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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Minha amiga Nara


Não posso deixar de falar aqui de uma pessoa maravilhosa chamada Nara, uma pessoa que conheço a tão pouco tempo, mas que tem um lugar especial em meu coração. É uma pessoa especial entre as pessoas especiais que conheço. Estou escrevendo esse texto sobre ela, porque ela me tem inspirado muito aqui no blog e porque ela é alguém que merece ser lembrada pela pessoa que é. È alguém de bem com a vida, muitíssimo inteligente, sorridente e muito meiga. Nara (ou Narinha) é da cidade do Piauí, faz faculdade de Letras, se preocupa em ajudar os jovens em uma comunidade do bairro, toma conta do sobrinho recém-nascido chamado Augusto (ela é titia coruja, rsrs), e ainda é escritora de mão cheia. Por sinal, uma grande artista.  Nara não é açúcar, mas é um doce de pessoa. Costumo dizer a Nara  que é uma pena a gente morar tão longe. Se fosse mais perto, eu a pediria em casamento (rsrs, depois dessa ela me mata!) Poucas vezes em minha vida conheci alguém que me incentivasse e gostasse tanto do que escrevo. Pode até ser que futuramente a distância acabe por nos tirar essa amizade (porém, é o que eu jamais desejaria), mas com certeza guardarei essa pessoa tão linda em meu coração. Quem lê meus textos aqui no blog, sabe que guardo certa mágoa desse nosso país, pois ao trabalhar de casa em casa, eu vejo o sofrimento do povo brasileiro na sua realidade mais crua, suas desigualdades e injustiças. E aí eu me pergunto: Porque não temos mais “Naras” por aí? Faria uma enorme diferença. Mas sei que, na cidade onde ela mora, ela faz a parte dela, se importando em passar seus conhecimentos para aquelas pessoas de poucos recursos financeiros.
Olhem só o que ela me escreveu, sobre os planos futuros para o seu sobrinho Augusto que ainda não havia nascido:

“Kley,
Obrigada!
Eu estou tão feliz... e já fiz planos... ele vai conhecer as artes, literatura e cinema é claro...
vou contar historinhas para ele, inventar historinhas sendo ele o personagem principal... vou cantar, etc.
Amor, carinho, cultura e muito mais não irão lhe faltar!!
Kkkk”

Nara em seu blog nunca esquece de mim e nem da Fran (uma amiga que nós temos em comum, uma pessoa igualmente maravilhosa). Ela está sempre contando fatos acontecidos com ela, na forma de diários. Às vezes eu a chamo de nova Anne Frank, rsrs. Mas creio que o apelido melhor seja: “Uma nova Clarice Lispector”.
Outros apelidados que a chamo são: My Fair Lady e Boquinha de Morango, rsrs.
Enfim, Nara é uma amiga que todos nós sempre desejamos ter. Alguém pra se trancar dentro do coração e esconder a chave pra nunca mais abrir.
Nara assina os comentários aqui no blog com o nome: A. R. MORAES. E seu blog é: http://limitesdesconhecidos.blogspot.com/
Que ela continue sendo sempre essa pessoa bem feliz e espontânea, e que o pequeno Augusto possa seguir seus passos, pois, ter uma titia dessa é ter um dicionário do lado. Um dicionário não só de conhecimentos, mas de coisas agradáveis e maravilhosas.

Os Quadros das Crianças Chorando



Se você não tem em sua casa um desses quadros de crianças chorando, pelo menos já deve ter visto algum por aí. Aqui no Brasil essas pinturas são bastante comuns. São obras pintadas em sua grande maioria por um italiano chamado Giovanni Bragolin nos anos 70 e 80. Na verdade, Bragolin pode ter sido outra pessoa (ou outras pessoas), até mesmo de outro país. Esses quadros são vendidos mundo afora, e têm uma grande circulação por onde chegam.
Mas o que muitas pessoas não sabem é que esses quadros têm fama de obras diabólicas. Pessoas interessadas em desvendar os mistérios desses quadros apontam-lhes mensagens subliminares. Dizem que há elementos sugerindo sofrimentos a essas crianças, tipo mãos lhes sufocando, e que, ao colocá-los de cabeça para baixo, percebe-se alguns contextos malignos contidos neles.
Daí vem a pergunta: Por que alguém acharia legal ter quadros de crianças chorando? Se a gente não se sente bem em ver um adulto chorando, o que dizer então de uma criança? Queremos ver crianças sorrindo, alegres e descontraídas. Que ser humano dito normal tem prazer em olhar pra um quadro e ver ali só tristeza representado na figura de uma criança? Daí já se tira que algo está errado. Não vou me sentir bem em olhar pra algo que me faça sentir deprimido.
Há muitas histórias cercando essas pinturas, algumas delas são:
- Esses quadros causariam incêndios em residências. No final, em meio às cinzas esses quadros estariam intactos. O choro representaria a tragédia que estaria pra acontecer.
- O próprio autor dessas obras teria afirmado ter feito um pacto com o diabo pra propagar esses quadros que de certa forma não têm justificativa pra terem se tornado tão famosas.
- As pupilas dos olhos dessas crianças estariam dilatadas, significando que elas já estariam mortas quando o pintor as usavam como modelo.
Mito ou não, verdade ou mentira, de uma coisa não podemos discordar: Quadros de crianças chorando não alegram e nem elevam ao bem estar a vida de ninguém. Pelo contrário, só espalham tristeza e amargura.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

X-Men - Dias de um Futuro Esquecido




Em um futuro não definido, o grupo de mutantes chamados X-Men, sofrerá a mais impiedosa perseguição de suas vidas. Mas não serão apenas eles as maiores vítimas, mas todos os mutantes e consequentemente a raça humana também. Depois de ter acontecido algo muito sério no futuro, uma espécie de invasão de umas máquinas de guerras robotizadas, o futuro se torna um caos. Frente a isso, o que restou do grupo tenta uma resistência e manda ao passado a integrante Kitty Pride a fim de que esta possa avisar a eles mesmos no tempo presente e assim consequentemente, eles fazerem de tudo para impedirem a catástrofe.
No futuro, os mutantes serão caçados, aqueles que não morrerem em combate serão presos e mantidos em campos de isolamento (uma clara alusão aos Campos de Concentração mantidos durante a Segunda Guerra Mundial). Em 2018, antes que os robôs gigantes chamados Sentinelas acabem de vez com o que sobrou da humanidade, um pequeno grupo dos mutantes ainda vivos conta com a ajuda da Kitty no ano de 1981 (ano de publicação da história). Os mutantes do presente a princípio relutam em aceitar essa história absurda, mas aos poucos vão se dando conta de que é tudo verdade.
Então vemos duas épocas se integrarem em uma única história: no presente os X-men lutam contra a irmandade de mutantes para terem sucesso na missão de mudarem seus destinos, e no futuro eles vão sendo perseguidos e mortos pelos Sentinelas.
Essa história em quadrinhos foi criada em 1981, por Chris Clareamont (roteiro), John Byrne (co-roteiro e desenhos) e Terry Austin (arte-final), e com o passar do tempo se tornou juntamente com a saga Fênix Negra as duas melhores histórias dos X-Men. É de fato um belo trabalho, tendo influenciado de certa forma o diretor James Cameron a fazer o seu O Exterminador do Futuro. Repare nas semelhanças entre essa história dos mutantes e o filme de Cameron. Muitos outros filmes, HQs e séries de TV beberam da fonte dessa saga apocalíptica e hoje é uma grande referência no meio artístico.
Dias de um Futuro Esquecido é um ótimo material pra curiosos e novos leitores que querem conhecer o que há de melhor na fase de ouro dos super-heróis da Marvel. Quase 30 anos depois de sua publicação, ainda continua bastante atual.

terça-feira, 22 de junho de 2010

1984 - Um estudo sobre a Distopia

Várias pessoas ao redor do mundo apontam 1984 como o melhor livro do século 21. Exagero? Creio que não. Estamos diante de uma das obras mais lidas, discutidas e interpretadas da história da literatura nas últimas décadas. O livro definitivo sobre a Distopia (Totalitarismo, forma de oprimir massivamente um povo, vigiando-as e tirando toda e qualquer liberdade de toda uma sociedade).
Escrita em 1948 pelo inglês Eric Arthur Blair, ou George Orwell como é bem mais conhecido, 1984 narra o drama de Winston Smith, um funcionário do “Ministério da Verdade”, encarregado de alterar documentos que vão contra o regime autoritário no qual ele está subjugado, e também expandir falsas idéias democráticas. As propagandas precisam favorecer o autoritarismo, e tudo é vigiado por Teletelas, onde o Grande Irmão observa tudo em suas casas; nada escapa ao vigia que está em forma de TVs nas paredes dos lares dos cidadãos . Winston é um insatisfeito, ele acredita que tudo pode mudar, voltar a ser como era antes, uma sociedade livre. Ele conhece uma funcionária que divide com ele todas as opiniões de que esse terror deve acabar. Ela lhe dá um bilhete onde está escrito: “Eu te amo”. Porém tudo é feito às escuras, porque tudo é proibido, até mesmo o contato sentimental entre homens e mulheres. Suas idéias e sentimentos são mantidos em segredo total. Mas a confiança ao novo ideal de liberdade os fazem recorrer a um aparente aliado nessa luta: um funcionário do alto escalão que os propõem a ajudá-los, mas tudo não passa de um plano do regime para saber quem se atreviam a desafiá-los; traídos por esse funcionário, eles são submetidos à torturas. Sem saída, eles recuam e cedem novamente ao grande pesadelo. Um pesadelo que forma uma sociedade de detenção, uma anarquia disfarçada de Estado. Ali, dois mais dois são cinco, e se você alguém negar isso, estará negando ao sistema, e a punição para os que assim o fazem é severa. Winston sabia que não deveria se atrever a ir contra um regime tão corrupto que age de forma onipresente, vigiando a todos e tudo. Mas ele sabia também que algo precisava ser feito, ou ao menos tentado, e é aí que a história ganha contornos de revolta, desespero e insubordinação.
Em 1948, o mundo já havia presenciado duas grandes guerras num período relativamente curto. A Alemanha e a Itália tentavam impor seus autoritarismos com o Nazismo e o Fascismo, respectivamente. Na Espanha, o general Francisco Franco espalhava seu regime nocivo; na Rússia, Josef Stalin não fazia por menos. Baseando-se nesses horríveis retratos da realidade, Orwell escreve seu 1984, sob uma forma de alerta, nos mostrando que uma forma de governo que adquire um apoio coletivo no início (um exemplo maior foi a simpatia do povo alemão pelas idéias de “mudanças” de Adolf Hitler, que culminou em uma das maiores tragédias a que se tem notícia na história mundial) pode trazer conseqüências drásticas a todo um povo e até mesmo ter sérias conseqüências no mundo inteiro.
Mas Orwell não condena em sua obra apenas os regimes visíveis a todos, mas também algumas coisas que não parecem, mas no fundo têm conteúdo de controle de uma sociedade, mas que não se apresenta de forma transparente. A censura foi um dos grandes males de diversos países, inclusive no Brasil. E ainda o é em alguns países por aí. Em muitos casos vemos essas censuras de forma “discreta” em países ditos democráticos, disfarçados de leis ou regras, mas que no fundo não passam de “fiscalizações autoritárias”. Uma das maiores influências de Orwell, parece ter sido o Absolutismo francês. A Revolução Francesa é também um grande espelho dessa obra. Daí tiramos a conclusão de que sempre na história da humanidade houveram déspotas decididos a aniquilarem o poder de liberdade das pessoas. No mundo atual, em maior ou menor grau, não é diferente. Quem já não se sentiu ou se sente de alguma forma vigiado? Quem não se sente calado por um governo mentiroso que se diz do lado do povo? Quem não se sente num emaranhado de situações burocráticas?
!984 influenciou várias mídias,como a TV e o cinema, além da própria literatura. No cinema, filmes como V de Vingança (Baseado nos quadrinhos de Alan Moore) e A Vida dos Outros falam de sociedades vigiadas e controladas. Na TV, deu nome a um programa discutível chamado Big Brother (Grande Irmão).
Entre outros livros, Orwell escreveu também A Revolução dos Bichos (1945), no qual faz uma severa crítica ao sistema opressivo, quando um bando de animais se revolta contra seu dono e toma o poder, mas esse mesmo poder nas mãos de alguns homens tende a criar um caos ainda maior do que antes. Uma clara alusão a regimes como os de Robespierre pós Revolução Francesa, e Stalin pós Revolução Russa, entre vários outros regimes estendidos a vários séculos.
A luta pela liberdade às vezes traz uma escravidão pior do que a que era vivida antes. O Brasil, um país pobre, injusto, com péssima distribuição de renda e serviços precários de saúde, segurança e educação, é um prato cheio para que a maioria da população venha a dar créditos a políticos que prometem mil soluções, mas no fim só escravizam um povo já maltratado, tornando-os desesperançosos. Mas há uma frase que diz: O povo tem o governo que merece.
Em A Peste, do escritor francês Albert Camus, no último parágrafo está escrito:

“Na verdade, ao ouvir os gritos de alegria que vinham da cidade, Rieux lembrava-se de que essa alegria estava sempre ameaçada. Porque ele sabia o que essa multidão eufórica ignorava e se pode ler nos livros: o bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido nos móveis e na roupa, espera pacientemente nos quartos, nos porões, nos baús, nos lenços e na papelada. E sabia, também, que viria talvez o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz.”

Se o mundo não tomar cuidado, o mesmo pode acontecer com a liberdade dos povos. No lugar de ratos, serão homens que virão sorrateiramente, enganando a todos, e quando menos se perceber, já estarão no poder escravizando a todos e espalhando uma “peste” chamada totalitarismo.



quinta-feira, 17 de junho de 2010

Tempos difíceis

Você tem sua vida, não deve nada a ninguém no que diz respeito a ter que dar satisfações, mas vive de uma maneira que fica parecendo que algumas pessoas são donas de você. Amigos, ou ditos amigos lhe apunhala de alguma forma, você se frustra. Vai resolver um pequeno problema com o cartão de crédito ou saldo bancário e se vê num emaranhado de burocracia típico desse país atrasado no qual vivemos. Você percebe que tudo parece uma conspiração pra te deixar pra baixo. É curioso como as coisas nos dias de hoje já não conseguem mais se encaixar: Empregos desfavoráveis, amigos muitas vezes traíras, relacionamentos frustrados, espera de uma felicidade que parece não chegar. Você tenta fazer tudo da maneira correta, mas as pessoas de alguma forma não reconhecem o que você faz. Se você é uma pessoa séria, dizem que você é metido (a), se é uma pessoa brincalhona, dizem que você é bestalhão (a), se você é sério e brincalhão, dizem que você é falso (a). Ou seja, de qualquer forma você estará desagradando. Então, como se comportar em meio à sociedade? Mas você não deve nada a ninguém, “então que se exploda todo mundo”!, Diz você. Mas você não pode morar em um mundo habitado por pessoas que se dizem civilizadas e de alguma forma não se importar com algumas coisas. Então as coisas tomam rumos complicados de se resolver.
Na geração atual vemos muitas pessoas agressivas, incompreensíveis, intolerantes, infiéis, debochadas, violentas, desprezíveis, infiéis, enganadoras, interesseiras, incorretas, julgadoras, etc. Então como viver de maneira correta em meio a tantas víboras? Ou você luta contra tudo isso, se mantém distante dessa corja, ou você acaba se rendendo a tudo isso, e quando você percebe, já está vivendo do modo deles. Claro que ninguém é perfeito, mas como saber que você não está entre essas víboras? Fácil, você lê esse texto e se avalia, faz uma auto-análise de seu caráter e comportamento. Eu particularmente sei que não me encaixo em nada do que escrevi sobre a geração de hoje. Posso dizer que sou decepcionado, frustrado e triste com o mundo atual, e digo até mesmo que não espero grande coisa pro futuro. Não, não estou sendo melancólico ou pessimista, isso é bíblico.
Que pai ou mãe não se preocupa com o futuro que seus filhos viverão daqui pra frente? As preocupações triplicaram: pedofilias, doenças sexualmente transmissíveis, índices alarmantes de violência, álcool propagado e liberado à vontade, uso crescente de drogas, imoralidade aos nossos olhos, enfim, a bestialidade encarnou no modo de vida da humanidade ainda mais do que nos velhos tempos.
Em 2008 houve um terremoto na China que matou milhares de pessoas; um repórter de uma TV estava com o embaixador brasileiro da China ao telefone, ele ao invés de lhe perguntar sobre as medidas a serem tomadas naquele triste acontecimento, espantou pelo menos a mim, quando perguntou:
“Senhor embaixador, os Jogos Olímpicos sofrerão alguma mudança em relação a isso”?
O elemento estava mais preocupado com esporte do que com as milhares de pessoas que tombaram em meio aquela tragédia. Isso nos mostra que a humanidade em certa parcela (obviamente seria injusto colocar como um todo da população) já não se importa com a humanidade, deixando isso em segundo plano em prol de torneios esportivos, diversões, interesses próprios, etc. Nada mais vergonhoso pra raça humana. Depois reclamam que tudo vai de mal a pior.
Diferentemente dos filmes ou livros de ficção científica no qual alienígenas vêm à Terra e destroem o nosso planeta, na vida real o homem é objeto de sua própria destruição. É demagogia falar de paz, nos tempos de hoje. Sair nas ruas pedindo paz é algo banal. Pedir paz pra quem? Pra mim e você que não matamos, roubamos e nem destruímos? Por que se for pedir paz a bandido, sinto muito, mas isso é uma tremenda falta de raciocínio lógico. Bandido já é um sujeito frio, impiedoso. Será que essas pessoas da “paz” acham mesmo que saírem de branco pelas ruas em passeatas, abraçar o estádio do Maracanã ou fazer shows em prol da não-violência fará com que criminosos se comovam com tudo isso e deixem de praticar violências e mortes?
Às vezes eu tento entender como as coisas se tornaram tão ridículas. Por exemplo, a mídia dá tanta ênfase em políticos ladrões e crimes praticados por gente da classe média alta. Sabemos que em nenhum dos dois casos haverá justiça. No fim tudo acabará da melhor forma, para os réus é claro. Quem acredita que aquele casal que jogou a criança de um dos andares do prédio em que morava, ficarão de fato presos por muito tempo? A hipocrisia tomou conta do circo e não tem como se esperar mais nada de bom.
Num país onde um governante promete que a fome seria extinta, crianças índias lieralmente morrem de fome no estado do Norte. Então devemos mesmo acreditar nos políticos e politicagens que comandam esse país? Nunca.
Aqui tudo vira-se rei de tudo: dos baixinhos, do futebol, da jovem-guarda. Se isso de fato fizesse um pingo de diferença, seria até bom, não acha?
Quem nesse mundo cai em ganâncias, correndo atrás de prosperidades financeiras a todo custo, se mostra o mais coitado dos seres humanos. A História nos mostra que a busca excessiva por riquezas materiais só trazem conseqüências amargas. Logicamente todas as pessoas devem correr atrás de melhoras, de uma vida melhor, mas nunca colocar isso como uma meta obsessiva de vida. Porque se assim for, estará na verdade perdendo tudo ao seu redor.
O ser humano (mais uma vez não generalizo) sodomizou tanto esse mundo, o transformando numa moradia de perversões sexuais, torpezas e malignidades, que estão sofrendo o efeito “bate e volta”. Tudo que se faz de mal tem um retorno. Pessoas boas sofrem? Claro, e muito. Mas pessoas más sofrem muito mais. Cada ação tem uma reação. A justiça pra essas pessoas perversas e impiedosas não vêm das mãos de homens, mas das mãos de Deus.
Está tudo muito ruim? Com certeza está, dizer que não seria fechar os olhos e não enxergar que tudo está longe de se ter solução.
Se você que está passando por problemas sérios, mas não se vende ao que é podre, espere que tudo se resolverá pelas mãos de Deus (não dos homens). De resto, não acredite que felicidade virá sobre formas de promessas de homens, numa pessoa amada, num curso superior dos seus sonhos, num grande emprego, naquela viagem tão desejada...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Sem Novidade no Front



De todos os mais de 80 filmes vencedores do Oscar principal, esse é um dos mais fortes e inesquecíveis. Uma obra-prima, considerada por muitos como um dos dez melhores filmes de guerra da história e o melhor filme anti-guerra de todos os tempos. O ponto de partida já é por si só bastante curioso: tudo é visto através da ótica de soldados alemães.
Durante a Primeira Guerra Mundial, na Alemanha, sete alunos em um colégio se deixam levar por discursos patrióticos de um velho professor e se alistam pra lutarem na guerra e assim servirem a seu país. Em campo de batalha eles descobrem tardiamente que tudo isso foi um grande engano, passando pelos maiores temores e vivendo situações aterrorizantes, convivendo com o inimigo à espreita, fome, doenças, mortes e a sensação de que tudo poderia ter sido diferente se eles não tivessem se deixados enganar pelas palavras nacionalistas daquele professor. Descobrem que a prática é diferente da teoria, e percebem que, com todo aquele horror, alguns sentimentos podem se transformar em desespero, raiva e até individualismo, como um dos soldados que ao ver o amigo com as pernas amputadas lhe pede suas botas, sem ao menos pensar no sofrimento daquele. Dos sete soldados, vemos um a um sendo dizimados, a guerra não lhes reserva vitória nem esperança de voltarem pra casa, tudo o que lhes restam é a morte. Como em Nascido para Matar de Stanley Kubrick, onde soldados já vivem momentos de aflição em pleno treinamento, aqui, os soldados se vêem sob as ordens de um velho carteiro que se tornou oficial e faz de tudo para humilhá-los e sobrecarregá-los. Jogados em uma missão, eles vão parar em um pelotão comandado por um cozinheiro que tenta em vão lhes ensinar as técnicas de sobrevivência. No primeiro ato de luta, já sabemos que escapar daquilo tudo é uma tarefa bastante difícil. O diretor Lewis Milestone, vindo do cinema mudo, demonstra uma técnica invejável numa época em que o cinema ainda engatilhava. Milestone utiliza uma fotografia suja, com traços às vezes expressionistas pra demonstrar todo aquele horror. Numa cena, vemos um soldado usando o par de botas que citei mais acima. Esse soldado logo é morto e depois outro soldado usa aquelas botas, mas em seguida também não fica vivo pra desfrutar delas. Aí vimos que tudo se equipara a um pesadelo, onde tudo é incerto, menos a morte. Não só as seqüências de guerra são mostradas de forma crua e brilhante, mas também os momentos de descontração e loucura dos soldados. Tudo é tão verdadeiro que às vezes se confunde com um documentário. Engana-se quem achar que Sem Novidade no Front por ser um filme de oitenta anos atrás não contém cenas brutais, pois isso é o que mais vemos aqui. O filme se concentra principalmente na figura do soldado Paul Bäumer (interpretado por Lew Ayres). Ele não é nem covarde nem metido a corajoso, mas igual a maioria de tantos milhões de combatentes. Aliás, é esse personagem que faz esse filme exalar mais veracidade, pois ele sofre, ri, reflete e anseia, ele simplesmente nos mostra como um ser humano pode mudar quando se encontra em uma situação de desespero e dor. Numa cena, Paul fere um inimigo em uma vala e ali ficam apenas eles dois; aos poucos ele começa a sentir remorso pelo que fez e tenta salvar a vida do oponente. Ao ver que aquele homem morreu, Paul promete ajudar sua esposa e filho. Mas depois o comandante lhe diz que a guerra é assim mesmo: ou mata ou morre e tudo é esquecido. Ou seja, não há espaço pra piedade em meio a tanto tormento.
Há muitos momentos marcantes fora os já citados, como a visita de três soldados em uma vila onde moram três mulheres famintas de fome; o hospital de freiras onde parece impossível algum paciente sair vivo ou sem seqüelas dali; o reencontro de Paul e sua mãe.
Pouco antes do final, Paul volta ao colégio onde tudo se iniciara. Ali, a pedido do mesmo professor, ele fala àqueles alunos, mas ao contrário do que o velho homem aguardava, Paul o surpreende e despeja ali um discurso corajoso e inesperado, onde entre outras coisas diz: “É sujo e doloroso morrer pelo seu país. Quando vier a morrer por seu país é melhor morrer por nada”!
O final triste nos faz refletir sobre a inutilidade de todas as guerras. Ótimos filmes como O Franco-Atirador de Michael Cimino e Nascido em 4 de Julho de Oliver Stone são outros exemplos de jovens iludidos por um patriotismo exacerbado que no fim só leva à auto-destruição.
Sem Novidade no Front foi o terceiro filme da história a vencer o Oscar de melhor filme. Lewis Milestone também venceu como melhor diretor. Ficou anos proibido na Alemanha nazista e na França, sendo liberado sua exibição muitos anos depois.
Um filme indiscutivelmente importante tanto para cinéfilos quanto para aqueles que se interessam por uma história onde a verdade por mais dolorosa que seja, é jogada na cara e atinge como um soco forte no estômago.


Nota: 5 de 5

Ttitulo original: All Quiet on the Western Front

Lançamento: 1930 (EUA)

Direção: Lewis Milestone

Atores: Lew Ayres, Louis Wolheim, John Wray, Ben Alexander e Arnold Lucy

Duração: 131 min

Gênero: Guerra



quarta-feira, 9 de junho de 2010

Voltando aos velhos tempos

Hoje foi meu primeiro dia do cursinho pré-vestibular. Pra começar, tive que encarar logo de cara três aulas de física. E eu que sempre quis distância de matérias como física, matemática e química. E olha que não sou dos piores em matemática, e sou muito bom em psicotestes, mas dizem que, quem gosta de ciências humanas não gosta de ciências exatas, e vice-versa. Mas pra minha surpresa, foi uma aula muito agradável, e o professor é bem legal, bastante comunicativo, não se prendendo apenas a passar assuntos, mas interagindo de forma muito espontânea com os alunos, acho que isso faz toda a diferença, o modo como um professor ensina. Já repararam que vários professores de matérias de ciências exatas se comportam como militares? Cara fechada, com jeito de poucos amigos.
Depois das aulas de física, tivemos a matéria que eu mais gosto: literatura. A professora é muito legal, super alegre e carismática. Naquela aula me senti em casa, voltando aos velhos tempos em que eu mergulhava nas leituras das escolas literárias. Mas percebi que não enferrujei e continuo sabendo algumas coisas sobre essa tão rica matéria. Eu sentia falta de uma sala de aula, a última vez que tive aulas assim foi na preparação pra um concurso há alguns anos. Sentia falta dessa interação com as pessoas, aquela sensação de coletividade. Fiquei meio surpreso com o fato de, a maioria optar pelo curso de Administração, até então eu não me dava conta que esse curso era tão querido e concorrido, fui um dos poucos que não optou por ele.
Em aulas de literatura, gramática, redação e história, quando os professores perguntam algo do tipo: “Alguém aí sabe quem foi...” ou “Me dêem alguns exemplos de...”, eu feito um menino buchudo comedor de terra, desses bem chatinhos em sala de aula, gritava logo: “Eu sei, professor!”, me empolgo todo e quero responder tudo que eu sei, lógico se eu souber do que se trata. É muito legal e no fim das contas se torna muito gratificante, não só pelo aprendizado, mas também pelo companheirismo. Espero que dê tudo certo nos próximos meses, e que as aulas sejam bem produtivas como foram as de hoje.
Vivemos num país desigual, injusto e sem grandes oportunidades, por isso, é preciso estudar, se preparar e procurar seguir adiante em nossas metas.
É isso aí.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Um vício maldito chamado bebida alcoólica

Certa vez, quando eu tomava muito café (hoje não tomo mais, ficando apenas com chás, sucos, refrigerantes...) um grupo freqüentador de bar me disse na pensão onde estávamos que, o café era tão prejudicial à saúde quanto a bebida alcoólica. Eu lhes respondi o seguinte: Vocês já ouviram dizer que houve uma briga porque alguém tomou café? Alguém já chegou altas horas da noite espancando esposa e filhos porque tomou café? Alguém já bateu ou virou o carro porque tomou café?
Isso só serve pra mostrar que as pessoas procuram de qualquer modo mentir pra si próprias, se enganarem em prol de seus próprios prazeres. O álcool em alguns países é o maior causador de mortes no trânsito, ou seja, o álcool é de grande modo uma destruidora de vidas, uma verdadeira praga na vida das pessoas. Mas, aí entramos em uma questão lógica: o mal não é o revólver, mas sim quem o usa. Daí o mesmo acontece com a bebida alcoólica: Se ela está quieta, não fará mal a ninguém, mas o mal quem faz é quem a ingere. Várias vezes analisando, cheguei à conclusão de que não existe nada mais inútil nessa vida do que bar. Pra que serve mesmo um bar? É uma inutilidade tão grande que, só não percebe quem está ali gerando altos lucros pros donos desses estabelecimentos. Já vi donos de bares ficarem ricos à custa da ignorância de pessoas que jogam suas vidas na sarjeta, achando que estão com tudo. Mas ninguém é inocente nesse mundo, e se estão estragando suas vidas nesses vícios, problema de quem o faz. Só fico sentido quando vejo crianças jogadas pelas ruas, pedindo o que comer, enquanto os pais ficam em bares se embriagando. Fico pensando o que leva mulheres a tolerarem maridos ou namorados alcoólatras e violentos. Há mulheres que, além de serem espancadas pelo marido, ainda deixam que os filhos sofram o mesmo tipo de violência e humilhação. Um dia eu vi uma mulher bem elegante caminhando com alguém que, se não era o marido, era o namorado. Ela ficava o tempo todo levantando o sujeito que estava andando de quatro como um animal, de tão bêbado que estava (Sim, a bebida faz um ser humano a se equiparar a um animal, como se estivesse andando de quatro patas). Ela, em vez de se valorizar, arrumar uma pessoa decente, ficava era se envergonhando, numa situação ridícula, segurando o elemento que caía a todo momento. Mas quem está errado nessa história? Claro que é ela, pois, no caso do companheiro dela, ele não está nem aí, pois arrumou uma tola que a leve pra casa quando ele se enfia na cachaçada. Creio que, uma mulher de firmeza, não apanha duas vezes de um sujeito embriagado (ou não embriagado), pois ela deve tomar uma posição de não permanecer mais com ele caso aconteça novamente e até mesmo denunciá-lo por agressão física. Claro que, cada caso é um caso, havendo mulheres que sofrem ameaças dos maridos caso essas os delatem ou os abandonem, mesmo assim, uma providência precisa ser tomada.
A bebida alcoólica nunca edificou ninguém a nada (exceto donos de bares e donos de fabricantes de bebidas), servindo apenas pra levar à desunião entre familiares e amigos e até mesmo causando problemas de saúde que pode levar à morte. Certa vez um homem com cirrose hepática, internado em um hospital, me disse que a cirrose é algo tão terrível, que ele só foi saber que havia adquirido essa doença quando já estava com os pulmões acabados. Todo mal é assim, vem de modo silencioso, à espreita, laçando suas vítimas e as levando a um abismo sem fim.
Algumas pessoas acham que estarem em bares é sinal de status. Status de que mesmo?
Uns dizem: "Beber às vezes faz bem" É mesmo? Nossa, eu não sabia que veneno faz algum bem.
Quantas infidelidades já não aconteceram por causa desses ditos “barzinhos”? Muita violência já foi originada desses estabelecimentos. Uma amiga me disse esses dias que seu ex-namorado a trocava por “amigos de barzinhos” nos fins de semana. Isso parece ocorrer à demasia. Cabe às mulheres começarem a se darem valor e não aceitarem essa situação. Mas como algumas pessoas dizem: “O gosto pelo o que é errado é o que mais atrai”, então sofram as conseqüências as que persistirem no erro.
Graças a Deus não estou aqui escrevendo tudo isso por já ter passado pelo tormento da bebida, até mesmo porque eu nunca toquei uma gota de bebida alcoólica em minha boca, e garanto que nunca tive curiosidade em provar de tamanha porcaria, mas escrevo porque já convivi em pensionatos com pessoas que bebem em demasia; e acaba sendo ruim pra ambos os lados, pois todos de alguma maneira acabam sendo afetados.
Enfim, a bebida alcoólica só carrega desgraça na vida de quem corre atrás dela. Como as histórias das sereias que atraiam com seus cantos os homens em seus barcos. Esses homens velejavam cegamente até elas, aí espatifavam nas pedras até morrerem todos. Com a bebida é parecido, onde atrai com a “beleza” dos comerciais de TV cheios de mulheres bonitas e sensuais, mas que no fundo, como na mitologia das sereias, está chamando é para a morte.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Frases marcantes do cinema

Reuni aqui algumas frases marcantes do cinema. São frases que eu gosto muito. Claro que, muitas outras frases ficaram esquecidas, mas à medida que eu for lembrando, vou colocando. Quem tiver alguma sugestão, coloca no comentário, e eu acrescento aqui.

"A colher não existe!" – (Matrix)

"Carpe Diem. Aproveitem o dia, garotos. Façam suas vidas serem extraordinárias!" – (Sociedade dos Poetas Mortos)

"Eu amo o cheiro de napalm pela manhã!" – (Apocalypse Now)

"Eu não sou do tipo que você mata, sou do tipo que você compra!“ – (Conduta de Risco)

"Eu só confio em dois homens neste mundo. Um sou eu, e o outro não é você!" - (Con Air)

"O que não te mata te deixa mais… estranho!" – (Batman - O Cavaleiro das Trevas)

"Primeira regra sobre o Clube da Luta: Você não fala sobre o Clube da Luta!" - (Clube da Luta)

"Slot quer chocolate!" – (Os Goonies)

"Venha querido, eu não vou te machucar!" – (O Iluminado)

"Afinal de contas, amanhã é um novo dia!” - (... E o Vento Levou)

“As pessoas olharão pra cima pedindo que eu as salve e eu direi: Não!” – (Watchmen)

“Bem, ninguém é perfeito!” - (Quanto Mais Quente Melhor)

“Carson, você só sai desse avião quando eu disser pra sair!” – (Plano de Vôo)

“Esquece, Jake, é Chinatown!” - (Chinatown)

“Eu quero ficar sozinha!” (Grande Hotel)

“Eu sou grande! Os filmes que ficaram pequenos!” - (Crepúsculo dos Deuses)

“Francamente, querida, eu não dou a mínima!” - (...E o Vento Levou)

“Isso é Esparta!” – (300)

“Luke, eu sou seu pai!” - (O Império Contra-Ataca)

“Não há lugar como o nosso lar!” – (O Mágico de Oz)

“Ninguém põe Baby no canto!” - (Dirty Dancing - Ritmo Quente)

“Nós vamos precisar de um barco maior!” – (Tubarão)

“Não foram os aviões. Foi a bela matando a fera!” - (King Kong)

“Põe na conta do Papa!” – (Tropa de Elite)

“Senhores, vocês não podem brigar aqui! Essa é a Sala de Guerra!” - (Dr Fantástico)

“Shane! Shane! Volte!” - (Os Brutos Também Amam)

“Stella! Ei, Stella!” - (Uma Rua Chamada Pecado)

“Tá falando comigo?” - (Taxi Driver)

”Rosebud!” - (Cidadão Kane)

”O que temos aqui é uma falha na comunicação!” - (Rebeldia Indomável)

“Toda família tem uma ovelha negra...às vezes duas!” – (O Homem dos Olhos Frios)

“Toque, Sam!” – (Casablanca)

“Wilsoooooooon!” – (Náufrago)

“Você era tudo pra ele, você era a vida dele!” – (Ghost – Do Outro Lado da Vida)

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"Estou pronta para meu close-up." - (Crepúsculo dos Deuses) Sugerido por Gian Luca


"A vida seria suportável se não existissem os prazeres." - (A Noite) Sugerido por Gian Luca


"Pessoas praticamente perfeitas não deixam os sentimentos se misturarem com a razão." - (Mary Poppins) Sugerido por Victor Tanaka

"Eu nunca mais vou passar fome na vida." - (...E o Vento Levou) Sugerido por Anônimo

"De qualquer maneira, amanhã é um novo dia." - (...E o Vento Levou) Sugerido por Anônimo

"Estão de olho em você, garota!" - (Casablanca) Sugerido por Anônimo

“Não vamos discutir sobre o real e o imaginário, vamos apenas viver, a vida é muito curta” - (A Rosa purpura do Cairo) Sugerido por Andinhu

"Eu vejo gente morta" - (O Sexto Sentido) Sugerido por Andinhu

"Eu vejo você" - (Avatar) Sugerido por Andinhu

"Por você eu faria Mil vezes" - (O caçador de Pipas) Sugerido por Andinhu

"Lembre-se: você nunca será um fracasso enquanto tiver amigos. Obrigado por me ajudar a ganhar minha asa" - (A Felicidade não se Compra) Sugerido por Andinhu

"O coração é um fardo pesado" - (O Castelo Animado) Sugerido por Rodolfo

"Minha mula ficou chateada, quando vocês atiraram nas patas dela. Eu sei que vocês estavam brincando mas minha mula não entendeu. É claro que vocês vão se desculpar.(...)Não acho legal vocês rirem." - (Por um Punhado de Dólares) Sugerido por Rodolfo

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O ciúme entre homens e mulheres

No livro máximo de Machado de Assis, Dom casmurro, o personagem principal Bentinho é apaixonado pela bela Capitu, eles se casam e após o casamento, seu até então disfarçado ciúme por ela vai se tornando algo maior do que ele poderia imaginar. O ciúme de Bentinho ultrapassa todo e qualquer limite da razão, fazendo com que ele perca seu grande amor e seu próprio filho. Há mais de 400 anos, William Shakespeare já mostrava as conseqüências do ciúme, quando seu personagem Otelo se deixa levar pelas enganações do subordinado Iago, quando este diz que a esposa de Otelo o está traindo, levando tudo à tragédia. Iago define o ciúme com essas palavras, se dirigindo a Otelo:
"Acautelai-vos senhor, do ciúme; é um monstro de olhos verdes,
que zomba do alimento de que vive. Vive feliz o esposo que,
enganado, mas ciente do que passa, não dedica nenhum afeto a
quem lhe causa o ultraje. Mas que minutos infernais não conta quem adora e duvida, quem suspeitas contínuas alimenta e ama deveras!"

Há aí uma espécie de provocação, Iago dizendo a Otelo que a esposa deste o trai, mas que há de se viver em conformidade com tal situação, e ao mesmo tempo sugerindo-lhe que alguma atitude deva ser tomada, causando neste uma confusão mental, como o próprio ciúme é capaz de fazer.
O que é o ciúme? Prova de que se ama de verdade? Zelo? Insegurança? Apego obsessivo? Inferioridade?
Quase todos os relacionamentos que chegam ao fim, o resultado da causa é o ciúme. O ciúme está mais presente naqueles momentos em que tudo não está um mar de rosas como se desejaria. Um dos lados imagina que seu companheiro (a) está indiferente porque há uma terceira pessoa envolvida. Mas como saber sem acusar ou julgar? A forma ideal seria imaginar que algo está acontecendo? Quando alguém flagra a outra pessoa no ato de traição, sem necessariamente precisar ser no ato extremo que seria o ato sexual, mas flagras de um beijo além do compreensível, um encontro nada casual com alguém que não seja você. Veja, coloquei como “um encontro nada casual”, isso significa encontro às escuras. Uma forma de seu companheiro (a) começar a olhar pro sexo oposto de maneira interesseira. Isso seria motivo de ciúme a meu ver, exceto se você pretende dividir a pessoa amada com outro (a). Mas, e quando nada se prova ou se comprova? Quando você apenas especula, imagina, mas não viu, não tem certeza, apenas sugere que algo está acontecendo, se baseando em atitudes diferentes, mas que não se relacionem propriamente a terceiros. É certo que, se você já não confiava na pessoa amada, mas de alguma forma quis ficar com ela (você já foi traído por aquela pessoa antes, ou aquela pessoa já te deu motivos de que não é de confiança), o fantasma da inquietude vai te dominar sempre. Esse é um fator básico a se analisar. Uma pessoa que de alguma forma aprontava no passado, mesmo que hoje mude e venha a tentar uma nova (e melhor) vida, de alguma forma será estigmatizada pelo próprio passado, não tem como escapar disso.
Em alguns casos, homens e mulheres que ciúmam demais, usam esse artifício pra esconder a própria infidelidade. Alguns homens ciúmam da mulher até mesmo quando ela fala bem de um ator da novela, mas eles por fora se escondem por trás disso pra saírem com outras. Em outras palavras, é quase igual a casos em que homens dão muitos presentes às suas esposas, agradam elas de todas as maneiras, não deixando brecha pra que elas percebam que aquilo é um truque pra eles esconderem a própria infidelidade.
Falamos sobre o ciúme demais, agora vamos falar sobre o ciúme de menos. Não digo que deva haver ciúme em um relacionamento, mas se, uma mulher sair com um shortinho curto e ficar sentada na porta de sua casa, em frente a vários homens, e seu marido achar aquilo normal, algo estranho ocorre ali. Da mesma forma que uma mulher de forma alguma acharia comum seu namorado (ou marido) ficar se exibindo pra várias mulheres. Talvez o ciúme de menos também queira significar uma forma de infidelidade. Digo talvez, pois em se tratando de sentimentos, tudo é muito relativo.
O ciúme é algo muito complexo e também muito relativo, vem de vários fatores:
Insegurança: Você não se garante, acha que não é capaz de agradar a pessoa amada e sempre arruma obstáculos.
Inferioridade: Você acha que a pessoa amada está de olho em outro (a) que seja mais bonita, mais forte, mais inteligente, mais atraente, mais popular.
Falta de amor próprio: o ciúme pode significar que você não se valoriza. Talvez você espere tanto da outra pessoa, e se esquece de esperar mais de você mesmo.
Infância e adolescência mal resolvidas: timidez demais leva a alguém a formar seu próprio mundo, a se fechar para as pessoas, daí tudo que essa pessoa tem, ela não quer de forma alguma dividir, emprestar, dar. Seja um livro, um CD, ou qualquer outra coisa. Posteriormente num relacionamento, esse apego se transforma em ciúme, quando essa pessoa acha que amigos querem tomar a pessoa amada de alguma forma e vê paranóia em tudo.
Não se tira o ciúme na vida de uma pessoa, isso não desaparece. O que pode acontecer é, com o tempo ir controlando isso e não deixar que prejudique um relacionamento como fazia antes. Suponhamos que você é uma pessoa maravilhosa, porém é muito ciumento (a), aos poucos você será trocado (a) por outra pessoa que não chega aos pés da pessoa que você é, tudo isso porque de alguma forma a outra pessoa se cansou de ser sufocada. Então, mostre que pode haver solução nessa questão em sua vida. Não perca seu grande amor por causa do ciúme, mostre a ele (a) que você tem grandes qualidades que não se acham em qualquer pessoa por aí, deixe que isso sim se sobressaia em você. Mostre seu potencial, seu romantismo, tudo de bom que há em você e procure ser mais feliz. Confesso que sou ciumento, mas tenho procurado mudar isso em mim e não repetir os mesmos erros.


Uma definição de ciúme doentio:


Uma mulher era tão ciumenta que, ao sair abraçada com o marido, beliscava a própria mão pra ter certeza de que era ela mesma que o abraçava.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Almas Gêmeas

  









Esse provavelmente é o melhor filme de Peter Jackson, sua obra-prima. Superior até mesmo à sua trilogia O Senhor dos Anéis (2001 a 2003). Narra a verdadeira história de uma amizade que culminou em um dos crimes mais chocantes da Nova Zelândia.
O ano é 1953, na cidade de Christchurch duas adolescentes se tornam amigas em um colégio, e dali nasce uma amizade muito profunda. As jovens fechadas entre si, vão criando um laço de união, no que culmina em uma intensa devoção entre ambas a ponto de causar espanto e preocupação aos seus familiares. Juliet Hulme (Kate Winslet, em seu primeiro filme e três antes de se tornar famosa por Titanic) é uma adolescente de família de classe alta, angustiada pela turbulência da péssima união de seus pais, ela se sente insegura, oprimida por desejos trancados dentro de si, e com uma rebeldia incontrolável; ela então conhece sua nova colega de classe Pauline Parker, (Melanie Lynskey, a irmã de Drew Barrymore em Para Sempre Cinderela) uma jovem de família pobre, tímida, de poucos amigos. O que poderia ter sido uma história de uma grande amizade, se torna uma terrível obsessão, no qual as duas jovens renegam o mundo real em prol de um mundo imaginário onde há borboletas gigantes voando, bonecos ganham vida e até o cantor lírico Mario Lanza aparece como um deles. Suas imaginações tornam tudo muito surrealista, uma fuga da realidade, uma vez que essas duas adolescentes já não se importam mais com o mundo real. Essa amizade vai ganhando conotações homossexuais, fugindo do controle da razão e tornando-se algo fora dos padrões éticos em uma década onde o moralismo era objeto de honra para toda uma sociedade.
Pauline e Juilet juntas, mesmo com suas fraquezas, se mostram inteligentes, criativas, talentosas e determinadas.
E determinação é o que move suas vidas, o que não as deixa se separar uma da outra. Quando elas vêem sua amizade ameaçada, planejam algo macabro que resulta no crime que abalou o país. O final é um grito de desespero, amargura, revolta e separação
O diretor Peter Jackson vinha de filmes trash, baratos. Então, em 1994 decide filmar um roteiro seu feito juntamente com sua mulher Fran Walsh, sobre duas adolescentes que se tornam amigas e assassinas. Depois viria Os Espíritos em 1996, cinco anos antes dele fazer a trilogia O Senhor dos Anéis que seria um mega-sucesso e lhe renderia ótimas críticas. Em 2005 leva às telas a refilmagem de seu filme preferido: King Kong, um clássico em preto e branco de 1933 (Não aquele de 1976 com Jeff Bridges e Jéssica Lange). Em 2009, Jackson acerta como produtor num ótimo filme sobre alienígenas chamado Distrito 9, mas não agrada como diretor com Um Olhar do Paraíso, filme em que uma menina depois de assassinada narra as reações da família, amigos e do próprio assassino na terra. Esse filme é baseado no livro “Uma vida interrompida: Memórias de um Anjo Assassinado" (The Lovely Bones) escrito por Alice Sebold. Infelizmente é um filme que nem de longe se compara ao talentoso Almas Gêmeas. Falta-lhe a sagacidade, a emotividade e as metáforas que fazem de Almas gêmeas um filme inesquecível.
Jackson sabia que, ao fazer um filme que misturasse realidade com um mundo fantástico cheio de cenários irreais e elementos fantasiosos, precisaria de uma boa empresa de efeitos especiais, mas o orçamento para esse filme era pouco, então só lhe restava inventar seus próprios efeitos, então ele criou a Weta Digital. Pra se ter idéia da dimensão dessa empresa que surgiu como algo de fundo de quintal, a Weta não só fez os efeitos especiais dos filmes de Jackson já citados, como também de grandes sucessos como Eu, Robô, X-Men – O Confronto Final, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado e chegando ao maior de todos os efeitos já vistos nas telas: Avatar.
Todos os lugares do filme são os lugares reais onde aconteceram os fatos. As atrizes protagonistas estão excelentes. Kate que foi eleita a atriz do ano, ficou de fora das indicações ao Oscar. O filme só foi indicado como melhor roteiro original, mas ganhou o Leão de Prata no Festival de Veneza e outros prêmios mundo afora.
Não confundir com outro filme de mesmo nome, feito em 2006, é só ficar atento ao ano de produção (1994) e o título original Heavenly Creatures (Criaturas Celestes).
Almas Gêmeas é singular, forte, contundente e genial. Se você gosta de cinema ou de uma ótima história e ainda não assistiu a esse filme, não sabe o que está perdendo.


Nota: 5 de 5

Ttitulo original: Heavenly Creatures

Lançamento: 1994 (Nova Zelândia, Reino Unido)

Direção: Peter Jackson

Atores: Kate Winslet, Melanie Lynskey, Sarah Peirse, Clive Merrison, Diana Kent, Simon O'Connor

Duração: 99 min

Gênero: Drama, Romance, Suspense


sábado, 29 de maio de 2010

Atos e fatos que fazem refletir

Em uma rua, um pit-bull atacava todo mundo. Inclusive crianças. Um dia, esse cachorro ataca uma criança e a deixa toda cortada e mordida da cintura pra cima. O pai da criança invade a casa do dono da fera e mata o pit-bull. Dizem que ele enterrou um taco de sinuca goela abaixo no bicho, mas este ainda continuava agitado e atacando. Depois de matar o cachorro, a polícia chega, faz a ocorrência e dá o caso como encerrado.
(As crianças são as que mais sofrem por causa de atos inconsequentes dos adultos).

Um casal está brigando sem parar. Um vizinho já atormentado com aquele barulho e temendo acontecer uma tragédia já pra lá de 11 da noite, liga pra polícia. A policial lhe pergunta seu nome. Ele diz outro nome que não o seu. A policial do outro lado da linha diz: "O senhor tem certeza que me deu seu nome verdadeiro?" Com medo de algum problema, ele diz ter omitido o nome verdadeiro. A policial diz: “Tá vendo só? Já começou mentindo o nome. Se passarmos aí na rua do senhor e não tiver acontecendo briga alguma, o senhor é quem vai sobrar nisso tudo, temos seu telefone registrado aqui”. Ao desligar o telefone, o casal para de brigar, e esse vizinho torce pra que nenhum carro de polícia apareça ali naquela noite. E pro seu próprio bem não passou mesmo.
(As pessoas entram em cada enrascada sem saber)

Um alcoólatra em um bar começa a passar mal. Os colegas ali tentam ajudá-lo e pedem que ele vá pra casa. No caminho sua situação piora. Ele cai perto de uma escada. Alguém diz: “Peraí que vou buscar um copo de leite”. Ao tomar o leite, o homem comça a tremer e morre naquele exato momento. O homem era tão viciado em álcool, que nada mais conseguia entrar em seu estômago. O leite lhe causou uma espécie de choque térmico, lhe levando à morte.
(O vício da bebida é algo no mínimo terrível).

Dois viajantes chegam a uma pequena cidade e param em uma praça. Lá procuram confusão com todo mundo. Um jovem ali não gosta do modo deles e pede pra que eles continuem sua viagem. Eles batem no rapaz e tira ele dali. Eles seguem o rapaz e vão até a porta da casa dele. Ali, eles vêem uma senhora na janela. Daí perguntam: “Esse jovem que entrou aí é seu filho?” ela responde: “Sim, é. Por quê?” Eles Dizem: “Por que nós vamos esperar ele sair daí e depois vamos meter bala nele”. A Mãe do rapaz então olha bem firme pra eles e diz: “Tudo bem. Vocês podem fazer isso. Mas uma coisa eu lhes digo: como ele tem família, nós também vamos atrás de vocês, e uma coisa é certa, não serão só vocês que cairão na bala, mas todo mundo que aparecer pela frente, não importando se for criança ou adulto”. Os viajantes olham um para o outro e dizem pra aquela mulher: “É brincadeira minha senhora, acreditou foi?” Os valentões saíram daquela cidade naquele mesmo instante e nunca mais se viu rastro deles”.
(Todo valente encontra outro mais valente algum dia).


Em São Paulo, um bandido estuprou e matou uma jovem. O criminoso fugiu. A família da vítima só a lamentar sua morte, a enterra no dia seguinte. Passado poucos dias, o estuprador vai ao cemitério, tira o caixão dessa jovem debaixo da terra, pega seu corpo e volta a estuprar novamente.
(Um dos casos mais bárbaros que eu já ouvi falar. Necrofilia está abaixo de qualquer coisa).

sexta-feira, 28 de maio de 2010

História Concisa da Literatura Brasileira

Se você é estudante ou não, mas gosta da história da literatura brasileira, um livro que eu recomendo é História Concisa da Literatura Brasileira, do professor, historiador, crítico e que, desde 2003 é membro da Academia Brasileira de Letras, Alfredo Bosi. Antes de tudo, é importante ressaltar que essa obra se diferencia das demais outras escritas por nomes célebres como Afrânio Coutinho, Lúcia Miguel Pereira, Agripino Grieco e Sílvio Romero, por se estender além do que é proposto. Claro que os autores citados têm sua demasiada importância dentro da crítica literária brasileira, cada um tem sua influência e valor inquestionável e com certeza ajudaram a levantar o pilar da nossa literatura, dissecando as escolas literárias, os estilos, as metáforas, os questionamentos, as biografias de cada autor, etc. Mas geralmente essas obras podem parecer didáticas, chatas ou nacionalistas demais pra quem quer conhecer um pouco de cada movimento literário e seus principais autores. Alfredo Bosi usou um artifício interessante: escreveu nessa sua famosa obra (publicada em 1970 pela Editora Cultrix), não apenas elementos que ficassem fechados ao que é de nossa terra ou buscando ao que é normal a críticos de nossa língua: beber na fonte da literatura portuguesa, a precursora da literatura brasileira, mas simplesmente colocou em seu texto elementos da literatura geral, de uma forma ampla e de certa forma até lúdica.
Ao lermos História Concisa da Literatura Brasileira, pensamos o quão profundo é o conhecimento de Bosi. Ele mergulha a fundo nos aspectos lingüísticos, sociais, urbanos e teóricos, sempre enxertando suas linhas com escritores estrangeiros, não apenas literários. Vai do Barroco ao Modernismo, esclarecendo tudo sobre cada escola literária, citando nomes de pesos como Shakespeare, Dostoievski, Ibsen, Flaubert, Maupassant, Zola, Anatole, Comte, Taine, Pirandello, Dante, Proust, Stendhal, Balzac, Dickens, Hugo, Diderot, Defoe, Fielding, Jane Austen, entre vários outros.
Seu estudo da literatura brasileira nunca cai no pieguismo ou no convencional, mas ganha novo fôlego e nos direciona ao que é o princípio básico de uma crítica: o esclarecimento amplo do contexto, seja seu autor parcial ou não ao que escreve. Não cai em armadilhas fáceis, como julgar a capacidade de um autor, como o fez Sílvio Romero, que teve a infelicidade de desmerecer o talento de ninguém menos que Machado de Assis (diga-se de passagem, nosso maior escritor, e um dos maiores da literatura mundial) em seu livro Estudo Comparativo de Literatura Brasileira, em 1897, tudo isso só porque Machado era tido como genial, bem mais que Tobias Barreto, amigo de Romero. Bosi aponta sim as falhas, mas nunca desmerece o talento de cada profissional, e não está preocupado com isso.
O que vemos nessa grande obra de Bosi é uma riqueza de detalhes, um aprofundamento teórico de grande valor para os apreciadores de nossa literatura. Sua avaliação crítica é perfeita. Uma leitura mais que recomendada.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Banhistas na Grenouillière


Bain à la Grenouillère é mais uma obra-prima do pintor francês Claude Monet (1840-1926). Pintado em 1869, quando Monet e sua família estavam na comuna de Bougival. É um óleo sobre tela magnífico, cheio de nuances, com uma suavidade extraordinária, estilo típico do impressionismo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

No amor entre homens e mulheres ninguém é insubstituível

Há poucos meses um psicólogo dizia numa reportagem, que, após o término de um relacionamento, ao contrário do que muita gente imagina, a outra pessoa é sim substituível. Explicarei melhor pra quem não tenha entendido: Uma mulher termina um relacionamento com um homem, ele em sua mente fica imaginando que ela é única, que não vai conseguir achar outra mulher à altura ou até melhor do que a que o dispensou. Isso enraíza no seu coração e mente, fazendo parecer que o mundo se torna pequeno demais pra ele, ou para ela caso seja o contrário. Mas de fato o amor prega peças no ser humano, cola uma idéia de exclusividade. Mas se analisarmos racionalmente faz mesmo sentido a explicação do psicólogo. O amor é ocasional, você conhece uma pessoa numa lanchonete, numa festa, num ônibus, na net, numa reunião, numa igreja, num encontro entre amigos, enfim, de alguma maneira você não foi ao Nepal ou outro lugar do outro lado do mundo conhecer exclusivamente uma pessoa, ela sim apareceu de alguma forma sem que você ficasse esperando por ela há anos. Um exemplo: Digamos que você conheceu a pessoa no ônibus, sentada ao seu lado, papo vai papo vem, antes da descida no seu ponto, você conseguiu o número do celular dela e aí tudo vai se encaminhando pra algo construtivo. Voltemos no tempo e imaginemos que você acabou perdendo aquele ônibus, você pega o que vem em seguida, e ao seu lado não senta ninguém, ou senta qualquer outra pessoa. Você vai pra casa sem ter pra quem ligar. É como o seguinte: Você passou no vestibular e vai estudar e se formar em alguns anos ou você perdeu no vestibular, agora é esperar o próximo. No relacionamento, você perdeu a chance de conhecer aquela determinada pessoa, isso não altera nada, pois não se perde o que não foi conquistado.
Quem já não teve vontade de se beliscar quando lembra que sofreu tanto por uma pessoa no passado, e hoje aquela mesma pessoa não significa mais nada. No momento de um término, você fica imaginando de tudo: os momentos agradáveis passados juntos, os planos para o futuro, a torcida dos amigos e familiares por vocês dois. De fato, quando um casal que se ama estão juntos, não restam dúvidas de que tudo deve ser mantido assim, na maior união, e se acabou, mas ainda há como voltar, isso é ótimo. Mas, se uma das partes não quer de forma alguma, cabe ao outro se conformar e partir pra próxima.
Claro que, quando se fala de amor, o emocional fala mais alto. Como diz uma canção: O coração tem razão que o próprio coração desconhece. Então, a pessoa que ama fica iludido, se martirizando, achando que não vai encontrar mais ninguém que goste dela como a anterior. E nesses momentos de solidão, qualquer coisa lhe acende a lembrança da pessoa amada: uma música, um lugar, um filme, uma viagem...
Um amigo meu sempre diz: Sou fácil de gostar, mas fácil de desgostar também. Outros já não têm essa facilidade em esquecer. Há pessoas que, ao término de um relacionamento, não passam de uma semana, um mês, e já arrumam outra pessoa pra substituir a anterior. Outros demoram tempo, amargurados, perdidos em dúvidas que faz pensar coisas do tipo: Se eu arrumar alguém, perco a chance dele (a) voltar pra mim. E assim, passa meses e até anos sem ninguém, no sofrimento. Aquela pessoa que é ou foi tão importante pra você, é apenas mais um rosto na imensa multidão para a maioria das pessoas. Infelizmente, a mente humana é cheia de fraquezas, não compreende o sentido lógico da vida quando está apaixonado, não percebe que ninguém é insubstituível. Se você tem seu grande amor ao seu lado, faça todo o possível para segurá-lo (a) e procure retribuir todos os carinhos e amor. Mas, se acabou e não tem retorno, não há mais nada a fazer. Sei que não é fácil quando se vive uma situação de término de um relacionamento, não é fácil pra quem saiu disso contra a própria vontade, pois quem tratou de terminar não vai estar se importando com nada. Não pense que vai estar se importando com seus sentimentos, porque não vai mesmo. Enquanto você fica na amargura, ela ou ela está por aí com alguém nem se lembrando mais que você existe. Então, porque você vai ficar se desvalorizando? Deixar de comer direito, de dormir, de sair pra conhecer novas pessoas. Quem está vivendo a situação de amar e não ser mais correspondido vai dizer que falar é fácil. Mas pra quem já passou por isso e hoje deu a volta por cima, vai saber exatamente que ninguém é insubstituível em relação ao amor entre homem e mulher.

domingo, 23 de maio de 2010

Amnésia
















Homem tem sua mulher brutalmente assassinada e sai à procura do assassino, sem descansar até que faça justiça com as próprias mãos. Simples, não é? Um tema pra lá de batido. Quem afinal nunca assistiu a um filme com um enredo desse? Mas Amnésia se diferencia de todos os filmes. Ele antes de tudo, é bastante original e complexo. E é nesse último quesito que reside a força desse filme dirigido por Christopher Nolan, do ótimo Batman – O Cavaleiro das Trevas.
É complicado falar de Amnésia sem acabar estragando as várias surpresas que ele traz.
Amnésia é um filme já diferente desde seus minutos iniciais, quando o personagem principal Leonard shelby (Guy Pearce de Los Angeles – Cidade Proibida) tem sua vida mudada quando certa noite alguém entra em sua residência e mata sua esposa, durante uma luta contra o agressor, ele é golpeado e fica no chão enquanto o bandido foge.
Depois se descobre que ele ficou com um tipo de amnésia no qual esquece tudo que se passa depois de cinco minutos. Ele só sabe que precisa se vingar, e tatua em seu corpo as informações que precisa para poder ir além nisso. Durante sua trajetória, ele encontra uma mulher misteriosa (Carrie-Anne Moss, a Trinity de Matrix) e um homem que se diz policial (Joe Pantoliano, também de Matrix).
Sua história é contada de trás pra frente, ou seja, o que vemos na primeira cena na verdade é o final, e o que vemos no final,na verdade é o começo. Parece difícil de seguir, mas não é, mas isso não quer dizer que o você vá entender de cara o enigma da história. Tem pessoas que assistem várias vezes e não assimila muita coisa, mas há quem assista e entende de cara. Entendê-lo ou não vai de cada um. Pra quem não tem experiência com filmes legendados, é recomendado que se assista dublado mesmo, pra assim não se perder na trama que é aparentemente confusa, mas que no fundo faz o maior sentido. Não é desses filmes que tentam ser complexos e enganam o espectador. Esse aqui de fato segue uma linha de raciocínio lógico. Há nele também uma subtrama em que Leonard antes da tragédia, investigava um homem que poderia estar fingindo perder a memória pra se dar bem com um seguro. Intercalando cenas coloridas em que Leonard busca pelo assassino e cenas em preto e branco em que ele investiga o caso do suposto golpista, culminando num final surpreendente de deixar qualquer um de queixo caído. O filme nos prega peças em vários sentidos, troca imagens que só vemos numa questão de segundos, nos leva a ter várias interpretações. Seria esse homem nvestigado por Leonard, ele mesmo?
Entre as várias cenas antológicas, uma delas brinca com o telespectador, quando Leonard persegue um homem.
As pessoas se aproveitam de sua situação, como o homem da recepção o muda sempre de quarto dizendo que ele não se lembraria mesmo em qual quarto esteve no dia anterior. Leonard sempre abre a porta do hotel pra dentro, quando na verdade a porta abre por fora. O policial brinca com ele dizendo que pode contar sempre a mesma piada.
O filme do início ao fim é uma sucessão de surpresas que vão dando um novo sentido à história. É incrível como ele nunca se perde e se torna cansativo ou chato, muito pelo contário. Quando termina queremos ver novamente. A cada vez que eu assisto vou descobrindo novos detalhes que me haviam passado despercebidos das primeiras vezes.
Se Leonard não se lembra de nada que se passou até cinco minutos atrás, isso significa que ele já pode ter pegado o assassino de sua mulher e não se lembrar disso. Sua luta incessante por vingança pode ou não ser algo que agora faça algum sentido.
O elenco é perfeito. Guy Pearce nos passa todo o conflito de um homem atormentado, Carrie-Anne Moss faz de forma natural a garçonete que tenta lhe ajudar, Joe Pantoliano está ótimo como sempre como o policial que pode ou não estar tentando se aproveitar de Leonard. Não menos perfeita é a direção do sempre ótimo diretor Christopher Nolan, que, juntamente com seu irmão Jonathan Nolan, escreveu o brilhante roteiro. Nolan é diretor do melhor filme de super-heróis do cinema: Batman – O Cavaleiro das Trevas (filme do qual o Coringa é interpretado de maneira magistral por Heath Ledger). Dirigiu também Insônia (filme tenso com Al Pacino e Robin Williams), Batman Begins (com Christian Bale e Liam Neesom, entre outros) e O Grande Truque (com Hugh Jackman e novamente Bale).
O filme Amnésia já virou caso de estudo entre historiadores, profissionais da área de cinema, e outros interessados. Sua história bastante original fascina e faz refletir sobre a necessidade do ser humano em fazer justiça, mesmo que ele não entenda o porquê disso.
Amnésia concorreu aos Oscars de montagem e roteiro, perdeu esse último absurdamente para o filme Assassinato em Oxford Park, de Robert Altman.
Meu filme preferido da última década e também um dos melhores roteiros já feitos, em minha opinião. Amnésia é uma obra excepcional, um exemplo notável de como se fazer uma história perfeita e original.



Nota: 5 de 5

titulo original: Memento

lançamento: 2001 (EUA)

direção: Christopher nolan

Atores: Guy Pearce, Carrie-Anne Mos, Joe Pantoliano, Mark Boone Junior, Stephen Tobolowsky

duração: 113 min


gênero: Drama, suspense

domingo, 16 de maio de 2010

Escrever errado

O Brasil é um dos países com o maior índice de analfabetismo, e um dos que mais tem uma gramática complicada a se seguir. Mas obviamente o assunto do qual vou falar agora não isenta ninguém da culpa em não saber ou querer escrever corretamente. Tudo começa por uma educação pobre já existente em nosso país, salários baixos dos professores, escolas improvisadas ou mal feitas em muitos lugares por aí, baixa estrutura, fatores que comprometem uma boa qualidade gramatical. O mau hábito da leitura é o fator predominante para uma péssima escrita. Quem não lê não faz idéia de que maneira são escritas várias palavras que não constam no hábito rotineiro. Nem me refiro ao “internetês” onde várias palavras são abreviadas pra tornar tudo mais rápido e prático, como por exemplo:

Cadê = Kd
Você = Vc
Beleza = Blz
Valeu = Vlw
Também = Tb


O mais grave é o fato de certas palavras fáceis serem escritas de qualquer forma, menos da forma correta.

Prazer > Praser
Vier > Vinher
Lidar > Lhe dar
Consciência > Concienssia
Difícil > Dificio
Fazer > Faser
Advogado > Adevogado
Falsidade > Falcidade
Age > Haje
Poupe > Polpe


Há os casos de redundância (ou pleonasmo) como:

Sair pra fora
Entrar pra dentro
Subir pra cima
Descer pra baixo
Repetir novamente
Dupla de dois
Agora nesse momento
Dar gratuitamente


Erros de concordância:

A gente vamos
Nós vai
Eu se dei mal...


Convenhamos, a língua portuguesa nos prega peças estranhas só pra piorar mais ainda:

Receio = Receoso (e não receioso), Bem = Benigno (o M some). Palavras como Otorrinolaringologista não são bons exemplos de palavras fáceis a serem ditas ou lembradas.
Existem quatro tipos de “porquês”: Por que, por quê, porque e porquê, cada um significando um sentido diferente.
Mal com L é antônimo de “bem”, já mau com u é antônimo de “bom”.

Erros costumeiros:

Eu Nascir; Dar-se banca; Morrir de rir; Ele ler tudo certo.

Certa vez alguém me disse:
“Rapaz, você já percebeu como fulano véve falando errado”?

Escrever certo ou errado vai além de qualquer grau de escolaridade ou formação acadêmica. Alguns podem dizer: “Mas ele pensa que é professor de português pra estar falando dos erros dos outros”? Não, não sou professor de português ou de coisa alguma, e erro da maneira como qualquer um pode errar, alguns erram mais, outros menos. Só sei que alguns professores não alteram muita coisa quando nos referimos às armadilhas da língua portuguesa ou até mesmo a erros grosseiros. Já vi inúmeros professores errarem feio, não terem explicações pra respostas simples referentes a ortografias. Mas é claro que, passar 4 anos numa faculdade de Letras fará com que um professor saiba muito mais do que qualquer um fora da área, e são eles que detém as regras do assunto, porém pra ser bom é preciso mesmo uma boa dedicação e não apenas ser formado. Fora do campo de Letras, a coisa é diferente, há pessoas por aí formado em tudo que é coisa e que não sabem escrever corretamente, mesmo que tenham passado tanto tempo em salas de aula. Cresci lendo histórias em quadrinhos, quando adolescente tomei o gosto pela literatura, não essa literatura vazia de hoje em dia, mas a literatura clássica, de grandes autores da língua portuguesa e estrangeira, leituras de peso. É através da boa leitura que aprendemos a ler e escrever corretamente. Quem escreve mal lê mal.
A maioria das pessoas no Brasil não gosta de assistir a filmes legendados porque não conseguem acompanhar a rapidez das legendas, aí se perdem por inteiros. De fato, é preciso ter certo treino nas palavras pra acompanhar as legendas de um filme. Mas aí vai um conselho: Quer aprender a desenvolver melhor a escrita e errar menos? Assista mais a filmes legendados, no início pode parecer meio cansativo, mas logo você se acostuma, e além do mais, é muito melhor ver o idioma original de um filme, sem aquelas vozes já conhecidas e batidas.
No mundo globalizado de hoje, somos “obrigados” a aprender muitas palavras estrangeiras, o que a gramática chama de Estrangeirismo:

Hot Dog
Net
Backup
Enter
Outdoor
Marketing


Mas será que somos obrigados mesmo a escrever aquilo que está fora de nosso idioma? Realmente é muito difícil acompanhar palavras que muitas vezes são lidas de uma forma e escritas de outra, como por exemplo, quando se fala essa palavra que, quando dita soa assim: Impitiman, na verdade, sua escrita é totalmente diferente: Impeachment (Palavra que significa impedimento ou acusação). Repare que não tem nenhuma semelhança entre o que se ouve e o que se escreve. Quem se arrisca a soletrar por aí Schwarzenegger?
A Cacofonia é outra cilada, mas daí já não é erro de ortografia, mas sim gramatical mesmo. São palavras que quando unidas têm um som bastante esquisito, como por exemplo:

Vou-me já
Ela tinha
Confisca gado
Moça fada
Vez passada
Já que tinha
Havia dado



Pior do que escrever errado é escrever errado pra todo mundo ver, como em placas ou outdoors, o que torna tudo além de lamentável, bastante risível. Eis alguns exemplos de placas que já vi pessoalmente:

VENDE-SE
ESTACA-
SA

(a venda de uma casa virou arma pra matar vampiro em Sociedade Anônima?)


CONSERTA-SE PANELA DEPRESSÃO

(o conserto de uma panela virou um consultório para panelas com problemas emocionais. Mesmo que não tenha havido um erro ortográfico nessa frase e na de cima, apenas a falta de espaço de uma palavra a outra)

FAZEMOS ESTALA SÃO DE SOM DE CARRO

(Em vez de colocar o som, ajuda é estalar)


Eis alguns erros de placas retirados da NET:


ATENÇAO
ESTA OBRA NAO
SE RESPONÇABELI
SA POR CUAL - QUER
DANOS QUE AJA NAS
VIATURAS JUNTO A OBRA

VENDE-SE
CRAVÃO

NAO RECEBEMOS
POLITICOS NEN
FASEDOR DE
CANPANHA

CONCERTA-
SE FOGÃO
E PANELA DE
PRESSAO
AMOLA: ALECATE
E: TEZORA

VERDURA
CEM
AGROTOXIO

PROPRIEDADE
PARTICULAR
PROIBIDO
ENTRADA,DE
PESSOAS,CEM
ALTORISASÃO
PROIBIDO
CASAR E,PESCAR

SER MOÇA
É FACI,O DE-
FICIO É SER
VIGE

PARABÉNS!
É ASSIM QUE CUMPRIMENTAMOS NOSSOS ALUNOS PELOS EXELENTES
RESULTADOS OBTIDOS NO PROVÃO DO MEC!

HOGE
FLANGO
AÇADO KOM
FALOFA PALA
VIAJEM

SERVIMOS SUCO NATURAL
DO PÓ DO GUARANÁ
A FLOR DE ZIACO

VEREFIQUE
OS FREIOS

VENDO-SE

BATATA
4,OO
SEBOLA.1.50
MÉU.4.00
MELANSIA 3,00
LARANJA 3.00

VENDE-SE CAXORROS
PUDOS

- EMPOTENÇIA SEXUAL
- GENECOLOGIA GERAL
- EMOROIDE.INTERNA E EXTERNA
- HERNIA.INTERNA E EXTERNA
- APENDICITA.TROMBOSE
- DOR DO PEITO.DOR DE DENTE
- DOR DE VISTA.TURBECULOSA
- HOMEMQUE NÃO FAZ FILHO
- MULHERQUE NÃO FAZ FILHA
- BRONQUITE.GOTA.MACULU
- FEBRE AMARELHO. CATARATA
- MBASU. DIABETE.COLA ABERTA

CEJA BEM
VINDO E
ESPRIMENTE A
LINGÜIÇA

O assunto é bastante amplo e complexo, pra encerrar, aqui vai uma pequena historinha:

Um homem chega a uma cidade, e ao perceber que as placas das lojas estão escritas de forma errada, fica bem entristecido. Já desistindo a achar algo que venha a ser uma exceção, vê de longe uma alfaiataria do qual está escrito “Águia de ouro”. Ele então entra ali e diz para o dono:
-Meu senhor, entrei aqui para lhe dar meus parabéns, pois em toda a cidade o único lugar que vi uma placa escrita de maneira correta foi a sua: Águia de ouro.
O Alfaiate olha para o homem e diz:
- O senhor está enganado, o nome não é Águia de ouro, e sim Agúia de ouro!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

São Bernardo

Dentre os 10 maiores escritores da literatura brasileira, encontra-se o alagoano Graciliano Ramos, escritor da fase modernista e um dos grandes influentes da literatura atual. Graciliano tem um estilo seco, direto, sem enigmas, do qual sempre extrai o máximo de suas narrativas. No geral, suas histórias se passam em lugares marcados pela dor, pela precariedade, pela necessidade de vencer para não sucumbir.
Em São Bernardo, o autor cria um romance narrado em primeira pessoa, no qual o protagonista Paulo Honório narra sua história de conquistas e perdas, começando por sua infância quando era guia de cego, depois cuidando de terras, suas viagens pra conseguir dinheiro no que culmina com a compra da fazenda São Bernardo, no interior de Alagoas. Paulo Honório como ele mesmo narra, é um homem frio, fechado, pouco simpático; um homem que só se relaciona com as pessoas se ver que levará alguma vantagem com isso.
Mas ele próprio deixa subentender que nem sempre teve essa personalidade hostil; é onde entra o fator do determinismo, no qual o homem é fruto do meio em que vive. Essa teoria foi muito usada na literatura do início do século 20, e ainda hoje em alguns textos.
Um dia ele se casa com a professora Madalena, uma mulher totalmente diferente dele. Ela encanta todos a sua volta com sua bondade, seu carisma, contrastando com a rudeza e egoísmo de seu marido.
Esse choque de personalidades faz com que Paulo Honório a atormente e conseqüentemente a leve a cometer suicídio.
O narrador começa então a ter relapsos de arrependimento, corroído por lembranças que o leva a reflexão de que, embora sempre com atitudes grosseiras, havia nele um certo grau de humanidade no qual a vida difícil em que ele levava não o deixava demonstrar.
Muito se compara esse livro com Dom Casmurro de Machado de Assis: Um personagem rude que conta sua própria história de ascensão e queda, seu relacionamento conturbado com a esposa, suas indiferenças com tudo e todos que o rodeia. De fato, são obras singulares na literatura brasileira.
Escrito em 1934, São Bernardo tem a mesma força narrativa de outra obra-prima de Graciliano: Vidas Secas. Nada na escrita de Graciliano é gratuita, ele não envereda por caminhos que procure enrolar o leitor, sempre sendo direto e eficaz ao que se propõe contar.
Muito se fala em um erro cometido por Graciliano ramos: O narrador, um homem que era latifundiário, de poucas instruções, jamais poderia escrever de forma tão objetiva, cheia de beleza e qualidade em suas palavras. Isso é algo discutível, mas de forma alguma apaga o brilho de uma obra forte e contundente, uma das melhores da literatura brasileira.
Foi filmado em 1971, pelo diretor Leon Hirszman, com Othon Bastos no papel de Paulo Honório e a já falecida Isabel Ribeiro no papel de Madalena.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Saga Crepúsculo: Filmes só para fãs



Nem tudo que faz sucesso por aí é sinal de qualidade. Vejam por exemplo o Big Brother, onde até mesmo muitos que gostam falam que não presta, que é só escapismo mesmo, uma bobagem na falta de coisas melhores. Assim como na TV e em outras mídias e artes, Hollywood não é diferente. As terceiras partes de Piratas do Caribe e Shrek são uma negação e fizeram uma montanha de dinheiro. Bobagens como A Bruxa de Blair rendem uma fortuna. Há inúmeros exemplos de filmes irregulares que fazem o maior sucesso (Enquanto filmes como Amnésia e Desejo e Reparação são praticamente esquecidos pelo grande público). O maior exemplo de injusto sucesso de Hollywood nos dias de hoje é a Saga Crepúsculo, que até agora tem dois filmes: Crepúsculo (2008) e Lua Nova (2009). São dois de uma quadrilogia. A terceira parte Eclipse está prevista pra ser lançada aqui no Brasil no próximo dia 30 de junho, e a quarta parte Amanhecer provavelmente virá no próximo ano. Vamos falar um pouco sobre os dois primeiros já lançados:
Crepúsculo: Dirigido em 2008 por Catherine Hardwicke (Uma diretora de pouca expressão). É um filme que fala do envolvimento de uma jovem recém-chegada a uma pequena cidade com uma famílçia de vampiros. A moça logo inicia um romance com um deles, um rapaz que se isola de todos no colégio. A sinopse é bem água-com-açúcar, mas poderia render uma boa história, mas não é isso que acontece. Simplesmente há uma sucessão de draminhas e romances que não chegam a lugar algum. É impressionante como tudo é altamente sem graça e sem clima ou clímax. A protagonista é feita por Kristen Stewart, que fez O Quarto do Pânico (2002, dirigido por David Fincher), na qual era a filha de Jodie Foster, mas cresceu e não virou uma boa atriz. O galã é feito por outro ator sem graça chamado Robert Pattinson (que usa um pó branco no rosto, lhe deixando com um jeito afeminado).
Lua Nova: Mudando a regra de que um filme que faz sucesso é mantido o mesmo diretor, dessa vez a direção fica a cargo de Chris Weitz, que dirigiu um filme irregular em 2007 chamado A Bússola de Ouro, que hoje é mais lembrado por ter tirado injustamente o Oscar de efeitos visuais de Transformers. Lua Nova não melhora em nada no que já era ruim, ou seja, continuam as mesmas falhas do filme anterior, só que o namorado da mocinha aparece pouco, dando lugar a um índio que se transforma em lobisomem, feito por Taylor Lautner de As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3-D (2005). Aliás, Lautner e Anna Kendrick (a amiga da protagonista) são os melhores atores dessa série entre os mais jovens, mas mesmo assim não conseguem salvar o filme da monotonia. Como bem observou um crítico, é um filme onde vampiros não mordem ninguém e os lobisomens se parecem com bichos de pelúcia. Michael Sheen e Dakota Fanning entram na história pra tentar salvar alguma coisa, mas de fato o filme se arrasta e não funciona mesmo.
O casal central é muito fraco. Faltam emoção e momentos mais acelerados à história. Esses filmes são baseados na série de livros escritos pela americana Stephenie Meyer, sendo mais uma febre literária (veja o caso de Harry Potter, As Crônicas de Nárnia e Percy Jackson). Esse é o mais inferior de todos e o mais precário em realização. Seus efeitos especiais nunca convencem, tudo parece feito às pressas. Pra uma série que rende tanto dinheiro (Os dois primeiros já renderam mais de 1 bilhão de dólares em todo o mundo), podia-se ao menos caprichar um pouco mais na produção.
Os adolescentes lotam os cinemas pra ver “rostinhos bonitos” sem nem se importarem com qualidade. Na verdade, é mesmo filme pra fãs, que não enxergam os inúmeros defeitos de uma saga pobre e descartável. Quem procura por um cinema mais inteligente não vai embarcar nessa saga “vampiresca”.

Nota: 2 de 5

domingo, 9 de maio de 2010

Falta de tempo? Não, é falta de boa vontade mesmo

Muitas pessoas dizem não ter tempo pra fazer uma visita a um amigo, a um parente que não tenha mais visto, dizem que é por falta de tempo, porque estão trabalhando demais, porque os estudos estão lhe tomando o restante do tempo, etc...
Na verdade isso não passa de conversa fiada, algo que não convence ninguém. Ninguém é escravo pra poder dizer que trabalha 24 horas por dia, 7 dias por semana. Em algum momento (final de semana) sempre sobra um tempo. Alguns que se “dizem” meus amigos, quando os encontro por aí, me dizem: “Fiquei de ir em sua casa, mas não deu, ando muito apertado, falta de tempo mesmo”. Mas pra uma namorada, pra um jogo de futebol, pra uma viagem, logo se arruma tempo.

Vou contar algo que aconteceu em minha vida do qual me arrependo muito:

Quando morávamos em outro bairro, havia um vizinho na base de seus 70 e poucos anos, irmão da dona da casa em que ele morava. Ele gostava de conversar comigo sempre que eu saia na porta. Ele não tinha quase ninguém com quem conversar e eu era um dos poucos que lhe dava atenção (Nesse país, pessoas de idade mais avançada sofrem preconceito e muitos parecem que estão fadados ao isolamento). Eu era um dos poucos que o entendia, que o ouvia, que lhe dava atenção. Esse vizinho certo dia foi levado para um albergue e ficou morando lá. Todas as vezes que seus parentes voltavam de lá, me diziam que ele havia perguntado por mim. E eu sempre dizia que iria lhe fazer uma visita. Mas eu dizia pra mim mesmo que me faltava tempo. Os dias foram passando e eu não fui. Um dia recebi a notícia de seu falecimento, sem eu nunca tê-lo visitado naquele albergue. A lição disso tudo é que hoje me arrependo muito de não ter deixado de fazer alguma coisa fútil, pra ter feito uma visita àquele homem, pois sei que ele teria feito isso por mim.
Quando vejo alguém falar que não visitou certa pessoa porque lhe faltou tempo, sei que isso é uma mera desculpa, sem nenhum sentido. A correria do dia-a-dia é muito grande, realmente nos falta tempo pra fazermos mais do que desejaríamos fazer, mas sempre há um final de semana ou feriado pra colocarmos em pauta certas coisas em nossas vidas. Não deixe que o “tempo” lhe deixe de fazer hoje o que você se arrependerá amanhã.