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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Diretores e seu melhor filme - Segunda parte





William Wyler
Ben-Hur (1959)
Primeiro filme a vencer 11 Oscars, Ben-Hur é a maior superprodução de época do cinema. Uma história de vingança e compaixão, de um dos maiores diretores do cinema americano.

Valerio Zurlini
Dois Destinos (1962)
A história de dois irmãos que se reencontram e têm suas vidas mudadas tragicamente. Obra-prima que conta com a melhor interpretação de Marcello Mastroianni nas telas.

David Cronenberg
Marcas da Violência (2005)
Cronenberg retorna em grande estilo com esse filme estiloso, violento e cheio de suspense. Baseado na história em quadrinhos History of Violence.

Frank Capra
A Felicidade não se Compra (1946) 
Considerado o melhor filme sobre o natal já feito. Obra-prima do genial diretor Frank Capra. Nostálgico e sentimental. É difícil não se emocionar.

Francis Ford Coppola
Apocalypse Now (1979)
O maior épico de guerra já realizado. É um retrato crítico e perturbador da guerra do Vietnã, mostrada de forma por vezes surrealista. Vencedor de 2 Oscars.

Fernando Meirelles
Cidade de Deus  (2002)
Em 2002, o diretor Meirelles surpreende o Brasil (e o mundo) com uma obra-prima que revela o surgimento da Cidade de Deus (no Rio de Janeiro), de forma nua e chocante.

Howard Hawks
Onde Começa o Inferno  (1959)
Um dos últimos exemplares do faroeste clássico. Depois bastante imitado, conta a história da resistência de um xerife e seu grupo contra bandidos que querem livrar um criminoso da cadeia.

Elia Kazan
Uma Rua Chamada Pecado  (1951)
Baseado em uma peça de Tennessee Williams. Um primor de atuação, em que brilham Marlon Brando e a inesquecível Vivien Leigh. Vencedor de 4 Oscars.

Kenji Mizoguchi
Contos da Lua Vaga  (1953)
Para tentar sobreviver a um massacre, uma família foge de sua vila. Longe da esposa, o marido se envolve com uma rainha. Mas nem tudo é o que parece.

David Fincher
Seven – Os 7 Crimes Capitais (1995)
Dois detetives caçam um serial killer que mata suas vítimas de acordo com cada um dos sete crimes capitais. Medo e muita tensão em um dos melhores filmes dos anos 90.

George Stevens
Um Lugar ao Sol  (1951)
Um jovem tenta a sorte na cidade grande e se envolve com uma moça rica. Porém, seu envolvimento anterior com uma colega lhe traz consequências inesperadas. Fantástica interpretação de Montgomery Clift. Vencedor de 6 Oscars.

John Huston
O Tesouro de Sierra Madre  (1948)
Três homens vão em busca de ouro, mas pelo caminho, a ambição faz com que eles se tornem inimigos. Vencedor de 3 Oscars.

Robert zemeckis
Forrest Gump  - O Contador de Histórias (1994)
De criança até a fase adulta, vamos acompanhando a história de Forrest Gump, juntamente com os principais fatos que marcaram os E.U.A em sua época. Vencedor de 6 Oscars.

William Friedkin
Operação França (1971)
Um dos primeiros filmes a mostrar o lado sujo das ruas, e o combate ao tráfico de drogas. A perseguição de carros é memorável. Vencedor de 5 Oscars.

Jean Renoir
A Regra do Jogo  (1937)
Uma festa em uma mansão revela a verdadeira face de patrões e empregados. Grande clássico do cinema francês.

Bob Fosse
All That Jazz  - O Show Deve Continuar (1979)
Coreógrafo vive e morre como se estivesse nos palcos na Broadway. Um dos últimos grandes musicais do cinema, feito pelo excelente coreógrafo Bob Fosse. Vencedor de 4 Oscars.

Jane Campion
O Piano  (1993)
A diretora neozelandesa Jane Capion compõe um filme bonito, poético e trágico. Uma obra-prima que encantou plateias do mundo inteiro. Vencedor de 3 Oscars.

Robert Wise
Amor, Sublime Amor  (1961)
O mais fantástico musical do cinema, baseado em Romeu e Julieta de William Shakespeare. A história de amor entre Toni e Maria e a dificuldade em ficarem juntos. Vencedor de 10 Oscars.

Peter Jackson
Almas Gêmeas  (1994)
Antes da trilogia “O Senhor dos Anéis”, Peter Jackson fez uma obra-prima que conta a história de duas amigas que querem ficar juntas a todo preço. Fantástico.

Joseph l. Mankiewicz
A Malvada (1950)
Bette Davis estrela este filme que é considerado o melhor painel sobre o teatro já feito em Hollywood. Um belíssimo elenco e direção primorosa. Vencedor de 6 Oscars.

Chan-wook Park
Oldboy (2003)
Segunda parte da trilogia da vingança feita por Chan-wook Park, Oldboy é um exercício de estilos, com reviravoltas e muita adrenalina. O cinema sul-coreano em seu melhor momento.

Milos Forman
Amadeus (1984)
Baseado na peça de Peter Shaffer, Amadeus narra as discórdias entre o grande gênio da músico e o compositor Salieri. Requinte, luxo e decadência em uma obra formidável. Vencedor de 8 Oscars.

Tim Burton
Ed Wood (1994)
A história de Ed Wood, considerado o pior diretor de todos os tempos. Uma belíssima homenagem de Tim Burton à paixão pelo cinema. Vencedor de 2 Oscars.

M. Night Shyamalan
O Sexto Sentido (1999)
A história de um menino que vê fantasmas ganhou o mundo e revelou o diretor Shyamalan. Infelizmente seus últimos filmes têm se mostrado de regular a ruim.

Douglas Sirk
Tudo que o Céu Permite (1955)
Uma mulher mais velha se envolve com seu jardineiro. Isso faz com que seus filhos e a sociedade se mostrem preconceituosos. Obra-prima de Sirk, o mestre dos melodramas.

Jacques Demy
Os Guarda-Chuvas do Amor (1964)
Musical francês que conta um romance entre uma vendedora de guarda-chuvas e um mecânico. Mas tudo é interrompido quando ele vai pra a guerra.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Três pequenas reflexões

Esposa: – Querido, olha só que coisa...
Marido: – o que?
Esposa: – As roupas do varal na casa da vizinha. Olha só, estão todas sujas.
Marido: – Hum.
Esposa: –  Vamos ensiná-la a lavar aquelas roupas direito. Leva lá pra ela esse sabão em pó.

No outro dia:

Esposa: – Olha lá, hoje as roupas da vizinha estão todas limpas. Vejo que você levou o sabão pra ela, e ela as esfregou direito.
Marido: – Não querida, eu usei o sabão para limpar a vidraça da nossa janela.


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Fazia tempo que não chovia em uma pequena cidade. Alguém então sugeriu que todos fossem à igreja orar, pedindo chuva. Então todos foram. Quando estão lá dentro da igreja, demora um pouco e começa a chover bem forte, sem parar. De repente uma menina (a única pessoa a levar um guarda-chuva), sai dali e deixa aquelas pessoas esperando por muito tempo a chuva passar. A menina foi a única a crer de verdade no poder da oração.


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Um famoso advogado leva seu cachorrinho á feira. Ele pára em uma barraca e começa a escolher algumas frutas, mas não repara que seu cachorrinho está comendo algumas maçãs estragadas em um caixote que está no chão. O dono da barraca olhando aquilo, se aproxima do advogado e lhe diz:
- Senhor, sei que és um advogado muito famoso, e sendo assim quero me consultar com o senhor.
O advogado diz:
Pois não, em que posso servi-lo?
O homem: - Se um animal de uma pessoa come a mercadoria que não é dele, o que a pessoa prejudicada deve fazer?
O advogado: - Deves cobrar ao dono do animal pela mercadoria consumida.
O homem: - Então doutor, o senhor me deve 5 reais, por seu cachorro ter comido minhas maçãs.
O advogado: - E o senhor me deve 50 reais pela consulta.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Diretores e seu melhor filme - Primeira parte



 Fiz uma lista de cada diretor e seu melhor filme, não segundo o gosto popular e da crítica (ainda que em alguns casos haja semelhanças), mas seguindo meu gosto pessoal.

Alfred Hitchcock
Psicose (1960)
Uma das muitas obras-primas de Hitchcock, Psicose é tido por muitos como o maior suspense já realizado. A cena do chuveiro foi depois muito imitada, e o psicopata Norman Bates entrou para a história.

Pedro Almodóvar
Fale Com Ela (2002)
Um dos melhores filmes da década passada, fale Com Ela mistura sentimentos, relações e perda, em uma história inusitada e poética. Oscar de Roteiro Original.

Woody Allen
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)
Filme que consagrou a genialidade de Allen. Um romance original numa mistura de comédia e drama. Vencedor de 4 Oscars.

Stanley Kubrick
O Iluminado (1980)
Os melhores filmes de terror são aqueles onde tudo é mais sugerido do que mostrado. E Kubrick sabia disso quando colocou um Jack Nicholson enlouquecido em um enorme hotel.

Akira Kurosawa
Rashomon (1950)
O maior diretor japonês da história do cinema nos mostra um crime pelo ponto de vista de 3 pessoas. Um dos melhores filmes da Sétima Arte. Oscar de Filme Estrangeiro.

Steven Spielberg
A Lista de Schindler (1993)
O Holocausto nunca mais seria o mesmo depois que Spielberg transpôs para as telas a trajetória de Oskar Schindler para salvar a vida de vários judeus. Vencedor de 7 Oscars.

Martin Scorsese
Touro Indomável (1980)
A excelente interpretação de Robert De Niro e a genial direção de Scorsese dão o tom nesse filme sobre um lutador de boxe, suas vitórias e derrotas. Vencedor de 2 Oscars.

Quentin Tarantino
Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994)
Mafiosos, lutas de boxes desleais e um assalto que dá errado nessa obra-prima de Tarantino que revolucionou a forma de fazer cinema. Seu segundo filme. Oscar de Roteiro Original.

Jean-Luc Godard
O Demônio das Onze Horas (1965)
Um homem insatisfeito com a vida encontra em uma mulher o motivo para fugir. Porém, a busca por novas motivações terá seu preço. Considerados por muitos como o melhor filme de Godard.

Federico Fellini
Oito e Meio (1963)
Um diretor de cinema  entra em crise. Enquanto isso, lembranças de todas as mulheres que passaram em sua vida começam a torná-lo alguém diferente. Vencedor de 2 Oscars.

Ingmar Bergman
Gritos e Sussurros (1972)
Um dos filmes mais tristes que o cinema já produziu. Bergman fala aqui de dor, sofrimento e a busca pela redenção. Oscar de melhor fotografia.

Francis Ford Coppola
Apocalypse Now (1979)
A busca por um coronel que enlouqueceu em plena selva é o ponto de partida desse filme de guerra visto como um pesadelo. Marlon Brando rouba todas as cenas em que aparece. Vencedor de 2 Oscars. 

Orson Welles
Cidadão Kane (1941)
Votado por muitos como o melhor filme já feito, Cidadão Kane tem o melhor roteiro já visto na história do cinema e um final inesquecível. Excelente em todos os sentidos.. Oscar de Roteiro Original.

Charles Chaplin
Tempos Modernos (1936)
Um sátira à industrialização, Tempos Modernos é também o primeiro filme em que Chaplin introduziria o som. Um dos maiores clássicos da história.

Tim Burton
Ed Wood (1994)
Burton homenageia o cinema, contando a verdadeira história de Ed Wood, do pior diretor de todos os tempos. Em uma cena, Wood encontra Orson Welles. Vencedor de 2 Oscars.

Roman Polanski
Chinatown (1974)
Considerado uns dos melhores roteiros do cinema, Chinatown é um noir colorido, uma trama de mistério com um final antológico. Oscar de Roteiro Original.

David Lynch
O Homem Elefante (1980)
Um homem tem uma rara doença que deformou seu rosto, e tenta viver na sociedade, mas esbarra no preconceito das pessoas. Um dos filmes mais tristes do cinema.

Brian De Palma
Os Intocáveis (1987)
De Palma tem aqui seu melhor momento, levando às telas a história do incorruptível Elliot Ness em sua determinação em prender o terrível mafioso Al Capone.

Hayao Miyazaki
A Viagem de Chihiro (2002)
O mestre da animação japonesa conta a história de uma menina de 10 anos que entra em mundo fantástico e misterioso. Oscar de melhor animação.

Bernardo Bertolucci
O Conformista (1970)
Durante o Fascismo na Itália, um homem recebe uma missão, enquanto acaba se envolvendo demais com uma bela mulher. Grande trabalho de Bertolucci.

John Ford
Rastros de Ódio (1956)
O genial diretor Ford mostra um homem em busca da sobrinha seqüestrada por índios. Ao saber que ela se tornou um deles, ele pretende matá-la. Um dos melhores westerns de todos os tempos

Clint Eastwood
Os Imperdoáveis (1992)
Eastwood dirigiu este que é o melhor western em mais de 20 anos, contando a história de um homem velho que vai em busca de alguns homens que cortaram o rosto de uma prostituta. Vencedor de 4 Oscars.

François Truffaut
A Noite Americana (1973)
O próprio Truffaut interpreta o diretor que comanda uma equipe de filmagem. Uma das maiores homenagens do cinema ao próprio cinema. Oscar de melhor filme estrangeiro.

Michelangelo Antonioni
A Aventura (1960)
Uma mulher desaparecida, a busca incessante por algo que faça sentido e uma história de amor improvável. Antonioni e o início de sua trilogia da incomunicabilidade.

Billy Wilder
Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Dois músicos se vestem de mulheres para não serem mortos, e o encontro com uma estonteante Marilyn Monroe. Uma das melhores comédias do cinema. Oscar de figurino preto-e-branco.

Walter Salles
Central do Brasil (1998)
A amizade entre uma mulher de meia idade e um garoto em uma viagem pelo interior do Brasil. Um dos filmes mais premiados do cinema nacional.


sábado, 17 de setembro de 2011

O Triunfo da Vontade



Em 1934, aconteceu na Alemanha mais um Congresso Nacional-Socialista, onde eram expostos os ideais nazistas, reunindo milhares de alemães, civis, militares e principalmente Adolf Hitler e sua cúpula. Até aí tudo normal, se não fosse por um detalhe: a diretora e ex-atriz Leni Riefenstahl, uma artista que vinha de filmes que se passavam em montanhas geladas. Insatisfeito com a falta de qualidade dos registros de seus discursos, Adolf Hitler vê em Riefenstahl, a pessoa ideal para dar pompa e magnitude aos registros de propagandas naquele ano em Nuremberg. Algo que ficasse marcado na História. E o ditador não estava errado.
Os congressos eram armas perfeitas para alienar a imensa multidão que se reunia para ver e ouvir todo aquele discurso de superioridade, promessas e façanhas. Tudo era registrado pelas lentes de Riefenstahl. Porém, o que seria apenas uma simples filmagem com Hitler, seus seguidores e soldados, se transformou em algo maior, essas filmagens confirmaram que Riefenstahl era uma cineasta genial, uma verdadeira força de talento que usava sua câmera sempre de modo magistral, gigantesco, sem nunca cair no lugar-comum. Para conseguir efeitos devastadores, Riefenstahl (com todo o aval de Hitler) mandou construir equipamentos que facilitassem sua câmera de “passear” por diversos lugares, seja horizontal ou verticalmente, sem que houvesse obstáculo algum. E o que se vê demonstra que as técnicas utilizadas por Riefenstahl revolucionaram o processo cinematográfico. Uma triste ironia, sendo que eram nesses congressos que se reafirmava o domínio de idéias insanas que culminaram com o que hoje todos nós conhecemos: massacres, extermínios em massa, sofrimentos e barbáries. Mas não se pode analisar uma obra apenas pelo ponto de vista técnico, deixando de lado o que tal obra se propõe a dizer. 


As técnicas utilizadas por Riefenstahl captavam todo aquele “espetáculo”, de forma a que tudo parecesse épico. Começa com Hitler chegando de avião a cidade de Nuremberg (cidade onde exatamente anos depois foram julgados os líderes nazistas), depois o ditador dá uma volta pela cidade, onde são mostrados os moradores acenando e glorificando-o. Não é poupado cenas de soldados em demonstrações de fidelidade ao Fuhrer. Aliás, não apenas os soldados lhes juravam fidelidade, mas também as filiações e partido, onde não cansavam de dizer: “A Alemanha é Hitler, Hitler é a Alemanha”. Tudo parecia encenado, ao som de músicas clássicas, bandeiras, símbolos nazistas, aviões, etc. As cenas de milhares de soldados marchando é no mínimo impressionante, e até mesmo aterrorizante, quando sabemos que a real intenção daquele exército era de exterminar milhões de pessoas que não se "encaixavam" nos modelos arianos apresentados por Hitler.
É espantoso ver que milhões de pessoas se deixavam levar pelos terríveis discursos de seu “mentor”. Onde Hitler ia, adultos e crianças faziam questão de estarem por perto, cumprimentar o tirano. Olhavam-no com tanta admiração que nos faz pensar que houve uma lavagem cerebral coletiva naquele povo, porque de outro modo não dá para entender o motivo que fazia com que Hitler, um homem de aparência patética, até mesmo risível, com um bigode quadrado, uma figura chapliniana (o próprio Charles Chaplin o imitou de forma brilhante em O Grande Ditador) pudesse inflamar tanta admiração de um povo que se recuperava da perda na Segunda Guerra. No entanto, era isso mesmo que Hitler sabia usar muito bem: causar naquele povo o espírito de uma nação derrotada que deveria se reerguer, marchar e lutar pela vitória. 


Se Hitler era ridículo em sua aparência, sabia usar de sua incrível oratória para levar toda uma nação ao caos, fazendo acreditar em histórias de superioridades de raças e outros delírios incríveis que pareciam tirados da mitologia grega. Riefenstahl sabia disso muito bem, e utilizou esses discursos eloqüentes para dar asas à sua imaginação e focar no que aquele congresso e aquela cidade tinham a oferecer: um belo panorama, um“estúdio” ou “laboratório”, onde tudo é muito gigantesco, e que em alguns momentos nos faz lembrar filmes épicos no estilo Ben-Hur e Lawrence da Arábia. Nunca se viu tantas pessoas reunidas em um só lugar, um verdadeiro espetáculo onde milhares de soldados, moradores da cidade e a alta cúpula nazista (Josef Goebbels, Hermann Göring, Rudolf Hess, entre muitos outros aliados), com seus sorrisos, aplausos e proclamações de fidelidade ao tirano, deixavam crer que eles realmente acreditavam em tudo aquilo.
Riefenstahl usava um truque genial e até então pouco utilizado no cinema: a câmera ao filmar os discursos de Hitler e seus seguidores, era colocada mais baixa, fazendo com que eles parecessem grandes, imponentes, um recurso que Orson Welles utilizaria em Cidadão Kane (repare na cena do discurso); o diretor japonês Yasujiro Ozu também gostava de filmar com a câmera mais baixa.
Os discursos inflamados pareciam bem melhores sob as lentes de Riefenstahl. Até mesmo bobagens panfletárias ditas por Hitler como: “Não é o Estado que nos criou, mas nós é que criamos o Estado”, parece soar de maneira triunfante. 

Afinal de contas, o que é O Triunfo da Vontade? Para muitos, a maior propaganda de guerra já realizada; há quem ache que seja um jogo de alienação. Mas serve também como uma análise: o cinema também pode ser uma arma quando cai em mãos erradas?
Sim, é bem provável, uma vez que Hitler e sua cúpula utilizaram da Sétima Arte como veículo pra vários filmes onde se exaltava o patriotismo. Esses filmes mostravam jovens se alistando no intuito de morrerem se fosse preciso, tudo pela causa nazista, tudo em nome de Hitler. Geralmente eram filmagens amadoras feitas pela Juventude Hitlerista. Riefenstahl apareceu para revolucionar a maneira de se fazer cinema-propaganda (é dela também o famoso documentário Olympia). Infelizmente ela estava do lado errado e pagou por isso. Depois da Segunda Guerra, Riefenstah foi acusada de usar prisioneiros em seus filmes. Só foi condenada a 4 anos de prisão, mas devido ao seu envolvimento em projetos nazistas (ela sempre negou ser afiliada de tal partido), foi boicotada e nunca mais conseguiu financiamento para seus filmes. Acabou trabalhando com fotografia submarina.
Analisando O Triunfo da Vontade como técnica revolucionária e esquecendo um pouco que se trata de um poderoso discurso de propaganda de guerra, notamos que se trata de uma aula de cinema. Porém, se não dá para esquecer as arbitrariedades proclamadas por Hitler, ao menos podemos ver que por trás daqueles discursos inflamados em Nuremberg se escondia uma das maiores cineastas da história. 


Leni Riefenstahl (centro)






Nota: 5 de 5

Título original: Triumph des Willens



Lançamento: 1935 (Alemanha)

Direção: Leni Riefenstahl



Elenco: Adolf Hitler, Josef Goebbels, Hermann Göring, Rudolf Hess, etc.
 
Duração: 114 minutos



Documentário

domingo, 7 de agosto de 2011

Orientação e direção

Há algum tempo, um amigo me disse o seguinte:

“Tomei um banho, me arrumei, peguei a carteira, depois peguei um ônibus em direção ao centro da cidade. Ao chegar lá, desci do ônibus. Olhei pra um lado, olhei pro outro, tentava me lembrar o que fui fazer ali. Não conseguindo me lembrar, peguei o ônibus de volta e voltei pra casa”.

Parece loucura? Não é. Isso é conseqüência do modo de vida atual em que vivemos. Se no século 20 já era complicado levar uma vida mais tranqüila, o que dizer do século 21, com toda essa globalização, telefones celulares, internet e economia sobe-e-desce?
Certa vez eu estava em um ponto de ônibus, quando vi um homem passar na rua resmungando e gritando. Ele falava ao celular. Um senhor que estava perto de mim, disse:

“Sinto falta do tempo em que, quando alguém falava gritando nas ruas era maluco!”.

O mundo anda de um jeito tão “desorientado” hoje em dia, que fica difícil taxar alguém ou algo de esquisito ou anormal, tamanho o desenvolvimento e aceleração das situações em que vivemos nesse novo século.
Hoje, notei algo na TV que me soou ainda mais banal do que ela já é: alguns programas de TV exibindo melhores vídeos da internet. Mas o público, decidido a dar um pouco de descanso da NET, já não liga a TV em busca de algo diferente? Se bem que, nem todo mundo tem internet em casa. Mas convenhamos, é algo totalmente descartável em vista de inúmeras possibilidades de coisas boas e interessantes que a TV poderia estar mostrando.  Mas é aquela velha questão: O público é refém da TV, aceitando tudo que a mesma oferece. Mas, vídeos da NET é uma maravilha, se olharmos mais a fundo o que passa no restante do tempo. A política do Pão e Circo hoje pode ser aplicada de forma mais ampla na TV. Tudo isso desorienta, forma pessoas que não têm decisão formada, causa um verdadeiro redemoinho de incertezas. 
Mas se a TV aliena o grande público, não é somente ela que domina as massas, ela subverte valores e opiniões, entretanto a ação mais centralizadora da inquietação mundial é a globalização, ou seja, o processo é geral, o planeta Terra em sua rotação e translação segue seu curso e volta para o mesmo lugar. Estou querendo dizer que andamos em círculo, sem uma direção definida? A resposta é sim e não. Sim, porque no mundo não existe apenas pessoas boas, preocupadas não apenas consigo mesmas, mas aptas a colaborarem para uma vida melhor em conjunto, lutando pela igualdade e justiça. Infelizmente, como em um filme, convivemos com “vilões” que querem acabar com o próximo, seja esse vilão um criminoso que rouba, mata e destrói, seja ele alguém desleal que puxa o tapete e não quer ver ninguém ter sucesso na vida, ou seja ele um hipócrita, ambicioso e desiludido que só que ver a ele mesmo. E não, porque felizmente muitos de nós fazemos a nossa parte. Não podemos mudar o mundo como desejaríamos, mas podemos lutar para que tudo não se afunde e se perca. 
Inquietação, desilusão e falta de rumo é uma constante na vida do homem, desde a criação do mundo. O que faz a diferença, o que muda tudo isso, o que faz com que para alguns seja menos doloroso do que para outros, é a força de vontade e fé de cada um. É a persistência em vencer os desafios, é estar disposto a negar o que a vida oferece de enganoso, e abraçar tudo o que representa o amor, a solidariedade, a compreensão. É formar idéias construtivas, é se alegrar com a vitória de quem está perto de você, é compartilhar os momentos bons, e estar ao lado de quem está passando por momentos de dor. É sentir o sol em seu rosto, o vento em seus cabelos, e ver que tudo aquilo lhe foi dado de presente para que você possa aproveitar o melhor que a vida tem a lhe oferecer, sem estar se preocupando com coisas banais, não estar ansioso pelo o que não lhe trará felicidade, não desejar que seu amigo tropece quando você está caído, mas desejar que ele te puxe pelas mãos e ambos possam estar levantados.
Esses últimos dias venho lendo no Facebook tantas palavras bonitas e de conforto, escritas por pessoas que acreditam em si mesmas, no próximo, e o mais importante: acreditam em Deus. Pessoas que estão de bem consigo mesmas, porque só assim conseguem estar de bem com os pais, os irmãos, os vizinhos, os amigos.

Nossa bússola principal é Deus, sem Ele não vamos a lugar algum. Guiemos-nos por Ele, e assim, consequentemente teremos a devida e sábia orientação para a solução dos nossos problemas, angústias, frustrações, dúvidas e anseios. Assim sendo, caminhemos em frente, rumo a uma direção melhor, sem nos perdermos pelo caminho.

domingo, 31 de julho de 2011

Vá e Veja




Bielorrússia, 1942, em meio a Segunda Guerra, o adolescente Florya une-se a um grupo anti-nazista, mesmo contra a vontade de sua mãe. Ao sair de casa naquele momento e se aliando àquele grupo de resistência, Florya estará saindo e vendo o que até então ele desconhecia pessoalmente. A trajetória do jovem é nada menos que brutal, a começar pelo mau tratamento do próprio exercito que ele acabara de compor. Em meio a isso, o pior estaria por vir: bombas alemãs atingem o vilarejo onde eles estão, resta a Florya fugir dali juntamente com uma moça que parece ser um caso mal explicado do líder do pelotão. O nome dela é Glasha. Mas o pesadelo de Florya estará apenas começando, quando ele descobre algo bárbaro ao voltar para casa. Ao sair em busca de alimento para o povo de seu vilarejo, ele acaba por vivenciar uma das piores atrocidades praticadas pelos nazistas: o extermínio de toda uma aldeia.
Se o enredo dessa história pareceu forte, prepare-se, você precisa vê-lo em imagens. Algumas das cenas mais impactantes do cinema estão contidas em Vá e Veja, um dos registros mais ferozes da guerra já feitos. Quase duas horas e meia de um doloroso processo de sobrevivência. Para Florya, a morte está em cada passo, em cada tiro, em cada olhar, em cada sombra, em cada palavra expressa. Ele sabe que, suas chances de sair vivo dali são mínimas. Mas ainda assim, surdo em decorrência de bombas, e aparentemente louco, ele luta com todas as forças para escapar daquele tormento.
O diretor Elem Klimov revolucionou a arte de fazer cinema, com uma narração nada menos que espetacular, onde o som tem uma importância fundamental. Mas são as chocantes imagens que dão toda a dimensão do horror vivido. Sua técnica de filmagem é impressionante, revelando um cineasta fabuloso, mas que infelizmente era (e ainda é) desconhecido pelo grande público fora de seu país. Klimov faleceu em 2003, mas deixou além de outras obras, a maior jornada fílmica de medo e dor dos últimos tempos: Vá e Veja.
Baseado em sua própria infância em meio a guerra, Klimov não poupa seu protagonista e nem o público, despejando uma sucessão de acontecimentos que mais se assemelham a um filme de terror. Aliás, é no terror que Vá e Veja mais se concentra, quando vemos o jovem Florya no início bem arrumado, e quando o vemos no final. Só sabemos que é a mesma pessoa porque o acompanhamos em sua jornada, caso contrário seria difícil dizer que o Florya do desfecho, envelhecido e cheio de marcas, é aquele mesmo jovem do início. A espantosa transformação física de Florya é o retrato de toda a guerra, os horrores do Holocausto, a luta para não morrer de forma gratuita. Dizem que o ator Alexei Kravchenko (brilhante, no papel de Florya), teria sido hipnotizado, afim de não sofrer sobrecarga emocional e danos mentais, tamanha a força das cenas.
As cenas de Vá e Veja impressionam, e muito. Só para se ter uma idéia, a jovem Glasha ao conhecer Florya, é mostrada de forma sinistra. Ela, com os olhos visivelmente vesgos, ao mirar em Florya, nos é mostrada como num filme de suspense, quando chegamos a querer que a cena mude de foco. Mas ao contrário de seu novo amigo, Glasha vai se humanizando, demonstrando mais sanidade e percepção, como no momento em que ela percebe que algo está terrivelmente errado na casa de Florya.
A loucura e o medo está presente a todo momento em Vá e Veja. O único momento de descontração de Florya é quando ele e Glasha estão na chuva, e ela dança pra ele. De resto, só vemos o horror incutido em cada cena.
E horror é o que melhor define as cenas finais quando vemos a mais chocante barbárie já mostrada nas telas, feita por soldados nazistas. São alguns minutos de pura dor e revolta, que dificilmente sairá de nossa mente. Simplesmente chocante, onde a selvageria animal dos soldados alemãos vai de estrupos a assassinatos. Ao final, um momento antológico, quando Florya atira no passado, fazendo com metaforicamente, a guerra e seu mentor Adolf Hitler sumam da existência humana. É um desfecho no mínimo genial, um grito de revolta contra o mal em sua essência mais concreta existente no século 20.
Um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos, Vá e Veja não é uma obra recomendada apenas para cinéfilos ou estudantes de cinema, mas também para todos que buscam conhecer um dos períodos mais tristes e cruéis da história humana. Porém, nunca é demais avisar que se trata de um filme forte e brutal, onde, quem é mais sensível a imagens de forte impacto, deve de certa forma evitar em ver. Quem se aventurar em embarcar na jornada de medo e loucura de Vá e Veja, jamais irá esquecê-lo. 


Nota: 5 de 5

Título original: Idi i smotri

Lançamento: 1985 (Rússia)

Direção: Elem Klimov

Elenco: Aleksei Kravchenko, Olga Mironova, Liubomiras Lauciavicius, Vladas Bagdonas, Juris Lumiste

Duração: 142 minutos

Drama/Guerra