portman é a favorita a melhor atriz.


O Vencedor:
Ex-boxeador fracassado tenta treinar o irmão e fazer dele um campeão nos ringues.
Partindo de uma história real, é um bom drama que mexe com assuntos familiares, superação e a perda das oportunidades. Traz um bom elenco, em especial os coadjuvantes. É um interessante drama otimista, cheio de nuances sentimentais. Concorre a melhor filme, diretor (David O. Russel), ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro original e montagem.
Christian Bale e Melissa Leo são os favoritos a melhor ator e atriz coadjuvante, respectivamente.


A Origem:
Equipe precisa implantar uma idéia nos sonhos de um milionário, mas essa missão não será nada fácil.
Meu preferido da lista, A Origem é o filme mais original e empolgante dentre os indicados. Trata-se de mais uma obra-prima de Christopher Nolan (Amnésia). Mas perde chances de ganhar a melhor filme quando injustamente ficou de fora como melhor diretor. Concorre a melhor filme, roteiro original, direção de arte, fotografia, trilha sonora, edição de som, mixagem de som e efeitos visuais.
É favorito nas categorias de efeitos visuais, edição de som e mixagem de som. Pode vir a ganhar como roteiro original também.


Minhas Mães e Meu Pai:
Casal de lésbicas é surpreendido quando seus filhos procuram seu pai biológico.
O filme mais discutível entre os indicados, Minhas Mães e Meu Pai na verdade se sustenta mais é na interpretação dos atores do que na história em si, sem contar que termina de forma incoerente. Concorre a melhor filme, atriz (Annette Bening), ator coadjuvante (Mark Ruffalo) e roteiro original.
Annette Bening é a maior rival de Natalie Portman como melhor atriz, ainda assim não tem fôlego pra ganhar.


O Discurso do Rei:
O rei George da Inglaterra recorre a um especialista para lhe curar a gagueira, no início da Segunda Guerra Mundial.
Esse é o filme que mais tem cara de “filme do Oscar”, bons atores, boa direção e uma história de amizade e superação. Se ganhar não é injusto, porém é mais um filme com a velha fórmula de filmes sobre a monarquia inglesa, assunto que não agrada a todos. Concorre a melhor filme, direção (Tom Hooper), roteiro original, ator (Colin Firth), ator coadjuvante (Geoffrey Rush), atriz coadjuvante (Helena Bonham Carter), fotografia, montagem, direção de arte, figurino, trilha sonora e mixagem de som.
Pode roubar os Oscars de filme e direção do favorito A Rede Social, e também roteiro original de A Origem. É favorito a melhor ator (Colin Firth), fotografia, direção de arte e figurino.


127 Horas:
Um montanhista tem seu braço preso em uma rocha e fica ali 5 dias até que precisa tomar uma difícil decisão.
Esse é o filme que causou as mais diversas sensações por onde foi exibido. Trata-se de uma forte e amarga história real. Um filme que seria mais difícil se não fosse pelo talento do diretor Danny Boyle em criar um clima de descontração em meio à tragédia do protagonista. Concorre a melhor filme, ator (James Franco), roteiro adaptado, trilha sonora, canção e montagem.
Seria legal se James Franco ganhasse como melhor ator, mas Colin Firth é o favorito nessa categoria.


A Rede Social:
A história real do criador do Facebook, um dos maiores sites de relacionamento do mundo.
Estamos diante de um filme sem ação ou adrenalina, baseando-se apenas em diálogos e situações, mas trata-se de um verdadeiro triunfo do diretor David Fincher (Seven). É uma obra que fala de ambição, traição, inveja e principalmente sobre o poder do dinheiro nas mãos de jovens estudantes. Concorre a melhor filme, direção, ator (Jesse Eisenberg), roteiro adaptado, fotografia, montagem, trilha sonora e som.
É o favorito (ao lado de O Discurso do Rei) a melhor filme e direção. Favorito também a roteiro adaptado, montagem e trilha sonora.

 
Toy Story 3:
Terceira aventura dos brinquedos mais divertidos dos últimos tempos. Dessa vez eles são abandonados e separados pelo seu dono.
Maior bilheteria de 2010, Toy Story entra na disputa como melhor filme. É a terceira animação da história a concorrer ao prêmio máximo. É uma divertidíssima aventura que agradou a críticos e público no mundo todo. Concorre a melhor filme, roteiro adaptado, animação, edição de som e canção.
Ainda que não tenha muitas chances de ganhar como melhor filme, é favorito absoluto a ganhar como melhor animação.  


Bravura Indômita:
Uma adolescente contrata um velho pistoleiro pra caçar e prender o assassino de seu pai.
Inesperado grande sucesso dos irmãos Coen (o maior de suas carreiras). É um remake do clássico homônimo de 1969 que deu o Oscar de melhor ator a John Wayne. Depois de quase 20 anos, é o primeiro faroeste a fazer uma grande bilheteria. É um filme muito bem realizado, mas injustamente roubou a vaga de direção de Christopher Nolan por A Origem. Concorre a melhor filme, direção (Irmãos Coen), roteiro adaptado, ator (Jeff Bridges), atriz coadjuvante (Hailee Steinfeld), fotografia, direção de arte, figurino, edição de som e mixagem de som.
A jovem atriz Haille Stenfeld que é a protagonista mas inexplicavelmente concorre a coadjuvante, tem uma presença luminosa, mas não tem chance contra melissa Leo (por O Vencedor).


Inverno da Alma:
Pra não perder sua casa, uma adolescente precisa a todo custo encontrar seu pai. O Problema é que isso lhe causará problemas.
Todo ano o Oscar escolhe um filme “independente” pra concorrer a melhor filme, e o filme escolhido esse ano é Inverno da Alma. É um filme que se concentra basicamente no olhar de cada ator em cena. Trabalha-se muito aqui com os sentimentos e as conseqüências do passado obscuro e a terrível tentativa de trazê-lo à tona. Na verdade é uma obra fria e distante, mas com um ótimo elenco.
Este é o que se chama de filme-zebra, poucos apostam nele, mas pode vir a surpreender nas premiações. Embora eu acredito que vá sair de mãos vazias.


Confesso que nos dois últimos anos, não me agradei dos vencedores a melhor filme e algumas outras categorias. Espero que nesse ano haja uma maior coerência por parte da Academia e que resolvam premiar quem realmente merece. 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Balzaquiana


O escritor francês Honoré de Balzac (1779-1850) ao escrever seu famoso livro A Mulher de Trinta Anos, não imaginava que essa obra lhe ajudaria a ficaria imortalizado não apenas como escritor, mas seu próprio nome sendo referência a um tipo de mulher de nosso tempo. Balzaquiana assim como a personagem do livro citado, diz respeito à mulher que está com trinta anos (e acima) e que depois de “trintona” descobriu a intensidade do amor e da vida. Seriam mulheres que, depois de várias experiências (boas e ruins), descobrem que a referida idade lhes chega como um presente, um novo sentido, um autodescobrimento.
A mulher quando chega aos trinta anos, não descobre apenas uma nova vida, mas descobre também as frustrações, os dilemas, os anseios, as normas (a serem quebradas), o descontentamento com (e de) muitas coisas, a vontade de acertar e também de corrigir o que errou. Como em toda a regra há exceções, também existem mulheres que ao chegarem à casa dos trinta se entregam aos problemas, outras começam a se desvalorizar, há aquelas que são assustadas pelo fantasma do tempo (diga-se idade avançando, uma bobagem, todo mundo envelhece), há também aquelas que perdem totalmente a direção de suas vidas e começam a viver desordenadamente (conheço algumas assim).
Mas em boa parte, a mulher balzaquiana se torna uma mulher mais amadurecida, disposta a tornar-se cada vez mais uma pessoa melhor. Muitas delas se tornam independentes, longe dos conceitos de “Amélia”, mulheres que preferem criar sozinhas seus filhos a teimarem em viver ao lado de maridos cretinos. Sempre admirei a verdadeira mulher, aquela que vai à luta e não fica dependendo do marido, aquela que sabe a hora certa de dizer sim e não, aquela que não abaixa a cabeça pra homem algum, aquela que se valoriza e ama mais a si própria do que a seu companheiro, aquela que sabe o verdadeiro sentido do que é amar e ser amada.
Se nem tudo são flores depois dos trinta, há de se concordar que muita coisa melhora para as mulheres que começam com essa idade: a conviver com a experiência de vida, a não cometerem erros do passado, a encararem a vida com mais naturalidade, a não confiarem tanto, a tomarem mais decisões acertadas, a serem mais exigentes no que diz respeito a seus direitos, a se olhar no espelho e dizer: “Eu sou linda” e “Eu posso”.
Depois dos trinta, a mulher é invejada. Vida longa às balzaquianas. 



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Despedida

Caramba, fui levar agora a pouco em um ponto de ônibus uma pessoa que eu gosto muito, mas quando ela entrou no ônibus, tive a sensação ainda maior que aquele momento seria o último que eu a veria. Ela vai viajar, ir embora pra longe. Ela me abraçou, e entrou no ônibus, fiquei com aquela sensação de que estava perdendo algo. 
Quando vim embora pra casa, senti um aperto, como se tivesse implodindo algo dentro de mim, sem conseguir colocar pra fora. É um momento bastante triste. Eu fingindo por fora estar tudo bem, dizendo olá para as pessoas nas ruas, mas meu interior não correspondia a isso. 
Seria bom se não precisássemos despedir de quem a gente gosta. No meu caso, eu preferiria que se passasse uma borracha em minha cabeça, sem ter que encarar esse momento difícil. 
Ela disse “tchau”, mas eu sabia que era um “adeus”.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cisne Negro



Nina (Natalie Portman), uma bailarina de uma famosa companhia de dança é escalada pelo seu diretor (Vincent Cassel) para ser a principal atração de Cisne Branco e Cisne Negro em O Lago dos Cisnes do compositor russo Tchaikovsky. Agora resta a Nina se dedicar como nunca, mas ela tem pela frente sua mãe super protetora (Barbara Hershey) e uma provável concorrente (Mila Kunis). Aos poucos, Nina vai mergulhando em remédios e drogas, passando a ter alucinações, misturando realidade e alucinações.
Esse é o enredo de Cisne negro, um dos filmes mais aguardados do ano, e também um dos mais intrigantes e fora do comum. É importante que se perceba tratar-se do novo trabalho do prestigiado Darren Aronofsky, um diretor que foge das fórmulas hollywoodiana e consegue sempre surpreender seu público. Para entender Cisne Negro, é interessante que se entenda primeiramente o cinema de Aronofsky: Pi (1998) é a história de um homem obcecado em decodificar a famoso número irracional que representa a divisão entre uma circunferência e o diâmetro, esse número é denominado de Pi = 3,1415926. Dois anos depois, Aronofsky nos apresenta a sua obra-prima Réquiem Para um Sonho, um perturbador estudo sobre o uso de diferentes tipos de drogas envolvendo uma mulher (Ellen Burstyn), seu filho (Jared Leto) e amigos. Em A Fonte da Vida (2006), através de três histórias, três homens (interpretados por Hugh Jackman) tentam encontrar a essência da existência humana. Em 2008, em O Lutador, um ex-campeão de luta livre (Mickey Rourke), tenta retornar ao ringue para uma última luta.
O cinema de Aronofsky é muitas vezes difícil, indigesto e irreal. Em Cisne Negro, a protagonista vive sérias crises que a levam por vezes ao desespero. Não sabemos o que ali é real e o que faz parte da imaginação de Nina. Sua inteira dedicação ao papel principal do futuro espetáculo lhe provoca um anseio enorme, uma busca incessante pela perfeição, abdicando de qualquer tipo de lazer. Até mesmo a dançarina anterior que ela substitui, feita por Winona Ryder, lhe causa efeitos devastadores.
Cisne Negro tem uma atmosfera bastante claustrofóbica, misturando ainda elementos sensuais, como na cena em que a protagonista mantém uma relação com sua concorrente, numa das cenas mais comentadas do ano. Há de se lembrar também que Cisne Negro é um filme que cresce sempre, com um desfecho arrasador, quando a heroína demonstra tudo o que aprendeu, em seqüências de tirar o fôlego.
O elenco é composto de bons atores: Natalie Portman, que estreou quando era garota em 1994 em O Profissional. Cresceu e se tornou uma atriz de respeito, em filmes como Cold Mountain, Closer – Perto Demais e V de Vingança. Foi a personagem feminina principal da nova (e irregular) trilogia Star Wars. O francês Vincent Cassel fez trabalhos importantes como Rios Vermelhos, Pacto dos Lobos e Irreversível. A bela ucraniana Mila Kunis fez entre outros, o fraco Max Payne e o interessante O Livro de Eli. A veterana Barbara Hershey retorna aqui depois de alguns anos em trabalhos sem maiores expressões.
Repleto de imagens oníricas, vislumbres narrativos e uma história intrigante e dramática, Cisne Negro é um filme digno na carreira de Aronofsky. Com câmera na mão, ele registra todo o pesadelo de sua protagonista, sem que em nenhum momento seja lhe tirado o foco, em prol de subtramas desnecessárias. Portman tem aqui o papel mais importante de sua carreira, ganhando vários prêmios, entre eles o Globo de Ouro e o SAG de melhor atriz. O Oscar praticamente já é dela, e por falar nisso, Cisne Negro concorre a mais outros 4 prêmios da Academia: Filme, diretor, montagem e fotografia.
Não é um filme pra qualquer um. Alguns podem reclamar de seu clima sufocante, outros podem achá-lo complexo demais. Mas é inegável que se trata de uma obra diferente e de grande impacto. 


Nota: 4 de 5

Título original: Black Swan

Lançamento: 2010 (EUA)

Direção:
Darren Aronofsky

Elenco: Natalie Portman, Vincent Cassel, Mila Kunis, Bárbara Hershey, Winona Ryder

Duração: 108 minutos

Drama/Suspense