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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Oscar 2011 - Os 10 filmes indicados ao prêmio máximo



No próximo domingo dia 27, teremos mais uma entrega do Oscar, o prêmio máximo do cinema mundial. É a 83º edição do prêmio, e dessa vez como não poderia deixar de ser, temos filmes, atores, diretores e técnicos justos e outros nem tanto concorrendo ao prêmio mais cobiçado da Sétima Arte. Vamos analisar um pouco os possíveis vencedores às várias categorias, entre os 10  indicados ao prêmio de melhor filme.

São eles:

Cisne Negro:
Uma bailarina vai aos limites quando lhe é dado os dois papéis principais de A Valsa dos Cisnes.
O filme mais controverso da lista, Cisne Negro foi elogiado por muitos, mas alguns o rejeitaram por causa de seus elementos surreais e até mesmo bizarros. Mas na verdade se trata de uma obra diferente. É pra quem procura fugir do convencional e quer embarcar em algo mais visceral. Concorre a melhor filme, diretor (Darren Aronofsky), atriz (Natalie Portman), fotografia e montagem.
Natalie Portman é a favorita a melhor atriz.


O Vencedor:
Ex-boxeador fracassado tenta treinar o irmão e fazer dele um campeão nos ringues.
Partindo de uma história real, é um bom drama que mexe com assuntos familiares, superação e a perda das oportunidades. Traz um bom elenco, em especial os coadjuvantes. É um interessante drama otimista, cheio de nuances sentimentais. Concorre a melhor filme, diretor (David O. Russel), ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro original e montagem.
Christian Bale e Melissa Leo são os favoritos a melhor ator e atriz coadjuvante, respectivamente.


A Origem:
Equipe precisa implantar uma idéia nos sonhos de um milionário, mas essa missão não será nada fácil.
Meu preferido da lista, A Origem é o filme mais original e empolgante dentre os indicados. Trata-se de mais uma obra-prima de Christopher Nolan (Amnésia). Mas perde chances de ganhar a melhor filme quando injustamente ficou de fora como melhor diretor. Concorre a melhor filme, roteiro original, direção de arte, fotografia, trilha sonora, edição de som, mixagem de som e efeitos visuais.
É favorito nas categorias de efeitos visuais, edição de som e mixagem de som. Pode vir a ganhar como roteiro original também.


Minhas Mães e Meu Pai:
Casal de lésbicas é surpreendido quando seus filhos procuram seu pai biológico.
O filme mais discutível entre os indicados, Minhas Mães e Meu Pai na verdade se sustenta mais é na interpretação dos atores do que na história em si, sem contar que termina de forma incoerente. Concorre a melhor filme, atriz (Annette Bening), ator coadjuvante (Mark Ruffalo) e roteiro original.
Annette Bening é a maior rival de Natalie Portman como melhor atriz, ainda assim não tem fôlego pra ganhar.


O Discurso do Rei:
O rei George da Inglaterra recorre a um especialista para lhe curar a gagueira, no início da Segunda Guerra Mundial.
Esse é o filme que mais tem cara de “filme do Oscar”, bons atores, boa direção e uma história de amizade e superação. Se ganhar não é injusto, porém é mais um filme com a velha fórmula de filmes sobre a monarquia inglesa, assunto que não agrada a todos. Concorre a melhor filme, direção (Tom Hooper), roteiro original, ator (Colin Firth), ator coadjuvante (Geoffrey Rush), atriz coadjuvante (Helena Bonham Carter), fotografia, montagem, direção de arte, figurino, trilha sonora e mixagem de som.
Pode roubar os Oscars de filme e direção do favorito A Rede Social, e também roteiro original de A Origem. É favorito a melhor ator (Colin Firth), fotografia, direção de arte e figurino.


127 Horas:
Um montanhista tem seu braço preso em uma rocha e fica ali 5 dias até que precisa tomar uma difícil decisão.
Esse é o filme que causou as mais diversas sensações por onde foi exibido. Trata-se de uma forte e amarga história real. Um filme que seria mais difícil se não fosse pelo talento do diretor Danny Boyle em criar um clima de descontração em meio à tragédia do protagonista. Concorre a melhor filme, ator (James Franco), roteiro adaptado, trilha sonora, canção e montagem.
Seria legal se James Franco ganhasse como melhor ator, mas Colin Firth é o favorito nessa categoria.


A Rede Social:
A história real do criador do Facebook, um dos maiores sites de relacionamento do mundo.
Estamos diante de um filme sem ação ou adrenalina, baseando-se apenas em diálogos e situações, mas trata-se de um verdadeiro triunfo do diretor David Fincher (Seven). É uma obra que fala de ambição, traição, inveja e principalmente sobre o poder do dinheiro nas mãos de jovens estudantes. Concorre a melhor filme, direção, ator (Jesse Eisenberg), roteiro adaptado, fotografia, montagem, trilha sonora e som.
É o favorito (ao lado de O Discurso do Rei) a melhor filme e direção. Favorito também a roteiro adaptado, montagem e trilha sonora.

 
Toy Story 3:
Terceira aventura dos brinquedos mais divertidos dos últimos tempos. Dessa vez eles são abandonados e separados pelo seu dono.
Maior bilheteria de 2010, Toy Story entra na disputa como melhor filme. É a terceira animação da história a concorrer ao prêmio máximo. É uma divertidíssima aventura que agradou a críticos e público no mundo todo. Concorre a melhor filme, roteiro adaptado, animação, edição de som e canção.
Ainda que não tenha muitas chances de ganhar como melhor filme, é favorito absoluto a ganhar como melhor animação.  


Bravura Indômita:
Uma adolescente contrata um velho pistoleiro pra caçar e prender o assassino de seu pai.
Inesperado grande sucesso dos irmãos Coen (o maior de suas carreiras). É um remake do clássico homônimo de 1969 que deu o Oscar de melhor ator a John Wayne. Depois de quase 20 anos, é o primeiro faroeste a fazer uma grande bilheteria. É um filme muito bem realizado, mas injustamente roubou a vaga de direção de Christopher Nolan por A Origem. Concorre a melhor filme, direção (Irmãos Coen), roteiro adaptado, ator (Jeff Bridges), atriz coadjuvante (Hailee Steinfeld), fotografia, direção de arte, figurino, edição de som e mixagem de som.
A jovem atriz Haille Stenfeld que é a protagonista mas inexplicavelmente concorre a coadjuvante, tem uma presença luminosa, mas não tem chance contra melissa Leo (por O Vencedor).


Inverno da Alma:
Pra não perder sua casa, uma adolescente precisa a todo custo encontrar seu pai. O Problema é que isso lhe causará problemas.
Todo ano o Oscar escolhe um filme “independente” pra concorrer a melhor filme, e o filme escolhido esse ano é Inverno da Alma. É um filme que se concentra basicamente no olhar de cada ator em cena. Trabalha-se muito aqui com os sentimentos e as conseqüências do passado obscuro e a terrível tentativa de trazê-lo à tona. Na verdade é uma obra fria e distante, mas com um ótimo elenco.
Este é o que se chama de filme-zebra, poucos apostam nele, mas pode vir a surpreender nas premiações. Embora eu acredito que vá sair de mãos vazias.


Confesso que nos dois últimos anos, não me agradei dos vencedores a melhor filme e algumas outras categorias. Espero que nesse ano haja uma maior coerência por parte da Academia e que resolvam premiar quem realmente merece. 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cisne Negro



Nina (Natalie Portman), uma bailarina de uma famosa companhia de dança é escalada pelo seu diretor (Vincent Cassel) para ser a principal atração de Cisne Branco e Cisne Negro em O Lago dos Cisnes do compositor russo Tchaikovsky. Agora resta a Nina se dedicar como nunca, mas ela tem pela frente sua mãe super protetora (Barbara Hershey) e uma provável concorrente (Mila Kunis). Aos poucos, Nina vai mergulhando em remédios e drogas, passando a ter alucinações, misturando realidade e alucinações.
Esse é o enredo de Cisne negro, um dos filmes mais aguardados do ano, e também um dos mais intrigantes e fora do comum. É importante que se perceba tratar-se do novo trabalho do prestigiado Darren Aronofsky, um diretor que foge das fórmulas hollywoodiana e consegue sempre surpreender seu público. Para entender Cisne Negro, é interessante que se entenda primeiramente o cinema de Aronofsky: Pi (1998) é a história de um homem obcecado em decodificar a famoso número irracional que representa a divisão entre uma circunferência e o diâmetro, esse número é denominado de Pi = 3,1415926. Dois anos depois, Aronofsky nos apresenta a sua obra-prima Réquiem Para um Sonho, um perturbador estudo sobre o uso de diferentes tipos de drogas envolvendo uma mulher (Ellen Burstyn), seu filho (Jared Leto) e amigos. Em A Fonte da Vida (2006), através de três histórias, três homens (interpretados por Hugh Jackman) tentam encontrar a essência da existência humana. Em 2008, em O Lutador, um ex-campeão de luta livre (Mickey Rourke), tenta retornar ao ringue para uma última luta.
O cinema de Aronofsky é muitas vezes difícil, indigesto e irreal. Em Cisne Negro, a protagonista vive sérias crises que a levam por vezes ao desespero. Não sabemos o que ali é real e o que faz parte da imaginação de Nina. Sua inteira dedicação ao papel principal do futuro espetáculo lhe provoca um anseio enorme, uma busca incessante pela perfeição, abdicando de qualquer tipo de lazer. Até mesmo a dançarina anterior que ela substitui, feita por Winona Ryder, lhe causa efeitos devastadores.
Cisne Negro tem uma atmosfera bastante claustrofóbica, misturando ainda elementos sensuais, como na cena em que a protagonista mantém uma relação com sua concorrente, numa das cenas mais comentadas do ano. Há de se lembrar também que Cisne Negro é um filme que cresce sempre, com um desfecho arrasador, quando a heroína demonstra tudo o que aprendeu, em seqüências de tirar o fôlego.
O elenco é composto de bons atores: Natalie Portman, que estreou quando era garota em 1994 em O Profissional. Cresceu e se tornou uma atriz de respeito, em filmes como Cold Mountain, Closer – Perto Demais e V de Vingança. Foi a personagem feminina principal da nova (e irregular) trilogia Star Wars. O francês Vincent Cassel fez trabalhos importantes como Rios Vermelhos, Pacto dos Lobos e Irreversível. A bela ucraniana Mila Kunis fez entre outros, o fraco Max Payne e o interessante O Livro de Eli. A veterana Barbara Hershey retorna aqui depois de alguns anos em trabalhos sem maiores expressões.
Repleto de imagens oníricas, vislumbres narrativos e uma história intrigante e dramática, Cisne Negro é um filme digno na carreira de Aronofsky. Com câmera na mão, ele registra todo o pesadelo de sua protagonista, sem que em nenhum momento seja lhe tirado o foco, em prol de subtramas desnecessárias. Portman tem aqui o papel mais importante de sua carreira, ganhando vários prêmios, entre eles o Globo de Ouro e o SAG de melhor atriz. O Oscar praticamente já é dela, e por falar nisso, Cisne Negro concorre a mais outros 4 prêmios da Academia: Filme, diretor, montagem e fotografia.
Não é um filme pra qualquer um. Alguns podem reclamar de seu clima sufocante, outros podem achá-lo complexo demais. Mas é inegável que se trata de uma obra diferente e de grande impacto. 


Nota: 4 de 5

Título original: Black Swan

Lançamento: 2010 (EUA)

Direção:
Darren Aronofsky

Elenco: Natalie Portman, Vincent Cassel, Mila Kunis, Bárbara Hershey, Winona Ryder

Duração: 108 minutos

Drama/Suspense