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domingo, 31 de julho de 2011

Vá e Veja




Bielorrússia, 1942, em meio a Segunda Guerra, o adolescente Florya une-se a um grupo anti-nazista, mesmo contra a vontade de sua mãe. Ao sair de casa naquele momento e se aliando àquele grupo de resistência, Florya estará saindo e vendo o que até então ele desconhecia pessoalmente. A trajetória do jovem é nada menos que brutal, a começar pelo mau tratamento do próprio exercito que ele acabara de compor. Em meio a isso, o pior estaria por vir: bombas alemãs atingem o vilarejo onde eles estão, resta a Florya fugir dali juntamente com uma moça que parece ser um caso mal explicado do líder do pelotão. O nome dela é Glasha. Mas o pesadelo de Florya estará apenas começando, quando ele descobre algo bárbaro ao voltar para casa. Ao sair em busca de alimento para o povo de seu vilarejo, ele acaba por vivenciar uma das piores atrocidades praticadas pelos nazistas: o extermínio de toda uma aldeia.
Se o enredo dessa história pareceu forte, prepare-se, você precisa vê-lo em imagens. Algumas das cenas mais impactantes do cinema estão contidas em Vá e Veja, um dos registros mais ferozes da guerra já feitos. Quase duas horas e meia de um doloroso processo de sobrevivência. Para Florya, a morte está em cada passo, em cada tiro, em cada olhar, em cada sombra, em cada palavra expressa. Ele sabe que, suas chances de sair vivo dali são mínimas. Mas ainda assim, surdo em decorrência de bombas, e aparentemente louco, ele luta com todas as forças para escapar daquele tormento.
O diretor Elem Klimov revolucionou a arte de fazer cinema, com uma narração nada menos que espetacular, onde o som tem uma importância fundamental. Mas são as chocantes imagens que dão toda a dimensão do horror vivido. Sua técnica de filmagem é impressionante, revelando um cineasta fabuloso, mas que infelizmente era (e ainda é) desconhecido pelo grande público fora de seu país. Klimov faleceu em 2003, mas deixou além de outras obras, a maior jornada fílmica de medo e dor dos últimos tempos: Vá e Veja.
Baseado em sua própria infância em meio a guerra, Klimov não poupa seu protagonista e nem o público, despejando uma sucessão de acontecimentos que mais se assemelham a um filme de terror. Aliás, é no terror que Vá e Veja mais se concentra, quando vemos o jovem Florya no início bem arrumado, e quando o vemos no final. Só sabemos que é a mesma pessoa porque o acompanhamos em sua jornada, caso contrário seria difícil dizer que o Florya do desfecho, envelhecido e cheio de marcas, é aquele mesmo jovem do início. A espantosa transformação física de Florya é o retrato de toda a guerra, os horrores do Holocausto, a luta para não morrer de forma gratuita. Dizem que o ator Alexei Kravchenko (brilhante, no papel de Florya), teria sido hipnotizado, afim de não sofrer sobrecarga emocional e danos mentais, tamanha a força das cenas.
As cenas de Vá e Veja impressionam, e muito. Só para se ter uma idéia, a jovem Glasha ao conhecer Florya, é mostrada de forma sinistra. Ela, com os olhos visivelmente vesgos, ao mirar em Florya, nos é mostrada como num filme de suspense, quando chegamos a querer que a cena mude de foco. Mas ao contrário de seu novo amigo, Glasha vai se humanizando, demonstrando mais sanidade e percepção, como no momento em que ela percebe que algo está terrivelmente errado na casa de Florya.
A loucura e o medo está presente a todo momento em Vá e Veja. O único momento de descontração de Florya é quando ele e Glasha estão na chuva, e ela dança pra ele. De resto, só vemos o horror incutido em cada cena.
E horror é o que melhor define as cenas finais quando vemos a mais chocante barbárie já mostrada nas telas, feita por soldados nazistas. São alguns minutos de pura dor e revolta, que dificilmente sairá de nossa mente. Simplesmente chocante, onde a selvageria animal dos soldados alemãos vai de estrupos a assassinatos. Ao final, um momento antológico, quando Florya atira no passado, fazendo com metaforicamente, a guerra e seu mentor Adolf Hitler sumam da existência humana. É um desfecho no mínimo genial, um grito de revolta contra o mal em sua essência mais concreta existente no século 20.
Um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos, Vá e Veja não é uma obra recomendada apenas para cinéfilos ou estudantes de cinema, mas também para todos que buscam conhecer um dos períodos mais tristes e cruéis da história humana. Porém, nunca é demais avisar que se trata de um filme forte e brutal, onde, quem é mais sensível a imagens de forte impacto, deve de certa forma evitar em ver. Quem se aventurar em embarcar na jornada de medo e loucura de Vá e Veja, jamais irá esquecê-lo. 


Nota: 5 de 5

Título original: Idi i smotri

Lançamento: 1985 (Rússia)

Direção: Elem Klimov

Elenco: Aleksei Kravchenko, Olga Mironova, Liubomiras Lauciavicius, Vladas Bagdonas, Juris Lumiste

Duração: 142 minutos

Drama/Guerra



terça-feira, 26 de julho de 2011

Os Sofrimentos do Jovem Werther



Em 1774, surgiria na França uma obra literária que daria início ao Romantismo (movimento que teria entre seus principais idealizadores no Brasil, nomes como José de Alencar na prosa e Castro Alves na poesia). Esta obra: Os Sofrimentos do Jovem Werther, do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe. 
Werther é um jovem apaixonado por Charlotte, mas esta é comprometida com Alberto, que logo se casam. Werther, amigo de Alberto, continua nutrindo um amor escondido pela sua amada. Sabendo que, nenhuma chance lhe resta nesse amor, o jovem apaixonado vai levando a vida, até que em certa noite, ele arquiteta sua própria morte, impondo de forma direta uma dolorosa consciência de culpa em Charlotte.
Como se vê, Os Sofrimentos do Jovem Werther é uma história de amor, com altas doses de reflexão e melancolia. Mas o primeiro livro da Escola Romântica diferia das obras posteriores (sejam elas européias ou do continente americano) por alguns motivos, o principal deles era o final trágico. Enquanto que, a maioria das obras do Romantismo tinha um desfecho por vezes alegre ou de certa forma otimista, em Werther a conclusão é trágica. 

Esse texto, com suas denotações e conotações amorosas, contém em sua característica muitos elementos do Romantismo, mas a forma contextual também mistura alguns elementos do Realismo (movimento literário surgido na França no século posterior, com a publicação de Madame Bovary, de Gustave Flaubert, em 1857), ainda que em alguns casos seja menos perceptível. Em forma epistolar, Os Sofrimentos do Jovem Werther, se assemelha em forma narrativa ao francês As Relações Perigosas (há um filme maravilhoso adaptado dessa obra, com o título de Ligações Perigosas, de 1988).
As cartas que Werther escreve, são dirigidas a um editor chamado Wilhelm, responsável pela publicação das mesmas, após a morte do jovem. A narrativa de Goethe em toda a obra é rica, repleta de detalhes, de emoção e dor.

“Você não me espera mais, acreditando que eu lhe obedecerei, que só a verei na véspera de Natal! Ó Charlotte, hoje ou nunca. Na véspera de Natal, você terá em mãos este papel, estremecerá, molhará esta carta com as suas lágrimas queridas. Eu quero ... e preciso! ... Oh! como me sinto feliz por haver tomado uma resolução!”

 Goethe utilizou Werther como espelho de si mesmo, sendo que o autor também sofreu por amor, colocando-lhe um final que talvez o mesmo o desejasse, ainda que evidentemente isso não acontecesse. A obra foi um enorme sucesso na época de seu lançamento, tornando-se talvez a mais importante obra literária alemã, superando até mesmo Fausto, do mesmo autor, não em qualidade, mas em significado de valor cultural.
O que torna Os Sofrimentos do Jovem Werther mais curioso e enigmático foi o fato de que, na época de sua publicação, esta obra acabou levando várias pessoas a cometerem suicídio na Europa, criando uma verdadeira onda de desespero, fazendo com que autoridades viessem a proibir a publicação e venda desse livro. Obviamente, é bastante discutível essa ação coletiva de suicídios, mas com o passar dos anos, o público amadureceu, e a obra resistiu ao tempo, e hoje está entre as preferidas de milhões de leitores em todo o mundo.



terça-feira, 12 de julho de 2011

Lavoura Arcaica


  
 Por mais que existam defensores fervorosos do cinema nacional, é indiscutível que o nosso cinema ainda tem muito que aprender a contar histórias mais humanas sem cair em excessos ou se tornar uma obra enfadonha feita por algum diretor pseudo-intelectual. Mas devemos tirar o chapéu quando o cinema brasileiro acerta, pois quando assim o faz, faz de forma perfeita. Um pouco antes da obra-prima Cidade de Deus arrasar nos cinemas, um diretor de TV simplesmente ousou levar às telas uma obra do difícil escritor Raduan Nassar. Difícil porque Nassar é autor complexo, de linguagem revolucionária e de difícil compreensão. Suas obras não são lineares, suas histórias vão e voltam no tempo, pegando pelo rabo leitores de primeira viagem que ainda não estão acostumados a navegarem em textos mais enigmáticos e pouco elucidativos. 
Mello, o filho atormentado
Esse diretor de TV é Luiz Fernando Carvalho, e a obra em questão é Lavoura Arcaica. Carvalho trabalhava com projetos televisivos quando se encantou com o livro de Nassar e resolveu fazer dele uma obra fílmica. Para isso, ele não adaptou a obra em forma de roteiro como é comum se fazer, ele simplesmente arrancava o que era narrado no livro e o jogava nas filmagens, na intenção de ser o mais fiel possível à obra. Carvalho sabia que, com idéias tão inovadoras em mente, consequentemente teria que reunir um grupo de atores consagrados que conseguisse passar de forma magistral todo aquele drama vivido pelos personagens. Em um ensaio de atores que durou quatros meses, estava Selton Mello, que vive o atormentado André (o coração do filme), Raul Cortez (o pai), Julianda Carneiro da Cunha (a mãe), Leonardo Medeiros (o irmão Pedro), Caio Blat (o irmão Lula) e Simone Spoladore (a irmã Ana).
Em uma família de libaneses que vive no Brasil, a autoridade exercida pelo pai faz com que o jovem André saia de casa e resolva viver de forma mais livre, mas as coisas não vão bem como ele esperava, fazendo com que seu imão a pedido da mãe, vá buscá-lo de volta. Ao chegar em um sujo quarto de pensão onde seu irmão está hospedado, Pedro o vê sofrendo, vítima de bebidas e remédios. Depois de abandonar o lar, André se tornou uma pessoa doente e equizofrênica, derrubado pelas suas próprias convicções errôneas de mundo. Porém, o que mais lhe aflige é um segredo do passado, envolvendo um caso de incesto com sua irmã Ana. Ao voltar para casa, André precisa confrontar o severo pai e, ao mesmo tempo conviver com uma paixão desenfreada pela própria irmã. Evitarei entrar em maiores detalhes da história pra não atrapalhar o prazer de quem ainda não assistiu. Basta dizer que é uma história forte e amarga (ainda que feita de forma poética), envolvendo amores proibidos e a busca pela redenção.
 
Raul Cortez, o pai autoritário

Lavoura Arcaica é isso, um filme sobre uma família que se despedaça aos poucos, uma fonte de água que aos poucos vai secando. Seus personagens aparentemente vivem de forma alegre, descontraída, mas no fundo carregam frustrações, desejos reprimidos, valores distorcidos e sentimentos que extravasam.
A linguagem é diferente do que foi feito até hoje no cinema brasileiro; as frases, diálogos e narrações soam estranhos, mas nunca de forma chata ou redundante. As imagens são as mais belas e poéticas já vistas no cinema brasileiro. A narrativa retrocede e adianta no tempo, de forma às vezes brusca. Tudo isso, somado a mais de duas horas e meia de projeção. Resumindo: Não é uma obra fácil, requer paciência e compreensão dos desacostumados com um cinema mais artístico, muito longe das inúmeras bobagens que se vê nos dias de hoje no cinema nacional. Diga-se aí as comédias descartáveis e romances pedantes.
O diretor Luiz Fernando Carvalho até o momento só fez este filme para o cinema e um curta-metragem de 1986, chamado À Espera. Mas na TV, é conhecido especialmente por algumas novelas e por microsseries revolucionárias como Hoje é Dia de Maria, Capitu (baseado em Dom Casmurro, de Machado de Assis) e A Pedra do Reino. Mas o grande momento de Carvalho na TV é sem dúvida a mini-serie Os Maias (baseado no romance homônimo de Eça de Queirós), uma obra-prima que, em minha opinião foi a melhor coisa que a TV brasileira já produziu até hoje. Um trabalho fantástico que é um primor de técnica e interpretação.
O escritor Raduan Nassar tem poucas obras publicadas. É dele também o livro Um Copo de Cólera, que igualmente foi filmado (em 1999). Um filme que considero como um dos piores que já tive o desprazer em assistir. Há quem goste muito, mas eu particularmente não vi absolutamente nada que agradasse, em uma obra feia, ridícula e totalmente descartável. Nunca li a obra em que o mesmo se baseia, mas prefiro achar que tal filme tenha muito pouco de Nassar contido nele. Mas a genialidade de Nassar, que sabe falar tão bem de libaneses, porque ele próprio é filho de imigrantes vindos da Líbia, é vista de forma exemplar em Lavoura Arcaica. 
Selton Mello ainda não era tão querido pelo grande público quando fez Lavoura Arcaica, e nem era conhecido por seus talentos também como diretor. Aqui, ele está formidável, naquela que é uma das melhores interpretações masculinas da história do nosso cinema. Um verdadeiro Tour de Force de um ator, em um trabalho não menos que excepcional.
Simone Spoladore, a irmã conflituosa
Seu embate com o pai (Cortez, outro grande ator em cena), em especial na cena do sultão, se transforma em um duelo de interpretação. A mãe sufocadora feita de forma sensível e minimalista por Juliana Carneiro da Cunha é uma das personagens mais emotivas dos últimos tempos. Leonardo Medeiros interpreta de forma brilhante o irmão mais velho. Simone Spoladore, atriz dos palcos, estréia aqui, consagrando-se em uma das carreiras mais sólidas do cinema nacional, se destacando posteriormente em produções como Desmundo (2003) e o belo O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006).
Uma verdadeira poesia em movimento, com imagens fortes e inesquecíveis e muito lirismo, Lavoura Arcaica é um dos poucos filmes do cinema brasileiro atual que merece ser chamado de obra-prima.


Nota: 5 de 5

Título original: Lavoura Arcaica



Lançamento: 2001 (Brasil)

Direção: Luiz Fernando Carvalho



Elenco: Selton Mello, Raul Cortez, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, Juliana Carneiro da Cunha e Caio Blat


Duração: 163 minutos



Drama


                                    


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Site Iguaímix - Agradecimento especial



Recebi uma linda camisa do site Iguaímix das mãos de meu amigo Ronecson, responsável pela parte administrativa e de publicidade do site. Em Iguaímix eu comento sobre cinema. É um ótimo canal de conhecimento sobre a cidade de Iguaí (Ba), e ao mesmo tempo traz notícias não só da cidade, mas estendendo a outros assuntos de fora. Uma das coisas que acho legal em participar do site, é que seus admistradores não se limitam apenas a publicarem textos sobre filmes atuais, mas também a clássicos de difícil acesso, como Uma das coisas que acho mais legal em participar do site, é que seus admistradores não se limitam apenas a publicarem textos sobre filmes atuais, mas também clássicos de difícil acesso ou de arte como 12 Homens e uma sentença, Entre os Muros da Escola, Amantes e Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita.
Iguaímix é um site que já nasceu grande, com milhares de acessos mensal, e admiradores não só da Bahia, mas também de outras regiões do Brasil.


Meus agradecimentos a toda a equipe do Iguaímix.


http://www.iguaimix.com/






domingo, 26 de junho de 2011

Agradar ou não agradar, eis a questão

Certa vez ouvi uma fábula que me fez refletir sobre o mundo e os seres humanos. Vou representar essa parábola com minhas palavras:
Havia um velho, seu pequeno filho e um jumento. Certo dia, estando os três passando por uma cidadezinha, o animal carregava a criança; alguém então chegou e disse ao velho: “Meu senhor, esse menino é jovem, sadio, deixe que ele ande, e monte o senhor nesse jumento!” o velho pensou, e depois retirou a criança de cima do jumento e a seguir montou no animal. Alguém passando por ali, disse: “Mas que coisa feia, um homem forte desse, coloca uma pobre criancinha pra caminhar, enquanto ele fica aí numa boa!”. O velho então sai do jumento e começa a andar. Logo, vem alguém e diz: “Um sol quente desses e vocês andando a pé?” O velho pensa a respeito e monta com seu filho no jumento. “Uma outra pessoa vê aquilo e exclama: “Olha só, um pobre jumentinho carregando dois folgados, isso é uma maldade com o pobre bicho”.  O velho já irritado pega o animal e começa a carregá-lo. Outro alguém passando ali diz: “Coitado do velhinho! Coloca esse jumento pra andar!”
Essa história ilustra o fato de que, é impossível agradar a todas as pessoas. Por mais que se tente fazer o que é certo, nem todos acharão isso. Se uma mulher sai demais, logo a chamam de rueira, e se é de ficar mais em casa, chamam-na de entocada. Se um homem gosta demais de futebol, é chamado de fanático, se não gosta, é chamado de esquisito. Se alguém trabalha em uma empresa, ela de algum modo vai agradar a alguns, mas desagradar a outros, mesmo que não faça esforço nenhum para ser sutil com qualquer pessoa. Se ele sorri demais, o chamam de doido, se ele não sorri, o chamam de metido, se sorri e às vezes não sorri, o chamam de falso.
Sou do tipo reservado, não sou de muita conversa com quem eu vejo que não merece tanta atenção (em geral são pessoas que de algum modo eu sei que falam mal de mim quando não estou perto). Em minha rua, conheço poucos vizinhos, não porque eu tenho a intenção de me isolar ou querer ser melhor que os outros, mas é simplesmente
Porque eu sou assim mesmo, na minha, no meu canto. Sem querer parecer hipócrita, mas sou do tipo de pessoa que na maioria das vezes prefere servir mais do que ser servido. Isso não é querer ser metido a bom, mas sim uma forma de vida que escolhi pra mim. Ao contrário do que possa parecer, tenho muitos amigos; mas amigos que sei que posso contar com eles quando eu precisar.
Nesse mundo, tem pessoas que se “agradam” quando levam vantagens em algo. Explico: Há muita gente que vive puxando o saco de pessoas que tem uma elevada soma de dinheiro, achando que, assim terá mais chances de se dar bem. Coitadas dessas pessoas. Costumo dizer sempre que o dinheiro de pessoas ricas (economicamente falando) não paga minhas contas (exceto se eu trabalhar pra elas), ou essas mesmas pessoas não aparecem meio-dia em minha casa me trazendo algo pra comer ou beber.
Quando falamos em agradar, podemos citar a questão de relacionamentos. Quantas vezes já ouvi (e até vivi) situações em que uma mulher namora um homem, gostando dele, etc. Mas, as amigas dela (muitas por puro despeito, inveja), colocam mil e um defeitos no namorado da amiga. Ela, em vez de seguir seus próprios sentimentos, vão na onda das “amigas” e termina o relacionamento, só depois vindo a perceber que pode ter cometido um grave erro, mas talvez já sendo tarde demais para arrependimentos.
Se você se agradou de um móvel que quis comprar, não pergunte pra rua inteira se ele é bonito ou feio, porque assim sendo, você se surpreenderá com as respostas.
Gosto muito de filmes antigos. Assisto curtas-metragens do ano de 1895, de 1903, filmes de 1915, 1920. Filmes de todas as décadas. Filmes mudos, preto e branco. Filmes que, para muita gente são uma verdadeira tortura ficarem assistindo aquelas “velharias” quando podem se esbaldar com filmes recentes, coloridos, dublados, etc. Isso é uma questão de gosto. Gosto de sentir a essência do cinema, analisar os filmes minuciosamente, entender todo o seu processo. A maioria das pessoas assistem a filmes com a única e pura intenção de se divertir, nada mais que isso.
Não gosto de futebol, novelas, a maioria dessas programações de TV. Há pessoas que não desgrudam dessas programações. Tudo é uma questão de gosto, de se agradar com isso ou aquilo. Algumas pessoas às vezes me perguntam que tipo de mulher me agrada. Minha resposta é: agrado-me de todos os tipos físicos, alta, baixa, gorda, magra, branca, morena, negra. Isso não é o que faz qualquer diferença. O que faz a diferença é se ela é uma pessoa correta, sincera e amiga. O que não gosto em uma mulher é vê-la bebendo (detesto bebidas), vê-la dando gargalhadas que lembram filmes de terror, vê-la sendo abraçada por um e por outro, parecendo que é vulgar. Gosto de mulheres inteligentes, que saibam dialogar, interagir. Não gosto de mulheres que se acham acima de mim, do mesmo jeito que jamais me acho acima de ninguém.
Acho graça quando vejo que alguns homens não gostam de certas coisas, não porque eles achem de fato ruins, mas porque a sociedade impôs preconceitos a essas determinadas coisas. Por exemplo: Não gostar da animação Bambi (1940), porque o personagem principal desse filme é um filhote de cervo; só porque o animalzinho pode ser classificado também de veado (mamíferos da ordem dos artiodáctilos), onde no jogo do bicho o mesmo tem o número 24, e onde a palavra é "igualada" a "viado": homossexual. Isso é uma bobagem tão grande que acaba sendo pra lá de risível, uma forma estúpida de não gostar de uma bela animação. Muitos homens não gostam de balé ou danças de coreografias, porque os mesmos acham que todos ali são homossexuais. Outra grande bobagem. O genial coreógrafo Bob Fosse era heterossexual, e era fascinado, amorosamente dizendo, por várias mulheres.
Nada ou ninguém irá agradar a todos nessa vida. Entre dez pessoas, mesmo que a maioria goste de algo, sempre haverá um que não irá gostar. É sempre assim.

sábado, 11 de junho de 2011

X-Men: Primeira Classe



Em 2000, o filme X-Men inaugurou uma série de filmes da editora Marvel, uma das mais conceituadas do mundo. O filme conta a história de um grupo de mutantes, recrutado e liderado pelo professor Charles Xavier, um poderoso telepata. A missão: deter a ameaça do temível Magneto e seu grupo. Depois de duas seqüências (X-Men 2 e X-Men – O Confronto Final) e um filme solo do Wolverine (X-Men Origens – Wolverine), o grupo de mutantes retorna aos cinemas, dessa vez, respondendo algumas perguntas como: 1- Como Charles Xavier e Magneto se conheceram? 2 – Como foi criado o grupo? 3 – Por que há essa divisão entre mutantes bons e maus?

X-Men: Primeira Classe responde a essas e outras perguntas. O filme começa nos anos 40, quando o pequeno Erik Lehnsherr (futuro Magneto)vê sua mãe ser assassinada pelo terrível Sebastian Shaw (Kevin Bacon, de O Homem Sem Sombra). Quando cresce, Erik vai em busca de vingança. Anos 60, Erik (Michael Fassbender, de Bastardos Inglórios) descobre que Shaw (que retorna mais jovem, com poderes de absorver energia) está com um plano de colocar os Estados Unidos e a Rússia em guerra. Enquanto isso, o professor Charles Xavier (James McAvoy, de Desejo e Reparação) e sua amiga Raven (a bela Jennifer Lawrence, de Inverno da Alma) com a ajuda da Dra. Moira MacTaggert (Rose Byrne, de Extermínio 2) à serviço da Cia, vão atrás de
Em destaque, a bela Jennifer Lawrence
Shaw, em uma missão mal sucedida. É quando, Charles salva Erik, e ficam amigos. Estes dois começam a reunir e treinar jovens com poderes mutantes (há uma participação especial de um personagem bastante querido do público). Mas os planos de Erik se mostram outros, indo na contramão do que os mutantes procuravam: lutar em defesa dos humanos.
Revelar mais detalhes da história não seria algo correto de minha parte. Só basta dizer que se trata de um ótimo trabalho, fruto do diretor Matthew Vaughn, que tem em seu currículum obras divertidas como Stardust – O Mistério da Estrela (2007), e  Kick-ass - Quebrando Tudo (2010) Este último é o famoso filme em que a atriz mirim Chloe Moretz (que interpreta a filha de Nicolas Cage) rouba o filme, detonando bandidos de uma maneira poucas vezes vistas nas telas.
James McAvoy (Professor Charles Xavier)
X-Men: Primeira Classe traz a origem dos famosos mutantes, porém com um grande diferencial da história original dos quadrinhos criada por Stan Lee e Jack Kirby em 1963. Aliás, uma grande diferença. Nos quadrinhos, a formação original do grupo é composta pelo professor Xavier, Ciclope, Jean Grey, Fera, Homem de Gelo e Anjo. Dessa formação, apenas o professor Xavier e o Fera aparecem no filme, sendo que os outros são: Mística, Destrutor, Banshee e Angel Salvadore (uma personagem criada a pouco tempo nos quadrinhos). Do lado dos vilões, estão, além de Sebastian Shaw, Emma Frost (Rainha Branca), Azazel e Maré Selvagem. Como todo mundo sabe, Magneto futuramente se tornaria o maior inimigo dos X-men.
Elogiado pela crítica e pelo público, X-Men: Primeira Classe ao lado de Superman – O Filme (1978), X-Men 2 (2003), Homem-Aranha 2 (2004), Batman Begins (2005) e Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008), são os melhores exemplares de ótimos filmes de super-heróis levados às telas. Com um roteiro inteligente, X-Men: Primeira Classe mistura ação, mistério, drama e humor na medida certa.
Michael Fassbender (Magneto)
Os leitores de quadrinhos mais exigentes, certamente reclamarão que o filme se distancia bastante do conceito original. Eu, porém, mesmo acostumado com o universo dos quadrinhos, não me incomodei em nenhum momento com as liberdades tomadas pelo diretor Vaughn e o produtor Bryan Singer (diretor dos dois primeiros filmes). Se distancia dos quadrinhos, por outro lado, traz de qualquer forma outros personagens conhecidos e não estraga em nada; ao contrário, só acrescenta e torna mais rico alguns detalhes, como o fato de mostrar Charles Xavier antes de ficar careca e paraplégico, quando este ainda começava a dar aulas.
Eu não poderia deixar de falar do ótimo trabalho da dupla central de atores: James McAvoy, que torna convincente todas as suas cenas, mostrando mais uma vez que é um ator notável, e Michael Fassbender, ator alemão que dá um show na cena do bar em Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino. Também é de se destacar o talento de Jennifer Lawrence, uma jovem atriz que foi indicada ao Oscar por Inverno da Alma, e mostra que, além de muito talentosa, é também uma das mais belas atrizes do momento.
Depois dos recentes Homem de Ferro 2 e Thor, X-Men: Primeira Classe é outro acerto da Marvel. Aliás, o maior acerto desde Homem-Aranha 2.  



Nota: 5 de 5

Título original: X-Men: First Class



Lançamento: 2011 (EUA)

Direção: Matthew Vaughn



Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Jennifer Lawrence, Rose Byrne


Duração: 132 minutos

Aventura





domingo, 5 de junho de 2011

O escapismo artístico e mental

Nunca fui dessa onda de me achar cult ou intelectual, mas confesso que nunca gostei da arte popularesca, ou seja, o que o povão muito aplaude me cheira a banal demais. O povão brasileiro em sua grande maioria adora novelas, filmes “sessão da tarde” e reality shows. Qualquer coisa que empurram goela abaixo, a maioria aceita. Certa vez, um amigo me disse que não se pode viver exclusivamente de filé, é preciso comer também carne de terceira pra assim descobrir que o filé é ainda melhor do que se pensava, e também conhecer outra categoria de mundo como forma de arte menor, ou escapismo. Percebi que isso é uma grande verdade. Vejamos um bom exemplo: Às vezes eu estou em um dia que não estou muito a fim de raciocinar demais, então deixo um pouco os filmes clássicos ou de arte de lado, e vou atrás de um cinema “escapista”, aqueles filmes que você assiste pra passar o tempo, mera diversão mesmo, sem nenhum compromisso de se fazer uma análise crítica maior, e também fugir um pouco da realidade, preferindo também filmes que não retratem tanto o nosso dia-a-dia. É somente nessas horas que filmes tipo a saga Crepúsculo ou Carga Explosiva por exemplo, são bem vindos, porque você não precisa queimar os neurônios, já vem tudo mastigado. Acho que é legal que se faça uma dosagem de vez em quando com o que é o filé e o que é carne de segunda ou terceira. Mas é claro que só de vez em quando, porque assimilar muita bobagem nos deixa sem noção crítica se a nossa intenção é obter um crescimento cultural. Claro que nem todo mundo pensa assim.
Mas convenhamos, há um limite até mesmo pra o que é “escapismo”. Logicamente não é nada louvável se ater a qualquer porcaria só porque se quer comer o osso de vez em quando. Por exemplo: você gosta de uma programação mais inteligente na TV (se é que existe inteligência na TV atualmente no Brasil), obviamente não vai ficar a tarde toda em frente da TV assistindo todas as baboseiras toscas daqueles programas de auditório no domingo a tarde, que ultrapassa todos os limites do bom senso e principalmente, de ruindade. Esses dias à noite, eu estava chegando em casa, quando vi um programa passando na TV (tem tempo que assisti algo na TV) e parei pra dar uma olhada. Era um programa de auditório muito ruim, mas ao menos era engraçado, onde, nem o apresentador, os calouros e muito menos os jurados se levavam a sério, talvez a graça maior esteja aí: saberem que o programa já é ruim e terem o bom senso de saber brincar com isso, sem se levar a sério, como fazem alguns “apresentadores” no domingo a tarde. Se for pra desleixar um pouco a mente, que seja pelo menos com algo que, mesmo que seja ruim, não seja ofensivo. Já assisti muita TV, hoje não me faz mais falta ficar em frente de uma TV, assimilando muita coisa que não presta. Lógico que há exceções, mas numa varredura geral, pouca coisa se salva. Até os telejornais de hoje são fracos, sensacionalistas demais, sempre com apelações pra ganhar da concorrência. O que vale na mídia hoje não é qualidade, é IBOPE.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Batman - A Piada Mortal



Em 1988, o aclamado escritor Alan Moore junta-se ao desenhista Brian Bolland para criarem a mais emblemática luta entre o bem e o mal nas histórias em quadrinhos (HQs) envolvendo um justiceiro mascarado (Batman) e um sádico criminoso (Coringa). Trata-se de Batman - A Piada Mortal (Batman – The Killing Joke), uma das HQs mais aclamadas por crítica e público. Nela, vemos o Batman descobrindo que o Coringa fugiu mais uma vez do Asilo Arkham, mas dessa vez a fuga traz conseqüências desastrosas para o homem-morcego. O Coringa em uma vingança contra o comissário Gordon, atira em sua filha Bárbara Gordon (ex-Batgirl), deixando-a paralítica, ao mesmo tempo em que tortura Gordon de várias maneiras, mostrando a este fotos horríveis com sua filha agonizando. Para o Batman, capturar o psicótico vilão dessa vez é questão pessoal. Em flashbacks, ficamos conhecendo o passado do Coringa, quando este era chamado Jack Napier, um artista circense que se envolve com mafiosos e vê sua esposa grávida morrer em um acidente. Napier, durante a fuga em uma ação criminosa que dá errado, acaba sendo perseguido pelo Batman e cai dentro de um tonel de produtos químicos, que o faz ficar com o rosto transformado. No presente, o Batman seguindo as pistas, chega até o Coringa, e começa aí um acerto de contas que terminará de forma inesperada.
Em A Piada Mortal, o Coringa tenta provar que um dia muito ruim na vida de um homem pode transformá-lo, pra pior. Nesse caso, ele queria ter certeza que o comissário Gordon, homem de confiança do Batman, se tornaria um psicótico quando passasse por torturas e humilhações e culminasse quando soubesse que sua filha foi brutalmente agredida e colocada para sempre em uma cadeira de rodas. Para Alan Moore, o Coringa nada mais é do que um reflexo de um passado atormentado e trágico. Assim como o Batman teve seus pais assassinados quando este era pequeno, ao crescer, adotou a identidade de um vigilante justiceiro e resolveu combater o crime, o Coringa agiu de forma contrária: ao passar pela tragédia, ele resolveu intensificar todo o horror, espalhando o caos para não “se sentir só” em seu pranto. O que temos aqui é uma história do Batman, porém com um foco centralizado no seu maior adversário.
O Coringa sempre foi o vilão mais insano das HQs. Em A Morte de Robin, ele tortura e mata o menino-prodígio. Em Asilo Arkham, ele está a frente de uma terrível rebelião daquele lugar sombrio. Em O Cavaleiro das Trevas, ele mostra que seu sadismo não tem limites, resultando em seu fim nas mãos do já cansado e velho homem-morcego.
O Coringa apareceu pela primeira vez nos quadrinhos, no ano de 1940, na primeira edição da revista própria do Batman, criação de Bob Kane e Bill Finger, que se basearam no ator Conrad Veidt ( O Gabinete do Dr. Caligari, Casablanca) no filme O Homem que Ri (de 1928). 


Conrad Veidt em O Homem que Ri (1928)

No cinema, o Coringa foi interpretado em 1966 pelo ator César Romero , no longa metragem Batman, o Homem-Morcego, estrelado por Adam West e Burt Ward (havia uma série cômica de TV no mesmo formato e com os mesmos atores). Em 1989, no filme Batman, o diretor Tim Burton (que tem A Piada Mortal como sua HQ preferida) colocou o ator Jack Nicholson na pele do Coringa, e lhe deu uma origem parecida com a da história de Alan Moore (somente a cena em que este cai no produto químico). O Coringa de Nicholson é debochado, irreverente (apesar de sádico também), diferente da imagem mais trágica criada por Alan Moore, e também por Frank Miller (em O Cavaleiro das Trevas). Em Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008), o ator Heath Ledger (falecido no mesmo ano) criou a imagem definitiva do Coringa, onde o mesmo é terrivelmente insano, porém estrategista; não se revela de onde ele veio ou pra onde ele vai. É uma caracterização incrível, que rendeu postumamente para Ledger cerca de trinta prêmios (entre eles o Oscar e o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante) num trabalho realmente notável. Na TV, em Batman: The Animated Series o Coringa é dublado pelo ator Mark Hamill (O Luke Skywalker da série Star Wars – Guerra nas Estrelas).


Cesar Romero em Batman, o Homem-Morcego (1966)


Jack Nicholson em Batman (1989)


Heath Ledger em Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008)


A Piada Mortal foi publicada e republicada aqui no Brasil diversas vezes, com cores refeitas pelo próprio desenhista Brian Bolland, substituindo o original feito por John Higgins, e chegando até a sair em preto e branco em uma das edições. História preferida de dez entre dez leitores, é uma obra inquietante, um verdadeiro marco no mundo dos quadrinhos.

Abaixo, a piada que o Coringa conta para o Batman, no final da história:



 "Tinha dois caras no hospício... Uma noite eles decidiram que não queriam mais viver lá... e resolveram escapar pra nunca mais voltar. Aí eles foram até a cobertura do lugar e viram, ao lado, o telhado de um outro prédio apontando pra lua... apontando para a liberdade! Então um dos sujeitos saltou sem problemas pro outro telhado, mas o amigo dele se acovardou... É, ele tinha medo de cair. Aí, o primeiro cara teve uma idéia. Ele disse:
-Ei! Eu estou com minha lanterna aqui. Vou acendê-la pelos vãos dos prédios e você atravessa sobre o facho de luz!
Mas o outro sacudiu a cabeça e disse:

- O que você acha que eu sou? Louco??? E se você apagar a luz quando eu estiver no meio do caminho?!"


terça-feira, 17 de maio de 2011

Infâmia



Em uma escola particular, uma aluna chateada (Karen Balkin), inventa para a sua avó (Fay Bainter) que duas professoras (Audrey Hepburn e  Shirley MacLaine) mantêm um relacionamento amoroso. A partir daí a rotina das acusadas muda drasticamente. O namorado de uma delas (James Garner) lhe dá apoio, mas aos poucos ele vai demonstrando insegurança, devido ao grande escândalo. A menina é neurótica, problemática, o que poderia fazer com que ela tenha inventado essa história, mas os fatos posteriores mostram que ela não está completamente errada.
O excelente diretor William Wyler refilma uma obra dele próprio, de 1936, baseada na peça da escritora norte-americana Lillian Helman. É um texto forte, maduro, bem avançado para a época, com toques psicológicos, tratando de um assunto que até então era raro nos cinemas no início dos anos 60: o homossexualismo.  
Infâmia é daqueles filmes que, se caísse em mãos de um diretor qualquer, resultaria em algo frio, esquemático, sem grande profundidade dramática. Mas Wyler não é um diretor qualquer, e sim um dos maiores gênios do cinema, que sabe conduzir como ninguém grandes atores em uma grande história, sem nunca se perder. Quando situamos esse filme em seu ano de produção (1961), percebemos que é uma obra que está além de seu tempo, porque diferentemente de alguns filmes da época que apenas contêm algumas conotações homossexuais, Infâmia apresenta uma gama de situações e conseqüências relacionadas diretamente ao homossexualismo. Para o expectador mais atento, ele verá de antemão que uma das professoras acusadas, Martha Dobie (MacLaine) apresenta uma atração no mínimo estranha, pela sua colega de profissão, ainda que nunca demonstre uma maior aproximação. A menina que cria toda a polêmica, é manipuladora e obsessiva, mas consegue tornar crível toda a situação, fazendo com que sua avó em certo momento diga para as acusadas: “Uma criança jamais inventaria tais coisas”. O que Wyler quer de fato mostrar não é se a menina está ou não inventando tudo, mas fazer um painel sobre duas vidas destruídas por algo que elas não vivem, afinal de contas, uma delas (Hepburn) está de casamento marcado. As acusadas se isolam no agora abandonado lugar de trabalho, e ali são alvos do desprezo das pessoas daquela cidade.  
O que Wyler não pôde fazer na primeira versão (lembrando que nos anos 30 vigorava o Código Hays, que censurava obras com teor homossexual, entre outros), ele conseguiu fazer em sua versão de 61, indo mais a fundo no texto de Lillian Hellman (que já foi casada com o famoso escritor Dashiell Hammett, autor de obras como O Falcão Maltês e A Ceia dos Acusados, que viraram filmes de grandes sucessos) apoiado em duas extraordinárias atrizes nos papéis principais. Lembrando que, Audrey Hepburn em seu primeiro grande filme em papel principal: A Princesa e o Plebeu, foi dirigida por Wyler. Esse conto de fadas metropolitano deu o Oscar para Hepburn e lhe abriu as portas para uma das carreiras mais brilhantes em Hollywood, em filmes como Sabrina, Cinderela em Paris, Uma cruz à beira do abismo, Bonequinha de Luxo, Charada e Uma Bela Dama (My Fair Lady), entre outros. Shirley MacLaine também teve uma bela carreira, começando em um filme de Alfred Hitchcock: O Terceiro Tiro, fazendo posteriormente entre outros, os aclamados Deus Sabe Quanto Amei, Se Meu Apartamento Falasse, Irmã La Douce, Muito Além do Jardim e Laços de Ternura (de 1983, que lhe deu o Oscar de melhor atriz). James Garner muito jovem faz o namorado de Hepburn, e Fay Bainter que interpreta a avó da menina, ganhou um Oscar de melhor atriz por Jezebel (1938), dirigido por Wyler.
William Wyler foi um diretor de carreira brilhante, muito requisitado por produtores e atores, todos queriam trabalhar com ele, porque sabiam que seus filmes eram sinônimos de qualidade. Foi ele quem ajudou a tornar Bette Davis uma das maiores estrelas do cinema, com filmes como Jezebel e A Carta. Em 1942, dirigiu o premiado Rosa de Esperança; em 1946 faria Os Melhores Anos de Nossas Vidas que lhe deu seu segundo Oscar de direção, mas ainda foi premiado mais uma vez nessa categoria, pelo épico Ben-Hur (1959, primeiro filme a levar 11 estatuetas da Academia). Wyler dirigiu em 1939 a melhor versão de O Morro dos Ventos Uivantes.
Em Infâmia, podemos perceber que o isolamento das duas professoras acusadas, e o preconceito que elas vivem, se assemelha bastante com a situação vividas pela mãe e irmã do personagem principal em Ben-Hur, no qual estando com lepra, se isolam no vale dos leprosos, em uma das seqüências mais emocionantes da história do cinema.
Infâmia é um filme no qual não há saída fácil, não procura solucionar os problemas, deixando que as duas personagens vão em busca de explicações do qual não há respostas, culminando em um final trágico. Indicado aos Oscars de atriz coadjuvante (Bainter), Direção de Arte, Figurino, Fotografia e Som.
Imperdível para quem busca um filme denso e atemporal.


Nota: 5 de 5

Título original: The
Children's Hour

Lançamento: 1961 (EUA)

Direção: William Wyler

Elenco: Audrey Hepburn, Shirley MacLaine, James Garner, Fay Bainter, Karen Balkin.

Duração: 114 minutos

Drama





domingo, 1 de maio de 2011

Aquela sensação de vazio

Você com certeza alguma vez em sua vida (ou muitas vezes) já sentiu uma sensação de vazio que lhe toma e lhe deixa mal. Um mal-estar que você sente, mas quando vai ver, não é febre, não é alteração de pressão arterial, não é fome, não é cansaço e nada que em uma rápida análise poderia representar um sintoma de algum problema mais visível. Rico, pobre, famoso, anônimo, europeu, asiático, alto astral, baixo astral, não importa o que a pessoa seja, ela tem tendência a sentir esse vazio que os médicos costumam chamar de depressão, síndrome do pânico, angústia, desespero, ansiedade, reclusão, saudade, tormento, ou qualquer coisa que de uma hora pra outra (ou vagarosamente, conforme cada caso) pode mudar seu astral de bom pra ruim. Pode variar de um simples mal estar, mudança de humor até a algo mais sério que necessita de ajuda. Ou seja, essa sensação de vazio é sinônimo de infelicidade, tristeza que nos sobrecarrega e maltrata. Faz parecer que a vida perdeu o sentido, que fomos abandonados, que já não há mais esperanças em nada. Há quem aponta para pessoas com tais problemas e diz-lhes que estes são fracos, que os mesmos “precisam” sair dessa, etc. (coisa de quem quer parecer melhor que os outros e aproveita um momento de fraqueza do próximo para criticá-lo, e com palavras duras se fingindo de “amigo”, acaba por tornar as coisas ainda mais difíceis pra quem passa por sérios problemas emocionais).
Quem sente um vazio dentro de si não é uma pessoa louca, desestruturada ou pior que os outros, é sim uma pessoa que porventura passa por problemas difíceis, pessoas que não conseguem achar o rumo de algumas coisas em suas vidas, seja na área financeira, no amor, na saúde, em uma perda, em alguma decepção, ansiedade, ou até mesmo sem motivo aparente. Em alguns casos, esse vazio vem acompanhado de sofismas (pensamentos indesejados, que podem variar de pequenas indagações e dúvidas até algo que nos impulsiona a fazer coisas que não queremos, sugerindo que você está derrotado e chegou ao seu final. Algo totalmente diabólico). Sofisma é algo muito perigoso, é preciso fugir disso. Quando você perceber que está vindo em sua mente pensamentos de morte, assassinatos, aberrações ou algo que lhe impulsiona a cometer o mal contra os outros ou contra você mesmo, procure ajuda, vá ao encontro de pessoas que você sabe que estão prontas para te ajudar. Em muitos casos o sofisma está interligado à área espiritual.
Alguns pastores mal preparados que estão por aí em busca de riquezas materiais, chegam perto de pessoas que se sentem vazias, e lhes dizem que as mesmas precisam passar por descarrego espiritual, que esse tipo de “doença” é coisa do demônio. Esses “pastores” só querem mesmo é lucrar em cima dos problemas dos outros. Não caia em conversinhas desses lobos em peles de ovelhas. Procure igrejas sérias, comprometidas de fato com a Palavra de Deus.
No campo da medicina, procure um especialista que possa lhe ajudar, e não deixe que esse tipo de problema cresça e tome todo o seu direito de viver uma vida dignamente apropriada.
Esse vazio pode representar algo momentâneo, mas pode também representar um sério problema de depressão. Se você sofre de tais problemas emocionais, e fica quieto, guardando somente pra si, isso só tornará tudo mais difícil, porque raramente algum familiar, amigo ou vizinho “adivinhará” que você está passando por determinados problemas. E o que se guarda, só causa um sufoco muito grande que vai lhe tomando por dentro, e lhe derrubando a cada dia que passa. Algo te incomoda? Ponha para fora, desabafe, impeça que sentimentos que te prejudica lhe cause um mal maior. A maioria das  pessoas, ao passarem por tais momentos de angústias, preferem ficar a sós. Não é nem por ser uma atitude “egoísta”, mas porque faz parte da patologia do problema, que tais pessoas procurem se isolar do mundo, isso faz com que elas sofram menos durante o doloroso processo que estão vivendo. Isso é normal durante os momentos de vazio? È. Porém, não significa que seja o mais apropriado a se fazer. Solidão nunca é sinal de felicidade, e se algo não te deixa feliz, consequentemente não te faz bem, e o que fazemos quando algo não nos faz bem? Procuramos cortá-lo pela raiz, não é mesmo?
Infelizmente, vivemos hoje em tempos difíceis, onde muita gente procura levar pelo lado da brincadeira esse tipo de situação. Em vez de tentar ajudar, ou até mesmo não atrapalhar se não puderem ajudar, procuram satirizar e fazer piadas com coisas sérias que estão bem acima de seus próprios entendimentos, sem nem ao menos pararem pra pensar que ninguém está livre de nada nesse mundo, ou como diz um ditado popular:
“Quando os meus males forem velhos, os de alguém serão novos.”
Quando você se sentir triste, desolado (a), fraco (a), evite ficar perto de pessoas que não lhe traga nada de bom, evite ver ou ouvir o que pode te causar melancolia, evite conversas tristes, não fale de coisas que remetam à saudades, coisas que ficaram para trás, situações que não voltam mais, de tal modo então é desnecessário ficar lembrando. Por mais difícil que seja, procure fazer um esforço e saia de casa um pouco, vá ver coisas boas, se distrair. Você só vai conseguir se sair desse problema que lhe causa um grande vazio, se você mesmo (a) fizer esforços pra passar por cima de tudo isso e superar essa fase tão difícil. Conheço pessoas que tiveram esses problemas, que conseguiram dar a volta por cima e hoje ajudam e aconselham pessoas que passam pelos mesmos sintomas. Preencha esse vazio só com coisas boas, e assim, consequentemente você viverá uma vida bem melhor.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Escola Teológica Mundial - Igreja Mundial do Poder de Deus

A Igreja Mundial do Poder de Deus em Vitória da Conquista - Ba promove um dos cursos teológicos mais completos do estado da Bahia. Um estudo completo para quem quer conhecer a fundo tudo que diz respeito aos diversos assuntos que envolve a Bíblia Sagrada. Com um grupo de professores profissionais, a Escola Teológica Mundial é um dos melhores cursos da área cristã. 



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Teologia cristã pode ser definida como as verdades fundamentais da Bíblia e de outras fontes reconhecidas como divinamente inspiradas apresentadas de forma sistemática; ou ainda, a filosofia que trata do nosso conhecimento de Deus e do relacionamento do Deus Altíssimo com o homem, compreendendo assim tudo quanto se relaciona a Deus, a Bíblia e os propósitos divinos.

Fonte: Wikipédia
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A Igreja Mundial do Poder de Deus fica localizada na Av. Brumado s/n, Urbis III, em frente ao Posto Vitória, em Vitória da Conquista - Ba.




CONTATOS: (77) 8821 5724 (77)  8823 2515
E-MAIL: ESCOLATEOLOGICAMUNDIAL@HOTMAIL.COM


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ações e reações em nossas vidas

Algo que aconteceu comigo essa semana me fez refletir que, a vida é cheia de atos e conseqüências, onde, a depender do que você fala ou faz, pode voltar para você de forma boa...ou ruim. Semana passada, por causa de um dessas “chateações egocêntricas” que nós temos, eu magoei uma amiga. Foi um ato que pra mim naquele momento parecia coerente, mas visto posteriormente, era mesmo fadado ao fracasso. Foi uma ação (fiz algo que foi mal-educado de minha parte, causando a ela um constrangimento), que me causou uma reação (ela ficou muito magoada e chateada, o que automaticamente me fez ver que agi estupidamente).
Jogue uma bola de ping pong sem muita força na parede, e você a pegará normalmente, porém, jogue-a de forma irracional, bem forte e talvez você não consiga pegá-la, podendo até mesmo lhe ferir. Nossas atitudes são assim também, se você faz algo bom, cultiva o que é bom (nem sempre é assim, concordo), mas se você faz algo ruim, cultiva o que é mau. Às vezes agimos de forma impensada, sem saber que podemos estar magoando pessoas que gostamos. 
Às vezes também, a gente com certa ingenuidade e inocência confia demais em quem na verdade não merecia nossa confiança. Confiar em quem mal conhecemos é uma ação que no fim das contas vem uma reação que nem sempre teremos chance de rebater.
Vou relatar algo que aconteceu comigo certa vez, sem citar os nomes dos elementos (nem merecem ter seus nomes publicados aqui). Eu trabalhava na rua, mas precisava ir ao escritório da empresa duas ou três vezes durante a semana pra terminar de preencher alguns boletins. Nisso, vi que estava trabalhando ali uma jovem que eu já conhecera cerca de uns dez dias antes quando fiz um trabalho cadastral em sua casa. Foi uma tremenda surpresa vê-la por ali. Fui me aproximando dela com o passar dos dias, até que em um desses dias, eu a convidei para sair. Ela ficou de “pensar”. Nisso, eu comentava pra um dos colegas que trabalhava no escritório, falava que estava gostando dela, contava-lhe que eu estava perto de conseguir levá-la pra sair. Ele me apoiava e dizia pra eu seguir em frente. Mas aos poucos fui percebendo as amigas dela me olhavam de maneira diferente, mas poderia ser impressão minha. Daí, numa determinada tarde, perguntei a ela se ela havia decidido sair comigo (fosse hoje, eu não daria dias pra pensar, isso foi bobagem de minha parte); a resposta dela foi: “É melhor não”. Não disse mais nada. Bom, o que eu tinha a fazer era somente acatar a decisão dela e cair fora. Passaram-se alguns meses, o trabalho acabou, a firma foi pra outra cidade. Nisso, eu conversando com um amigo meu do trabalho, acabei tocando no nome dessa jovem. Ele me disse que ela estava tendo um caso com um dos sujeitos que trabalhavam no escritório. Sabe o "colega" que, mais acima eu falei que contava sobre ela pra ele? Pois é.
Se eu tivesse ficado na minha, sem ficar comentando nada pra um elemento que eu conhecia muito pouco, apenas do trabalho, não teria aguçado nele curiosidade e pensamentos que provavelmente eram mais ou menos assim: “O que esse cara vê nessa mulher?", "Ela deve ter algo especial, vou ver o que é”. Não deu outra. Ela e o sujeito estavam tendo um caso, e o interessante é que por alguns meses, todos que trabalhavam nessa empresa sabiam...menos eu. Ainda bem que não me envolvi com ela, sendo assim não posso ser considerado um traído. Mas que aquilo me deixou muito chateado, deixou. Mas isso não foi nada mais nada menos que estupidez de minha parte. Talvez muita empolgação e pouca reflexão. Sair falando assuntos pessoais pra quem você mal conhece, nunca acaba bem. Foi uma ação que causou uma reação. Sigam meu exemplo e não caiam em erros desse tipo.
Conheço pessoas que ficam pedindo conselhos aos outros sobre que marca, modelo ou tipo de móveis, eletrônicos ou qualquer outra coisa elas devem comprar. Indo pela opinião dos outros, essas pessoas compram e depois se arrependem. Se for pra você se arrepender de alguma coisa, que seja por algo que você mesmo escolheu, e não porque seguiu opiniões alheias. Não digo se for em casos de, por exemplo, você quiser comprar digamos um notebook, e daí perguntar pra quem entende, qual modelo é melhor, processador, tamanho de memória, HD, etc. Você estará pedindo uma sugestão, é diferente.
Seja hostil com as pessoas, e você verá elas te abandonar. Seja amigável e você será alguém querido (pelos amigos verdadeiros, é claro). Jogue “pedras”, mas prepare um escudo pra você se defender das "pedradas" que consequentemente virão contra você. Fale mal das pessoas, mas esteja preparado para você ouvir falarem mal de você também. Se a vida já é difícil pra quem procura andar corretamente, sem fazer o mal, sem confiar nas pessoas erradas, sem desejar o mal pro próximo, sem agir de forma errônea, imagine então o que a vida reserva pra quem acha que pode sair fazendo tudo ao inverso.
Confia demais? Quebra a cara. Age de forma impensada? Sofra as conseqüências. Não dá valor ao que você tem de valioso, seja marido, esposa, namorado (a), noivo (a)? outros darão. Você não tem tempo pra seu filho? Então não espere que futuramente ele vá te agradecer pelas vitórias, pelo contrário, ele acusará você pelas derrotas. Não reconhece o que seu pai ou sua mãe faz por você? Sem problemas, eles te amam e amarão de qualquer forma, mas viverão com um aperto no coração chamado ingratidão. Corre atrás do que é ruim e prejudicial para a sua vida? Não haverá nenhum retorno positivo reservado pra você, apenas consequências ruins. Não tem consideração pelos seus amigos? Sem problema, eles têm outros amigos que os consideram. Não quer ser magoado? Então comece por nunca magoar ninguém. Quer alcançar seus objetivos? Ficar parado de braços cruzados não ajudará. Quer ser amado? Então comece a amar...e seja feliz.


quarta-feira, 30 de março de 2011

Os Pássaros




Para fazer uma surpresa a um recém conhecido, mulher vai até uma pequena cidade entregar um casal de periquitos. Chegando lá, ela se depara com pequenos ataques de pássaros, mas à medida que o tempo passa, as aves começam a agir de forma mortal, causando pânico e destruição.
Parece estranho, mas o que citei acima foi a sinopse de um filme de Alfred Hitckcock, diretor acostumado a utilizar seres humanos como vilões, mas que em Os Pássaros resolveu radicalizar, surpreendendo o mundo inteiro com esse que foi um de seus maiores sucessos de bilheteria. É interessante ressaltar que se trata aqui do último grande filme do mestre do suspense. Posteriormente ele faria bons filmes como Marnie – Confissões de uma Ladra e Frenesi, mas nada que se compare às suas grandes obras-primas.
Baseado em um livro de Daphne Du Maurier (a mesma autora de Rebecca, também filmado por Hitchcock em 1940), Os Pássaros é um dos filmes mais complexos e cheios de ambigüidades da história do cinema.
Quando Melanie (Tippi Hedren) chega à pequena cidade de Bodega Bay, acontece o primeiro ataque justamente com ela, quando é atacada dentro de um pequeno barco, depois os ataques não param mais, seja em uma festa de aniversário, seja contra os alunos saindo da escola, e, entre outros, quando algumas pessoas estão em uma lanchonete e um posto de gasolina ali ao lado é brutalmente atacado pelos animais,culminando depois no ataque final, quando o namorado de Melanie, Mitch (Rod Taylor), sua irmã Cathy (Veronica Cartwright) e sua mãe Lydia (Jessica Tandy) ficam presos na casa, sob o ataque feroz das criaturas.
Se Os Pássaros fosse feito por um diretor qualquer, veríamos um filme cheio de destruição e gente alarmada por todos os lados. Mas Hitchcock não era um diretor qualquer, mas um gênio que sabia como ninguém como provocar medo nas pessoas.  Pra isso, ele não teve pressa em recorrer ao caos que se estabelece ali naquela cidade, optando primeiramente em nos mostrar um pouco sobre cada um dos personagens principais, entre eles, além de Melanie, Mitch, Lydia e Cathy, temos também a jovem professora Annie (a bela Suzanne Pleshette), uma antiga namorada de Mitch. Muita coisa em Os Pássaros é mais sugerido do que mostrado, para que nós mesmos tiremos nossas próprias conclusões. É interessante perceber que tudo parece acontecer depois da chegada de Melanie à cidade, um exemplo é o fato de a protagonista sempre estar com uma roupa verde (a cor dos periquitos que ela carrega no início), quando tem algum ataque dos pássaros, ela sempre está por perto, e em uma cena um habitante da cidade diz que tudo aconteceu depois de sua chegada.
Hitchcock sempre foi um diretor preocupado não em criar mistérios, mas em manter o suspense, mas aqui ele não deixa pistas do que teria causado a reação violenta das aves, e nem dá um desfecho definitivo, terminando em aberto, nem mesmo o “The end” (tão usado na época) aparece nesse filme.
O inglês Hitchcock sempre procurou ser antes de tudo versátil, não em gêneros, mas dentro das propostas do que queria mostrar em seus filmes. Em O Inquilino (1926), um de seus primeiros filmes em sua fase inglesa, ela cria um interessante enredo sobre um criminoso que lembra bastante Jack, o estripador. Em 1935, no clássico Os 39 Degraus, ele faz com que Robert Donat seja alvo de uma conspiração, uma das primeiras de suas obras em que ele fala sobre o “falso culpado, um homem que leva a culpa por algo que não cometeu, algo que seria visto com mais abrangência em A Tortura do Silêncio (1953, com Montgomery Clift), O Homem Errado (1957, com Henry Fonda) e Intriga Internacional (1959, com Cary Grant). Entre suas mais famosas obras estão: Rebecca – A Mulher Inesquecível (1940, seu primeiro filme norte-americano, vencedor do Oscar de melhor filme e fotografia, estrelado por Laurence Olivier e Joan Fontaine), Quando Fala o Coração (1945, com Gregory Peck e Ingrid Bergman), Festim Diabólico (1948, com James Stewart e Farley Granger), Pacto Sinistro (1951, com Farley Granger e Robert Walker), Disque M para Matar (1954, com Grace Kelly e Ray Milland), Janela Indiscreta (1954, com James Stewart e Grace Kelly), O Homem que Sabia Demais (1956, com James Stewart e Doris Day), Um Corpo que Cai (1958, com James Stewart e Kim Novak) e Psicose (1960, com Anthony Perkins, Janet Leigh e Vera Miles, tido por muitos como seu melhor filme). Hitchcock teve cinco indicações ao Oscar de melhor direção, mas nunca ganhou.
Os Pássaros é um filme-chave para quem quer entender a obra cinematográfica de Hitchcock, é também uma aula de como se fazer cinema. Um estudo elaborado da relação homem-natureza, onde fica sempre claro que uma vez mantidos presos, é hora dos pássaros inverterem a situação contra os humanos. A cena final em que os protagonistas são atacados pelos pássaros dentro de casa, é um primor de técnica, uma façanha magistral em que Hitchcock dispensa trilha sonora (aliás, o filme inteiro não se ouve nenhuma trilha) e mostra todo o suspense através dos ataques dos pássaros e as reações daquelas pessoas. A atriz Tippi Hedren (mãe da também atriz Mellanie Griffith) é o único ponto fraco da obra, sem muita experiência, ela não é tão convincente em seu papel, mas seria usada novamente pelo diretor um ano depois em Marnie – Confissões de uma Ladra.  O final em aberto é uma das cenas mais aterrorizantes da história do cinema. Os Pássaros concorreu ao Oscar de efeitos especiais, mas perdeu injustamente para a super-produção Cleópatra. Os Pássaros é um filme magistral, uma obra-prima de um dos maiores gênios da história do cinema.


Nota: 5 de 5

Título original: The Birds

Lançamento: 1963 (EUA)

Direção: Alfred Hitchcock

Elenco: Rod Taylor, Tippi Hedren, Jessica Tandy, Veronica Cartwright, Suzanne Pleshette.

Duração: 114 minutos

segunda-feira, 7 de março de 2011

O tempo


Quando morei em Feira de Santana, aqui na Bahia, eu fazia cadastramento imobiliário. Nosso trabalho era medir o imóvel e desenhar sua forma no papel. Algo de certo modo nada simples de se fazer, mas eu havia me tornado experiente naquilo desde que trabalhei aqui em Vitória da Conquista, no mesmo ramo. Quando eu e meu auxiliar terminamos o trabalho em uma das casas, pedimos a carteira de identidade da dona do imóvel para terminarmos todo o processo. A senhora que nos atendia nos pediu pra esperarmos na sala de estar que ela iria pegar a RG. Detalhe: Não era ela a dona da casa. Ela entrou em um quarto e trouxe uma senhora bastante idosa em uma cadeira de rodas. Aquela senhora chamada Ana deveria beirar seus noventa e tantos anos de idade. Quando me mostraram o documento de identidade dela, tive uma estranha sensação naquele momento. Aquele documento era dos anos 30, onde aquela velha senhora estava com seus 23 anos, rosto cheio, cor profunda que o preto e branco deixava transparecer, uma vida plena. Eram duas fotos, uma de lado e outra de frente, coisa de documento bem antigo. E eram fotos colegiais. Blusinha com detalhes diferentes, gola pólo, saia um pouco acima dos joelhos. Confesso que entrei no mundo daquela jovem estudante, admirei sua beleza, sua formosura, seus encantos, era como se eu me apaixonasse por ela, por sua época, por tudo aquilo que a cercava e a representava. Enquanto eu anotava os dados contidos naquele documento, eu me deixava levar pela mágica da memória, dos pensamentos. Me via ali naquele colégio imaginado por mim, vendo-a jogar bola com as amigas, imaginando ela ali sentada na sala de aula, prestando atenção no que a professora ensinava. Quando precisei voltar ao mundo real, entreguei a carteira de identidade pra senhora que nos atendeu e tive uma brusca sensação de estranheza quando coloquei novamente meu olhar naquela senhora debilitada ao meu lado. Eu de certo modo me recusava a ligar os fatos que ela e aquela jovem da foto eram a mesma pessoa, uma diferença de mais de 70 anos entre elas. 70 anos de diferença é muito tempo quando você vê uma foto de uma pessoa e a mesma ali perto de você. A Ana de hoje era uma mulher praticamente sem vida, um olhar apagado, totalmente imóvel naquela cadeira de rodas. Mas durante esses mais de 70 anos o que ela teria feito em sua vida? Se casou, teve filhos, netos, bisnetos, se realizou profissionalmente, viajou pra onde queria? Em contrapartida, também pode ter sofrido muito, pode ter passado por inúmeras frustrações, dores, lutas. Mas uma coisa é certa, ela viveu sua vida. Ali naquela cadeira, debilitada e mal se mexendo (acredito que já estivesse perto da morte), Ana talvez não se lembrasse mais de quase nada em sua vida. Talvez as lembranças se evaporaram e só tenha lhe sobrado a espera dos momentos finais.
Isso me fez perceber como a vida passa, como não devemos deixar as oportunidades irem embora, como devemos aproveitar as melhores coisas que chegam em nossas vidas. Desperdiçá-la é um erro. Deixar levar por timidez que atrasam nossas vidas, só nos faz ficar arrependidos, porque deixamos que isso nos limite, deixamos que nossas fraquezas nos diga que somos incapazes de fazer coisas que seriam fáceis pra qualquer pessoa, mas que pra nós mesmos são coisas inalcançáveis. Devemos parar de sofrer por amor, não amar alguém que nem se lembra mais que existimos. Não procurar nos sentir pra baixo quando sabemos que tudo é questão de acordar com o pé direito e partir pra luta, encarar os desafios, as adversidades da vida, por mais que todo esforço pareça difícil, até mesmo impossível. Conheço histórias de pessoas com mais de 70 anos que, foram acordar pra vida agora, e só agora se dão conta de que não devem nada a ninguém e que podem sim ser felizes sem precisar dar satisfações do que fazem. Viver bem a vida não é sair por aí praticando atos de mundanismo, enchendo a cara, pisando firme no acelerador, achando que a vida é curtição e prazeres. Devemos amar e ser tementes a Deus, porque se assim não o fizermos, lá se vai tudo embora. Devemos saber viver a vida de forma digna, lembrando que o caráter, a dignidade, ninguém tira da gente. Às vezes somos incapazes de enxergar o que a vida tem de bom a nos oferecer, e ficamos amarrados a tantas bobagens que só fazem nos atrasar.
Nem todo mundo tem a oportunidade de Ana: viver quase cem anos.
Quando eu era garoto, uns 8 a 9 anos de idade, me lembro de ter chegado na escola que eu estudava, e estar ocorrendo algo diferente ali. Havia acontecido um acidente de carro gravíssimo com uma das alunas (sua idade deveria ser de 7 a 8 anos). Ela tinha cabelos curto, parecia uma daquelas bonequinhas fofolete. Parte da família se não me engano havia morrido no acidente, e ela estava mal, em coma. A diretora durante os próximos dois ou três dias nos reunia no pátio pra orarmos por aquela menina. Me lembro que depois desses dois ou três dias, fui a um mercado comprar um lápis. Quando eu ia em direção à escola, um colega me viu no caminho e me disse: “Não haverá aula, nossa coleguinha faleceu”. Nossa, pra mim aquilo foi um tremendo susto. Talvez não deveria ter sido porque ela estava em estado gravíssimo, mas eu não era acostumado a receber notícias de crianças que nos deixava. Eu sabia que pessoas velhas partiam, mas eu, na minha mente de criança, não esperava que uma pessoa assim tão novinha pudesse ir pra sempre. E eu me lembrava dela, era como se eu a visse todos os dias correndo com os coleguinhas. Ela gostava tanto de correr, brincar, era muito alegre, tão cheia de vida, mas quis Deus que pra ela a vida se resumisse a apenas 8 anos aqui na terra.
Isso começou a me preparar para as coisas tristes que viriam na vida. As perdas que tive, as amarguras pelas quais passei, os arrependimentos de tudo que eu deveria ter feito, mas não fiz. Não só eu, mas todo mundo passou, passa e passará por felicidades e tristezas em suas vidas. O que precisamos fazer é estar em pé, marchando firme nessa vida, deixar que o tempo não seja desperdiçado, mas que seja aproveitado ao máximo, com coisas boas, pensamentos agradáveis, atitudes que nos faça crescer como seres humanos. Não desistirmos dessa busca incessante pela felicidade.