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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Consciências Mortas




O Ano é 1885, dois forasteiros chegam a uma cidade e descobrem que algo ali está tirando a calma daquelas pessoas. Depois de alguns minutos, eles ficam sabendo que um grande fazendeiro dali foi assassinado por ladrões de gado. Suspeitos a princípio, eles são informados que os suspeitos estão acampados em um lugar próximo dali. Algumas pessoas então se armam e vão atrás dos criminosos. Os forasteiros os acompanham. Mas o que deveria ser uma captura se torna algo inesperado para aqueles dois homens de passagem por ali. Aqueles cidadãos aparentemente pacatos e justos estão ali não para prender os três suspeitos, mas para fazer justiça com as próprias mãos. O linchamento é inevitável. O que vemos ali são aquelas pessoas fazendo um pré-julgamento daqueles três homens suspeitos, sem muito direito ou tempo pra se defenderem. Durante o pouco tempo que os réus têm para se defenderem, são feitos todos os tipos de acusações contra eles. Os dois forasteiros indignados, poucos têm a fazer, mas mesmo assim não medem esforços pra tentarem convencer aquelas pessoas a deixar a lei decidir o destino dos suspeitos. Durante todo esse processo de perguntas e respostas, vemos cair as máscaras daquelas pessoas, em especial o major autoritário que coloca sempre seu filho em situações de constrangimentos. O final é de estarrecer até mesmo aos mais céticos. É um final amargo e desesperançoso.
O interessante aqui, é que esse filme tem mais de 60 anos e continua super atual. Não se engane quem pensa que, por ser um faroeste, encontrará só tiros e cavalos correndo, a história é disfarçada de faroeste, sendo que no fundo é um drama sobre pessoas falhas, que poderia e pode acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar. Dirigido pelo especialista William A. Wellman, que fez Asas (1928, o primeiro filme a ganhar o Oscar de melhor filme), e estrelado pelo excelente Henry Fonda no papel do forasteiro de maior destaque, é ele quem tenta a todo o momento abrir os olhos daquelas pessoas cegas por vingança e conscientizá-los do terrível engano que eles podem estar cometendo. Consciências Mortas é um libelo pela vida e uma denúncia da inescrupulosidade humana. O filme não defende atos errôneos praticados por criminosos, ele apenas mostra que, todos merecem um julgamento justo, até mesmo porque ninguém ali tem certeza de que aqueles três homens são mesmos os autores do crime. Tudo é muito vago, ficando apenas em opiniões e relatos contados por quem viu as evidências mas não viu quem os praticou. O roteiro escrito por Lamar Trrotti é baseado no livro de Walter Van Tilburg Clark e é de uma excelência fora de série, focando as agonias tantos dos forasteiros em busca de uma justiça real quantos dos três suspeitos. Aliás, esse é um dos pontos altos do filme, o fato de mostrar três condenados ao linchamento, de forma bastante humana. Eles choram, se desesperam, tentam a todo custo convencer seus algozes de que não são as pessoas que cometeram o crime. Dois dos suspeitos são interpretados por dois bons atores: Anthony Quinn e Dana Andrews.
Foi indicado apenas ao Oscar de melhor filme, mas obviamente merecia todos os prêmios da época.
Aqui no Brasil esse filme tem uma força ainda maior, pois aqui é onde mais se vê assassinos confessos que escapam ilesos depois de passarem pelas brechas da lei, enquanto ladrões de galinhas são presos e perseguidos à exaustão, ou até mesmo casos de pessoas que ficam anos acusados de crimes que nunca cometeram, e só anos depois é que são inocentados.
Consciências Mortas é um dos filmes mais fortes e contundentes da história do cinema, denunciando todo tipo de precipitação quando se têm em jogo vidas humanas.



Nota: 5 de 5

Ttitulo original: The Ox-Bow Incident


Lançamento: 1943 (EUA)


Direção: William A. Wellman


Atores: Henry Fonda, Anthony Quinn, Dana Andrews, Jane Darwell, Mary Beth Hughes


Duração: 75 min

Gênero: Faroeste

domingo, 7 de março de 2010

12 Homens e uma Sentença

















Em 1957, o diretor Sidney Lumet (ainda em atividade, mesmo com seus oitenta e cinco anos de idade) criou o melhor filme sobre tribunal da história do cinema. Ainda melhor que outros grandes filmes do gênero como Anatomia de um Crime, Testemunha de Acusação, Julgamento em Nuremberg e O Veredicto. A história é a seguinte: Doze jurados entram numa sala pra decidirem se um adolescente é ou não culpado de ter matado o próprio pai, logo após os advogados terem apresentados suas defesas, sejam elas contra ou a favor do acusado. Agora cabe àqueles homens naquela sala o veredicto que dirá se o tal adolescente é inocente ou culpado
Ali dentro, os 12 homens se sentam pra votarem. Onze deles só querem sair logo dali, não agüentando mais o intenso calor e as árduas horas que já estão ali, e já se dizem convencidos da culpa do acusado. Mas um deles, o jurado nº. 8 (brilhantemente interpretado por Henry Fonda) não quer se precipitar e espera uma discussão entre o grupo pra, só depois se pronunciar. Ele não diz achar que o acusado é inocente, mas também não diz que o acha culpado, ele apenas quer chegar sair dali com a certeza que votou com consciência e racionalidade.
Acontece que os 11 homens decididos a votar contra, não estão com paciência ou boa vontade de discutirem algo que já fora feito minutos antes pelos advogados. Eles acham que cabe agora a eles apenas colherem os fatos e decidirem. Mas como não se pode chegar a um veredicto se um deles votar diferente é preciso que se chegue a um consenso. Mas o que parecia ser algo rápido se torna um verdadeiro duelo de opiniões. E é justamente aí que não piscamos nossos olhos por um segundo. Cada palavra, cada atitude conta para que alguém apresente uma nova visão dos fatos. O jurado nº. 8 consegue ganhar adeptos, pouco a pouco ele vai conseguindo convencer seus colegas de que um fato ou outro não se encaixa, começa a apresentar provas que põe em dúvida a participação do adolescente naquele crime. Mas há uma parte do grupo do contra que não está disposto a ceder e jogam de igual pra igual. Assim, um jurado que antes fora convencido de uma coisa, pode mudar de opinião em seguida, e também, quem se calara, de repente apresenta uma nova versão pros fatos e muda todo o rumo da discussão ou por si só acrescenta mais detalhes. Mas, uma dúzia de homens dentro de uma sala, entrando em discórdia, consequentemente não poderia dar em coisa muito boa, daí, problemas pessoais vêm à tona: pais autoritários, infância dolorida, ajustes de conta, consciência pesada e outros temas, começam a aparecer e se misturam àquela discussão que parece não ter mais fim.
Em 1943, Fonda havia feito também outro ótimo filme sobre defesa e acusação, o excelente western Consciências Mortas, em que um grupo de moradores de uma pequena cidade se precipitam e querem levar à forca 3 homens acusados de cometerem um crime.
12 homens e uma Sentença é um clássico absoluto. A obra-prima do diretor Lumet (Rede de Intrigas, Um Dia de Cão, O Veredicto, Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto). Um filme tenso e totalmente diferente de muita coisa que já foi vista nas telas. Nunca envelheceu e continua super atual. Tem um elenco fantástico que inclui além de Fonda, Martin Balsam, Lee J. Cobb, Jack Warden e Ed Begley, entre outros.
Indicado aos Oscars de melhor filme, direção e roteiro adaptado.
Recomendado pra quem é aluno de Direito e quem se interessa por uma boa trama de tribunal, e especialmente pra quem procura uma sessão de cinema de alta qualidade.



Nota: 5 de 5


titulo original: 12 Angry Men

lançamento: 1957 (EUA)

direção: Sidney Lumet

Atores: Henry Fonda, Martin Balsam, Lee J. Cobb, Jack Warden, Ed Begley, John Fiedler , E.G. Marshall, Jack Klugman,
Ed Binns, Joseph Sweeney, George Voskovec e Robert Webber

duração: 96 min

gênero: Drama