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domingo, 28 de novembro de 2010

Meus 10 filmes preferidos



 ...E O VENTO LEVOU (1939)

O filme mais visto em todo o mundo, é também a obra que melhor representa a Era de Ouro de Hollywood. Uma superprodução vencedora de dez Oscars que conquistou milhões de pessoas em todo o mundo durante mais de 70 anos. Lá pelo final da década de 40, o livro homônimo de Margaret Mitchell chega às mãos do produtor David O. Selznick, este se apaixona pela obra e resolve produzí-la, mal sabendo ele que seria um dos trabalhos mais difíceis da história do cinema. Uma lista enorme de atrizes que concorriam pelo papel de Scarlett O’Hara, Clark Gable foi imposto pelos fãs no papel masculino principal, três diretores passaram pelo projeto (George Cukor, Sam Wood e Victor Fleming, este último recebeu os créditos), e até mesmo o próprio Selznick chegou a dirigir algumas cenas; filmagens atrasadas, orçamento estourado. Mas o sacrifício valeu a pena, ...E o Vento Levou é de longe um os maiores monumentos do cinema. O casal principal feito por Clark Gable e Vivien Leigh entrou para a história. Uma história de amor em que o capitão Reth Butler ama Scarlett O’Hara, mas esta só tem olhos para um homem, já comprometido, durante a Guerra da Secessão. O final nada feliz é marcante e inesquecível, assim como todo o restante da obra. 




 A LISTA DE SCHINDLER (1993)

O diretor Billy Wilder (Crepúsculo dos Deuses) era quem iria dirigir esse projeto baseado no livro de Thomas Kenneally, mas Steven Spielberg acabou dirigindo esta que é sua obra-prima máxima. Um relato triste e cruel da história real de Oskar Schindler (Liam Neesom), um empresário alemão que abre uma fábrica na Polônia e emprega ali vários judeus do Campo de Concentração de Plaszow. No início, Schindler se mostra um homem vaidoso, interessado apenas em lucros e amantes, mas ao presenciar um massacre de judeus pelos nazistas, em especial quando uma menina anda sem rumo tentando sobreviver, Schindler se dá conta de que sua vida boêmia é desprezível em meio a tanta gente morrendo e ele não fazer nada pra mudar tal situação. Com a ajuda de seu auxiliar (Ben Kingsley), ele cria uma lista de judeus para serem negociados com o temível comandante dos nazistas (Ralph Fiennes), para que os mesmos não morram nos Campos e continuem trabalhando para ele. Através de acordos e subornos, Schindler tenta a todo custo mantê-los vivos. Filmado em preto e branco e vencedor de 7 Oscars, A Lista de Schindler é o melhor filme já feito sobre o Holocausto.




 AMOR, SUBLIME AMOR (1961)

O Musical no cinema hoje em dia é um gênero que não tem mais vez, mas durante muito tempo foi um gênero que reinou em Hollywood. Clássicos como O Picolino, Os Sapatinhos Vermelhos, O Pirata, Cantando na Chuva, Sete Noivas Para Sete Irmãos e A Noviça Rebelde, entre tantos outros, encantaram o público que não se cansava de ver astros como Gene Kelly e Fred Astaire fazerem piruetas mirabolantes, sem contar que, ver a Cid Charisse em cena era um deleite para os olhos. De todos os musicais que já vi, o meu preferido é Amor, Sublime Amor, dirigido por Robert Wise (O Dia em que a Terra Parou) em parceria com Jerome Robbins. É um filme mágico, encantador, inesquecível, algo que só poderia sair das mentes criativas da Hollywood clássica. Baseado em Romeu e Julieta de William Shakespeare, Amor, Sublime Amor conta a hitória de um amor impossível entre Maria (Natalie Wood) e Tony (Richard Beymer) em meio à duas gangues rivais pela disputa de teritórios na Nova York dos anos 60. Belíssimas canções fazem desse clássico vencedor de dez Oscars, um filme singular na história da Sétima Arte. 




 CIDADÃO KANE (1941)

Orson Welles (A Marca da Maldade) tinha na época 26 anos quando resolveu fazer Cidadão Kane. Mal sabia ele que não seria um filme qualquer, mas sim aquele que muitos críticos consideram ser o melhor de todos os tempos. Não há qualquer exagero em considerar Cidadão Kane como um filme sem precedentes na história do cinema, pois trata-se de uma obra-prima incontestável, irretocável, onde cada elemento contido nele só o torna ainda mais excelente. Welles revolucionário a arte cinematográfica ao introduzir elementos até então inéditos no cinema, como filmagens de tetos, ângulos de câmeras colocados de forma a se ver o que acontece ao fundo dando a impressão de que estamos dentro do filme, além ainda da forma em que o roteiro nos apresenta uma história não linear, em que os acontecimentos vão e vem sem ter uma preocupação com uma cronologia direta dos fatos apresentados. O filme conta a história do magnata Charles Foster Kane da imprensa, de sua infância pobre quando é separado dos pais e vai viver com um banqueiro que lhe coloca no ramos das comunicações, até suas experiências fracasados nos relacionamentos com mulheres e amantes, culminando em seu fim solitário. Filme indispensável para quem quer estudar e entender a fundo a história do cinema. Vencedor do Oscar de roteiro original. 




 BEN-HUR (1959)

William Wyler foi um dos maiores diretores da Era de Ouro de Hollywood e já havia ganhado dois Oscars de direção por Rosa de Esperança (1942) e Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946). Diretor de vários gêneros, Wyler resolveu se aventurar em um épico para provar que também era capaz de dirigir uma superprodução de época. O resultado não poderia ter sido melhor, pois além de um enorme sucesso nas bilheterias, Ben-Hur conquistou nada menos que 11 Oscars, entre eles de filme, direção (o terceiro prêmio pra Wyler nessa categoria) e ator para Charlton Heston. Recusado por vários atores, o papel de Ben-Hur foi parar nas mãos de Heston que havia feito com Wyler no ano anterior o belo faroeste Da Terra Nascem os Homens. Conta aqui a história de Judah Ben-Hur, um rico judeu que é traído pelo amigo Messala e condenado a viver como escravo. Ele então parte em busca de vingança ao mesmo tempo em que procura a mãe e a irmã que desapareceram. Com belíssimas cenas, entre elas uma magnífica corrida de bigas, Ben-Hur é um filme que mostra um contexto importante da História: a conversão de judeus ao Cristianismo. Baseado no romance fictício de Lew Wallace, Ben-Hur é um dos maiores épicos já feitos em Hollywood.




 MATAR OU MORRER (1952)

Assim como o musical, o gênero faroeste também era muito aceito na fase áurea de Hollywood. O público enchia os cinemas para assistir aos filmes que eram considerados um gênero americano por excelência (depois na Itália foi surgindo os Western-Spaghetti). Diretores como John Ford, Howard Hawks, Anthony Mann, Henry King e Delmer Daves reinaram com os filmes de faroestes americanos. Mas o meu filme de faroeste preferido é dirigido por um diretor conhecido por filmes dramáticos, Fred Zinnemann, ganhador de dois Oscar de direção por À um Passo da Eternidade (1953) e O Homem que não Vendeu Sua Alma (1966). Matar ou Morrer faz parte de um ciclo de faroestes psicológicos que surgiu no final dos anos 40 e se estendeu até o começo dos anos 70. Em Matar ou Morrer, Gary Cooper (que levou seu segundo Oscar de melhor ator por esse filme) interpreta um xerife que depois do casamento, descobre que bandidos presos por ele estão voltando à cidade ao meio-dia para matá-lo. Ele pede ajuda aos moradores, mas ninguém o ajuda e ele se vê sozinho. Um belo filme que fala sobre o isolacionismo, uma clara alusão ao Marcathismo (um movimento “Caça às Bruxas” que se propagou nos anos 50 nos Estados Unidos). A Belíssima Grace Kelly interpreta a esposa de Cooper. Além de melhor ator, o filme ganhou mais 3 Oscars. 





 AMNÉSIA (2000)

O diretor Christopher Nolan ficou famoso quando deu nova vida ao Batman em Batman Begins (2005) e Batman – O Cavaleiro das trevas (2008), e em 2010 agradou críticos e público com A Origem. Mas seu melhor trabalho ainda é Amnésia, um filme diferente de tudo que já se viu nas telas. Para começar, é um filme que tem sua ordem cronológica ao inverso, ou seja, é de trás pra frente. Conta a história de um homem (Guy Pearce) que tem sua esposa violentamente assassinada; ao tentar salvá-la, ele também é vítima do bandido que lhe provoca uma lesão que o deixa com um sério problema: ele não se lembra de nada do que lhe acontece 5 minutos atrás. Ele só sabe que precisa vingar a morte da esposa, e tatua todo seu corpo com inscrições que o levem a novas pistas sobre o assassino. Amnésia é um filme complexo e inteligente, e que no final (ou seria o começo?) faz todo sentido. Não engana o espectador com truques baratos, mas lhe dá uma conclusão de cair o queixo. De longe é um filme que carrega um dos roteiros mais inteligentes já vistos. À cada vez que assistimos, vamos descobrindo novos detalhes que nos passaram em branco nas vezes anteriores. Excelente.




 A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (1946)

Em uma cidadezinha dos Estados Unidos durante os dias que antecedem o natal, um homem correto e admirado por muitos se vê encrencado por causa de um dinheiro que lhe foi tomado. O dinheiro não era dele, por isso ele se vê em aflição. Desesperado, pensa em se jogar de uma ponte, mas um anjo aparece naquele momento e mostra como seria aquela cidade se ele não existisse. O diretor Frank Capra ganhou três Oscars de direção por Aconteceu Naquela Noite (1934), O Galante Mrs Deeds (1936) e Do Mundo Nada se Leva (1938),  todos eles são ótimos filmes. Mas sua obra-prima é mesmo A Felicidade Não se Compra, um dos melhores e mais emocionantes filmes já feitos. O cinema de Capra é conhecido pelo otimismo, onde um homem bom sempre luta contra os ricos e opressores. Em A Felicidade Não se Compra ele explora ao máximo esse tema, onde brilha o ótimo ator James Stewart (parceiro de Capra em outros filmes) que tem uma brilhante atuação. Começa com o herói em sua infância, onde em uma das cenas, uma menina (sua futura esposa) se aproxima do ouvido surdo dele e diz: “Eu te amarei para sempre!”, essa é uma de minhas cenas favoritas do cinema. Um filme belíssimo, repleto de momentos antológicos.




 APOCALYPSE NOW (1979)

Nos anos 70, o diretor Francis Ford Coppola reinou em Hollywood com nada menos que quatro obras-primas: O Poderoso Chefão (1972), O Poderoso Chefão – Parte II (1974), A Conversação (1974) e Apocalypse Now (1979). Este último é o meu preferido, é aquele que apresenta toda a megalomania típico de Coppola, seus arroubos visuais e técnicos. Apocalypse now é um filme de guerra como nenhum outro. Trata-se de um verdadeiro pesadelo nas selvas perigosas do Vietnã durante a guerra travada pelos norte-americanos nesse país. Coppola leva um grupo de soldados a viverem os maiores horrores em um barco rumo a uma área desconhecida onde um ex-coronel do exército americano (Marlon Brando, simplesmente genial) se rebelou e agora lidera uma aldeia de vietcongues fanáticos. À medida que os soldados vão seguindo pela selva, vão encontrando todos os tipos de situações, das mais inusitadas possíveis. Em certo momento, eles chegam em uma área onde está sendo travado um combate, ali, os soldados mais se parecem com mortos-vivos, atirando não se sabe em quem ou em que. Ao chegarem ao destino planejado, se encontram com o coronel que os recebe cordialmente. Mas aquele homem que enlouquecera naquele ambiente selvagem, precisa ser detido. Apocalypse Now tem um estilo bem diferente de outros filmes de guerra, aqui o que importa não á a guerra em si, mas sim mostrar a loucura de homens lutando contra inimigos invisíveis em um lugar onde impera o medo e a carnificina. Vencedor de dois Oscars. Vagamente inspirado no livro O Coração das Trevas de Joseph Conrad.




 LAWRENCE DA ARÁBIA (1962)

A História real de Thomas Edward Lawrence (autor de Os Sete Pilares da Sabedoria), que de simples observador e relator na guerra entre árabes e turcos na Primeira Guerra Mundial, acabou entrando em combate a favor dos árabes e se destacou pela sua coragem e determinação. Obra-prima de David Lean, um dos maiores diretores do cinema que fez filmes como Desencanto (1945), Oliver Twist (1948), A Ponte do rio Kwai (1957, aqui vencendo seu primeiro Oscar de direção) e Doutor Jivago (1965), entre outros. Contando com um excelente elenco que inclui Peter O’Toole no papel principal, e ainda Omar Sharif, Alec Guiness e Anthony Quinn, este é um filme que ficou marcado na história do cinema por ter as mais belas imagens do deserto já feito. Com uma fotografia deslumbrante, Lawrence da Arábia reina no quesito técnico como nenhum outro. É uma superprodução excepcional, contando a história de um homem que luta por um povo do qual ele não faz parte. Mas aqui Lean não deixa seu personagem cair no estereótipo do herói exemplar, mas o mostra de forma humana, que em alguns momentos se mostra um homem vaidoso e sedento por sangue inimigo. É uma biografia esplendorosa como poucas vezes foi mostrada no cinema. Um verdadeiro espetáculo, ganhador de sete Oscars, entre eles de melhor filme e o segundo de direção para David Lean. 




domingo, 21 de novembro de 2010

Drácula



Em 1897, o autor irlandês Bram Stoker criaria sua obra-prima que imortalizaria o mito do vampiro, trata-se de Drácula, um romance escrito em forma de cartas que narra uma história de terror com um diferencial das demais: não há propriamente um personagem principal, qualquer personagem é relevante mas alguns também podem ser irrelevantes à medida que os acontecimentos vão se sucedendo. Obviamente destaca-se a figura do Conde Drácula da Transilvania, que certo dia recebe a visita de Jonathan Harker, que vai lhe vender uma propriedade na Inglaterra. Ao chegar à mansão de Drácula, o visitante se vê preso a situações nada convencionais. Harker em meio a fatos assustadores, percebe então que é um prisioneiro, e que seu cliente na verdade é uma criatura das trevas, um vampiro que se alimenta de sangue humano. Drácula vai para a Inglaterra em busca de novas vítimas. Durante o percurso num navio, ele vai espalhando medo e terror. Harker foge do castelo e consegue depois de muito sacrifício chegar em sua cidade, onde já se conhece os primeiros atos macabros do terrível Drácula. Este mata uma amiga da noiva de Harker. A moça se torna uma morta-viva e começa a ter um terrível prazer em matar. A próxima vítima é Mina, a noiva de Harker. Drácula a leva para seu castelo na Transilvânia, fazendo com que Harker se reúna ao Dr. Van Helsing e alguns amigos e partam em busca de Mina e consequentemente acabarem com o terrível ser.
Ao contrário do que se pensa, Bram Stoker não foi o criador da lenda dos vampiros. O mito já existia, era dessas histórias que passavam de mãos em mãos, onde havia em tempos bem antigos alguém bastante cruel que se assemelhava ao personagem de Stoker, claro que não era um morto-vivo sugador de sangue como na obra literária.
Com o passar dos tempos, novos livros sobre vampiros foram lançados, como por exemplo Entrevista com o Vampiro de Anne Rice. Adaptações para o cinema é que não faltam. O genial diretor alemão F.W. Murnau fez aquela que se tornaria o melhor filme sobre Drácula: Nosferatu (1922). Em 1931 tivemos Drácula, dirigido por Tod Browning e estrelado pelo lendário ator Bela Lugosi. Seguiram-se várias adaptações e variações da mesma história, até que em 1992 o diretor Francis Ford Coppola se gabava de ter feito o filme definitivo sobre Drácula, sendo bastante fiel à obra original: Drácula de Bram Stoker. Apesar do filme ser bem interessante, é importante frisar que a obra de Coppola não é tão fiel assim à história criada por Stoker. Um dos maiores diferenciais do filme com a obra é o fato do vampiro no filme ser uma espécie de cavalheiro sedutor ao chegar à Inglaterra, quando no livro ele é nada menos que um ser aterrorizante. No filme, Mina é seduzida por Drácula e se deixa levar por uma paixão pela criatura. No livro, Mina é feita refém pelo monstro, vivendo uma espécie de hipnose; nos momentos de lucidez ela demonstra ter repulsa pela criatura. Histórias em quadrinhos, RPGs, games, canções e diversas outras mídias já exploraram o mito de Drácula.
Drácula é até hoje bastante lido e estudado, e ainda provoca bastantes sustos, Entrando  pra história como uma das obras mais assustadoras já feitas.  

O trecho abaixo é do primeiro capítulo do livro, logo nas primeiras páginas, quando Jonathan Harker recebe uma carta de Drácula, que o faz crer ser este alguém bastante receptivo e "normal":

Meu amigo: Seja bem-vindo aos Montes Cárpatos. Espero-o com ansiedade. Desejo que passe uma boa noite e amanhã, às três horas, tome a diligência que se destina a Bucovina, e na qual já está reservado um lugar para o senhor. No Passo de Borgo, minha carruagem o estará esperando e o conduzirá até mim. Espero que sua viagem de Londres até agora tenha sido boa e estou certo de que será agradável sua estada em meu belo país. Seu amigo,
DRÁCULA.


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita



O cinema político é quase tão antigo quanto o próprio cinema. D. W. Griffith em O Nascimento de uma Nação (1915) e Intolerância (1916) mostrava os dissabores de uma sociedade presa em impasses sociais, povos sendo reprimidos pelo poder em suas mais diversas formas. Em 1925, Sergei Eisenstein cria aquela que é talvez a maior obra política do cinema: O Encouraçado Potemkin, no qual ele narra os episódios reais que deram origem à Revolução Russa, onde carne podre servida aos marinheiros é o motivo para um motim que tomaria dimensões estrondosas em todo o país, culminando na execução de vários militantes nas escadarias de Odessa (essa cena é até hoje considerada um primor de montagem). Muitos desses filmes ficaram proibidos durante muitos anos aqui no Brasil e outros países, devido à censura. Até hoje pode ser visto como filmes que mexem em casa de abelha, incomodando muita gente, porque são obras que fazem pensar, levam à reflexão e abrem os olhos para uma direção muitas vezes não conhecida.
A Itália nos anos 70 produziu algumas das maiores obras do cinema político, onde talvez a mais importante seja Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita. Nessa obra dirigida por Elio Petri, vemos um inspetor de polícia (Gian Maria Volonté) que assassina sua amante (Florinda Bolkan) sem nenhum motivo aparente. Após o crime, ele não retira as impressões digitais do local, e faz questão de tocar em garrafas e copos no intuito de deixar registrado sua presença ali. Ele deixa tudo “mastigado” para que a polícia saiba que foi ele o autor do crime. Mas, como se trata de um homem com um cargo muito influente, ele está acima de qualquer suspeita, ou melhor, ele está num patamar onde ninguém ousa denunciá-lo. Em dado momento ele chega na sala de seu superior e diz que conhecia a vítima; seu chefe faz alguns gracejos na intenção de dizer: “Não sei do que você está falando, voltemos ao trabalho!”. Peritos criminais passam por cima de provas plantadas pelo próprio inspetor, e fazem de conta que o suspeito não está ali na frente de todos. Entre represálias contra estudantes manifestantes, um jovem é preso, “suspeito” do crime, o que causa uma raiva muito grande no inspetor que só quer que a justiça trabalhe de forma exemplar e chegue até ele. Mas todo mundo faz vista grossa, com receio de se dar mal e/ou perder o emprego. Todo o departamento trabalha “incessantemente” a fim de prender o assassino, mas muitos ali sabem que o verdadeiro autor do crime não pode ser tocado. O que fazer então?
O diretor Elio Petri faz aqui uma crítica ao autoritarismo disfarçado e ao mesmo tempo um alerta contra a censura. O personagem principal age de forma altamente questionável, manipuladora, exercendo seu poder sobre a grande massa submissa a ele. Tudo pra ele é um jogo no qual sabe que não tem a perder. No início ele ri de tudo aquilo, se diverte em ver que tudo saíra como planejado; mas aos poucos vai mudando de pensamento, percebendo que a lei não está funcionando. Essa mesma lei que ele tanto se esforçou pra funcionar de forma ágil e severa está falhando com ele por se tratar de algo até então inédito. Vemos então aqui uma metáfora sobre o poder de manipulação, onde governos e autoridades em muitos casos usam suas influências pra passar por cima de fatos claramente óbvios aos olhos de todos.
No final dos anos 60 até os anos 70, o cinema viu a necessidade de criar filmes-denúncias, mostrar os absurdos de um sistema desigual que imperava em várias partes do mundo. Em 1969, Costa-Gravas com sua obra-prima Z, nos mostra um político sendo assassinado na frente de uma multidão de pessoas. O Estado quer fazer crer que foi um acidente e ignora todas as provas. Cabe a um promotor honesto ir contra tudo e todos e tentar desmascarar uma teia de corrupção que alcança elevados níveis de hierarquia.
Em 1971, Elio Petri faria (novamente com o ator Volonté) o polêmico A Classe Operária Vai ao Paraíso, em que um operário exemplar de uma indústria perde um dedo em uma máquina de trabalho e depois disso se dá conta de como funcionam os movimentos sindicais. Outra denúncia sobre a sociedade e seus impasses ideológicos, sempre fugindo de algo e ao mesmo tempo em busca de alguma coisa.
A brasileira Florinda Bolkan tem em Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita, seu grande momento de estrelato, mas é sem dúvida Gian Maria Volonté quem brilha, no papel do inspetor. Volonté é o ator que melhor expressou o cinema político da Itália, ele está ótimo também em outro filme-denúncia: Giordano Bruno (1973). Em A Moça com a Valise (1961) de Valério Zurlini, Volonté aparece em uma ponta no papel de um ex-namorado da personagem interpretada por Claudia Cardinale. Porém, Ele é mais lembrado pelo grande público por ter feito o vilão nos dois primeiros filmes da famosa trilogia de western spaghetti feito por por Sergio Leone: Por um Punhado de Dólares e Por uns Dólares a Mais.
O final é um grito de desespero, onde ecoa a agonia de um homem disposto a fazer justiça por um crime que ele mesmo cometeu. Assim nos perguntamos: a "Lei", que procura ser tão severa com o cidadão, funciona quando é exercida sobre ela mesma?
Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e concorreu ao prêmio de roteiro original. Em Cannes, venceu o Grande Prêmio do Júri. Imperdível para os admiradores de um cinema crítico e inteligente.


Nota: 5 de 5

Título original: Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto

Lançamento: 1970 (Itália)

Direção: Elio Petri

Elenco: Gian Maria Volontè, Florinda Bolkan, Gianni Santuccio, Orazio Orlando, Sergio Tramonti

Duração: 112 minutos

Policial/Drama


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Preconceito - Pense bem antes de falar o que não deve

Essa semana, uma estudante de Direito e estagiária em um escritório de advocacia teve sua vida arruinada em questão de segundos e por causa de 140 palavras aproximadamente que ela escreveu em seu Twitter. A estudante de iniciais M. P. (não estou aqui pra incitar o ódio contra essa pessoa, por isso não colocarei seu nome completo aqui) foi super infeliz quando resolveu postar em seu microblog a seguinte frase: “Faça um favor a Sp, mate um nordestino afogado”. Em pouquíssimo tempo isso se espalhou pela NET, causando uma tremenda dor de cabeça pra essa estudante. Acusada de racismo, ou xenofobia (aversão por outros povos), M. P. vai ser processada por racismo pelo Ministério Público. Isso se deve pelo fato de milhares de pessoas terem se manifestado contra a atitude da estudante. Foi uma avalanche de comentários contra esse ato bárbaro vindo de alguém que poderia estar lutando pelos direitos humanos. A vida de M. P. nunca mais será a mesma depois disso. Na NET, se elevam ao sucesso em questão de minutos, mas a mesma NET também pode ser um instrumento de autodestruição, onde quem resolve falar besteiras se dá muito mal. Um ditado popular diz: “Em boca fechada não entra mosquito”, ou seja, se você não quer ser incomodado pelo fato de não conseguir deixar sua boca fechada quando deveria, as conseqüências virão. Não é de hoje que pessoas se dão mal por abrirem a boca pra falar o que não deve; vez ou outra, na TV vemos muitas gafes que podem vir a comprometer quem as disse. No final de 2009, um jornalista famoso criticou humilhadamente dois garis depois de uma reportagem no qual eles desejavam feliz ano novo. Pra infelicidade do jornalista, ele fez um comentário preconceituoso acreditando que o microfone estava desligado. Coisas desse tipo já aconteceram com outros jornalistas e apresentadores de TV. Isso só nos faz crer que muitos deles que parecem ser tão corretos na frente das câmeras, na realidade prega a intolerância. E se há algo condenável no meio social é a intolerância, principalmente contra o próximo. Ideologias nazistas e fascistas são hoje em dia mais do que em qualquer outra época, espalhadas à exaustão. Algumas comunidades no Orkut como “Mate um negro e ganhe um prêmio", e “Jesus deveria ter apanhado mais” só mostram quão questionáveis são alguns seres humanos que habitam esta terra. Tais idéias são perigosíssimas, pois leva ao ódio, e esse mesmo ódio espalha separação entre raças, nos remetendo a pensamentos de líderes com espírito de destruição como Adolf Hitler e Benito Mussolini, entre outros. Alguém certa vez me disse: “Quem fala pouco, ouve mais”, essa frase me faz lembrar um velho provérbio chinês: "O sábio não diz o que sabe e o tolo não sabe o que diz". Na falta de algo de bom pra falar, escute. A estudante M. P deve estar nesse momento apenas escutando, e o som das palavras da população contra ela nesse momento não é nada bom para os ouvidos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Casa de Pequenos Cubinhos





Já assisti filmes longos com mais de três horas de duração, que ao final não há nada que acrescente coisa alguma, filmes vazios que se tornam um tédio, não havendo absolutamente nada que os tornem memoráveis. Eis que é uma grata surpresa que um curta-metragem de apenas 12 minutos consiga transmitir uma gama de emoções e reflexões que não vemos em muitos longas-metragens por aí. Me refiro à pequena animação japonesa com o título internacional em francês: La maison en petits cubes, ou traduzindo seria: A Casa de Pequenos Cubinhos.
Vencedor do Oscar de melhor curta-metragem, é de fato merecedor de prêmios e de reconhecimento essa pequena obra-prima dirigida em 2008 por Kunio Katō. É um trabalho artesanal muitíssimo bem feito, que conta a história de um homem bem velho que mora numa cidade submersa pela água. Um dia ele acorda e percebe que precisa construir um novo cubo acima, pois a água já alcançara a parte que ele estava morando. Terminada a construção, ele perde seu cachimbo. Com roupa de mergulho ele vai procurá-lo, é quando vem em sua mente as recordações do passado. A cada nível que ele vai descendo, as memórias lhe vem à tona. Sua esposa, filha e genro aparecem em forma de velhas lembranças à medida que ele vai passando pelas partes submersas ou vai revendo velhos objetos. Onde antes ele vivera seus bons momentos ao lado das pessoas que amava, hoje ficou submerso em água, perdido para sempre.
A Casa de Pequenos Cubinhos é uma história magnífica, exalando poesia em cada cena, ao som de uma belíssima trilha sonora. Pode ser vista como uma metáfora da vida, do tempo, do amor e da solidão. A triste trajetória de um homem que teve uma linda história de vivências e relacionamentos familiares que não voltam mais.
Podemos ver refletido naquele homem a nossa própria história. Quem nunca teve lembranças de coisas boas que ficaram para trás?
Belo e tocante, A Casa de Pequenos Cubinhos é uma comovente lição de vida para adultos e crianças. São poucos minutos que tem muito a dizer. 


Clique aqui e assista a esse curta-metragem na íntegra.
 

Nota: 5 de 5

Título original: Tsumiki no ie

Lançamento: 2008 (Japão)

Direção: Kunio Katō

Duração: 12 minutos

Animação

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sandra Regina Machado


No dia 24 de agosto na cidade paulista de Santos nascia Sandra Regina Machado, posteriormente chamada Sandra Regina Machado Arantes do Nascimento Felinto.
Mas quem era Sandra Regina? Pra chegar a essa resposta, vamos falar um pouco de alguém que o mundo inteiro conhece: Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido como o ex-jogador Pelé. Em 1963 Pelé teve um caso com uma dona a dona de casa A. M. e daí resultou o nascimento de Sandra. Mas ao contrário de muita gente famosa que assume a paternidade mesmo em circunstâncias adversas, o tão adorado “Rei do futebol” de forma alguma quis saber da filha, nunca a reconheceu. Sandra entrou na justiça para que o pai a reconhecesse, mas este sempre rejeitou tal idéia. Depois de muito tempo para conseguir a paternidade de Pelé, em 1996 a justiça por meio de DNA atestou que Edson Arantes era de fato o pai de Sandra. Mas Pelé recorreu 13 vezes, e nunca quis se aproximar da filha.
Sandra era considerada uma pessoa exemplar. Casada, ela teve dois filhos, e sempre foi trabalhadora. Foi vereadora duas vezes em sua cidade, e estudava Direito. Muito de seu esforço era também para mostrar ao pai que ela não precisava dele em relação a questões financeiras, mas sim como pai na melhor definição da palavra. Mas o chamado “Rei” Pelé (pra mim só existe um Rei, o Rei dos reis) com receio de que o reconhecimento da paternidade sujasse sua carreira, optou por nunca se aproximar de Sandra. Isso mostra que às vezes as pessoas se encantam tanto com “ídolos” que se esquecem que muitos deles não são exemplos de pessoas corretas.
Em 2005, entre outras doenças, foi constatado que Sandra estava com câncer de mama.  Depois de alguns tratamentos, Sandra não resistiu e veio a falecer no dia 17 de outubro de 2006 aos 42 anos de idade. Pelé nunca foi visitá-la no leito de morte e sequer foi ao seu velório, mesmo que ela tenha se manisfetado em querer vê-lo pela última vez. O que ele fez no dia do velório de Sandra foi apenas mandar flores em nome das “Empresas Pelé”. A família sabiamente recusou e mandou de volta.
Edon Arantes até hoje é aclamado e idolatrado mundo afora. Mas a vitória é de Sandra, que viveu exemplarmente e entra pra posteridade nos corações daqueles que a admiraram e admiram até hoje pelo seu exemplo de força e perseverança.  

sábado, 23 de outubro de 2010

A correspondente Amanda


Quem me conhece sabe que eu gosto de conhecer bastante sobre o que me chama a atenção. É assim com o cinema, literatura e histórias em quadrinhos, entre outras coisas. Quando eu era adolescente, colecionava histórias em quadrinhos, e só parei depois de ter 1200 edições ou um pouco mais. Se eu pudesse teria mais de 10 mil. E naquela época eu fuçava minhas revistas de ponta cabeça, sendo que, além das histórias, o que mais me chamava a atenção eram as cartas dos leitores. Confesso que nas áreas de cinema não encontro muitos amigos que tenham um amplo conhecimento dessa arte para que eu possa entrar num debate com eles. Claro que há dois ou três, mas não há uma gama maior. Por falar nisso, hoje a noite um amigo me ligou e começamos a falar do filme Tron, do início dos anos 80, ele me lembrou de algumas cenas que eu havia esquecido. Lembramos desse filme quando falei que em dezembro vai estrear sua continuação. Fiquei feliz por ter me lembrado desse filme que fez parte de minha infância, algo bem nostálgico mesmo. Voltando às revistas em quadrinhos, em relação às cartas dos leitores, era assim: o leitor que tivesse dúvidas ou tinha algo a dizer sobre algum personagem, escrevia para a editora, e a mesma publicava. Como eu queria trocar idéias sobre essa arte, e como eu queria ver o ponto de vista de alguém que morasse em outra cidade, vi o nome de uma adolescente, contendo ali também seu endereço. Escrevi-lhe uma carta, mas não achava que ela fosse dar muita importância. Um mês depois (ou menos tempo) ela me escreveu também. Vi que ela era atenciosa e educada, voltei a escrever novamente pra ela, e houve retorno. Os meses se passaram e descobrimos que estávamos ficando bem amigos, onde os assuntos não se limitavam apenas a histórias em quadrinhos como era no início, mas também em conhecer mais um ao outro. Seu nome era Amanda. Me lembro que eu adorava as cartas que ela me enviava, sua letra era única, super especial, as folhas eram sempre diferentes, com detalhes que só mulher teria esse talento pra bolar algo daqule tipo. Um dia eu pedi que ela beijasse uma das cartas e me enviasse; não achei que ela fosse fazer isso, mas ela fez. Não preciso dizer que fiquei nas nuvens com aquela carta, me levou às alturas. Depois de várias cartas, enviei a última. Digo que foi a última porque não recebi depois mais nenhuma carta dela. Nesses anos todos, às vezes eu me lembrava dela quando pegava uma história em quadrinhos e lia as cartas dos leitores. Essa semana fiquei curioso em saber por onde ela andava e pesquisei sobre ela; achei no Orkut e adicionei pra ver se ela me aceitava. Ela, mantendo sempre sua enorme atenção e educação, me aceitou. Gosto de relembrar coisas boas que me deixaram saudades, e fiquei feliz em saber que ela está bem.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Eleições brasileiras - A vergonha de uma nação



Inicio esse texto utilizando o subtítulo de um filme de Howard Hawks chamado Scarface - A Vergonha de uma Nação. É uma frase que se encaixa perfeitamente em nosso atual painel político, em especial durante as eleições brasileiras. Nosso país é conhecido por ser a terra da injustiça, da intolerância, da desigualdade, da corrupção e da insegurança entre muitos outros adjetivos que infelizmente são reais, mas precisamos acrescentar mais uma característica: “terra da bagunça eleitoreira”. Nunca se viu tamanha falta de respeito com o eleitor quanto nos dias de hoje com essa eleição para presidente do Brasil, um tremendo circo dos horrores onde ambos os lados apelam pra tudo que podem para “desarmar” e constranger o adversário. É um pega-pega onde é rato correndo atrás de rato.
Vou ser logo claro: não sou filiado a nenhum partido político, não faço campanhas pra ninguém, sempre procurei votar em candidatos por si só, e não porque um ou outro faz parte de determinado partido; portanto, não estou aqui criticando o atual descaso eleitoreiro da atualidade, com intenções de favorecer determinado X, Y ou Z.
O que há aqui no Brasil não é política, mas sim politicagem, esse jogo sujo do poder, essa máquina podre de conseguir mandatos não para fazer algo de bom pelo país, mas sim pra ganhar em benefício próprio. Pelo que vimos no primeiro turno, constatamos ainda mais claramente que os eleitos para os cargos de governadores, deputados e senadores (em sua maioria) não tinham e não têm nenhuma preocupação em construir algo, mas apenas em garantir um bom salário no final do mês. Muitas “celebridades” e esportistas decadentes apelaram pedindo voto e se deram bem. Política hoje é um bom negócio, mas infelizmente, muitos políticos não satisfeitos com o que já ganham, ainda metem a mão no dinheiro público, agindo de forma criminosa, sabendo que esse país é onde impera a impunidade.
Nunca tivemos tanta corrupção na política, onde já virou até caso de piada (onde deveria ser caso de justiça) com aquela história do dinheiro na cueca. Seria cômico,  mas a questão é que é o dinheiro de altos impostos que pagamos. Muitos além de roubarem, ainda sabem ser cínicos e inventam mil e uma teorias para dizerem que não sabem de nada. Mas o povo sabe, quer dizer, não todos, porque o que eu vejo de gente alienada por aí não é brincadeira. Gente que idolatra políticos onde só lhes faltam beijar os pés. Aliás, Brasil virou terra de idólatras, aqui se idolatra de tudo: artistas, participantes de reality shows, jogadores de futebol e agora a nova febre: idolatrar políticos. No começo do ano tivemos uma propaganda cínica em forma de filme, do Lula; um filme até mesmo pobre de conceitos onde não funcionou nem mesmo a idéia de se colocar Luís Inácio como santo. À Propósito, se tivessem colocado asas e uma auréola na cabeça dele talvez convencesse um pouco. Mas a maioria do povo brasileiro dessa vez não engoliu essa jogada (não sei que milagre foi esse) e rejeitou essa produção. Isso faz parte do jogo sujo, tentar de tudo, até mesmo o cinema pra ganhar a simpatia do povo. Será que farão também um filme do Collor? Quem é esperto sabe que votando em um candidato deve exigir dele o que ele deve fazer por pura e simples obrigação. Não devemos favores a políticos, mas eles sim nos devem. Não temos que idolatrá-los, isso é coisa de pessoas puxa-sacos, de mente pequena ou vazia.
Essa luta de interesses eleitoreiros entre petistas e tucanos virou uma palhaçada sem tamanho. Um aponta uma difamação (ou verdade, não sei), o outro rebate com outra ainda maior, e aí o bolo vai aumentando e azedando. São candidatos que traem aliados, se unem a políticos que fizeram da máquina pública um cofre particular.
Não vivemos em uma democracia como muitos querem fazer crer por aí. Num país democrático o povo não é obrigado a votar. Parece até piada quando dizem: “O voto é livre”. Não, não é livre; se fosse livre o povo poderia escolher em não votar. Mas aqui somos obrigados, e isso acaba virando uma grande contradição: o voto é livre, porém obrigatório.
É interessante como a Petrobrás, empresa que mais lucra em todo o país é hoje alvo de interesse nos programas políticos, onde se discute entre outras coisas o andamento do projeto do pré-sal e de outros assuntos ligados à essa “gigante”. E Por que numa hora dessas todos os candidatos são contra o aborto? Simplesmente porque o aborto vai contra as normas e éticas da religião cristã, e pra não perderem essa fatia de eleitores, os candidatos se transformam em não-liberais. Independente de ser ou não uma discussão delicada, o aborto é aqui nesse contexto uma discussão de interesse puramente eleitoreiro.
O que eu critico aqui não é o voto em si, não é a política, mas sim o modo como as coisas estão se encaminhando para o precipício em relação a política brasileira. Estamos diante de um painel enganador, um show de ilusionismo pra enganar aos olhos mais desatentos. O coelho não está na cartola, ele foi implantado em nossas mentes através de propagandas bem feitas, palavras bonitas que na verdade foram escritas por assessores, “melhorias” que estão somente em nossa imaginação, mas que na prática nada funciona. Na Roma antiga, durante os duelos de gladiadores nas arenas, os senadores mandavam distribuir pães para o povo durante os espetáculos de lutas. Isso tinha o propósito unicamente de fazer com que o povo naquele momento se divertissem de barriga cheia e aplaudissem  a soberania e o poder do imperador romano. Mas quando aquele povo voltava para suas casas, percebiam que a comida acabou e o espetáculo também. Os que não se deixavam levar pelos farelos, se impunham e procuravam estabelecer um raciocínio de não-aceitação de migalhas, mas sim correr atrás de seus verdadeiros direitos e valores como cidadãos. Aqui no Brasil é até complicado correr atrás dos próprios direitos, sobre o risco de virar “carta marcada”. O sistema “burrocrata” brasileiro engole o cidadão e o coloca no lugar de espectador nas “lutas entre opositores políticos”. Nessa arena brasileira durante os espetáculos de candidatos pedindo votos, há muitas pessoas que comem as migalhas de pães que lhes distribuem.  

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro




Há três anos foi lançado Tropa de Elite, um dos filmes brasileiros mais aclamados da história do cinema nacional. Assim como Cidade de Deus que mostrava o crime organizado de maneira ultra-realista e sem nenhuma maquiagem, Tropa de Elite mostrou além do crime organizado, a ação da equipe policial Bope, uma das mais temidas do Rio de Janeiro. Liderado pelo Capitão Nascimento (Wagner Moura), o esquadrão Bope recrutava homens para ingressar e fortalecer seu corpo tático, mas não era qualquer um que tinha peito pra fazer parte da equipe.
Tropa de Elite poderia ter se tornado o maior sucesso do cinema nacional se não fosse por um detalhe: a cópia do filme vazou e foi parar nas mãos dos “piratas” antes mesmo de ser lançado no cinema. Resultado: muita gente não quis ir ver na tela grande o que poderia ver a qualquer momento em casa, e não era cópia gravada de dentro do cinema, mas o filme em si com sua cópia bastante boa. Três anos depois é lançado sua continuação, porém com outro detalhe: o próprio diretor deixou claro que esse é pra ver exclusivamente no cinema, se referindo à impossibilidade de haver cópias. Mas uma coisa é certa: mesmo que esse filme venha a ser vendido nas ruas (dessa vez com imagem de cam, é claro), o bom mesmo é vê-lo na tela de cinema exibindo suas maiores qualidades. Aliás, qualidade é o termo que cai super bem à continuação Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro. Se o primeiro já era muito bom, esse agora é ótimo.
Começa de forma a não revelar muita coisa: o Capitão Nascimento é alvo de uma emboscada. Daí em diante seguimos sua trajetória (e sua narração), nos colocando dentro da penitenciária Bangu 1, onde há uma rebelião de presos liderados por um violento criminoso (Seu Jorge). Nessa que é uma das melhores seqüências dos últimos tempos em um filme brasileiro, acompanhamos o Bope entrando em ação pra tentar contornar (ou acabar de vez) com essa situação, quando é chamado um defensor dos direitos humanos (Irandhir Santos). Tudo acaba de forma imprevisível e começa então uma guerra entre policiais, bandidos e políticos (!!!). Aliás, os políticos são os verdadeiros vilões aqui, eles mentem, contratam, fazem acordos e preparam o terreno para que um grupo de policiais corruptos chefiados pelo comandante Russo (Sandro Rocha) estabeleçam uma milícia ultra-violenta nas favelas cariocas. Essa milícia detém o poder do tráfico, seja roubando e matando, seja assaltando delegacias pra roubar armas. Obviamente não vou falar mais acerca dos acontecimentos pra não estragar a surpresa de quem ainda não viu o filme, só adianto que muitas reviravoltas acontecem em pouco menos de duas horas. O Capitão Matias (André Ramiro) e o comandante Fábio (Milhem Cortaz) continuam tendo participação importante na história). Uma repórter (Tainá Müller) tenta descobrir até onde vai toda a corrupção). Um apresentador de um programa sensacionalista de TV tenta manipular a opinião pública. Se lembram daquele comandante do primeiro filme que disse aquela famosa frase: “Pra eu te ajudar, você tem que me ajudar a te ajudar. Se é pra rir, tem que fazer rir.”? Pois é, esse aqui se tornou peça-chave em toda a sujeira, ele é o líder da milícia que eu citei mais acima. Russo é o maior vilão de Tropa 2, ele é quem manipula as facções e faz a maior guerra nos morros. Mas Russo não comanda tudo sozinho, ele tem o apoio de aliados dentro da própria polícia, além de chefes de gabinetes, deputados, e o governador do estado. O diretor José Padilha não faz vista grossa, e sai atirando pra todos os lados, não poupando ninguém. Padilha que além de diretor é um dos roteiristas e produtor pode ser considerado o cineasta mais corajoso do cinema brasileiro. Tudo que ele mostra no filme não parte da mente exagerada ou paranóica de alguém, mas de fatos que são de conhecimento de todos, ele só estende toda a sujeira e o “ventilador” se encarrega de jogar pra todos os lados. Sua direção é exemplar, seca, e sem rodeios; tudo é mostrado de forma direta, sem espaço pra sub-tramas desnecessárias ou romances forçados pra atrair público mais jovem em busca de situações água-com-açúcar.
Tropa de Elite 2 não deve nada aos melhores filmes do cinema mundial. É tenso, direto e corajoso; brilhantemente dirigido, produzido e interpretado. Falando de interpretação, vale ressaltar o formidável trabalho de todo o elenco. Wagner Moura está novamente perfeito na pele do Capitão Nascimento. Ele passa ao seu personagem todo o drama e aflição, interpretando um homem que se vê acuado e sem poder confiar em mais ninguém; André Ramiro retorna com toda sua seriedade impondo respeito no papel do Capitão Matias; Milhem Cortaz dessa vez mostra outra faceta na pele do comandante Fábio. Sandro Rocha está ótimo no papel do líder da milícia, seu personagem assusta e causa repulsa todas as vezes que entra em cena. André Mattos mostra todo cinismo no papel do apresentador de TV e futuro político; Irandhir Santos faz com profundidade o papel do defensor dos direitos humanos (seu papel é fundamental para o entendimento de todo o filme); Seu Jorge está sinistro como o líder dos amotinados de Bangu 1. Todo o elenco de apoio brilha e enriquece um filme que não se preocupa em discutir fatores sociais, ele apenas joga na mesa e cabe a cada um de nós tirar nossas próprias conclusões.
Longe de filmes maniqueístas vistos recentemente que tentam exaltar figuras públicas, Tropa de Elite não joga nada pra debaixo do tapete, mas sim expõe toda a corrupção de forma crua e nada sensacionalista. O diretor Padilha optou por um tom bastante realista que chega a causar arrepios: as cenas dos bandidos nas favelas e o momento em que políticos e policiais corruptos estão numa festa ao som de samba e tiros, é de uma veracidade fora de série. Palavrões não são poupados, tudo é falado da forma mais realista, sem medo de censuras. O discurso final do Capitão Nascimento na CPI é fantástico, onde ele não poupa ninguém e diz o que todos os brasileiros tem vontade de dizer mas não tem oportunidade.
O primeiro Tropa de Elite ficou de fora, não sendo selecionado pelo Brasil pra ser indicado ao Oscar de filme estrangeiro e acabou sendo premiado na Alemanha com o Leão de Ouro no Festival de Berlim. Moral da história: enquanto alguns brasileiros não gostam de ver o Brasil sendo “mal” representado no exterior com filmes que denunciam toda a corrupção e sujeira verde-amarela, os estrangeiros não estão com essa preocupação e reconhecem o verdadeiro valor do que é bem produzido.
Andando a passos largos pra se tornar o maior sucesso do cinema brasileiro de todos os tempos, Tropa de Elite 2 é o filme mais corajoso, tenso e brilhante dos últimos anos e um dos melhores do cinema brasileiro. Exagero? Confira e tire suas próprias conclusões.


Nota: 5 de 5

Ttitulo original: Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro

Lançamento: 2010 (Brasil)

Direção: José Padilha

Atores: Wagner Moura, Maria Ribeiro, André Ramiro, Milhem Cortaz, Irandhir Santos, André Mattos, Sandro Rocha, Seu Jorge.

Duração: 116 minutos

Policial

Astros mirins do cinema


Alguns dos astros e estrelas atuais de Hollywood começaram a carreira quando ainda eram crianças, outros eram astros quando criança mas cresceram e perderam o estrelato. 

Entre os que não fizeram carreira quando cresceram, estão: 


Macaulay Culkin
Esqueceram de Mim (1990) provavelmente não teria sido o enorme sucesso se não fosse o talento do pequeno Culkin que deu ao filme um ritmo envolvente e único. Ele tenta evitar que dois ladrões roubem sua casa em pleno natal. Seu confronto com os bandidos é hilário.
Macaulay cresceu, fez alguns poucos filmes interessantes mas depois não fez mais sucesso. De vez em quando surge em alguma produção, mas bem longe dos sucessos de sua fase de criança. 




Rick Schroder
Quem assistiu O Campeão (1979) estrelado por Jon Voigh, não deixou de notar a presença super marcante do ator que interpreta seu filho. Um garoto apaixonado por cavalos e que torce pelo pai em suas lutas de boxe. Ao ver o pai sendo massacrado pelo adversário na lona, o pequeno garoto vai às lágrimas.  
Schroder não faria mais nada de significante no cinema. Hoje trabalha em séries de TV. 




Haley Joel Osment
Osment surpreendeu o mundo inteiro ao fazer uma inesperada confissão a Bruce Willis no sucesso O Sexto Sentido (1999), um dos melhores filmes de terror dos últimos anos.  Sua interpretação contida lhe rendeu uma indicação de ator coadjuvante.
Osment fez A.I. – Inteligência Artificial, mas depois fez apenas filmes regulares e hoje não se vê mais nenhum filme significativo dele. 




Claude Jarman Jr
Virtude Selvagem é um dos maiores clássicos dos anos 40, conta a história de um garoto interpretado por Jarman Jr. Que tenta criar um filhote de cervo mas é impedido pelas circunstâncias da vida e pelo pai (interpretado por Gregory Peck). O garoto ganhou um Oscar especial por esse papel.
Jarman fez de significativo depois apenas o faroeste Rio Grande, de John Ford. Hoje está com 76 anos de idade.




Shirley Temple
Temple foi talvez a atriz mirim mais famosa do cinema. Hoje não é bem lembrada do grande público, mas encantou multidões com filmes como O Pássaro Azul (1940), onde sai ao lado do irmão e de dois ajudantes em busca de um pássaro azul e de grandes aventuras.
Temple fez mais alguns filmes, porém largou o cinema pra se dedicar a cargos diplomáticos. Hoje está com 82 anos de idade.




Entre os que viraram astros e estrelas estão:


Leonardo DiCaprio
O Despertar de um Homem (1993) foi seu primeiro grande papel no cinema, no papel do garoto que descobre que o homem (Robert De Niro) que se casou com sua mãe é uma pessoa fria e violenta. Ele precisa enfrentar o padastro de qualquer jeito.
DiCaprio se tornou um dos maiores astros de Hollywood com filmes como Titanic, A Ilha do Medo e A Origem. 




Anna Paquin
Paquin ganhou um Oscar de atriz coadjuvante em sua estréia no papel de uma criança impaciente no belíssimo O Piano (1993). Sua mãe feita por Holly Hunter precisa lidar com ela e e com os problemas que as cercam em uma época que as mulheres não tinham voz ativa.
Paquin fez entre outros, os sucessos da série X-Men e recentemente brilha na série de TV True Blood. 




Christian Bale
Bale começou no cinema no papel do garoto que sonha em ser piloto de avião no drama O Império do Sol (1987). Se perde dos pais durante uma ocupação na Segunda Guerra e precisa lidar com a fome e miséria, lutando a todo custo pela sobrevivência.
Bale hoje tem uma carreira sólida, seu maior sucesso é o ótimo Batman – O Cavaleiro das Trevas.





Drew Barrymore
O sucesso E.T. – O Extraterrestre (1982) de Steven Spielberg revelou o talento da pequena Barrymore, uma garotinha que tenta ajudar o irmão a cuidar do alienígena E.T. e garantir que ele chegue em segurança a seu planeta, enfrentando todo tipo de perigos.
Depois de um período envolvida com drogas, Drew retornou aos cinemas. Um de seus maiores sucessos é As Panteras (2000).




Elijah Wood
Em O Anjo Malvado (1993), o pequeno Elijah precisa arrumar uma maneira de deter a força destruidora de seu primo que tem um comportamento agressivo. Sem ter ninguém que acredite nele, sua única saída é tentar fazer tudo por conta própria.
Elijah fez a trilogia O Senhor dos Anéis, um dos maiores sucessos da história, e não parou mais de trabalhar.




Esse aqui não virou astro mas também não parou de fazer filmes:



Henry Thomas
Quem não se lembra do pequeno Thomas em E.T. – O Extraterrestre (1982)? Suas trapalhadas e dramas ao lado do E.T. é inesquecível.
Thomas hoje faz papéis como coadjujuvante, trabalhou em filmes como Gangues de Nova York e Escritor Fantasma, entre outros.



sábado, 9 de outubro de 2010

Duro de Matar




Há filmes que são imitados à exaustão, mas nunca envelhecem, um exemplo perfeito disso é Duro de Matar, o melhor filme de ação policial já feito (Operação França e Bullitt são policiais mas não são rotulados como ação). Em 1987, o diretor John McTiernan surpreendera o cinema de ação ao colocar Arnold Schwarzenegger sendo caçado por uma criatura de outro planeta em O Predador. O sucesso desse filme abriu as portas para que McTiernan fizesse seu melhor filme (Duro de Matar), aquele que o consagraria, mesmo que ele não voltaria mais com o mesmo fôlego em seus filmes seguintes. Alguns deles até foram bons e fizeram sucesso, tais como: A Caçada ao Outubro Vermelho (1990), Duro de Matar – A Vingança (1995) e Thomas Crown – A Arte do Crime (1999); mas alguns deixaram a desejar, sendo fracasso de bilheteria: O Último Grande Herói (1993), Rollerball (2002) e Violação de Conduta (2003). Ou seja, o diretor promissor de dois dos melhores filmes de ação dos anos 80 perderia o jeito pra esse tipo de cinema. Quando foi lançado, Duro de Matar teve alguns pontos interessantes que chamaram a atenção: 1º - O enredo até então original, colocava um policial competente no lugar errado, na hora errada numa situação errada. Mas errado para ele ou para os bandidos? 2º - Entre vários astros da época, optaram por um ator que vinha de uma série cômica de TV chamada A Gata e o Rato. Mesmo que a série era um grande sucesso, nada fazia prever que seu astro Bruce Willis se saísse tão bem em algo até então diferente em seu currículo, um filme de ação super acelerado e sem muito tempo pra bate-papos. 3º - Longe de personagens como Rambo ou dos flmes de Schwarzenegger em que os heróis eram brutamontes que atiravam a esmo e pareciam ser imbatíveis, o personagem principal de Duro de Matar, sangra e precisa antes de correr pra briga, correr de seus adversários. 4º - Tanto o policial McClaine quanto os criminosos agem de maneira incrivelemente cínica em vários momentos.
O policial John McClane vai a Los Angeles visitar a mulher e os filhos. Ele  fica hospedado no prédio Nakatomi Plaza em que sua mulher (Bonnie Bedelia) trabalha. Lá está tendo uma festa entre os executivos e funcionários. Ele se instala em um dos quartos sem querer saber da festa. Terroristas invadem secretamente o local e mantém reféns os demais ali. McClaine percebe que algo está errado e tenta descobrir o que é, quando percebe a invasão dos criminosos e tenta detê-los. De início ele age de forma discreta, mas a situação se agrava e ele se vê forçado a encarar os adversários de frente. São terroristas internacionais liderados pelo alemão Hans Gruber (Alan Rickman) que sequestram o prédio para roubarem uma altíssima soma em ações financeiras. A situação de McClaine piora quando um inescrupuloso repórter de TV revela que ali no prédio há um policial casado com uma das funcionárias, é quando os terroristas usam esse fator para ameaçá-lo. Depois de muitos tiros e explosões, o FBI tenta intervir, mas se torna mais um alvo do enorme poder de fogo dos bandidos. McClaine recebe ajuda apenas de um policial que lhe auxilia por um rádio.
Duro de Matar é isso, um filme de ação que não nos deixa piscar um único segundo, é ágil e acelerado, além de conter alguns toques de sarcasmos vindos de Bruce Willis. Ele injeta doses de humor em seu personagem, em especial nos confrontos diretos com o líder Hans, como na cena em que McClaine o vê pela primeira vez. Os bandidos não perdoam e atiram até mesmo nos vidros só para verem McClaine sangrar.
Os roteiristas Steven E. de Souza e Jeb Stuart fizeram um ótimo trabalho, nunca um filme de ação funcionou tão bem e deu uma dimensão maior à luta crescente entre policial e bandidos. Tudo aqui é barulhento e movimentado. Quando se pensa que os bandidos deram uma pausa, eis que algum deles sai atirando por uma porta ou janela, não deixando ninguém sossegado. Tudo funciona muito bem, da direção ao elenco. A parte técnica é um primor de perfeição, utilizando de forma brilhante o som e os efeitos sonoros.
Duro de Matar teve três seqüências igualmente competentes, mas nunca à altura do original: Duro de Matar 2 (1990), dirigido por Renny Harlin (Risco Total) mostra McClaine num aeroporto invadido por terroristas; Em Duro de Matar – A Vingança (1995), novamente dirigido por John McTiernan, McClaine se une a Samuel L. Jackson pra deter terroristas agindo na cidade de Los Angeles; em 2007, foi lançado Duro de Matar 4.0, dirigido por Len Wiseman (Anjos da Noite 1 e 2) , em que McClaine juntamente com um hacker (Justin Long) tenta evitar que terroristas da informática, armados com o que há de mais avançado em matéria de tecnologia cause um caos em sua cidade. O segundo filme da série segue o mesmo ritmo alucinante do primeiro, mas o terceiro cai um pouco, apesar de também ser bom. O quarto filme volta a ficar mais acelerado e abre caminho pra outras continuações. Willis hoje com 55 anos de idade já deixou claro que ainda pretende fazer mais dois filmes dessa série.
Duro de Matar foi o filme que abriu as portas ao estrelato para Bruce Willis que até então não havia se destacado muito no cinema. Entre seus maiores sucessos (além da série Duro de Matar) estão: Pulp Fiction (1994) de Quentin Tarantino, Os Doze Macacos (1995) de Terry Gilliam, O Quinto Elemento (1997) de Luc Besson, O Sexto Sentido (1999) de M. Night Shyamalan e Meu Vizinho Mafioso (2000) de Jonathan Lynn. Em 2010 apareceu em uma ponta no sucesso Os Mercenários dirigido por Sylvester Stallone.
O elenco de apoio de Duro de Matar também brilha, com destaque para Alan Rickman (Razão e Sensibilidade) como o líder dos terroristas, e o russo Alexander Godunov (A Testemunha) falecido em 1995 aos 45 anos de idade, que faz o terrorista vingativo que tem seu irmão morto por McClaine.
Duro de Matar foi indicado aos Oscars de melhor som, efeitos sonoros, efeitos visuais e montagem, mas perdeu a maioria desses prêmios para Uma Cilada para Roger Rabbit. Duro de Matar foi posteriomente copiado inúmeras vezes (A Força em Alerta, Morte Súbita, etc.), mas nunca perdeu seu brilho e o posto de melhor filme de ação policial do cinema. 


Nota: 5 de 5

Ttitulo original: Die Hard

Lançamento: 1988 (EUA)

Direção: John McTiernan

Atores: Bruce Willis, Alan Rickman, Bonnie Bedelia, Alexander Godunov, Reginald VelJohnson

Duração: 131 minutos

Ação/policial

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Traições nos relacionamentos


Mais do que qualquer outro motivo, a infidelidade é o maior causador de separações entre casais, e não me refiro apenas aos casados, mas também noivos e namorados. Nunca se viu tanta traição, a ponto de se questionar se há mesmo possibilidade de se confiar em mais alguém nesse mundo. Já vi casais que pareciam super felizes, mas que acabam não dando certo por causa de traição. Na verdade, acho que está tudo de mal a pior, sem expectativas de melhoras. Não dá pra confiar plenamente em mais ninguém quando o assunto é fidelidade no relacionamento. Vejo casos de mulheres que estão noivas, prestes a se casarem, saindo com outros homens (claro que às escondidas). Há casos de homens que têm três ou quatro namoradas. 
Mulheres, se seus maridos estiverem demorando de chegar em casa, dizendo que o chefe mandou que ficassem até tarde, pode começar a desconfiar. É claro que há casos que realmente são exceções, mas a maioria é pura desculpa pra ficarem com mulheres por aí. Se seu marido começar a ficar valente com você, pode ser sinal que outra o está agradando mais; se seu marido começar a te dar muitos presentes, te agradar de todas as maneiras, desconfie também, pergunte a si mesma o porquê de uma mudança tão repentina. Isso pode significar que ele esteja pretendendo te “comprar” de uma maneira menos direta, pra você ficar tão “encantada” e ficar sem jeito pra ficar fazendo perguntas quando ele der suas “escapulidas”. Esse negócio de futebol com os “amigos” em parte é conversa pra enganar mulheres. Em alguns casos até acontece o jogo, mas o melhor pra eles está no que vem depois. Mas daí também alguns desses homens podem se dar mal com isso, uma vez que, marido ausente, o vizinho está de olho, ou até mesmo aquele “amigo” que já andava de olho na esposa alheia. O ditado “Quando o gato sai os ratos passeiam” pode se encaixar nisso também. Muita gente já carrega a infidelidade no sangue. Há homens e mulheres que traem o companheiro (a) com a maior cara-de-pau, sem a menor cerimônia. Em alguns casos é mais fácil confiar mais nos (as) solteiros (as) do que nos casados (as). Não escrevo isso porque já fui traído, na verdade nunca fui (quer dizer, eu acho que não. Não posso ter certeza absoluta), e não quero jamais ser traído (mas quem quer?). Na verdade, depois de ver tantos casos de traições, fica difícil e desanimador acreditar em relacionamentos. Mas acho que há sempre uma luz no fim do túnel, nem tudo está perdido. 
Eu conversei com alguém dias atrás, e essa pessoa me disse algumas coisas que ele presencia no motel em que trabalha. Ele disse que carros e motos não param de chegar ali, em sua grande maioria com mulheres e homens casados ou comprometidos de outras formas, muitas vezes se escondendo pra não serem reconhecidos. Aquela namorada que parecia tão correta, pode ser vista entrando no motel até mesmo com dois homens ao mesmo tempo (detalhe: nenhum desses homens é seu namorado). Aquele rapaz que é um exemplo de namorado, que coloca em Orkut as mais belas mensagens de amor para a namorada, pode ser visto entrando com mulheres e amigos. Ele me disse também que em muitos casos, velhos gordos e cachaceiros são vistos entrando em motel com adolescentes de 14 e 15 anos. Segundo o que ele me disse ainda, os maiores casos de traições em motéis acontecem durante o meio-dia (o horário menos suspeito), quando o marido liga pra esposa dizendo que não irá almoçar em casa porque há muito trabalho a fazer; e mulheres dizem que irão almoçar na casa de uma “amiga”. Quando uma mulher está em sua casa aprontando o almoço, imaginando que seu marido está se esforçando mais no trabalho, ele está na cama de um motel com outra mulher. Sua namorada ou noiva pode estar te traindo com um amigo seu, e fica te dizendo que está estudando ou trabalhando. Você que é uma namorada dedicada, e espera seu “príncipe encantado”, e ele demora de chegar, você liga pra ele pra saber se ele já vem, mas eis que a amante atende o cel, e você se dá conta que o castelo desmoronou e as fadas na verdade não existem.
Desconfio muito desses amores roxos, esses amores que parecem chamas de fogo que ninguém ou nada poderá apagar. Quando eu vejo muito “Eu te Amo, eu te adoro, você é  minha razão de viver...”, percebo logo que aquilo não irá durar muito tempo. Não que eu seja pessimista em relação ao amor, pelo contrário, acredito no amor e sou muito romântico, mas em se tratando de seres humanos e suas emoções, tudo é capaz de acontecer, até mesma algumas pessoas tentarem conquistar alguém com palavras lindas, mas que no fundo são ditas sem nenhum compromisso de amor verdadeiro.
Já ouvi falar de casos de traições que aconteceram na própria cama de um casal. Homens que traem suas esposas com adolescentes, amigas das filhas, a empregada, a vizinha, etc. Mulheres que esperam o marido sair e logo depois liga pra alguém dizendo que ficou só, ou até mesmo têm um caso com o primeiro que bate na porta pra vender alguma coisa ou consertar algo. 
Uma pessoa descobre que o companheiro lhe (a) traiu, se separam (em alguns casos não separam), depois resolve dar uma segunda chance. Mas daí essa pessoa descobre que aquele (a) que traiu está começando com as mesmas conversinhas de demora no trabalho, etc., mesmo que seja verdade, a pessoa traída jamais voltará a ter plena confiança outra vez naquela pessoa. O dilema da dúvida lhe perseguirá para sempre. Quando se perde a confiança em alguém, não há como recuperar de volta, por mais que os esforços pra isso sejam grandes. Como diz uma certa frase: “Não se tem uma segunda chance de se causar uma primeira impressão”. Se um dia acontecer comigo uma traição, não terá segunda chance. Cada um vai seguir sua vida.
Fiquem de olho, não acreditem em mudanças repentinas ou rotinas alteradas. Não acreditem em conversinhas feitas pra te enganar. Não estou dizendo que a infidelidade virou uma epidemia e que todo mundo anda traindo todo mundo. Só digo que nos tempos de hoje é mais difícil encontrar alguém em quem confiar.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"Amigos" falsos, cínicos e arrogantes


Quero distância das pessoas que se dizem meus amigos, mas que se mostram pessoas preocupadas somente com o próprio umbigo. Pessoas essas que com o tempo se mostram frias, antipáticas, prepotentes e arrogantes. Alguns “amigos” do passado, hoje acham que têm o rei na barriga, acham que são donos do mundo, e pensam que podem se achar melhores que eu. Dessas pessoas eu quero distância, porque pra mim pessoas falsas e cínicas não têm vez, o mesmo eu digo em relação a bajuladores, puxa-sacos, hipócritas e desleais. Quero saber de pessoas sinceras, companheiras, que eu possa contar com elas em todos e quaisquer momentos, claro que, dentro de suas capacidades e limitações. Durante toda a minha vida tive muitas frustrações com pessoas que eu achava que eram amigas, mas depois eu constatei que passavam longe disso. É muito fácil ser amigo nas horas de festas e alegrias, mas é difícil manter isso nos momentos de dores e tristezas. Não diferente do que me cerca, essa realidade não é diferente da NET, onde tenho contatos no MSN que falam comigo de ano em ano, e olha lá. Não peço pra ninguém falar comigo se não querem falar, mas acho justo que essas pessoas sejam excluídas, e serem mantidas apenas aquelas pessoas que tenham consideração por mim. Há aqueles que eu compreendo que não falam comigo por uma questão de falta de maior afinidade, mas há aqueles que são mais próximos, mas na verdade não se importam se estou aqui. Não careço de amigos, felizmente tenho várias pessoas que considero e que recebo consideração em troca. Falo daquelas pessoas que fingem ser uma coisa, mas no fundo é outra. Sei que o mal das amizades falsas é algo que assola a maioria da população mundial. Aos arrogantes, cínicos, falsos e prepotentes desejo distância de mim, mas nem de longe desejo infelicidade em suas vidas. Desejo sim tudo de bom, longe de mim é claro. 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Cine Conquista



Estou apresentando aqui meu novo blog, inteiramente voltado a cinema. Ainda está no começo, faltando vários arranjos a serem feitos. Nele estou colocando todas as postagens já vistos aqui nesse blog. Colocarei também links de postagens de colegas de outros sites e blogs, matérias relacionadas à Sétima Arte, etc. o nome é uma homenagem à minha cidade Vitória da Conquista, que por sinal é terra natal de Glauber Rocha (falecido há 30 anos), considerado o maior cineasta do Brasil.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um Lugar ao Sol




Certa vez Charles Chaplin definiu o filme Um Lugar ao sol da seguinte forma: É o melhor filme que assisti na vida. registra a supremacia do cinema sobre todas as outras formas de arte". Não é difícil entender o porquê de tanta admiração vindo do genial Chaplin; afinal, ele se referia a uma obra-prima que resistiu ao tempo e se tornou um dos maiores clássicos da Sétima Arte. Mas de certo modo esse filme não teria sido o que é se não fosse pela genialidade do diretor George Stevens, um dos maiores realizadores do cinema americano de todos os tempos. Stevens acertou em todas as decisões tomadas ao contar a história de George Eastman (Montgomery Clift), um jovem que se muda para uma cidade e busca no tio uma oportunidade para se estabilizar em um emprego. Começa a trabalhar na linha de montagem da fábrica desse tio. Porém, descumpre a primeira regra que lhe é imposto: Não se envolver com funcionárias da mesma empresa. Conhece Alice Tripp (Shelley Winters) e se mantém secretamente com ela um caso amoroso. Certo dia em uma festa na casa do tio, ele conhece outra jovem, dessa vez da alta sociedade, a bela Angela Vickers (Elizabeth Taylor), iniciando a partir daí um sólido relacionamento com ela. George e Ângela se amam e vivem esse amor, mas o que ele não esperava era que Alice estaria grávida dele e começaria a pressioná-lo para se casar com ela. George vê seus sonhos desmoronarem; se isso vier à tona ele perde seu emprego no qual estava subindo de cargo e perde também seu grande amor. Num momento de desespero, George planeja a morte de Alice e a convida a um passeio de barco. Durante o passeio, o barco vira, Alice morre. George escapa e vai tentar levar sua vida normalmente ao lado de Ângela. Mas nada fica oculto, e as cobranças começam a aparecer para ele. Cobranças da lei pelo “assassinato” de Alice. Se houve de fato um crime, cabe ao promotor Frank Burlowe (Raymond Burr) avaliar. George vai a julgamento, sendo barbaramente atacado por Frank. O final é um dos mais trágicos, levando à punição um homem que amou demais, ficando a pergunta: a omissão de socorro é um crime? O diálogo perto do final, quando o padre pergunta a George o que foi que esse omitiu a todos mas lhe falaria naquele momento, é a peça chave pra se entender todo o pensamento do condenado em relação ao acontecido no momento em que o barco virou.
Baseado no livro Uma Tragédia Americana (1925) de Theodore Dreiser (o autor já era falecido quando o filme foi feito), Um Lugar ao Sol se tornou célebre por vários motivos, um deles era sua história forte e envolvente, na qual falava de ambição, condutas instáveis, rompimentos de regras, intolerância, desobediência e fatalidade. É interessante lembrar que um dos fatores para o declínio do personagem é a desobediência, quando ele rompe com o seu passado religioso e vai de encontro a uma vida de ambições, levando-o à ruína. O filme parece dizer ao personagem George Eastman: “Você tem todo o direito de buscar uma vida de ambições e prazeres, mas esteja preparado para arcar depois com as conseqüências”. A história é cruel com seus personagens, vai lhes dando alguns momentos de felicidade, para no final só lhes restarem dores e aflições.
Dirigido com maestria pelo consagrado diretor George Stevens, um gênio do cinema, considerado perfeito na condução de atores. Antes de Um Lugar ao Sol, dirigiu filmes como Ritmo Louco Gunga Din e A Primeira Dama. Depois fez o ótimo faroeste Os Brutos Também Amam, o épico Assim Caminha a Humanidade, o comovente O Diário de Anne Frank (1959) e o bíblico A Maior História de todos os Tempos. Em seus filmes predominavam a intolerância e o destino muitas vezes trágico. Ele deu aqui o melhor papel da carreira do excelente ator Montgomery Clift que está fenomenal no papel do trágico protagonista. Clift em muitas cenas não precisa dizer nada para expressar o que está sentindo, seu olhar diz tudo. A cena do barco por exemplo, em que ele passa pelo dilema em assassinar ou não a moça no qual engravidara, simplesmente entrega uma interpretação fora de série, algo simplesmente magistral. Clift era daqueles atores que era ótimo em todos os papéis. Trabalhou entre outros, com Howard Hawks no ótimo faroeste Rio Vermelho, com Alfred Hitchcock em A Tortura do Silêncio, com Fred Zinnemann no premiado À um Passo da Eternidade, com Stanley Kramer no contundente Julgamento em Nuremberg e com John Huston em Os Desajustados e Freud – Além da Alma.
Elizabeth Taylor (uma das mais belas atrizes de Hollywood) foi revelada nesse filme e não parou mais de brilhar, em filmes como Assim Caminha a Humanidade (novamente dirigido por George Stevens), Gata em Teto de Zinco Quente (uma de suas melhores interpretações), Cleópatra (um épico que fracassou), Disque Butterfield 8 (primeiro Oscar de sua carreira) Quem tem medo de Virgínia Woolf? (segundo Oscar) e A Megera Domada. Shelley Winters era uma atriz que os diretores gostavam de trabalhar, porque ela dava plena credibilidade a seus personagens. Alguns de seus melhores filmes são Winchester 73, O Mensageiro do Diabo, O Diário de Anne Frank, Lolita e O Destino do Poseidon. Raymond Burr (que faz o promotor) é mais lembrado pelo público como o assassino no clássico Janela Indiscreta de Alfred Hitchcock. Anne Revere que interpreta a mãe do protagonista, está em obras importantes como A Canção de Bernadette e A Luz é para Todos.
Um Lugar ao Sol teve nove indicações ao Oscar, levou seis nas seguintes categorias: Direção (o primeiro de Stevens, que viria a ganhar novamente por Assim Caminha a Humanidade), Roteiro adaptado, direção de arte em preto e branco, figurino em preto e branco (para a excelente Edith Head), montagem e trilha sonora (para Franz Waxman). Assim como Marlon Brando em Uma Rua Chamada Pecado, Montgomery Clift também dá um show de intrepetação em Um Lugar ao Sol, mas ambos perderam o Oscar pra Humphrey Bogart por Uma Aventura na África.
Um Lugar ao Sol pode ser visto como um estudo sobre o amor, atitudes precipitadas, ambição, ruína, desespero e conseqüências. Mas antes de tudo deve ser visto como uma das maiores obras do cinema mundial. Como todas as grandes histórias de amor do cinema, aqui também o que parecia ser um amor para a vida toda, termina de forma trágica. Imperdível para cinéfilos e também quem busca uma ótima e triste história de amor.


Nota: 5 de 5

Ttitulo original:
A Place in the Sun

Lançamento: 1951 (EUA)

Direção: George Stevens

Atores: Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Shelley Winters, Raymond Burr, Anne Revere.  

Duração: 122 minutos

Drama

domingo, 19 de setembro de 2010

O coelho, o rato, o gato e o cachorro




Constantemente ligamos a TV e assistimos matérias jornalísticas nos informando que em vários lugares do planeta está ocorrendo guerras, violências, desentendimentos. Muitas vezes nem é preciso ligar a TV pra constatar que a falta de paz é algo infelizmente real em nosso dia-a-dia. O ser humano em grande parte parece desconhecer o significado da palavra harmonia. E quando vemos uma foto em que um coelho, um rato, um gato e um cachorro conseguem viver harmoniosamente, percebemos que os maiores animais irracionais talvez não sejam eles.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Suicídios no viaduto

Há alguns anos houve aqui em minha cidade uma onda de suicídios em um viaduto bem próximo do centro. Sem explicação aparente, eram entre uma e duas pessoas por semana que cometiam tal ato, durante semanas consecutivas. Haviam aqueles que morriam de imediato, haviam quem morresse a caminho do hospital, e haviam também quem não morria e ficava com graves seqüelas. Já houve até mesmo caso de pessoas que conseguiam evitar que alguém pulasse dali. E como hoje em dia fazem piada sobre tudo, faziam piada na época dizendo que era perigoso passar por baixo desse viaduto, sobre risco de ter alguém caindo em cima.
Alguma coisa precisava ser feita pra parar aquela onda de suicídios. Tentavam de tudo (ajuda comunitária, conselhos pela rádio, etc.), mas nada adiantava. Ou na verdade tentavam quase tudo, porque certo dia colocaram umas placas nos postes desse viaduto que acabou resolvendo esse grave problema. Nas placas estavam escritos versículos bíblicos. Em geral Salmos. Quem ali duvidava que a Palavra de Deus tivesse (e tem) poder, hoje com certeza não duvida mais. Porque depois dessas placas, nunca mais houve um suicídio naquele viaduto.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Alguns cuidados básicos com aparelhos de DVDs


Dizem por aí que filmes piratas em DVD estragam o aparelho de DVD (ou DVD player). Não sei se isso é verdade ou história pra boi dormir. Só sei que não adianta também passar só DVDs originais se esses estiverem em péssimas condições, como arranhados, sujos ou empoeirados. Acho que o ideal é que os DVDs estejam todos limpos, sem poeira e que não estejam com aqueles cortes feios nem arranhões. 

Três dicas importantes para que seu aparelho de DVD tenha uma maior durabilidade:

1º - Quando você estiver assistindo a um filme e precisar pará-lo pra ir tomar um café, ir ao banheiro, atender o cel./porta, ou qualquer outra coisa, procure nunca pausar o filme. Filme pausado mantém a imagem estática (parada), e isso não faz bem nem ao aparelho de DVD e muito menos à TV. A imagem quando fica estática acaba forçando dispositivos que consequentemente forçam a tela da TV e também o leitor do aparelho de DVD. É por isso que existem os protetores de telas, pra não deixar que a tela fique paralisada por muito tempo; senão aumentam os riscos de queimar os aparelhos. É por isso que os monitores de PCs e até mesmo os celulares têm protetores de telas. O ideal seria apertar a tecla STOP do seu aparelho de DVD, quando você retornar, aperte PLAY e ele prosseguirá normalmente de onde parou. Há DVD players que, ao apertar STOP, ele vai pro início de tudo novamente, dando mais trabalho, sendo assim é preferível que você marque de onde parou. Pode parecer que é um trabalhão fazer isso, mas é bem melhor do que você ter que comprar outro aparelho. Daí vem a pergunta: “Pra que então serve a função “pause”? Resposta: Pra você ver uma imagem “congelada” por alguns segundos ou, quando mal usado serve pra danificar seus aparelhos.

2º - É aconselhável que nunca se coloque um aparelho eletrônico perto demais um do outro. O magnetismo de cada aparelho quando ficam perto demais, acabam por afetá-los. Se seus aparelhos são colocados cada um em uma repartição separada da estante ou rack, aí tudo bem, mas se ficam juntos sem nada os separando, aí é problema futuro na certa. Já vi casos em que o aparelho de DVD fica em cima da TV e ao lado do aparelho de som. Isso é um erro gravíssimo. É por isso que muitas TVs apresentam em pouco tempo perda de cores ou imagens duplas (fantasmas). É o campo magnético do aparelho vizinho atuando nela. É preferível que se mantenha uma distância de pelo menos 20 cm de um aparelho pro outro.

3º - Um erro muito comum que eu vejo acontecer em relação aos aparelhos de DVDs é a mania de se empurrar a gavetinha com a mão. Nunca se deve fazer isso. O aparelho já é projetado pra fechar ou abrir a gavetinha através da tecla “open/close” no controle remoto ou no próprio aparelho. Quando você fecha a gavetinha com a mão, está forçando essa parte do seu aparelho, que, diga-se de passagem, é uma das partes mais fáceis de ser danificada. Por causa de uma peça que não se teve o devido cuidado de manusear (ou por pura preguiça de apertar um botão), você depois terá que levar seu aparelho pra assistência técnica ou até mesmo comprar outro. Essa dica serve também pra aparelhos de CDs, PCs e notebooks.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Uma Rua Chamada Pecado


Quase 60 anos depois, o clássico Uma Rua Chamada Pecado demonstra sua força e só fica ainda melhor com o tempo. E não é difícil entender o fascínio que esse filme causa entre os cinéfilos que sabem apreciar um ótimo filme. Aqui temos Marlon Brando em um de seus primeiros papéis, interpretando o temperamental Stanley Kowalski, um homem que domina os sentimentos de sua esposa Stella Kowalski. Stanley é explosivo, imprevisível e rude, mas manipula a esposa através de sentimentos e desejos. Mas este vê as coisas dificultarem para o seu lado quando a cunhada Blanche DuBois vai visitá-los. Blanche é o inverso de Stanley, ela é frágil, indecisa e desiludida, uma mulher em busca de respostas, mas fugindo de um passado problemático com o marido que se suicidou. Stella, esposa de Stanley tenta se opor aos anseios deste, mas acaba por sucumbir sempre aos truques e provocações, por vezes chantagens emocionais. Blanche não se agrada do comportamento de Stanley, e condena suas atitudes grosseiras. Começa aí um choque de idéias e comportamentos. Mitch, um amigo de Stanley começa a cortejar Blanche e tratá-la com cavalheirismo, indo contra as atitudes do amigo, elevando ainda mais a discórdia naquela casa.
Baseado na peça teatral Um Bonde Chamado Desejo, do dramaturgo americano Tennessee Williams, esse texto é uma das mais contundentes manifestações artísticas dos anos 40, uma obra-prima que o diretor Elia Kazan só fez engrandecer ainda mais em sua versão cinematográfica. Poucas vezes na tela do cinema um filme funcionou tão perfeitamente quanto Uma Rua Chamada Pecado. A direção de Kazan é primorosa, uma verdadeira aula cineematogáfica. Kazan é conhecido por ter sido um dos fundadores do Actors Studio, uma associação que tinha por objetivo formar atores com um alto índice de qualidade nas interpretações. Ganhou seu primeiro Oscar dirigindo Gregory Peck no sucesso anti-semita A Luz é para Todos (1947). O segundo seria com Sindicato de Ladrões (1954). Sempre conduziu magistralmente seus atores, entre eles James Dean em Vidas Amargas (1954). E é em Uma Rua Chamada Pecado que reside talvez a atuação de um elenco mais magistral da história do cinema. Nunca um filme conseguiu ter atores tão excepcionais em inteira sintonia. Dos quatro atores principais, vamos começar por Marlon Brando, que na minha opinião foi o maior ator do cinema mundial de todos os tempos. Brando era de um carisma fora de série. Seu método de interpretação era intensa, única. Aluno do Actors Studio, Brando além de Uma Rua Chamada Pecado, brilhou muito em filmes como Viva Zapata! (de 1952, onde faz um inesquecível mexicano no papel-título, dirigido por Kazan), Júlio César (1953, no papel de Marco Antonio), Sindicato de Ladrões (1954, ganhando seu primeiro Oscar, em outro filme de Elia Kazan), O Poderoso Chefão (1972, ganhando seu segundo Oscar, no qual ele recusou ir recebê-lo), O Último Tango em Paris (1973, uma das maiores interpretações masculinas de todos os tempos) e Apocalypse Now (1979, ele aparece pouco tempo como o transtornado coronel Kurtz, mas é suficiente pra roubar o filme). Pra quem gosta do cinema comercial, Brando é mais conhecido pelo filme Superman, onde interpreta o pai verdadeiro do homem de aço. Vivien Leigh fez alguns filmes alguns filmes e faleceu mais de 30 anos antes do que os outros três atores principais com os quais ela contracena; sua morte foi no ano de 1967. Vivien teve sua primeira aparição no cinema com o célebre clássico ...E o Vento Levou (no inesquecível papel de Scarlett O’Hara), um dos melhores filmes de todos os tempos no qual ela ganhou seu primeiro Oscar de melhor atriz, o que se repetiria em Uma Rua Chamada Pecado. Daí pra frente Vivien já havia se tornado uma das grandes estrelas de Hollywood. Um de seus maiores sucessos foi A Ponte de Waterloo. Karl Malden (falecido no ano passado) foi um dos atores mais confiáveis de Hollywood e um dos mais talentosos. Trabalhou em conjunto com Marlon Brando em alguns filmes, entre eles A Face Oculta (1961, único filme dirigido por Brando). Kim Hunter foi a segunda do elenco a falecer (em 2002). Ela é mais lembrada pelo sucesso O Planeta dos Macacos (1968) em que faz a personagem Zira, uma macaca que ajuda os humanos. Por Uma Rua Chamada Pecado Malden e Hunter venceram os Oscars de ator e atriz coadjuvante, respectivamente.
O texto de Tenessee Williams era bastante ousado para a época, pois falava de relacionamentos conturbados, desejos reprimidos (Fica subentendido que Blanche sentia atração por Stanley), insinuações sexuais, tendências homossexuais e vários outros assuntos que pra época era algo que não se discutia em qualquer lugar. O título original A Streetcar Named Desire não foi traduzido corretamente aqui no Brasil, possivelmente por conter a palavra “desejo”, sendo substituído por Uma Rua Chamada Pecado. A peça escrita em 1947 (quatro anos antes do filme) foi encenada nos palcos americanos. por Marlon Brando, Jessica Tandy (de Conduzindo Miss Daisy), Kim Hunter e Karl Malden. Vivien Leigh participou da versão londrina, ao lado de Bonar Colleano e Renee Asherson.
Uma Rua Chamada Pecado é um filme que cresce à medida que a tensão entre seus protagonistas vão aumentando, culminando na cena em que Stanley descobre o segredo do passado de Blanche e não hesita em contar pra todos ali, acabando de vez com aquela mulher amargurada. Entre as cenas mais marcantes, a que mais se destaca é aquela que Brando chega na frente de sua casa e grita: Hey, Stela! Toda essa cena é de um primor extraordinário.
Estranhamente, dos quatro atores principais em cena, Brando foi o único a não ser premiado com o Oscar. O filme também levou o Oscar de melhor direção de arte. Foram quatro prêmios entre onze indicações.
Uma Rua Chamada Pecado é o maior exemplo de como se adaptar uma peça teatral para as telas sem se tornar chato e cansativo. Um clássico absoluto.



Nota: 5 de 5

Ttitulo original: Streetcar Named Desire

Lançamento: 1951 (EUA)

Direção: Elia Kazan

Atores: Marlon Brando, Vivien Leigh, Karl Malden e Kim Hunter

Duração: 125 minutos

Drama